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A Delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical, que foi fundada em 1952 a quando da visita do então Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues, iniciou mais uma temporada artística no dia 21 de Novembro de 1956, apresentando no Concerto inaugural a jovem e talentosa pianista italiana Annarosa Tadei.
O recital que teve a presença do Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos G. Q. de Portugal da Silveira, realizou-se no Teatro D. Pedro V perante numerosos sócios da agremiação cultural.
O programa que Annarosa Tadei executou no seu concerto em Macau mereceu o completo agrado de quantos a escutaram e se deleitaram com a sua apurada técnica e sentido interpretativo, nomeadamente na Sonata Op. 53 em Dó («Waldstein»), de Beethoven , nos Seis Prelúdios  de Chopin, e na Rapsódia Húngara n.º 6, de Liszt.
Annarosa Tadei, (1918-2011) artista pianista italiana, aluna de Alfredo Casella (a última aluna da sua escola), foi a discípula predilecta do célebre pianista e professor Alfred Cortot (discípulo de Maurice Ravel) que conheceu depois da guerra em 1947 (após falecimento de Alfredo Castella). Uma carreira artística invulgar em concertos e participando em orquestras sinfónicas prestigiosas em todo o mundo e alguns álbuns gravados (após 1951). Em 1976 devido a problemas com os pulsos das mãos deixou de actuar em público tornando-se professora e membro de júris de importantes competições de piano (foi membro do júri duma competição em Hong Kong em Janeiro de 2007).
https://www.naxos.com/person/Annarosa_Taddei/38972.htm

http://www.vintageadbrowser.com/celebrities-ads-1960s/4 

Uma entrevista com a pianista em
https://www.youtube.com/watch?v=yapJ4KHTE24&list=PLF578D713728FD094&index=1
(1) «MBI» IV-80, 1956.

Extraído de «BGC» XXVI – 307, Janeiro de 1951
Anteriores referências a este  Comandante Militar de Macau, de 15 de Novembro de 1950 a Junho de 1952, coronel de infantaria (seria depois promovido a brigadeiro a 15 de Março de 1951) Paulo Bénard Guedes (1892 – 1960) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paulo-benard-guedes/

Foi depois promovido a General e governador-geral da Índia entre 1952 e 1958 (já em 1945 e 1946 ocupara o cargo de Governador –Geral interino)

Conta o Padre Teixeira, um episódio passado com o este Comandante:
Paulo Benard Guedes, comandante militar lembrou-se de acrescentar mais um andar ao edifício do Grémio Militar (Clube Militar). Pediu autorização ao Ministério, mas foi-lhe negada. Quando posteriormente ele soube que o Grémio (que serviu de alojamento aos refugiados de Hong Kong na II Guerra e ocupado irregularmente pelo Governo em 1945, instalando aí a repartição de Fazenda do Conselho)   era propriedade particular, disse: «-Ainda bem que me negaram a licença.». (TEIXEIRA, P. Manuel – Os Militares em Macau, 1975. p. 498
No entanto deve-se a este comandante militar o auxílio e as facilidades concedidas para a restauro do Grémio que passou a denominar-se Clube Militar em 1952, (re)inaugurado pelo Ministro do Ultramar aquando da sua visita ao Território.

Informações da Imprensa estrangeira «France Presse» e «Reuter» acerca dos acontecimentos na China (guerra civil) e seu reflexo em Macau que o «Boletim Geral das Colónias» publicou em duas notícias semelhantes em Dezembro de 1949 (1) e em Janeiro de 1950 (2)

Foi a 9 de Novembro de 1949 que o general Wang Zhu, máximo responsável militar na área, declarou taxativamente que «a posição da vizinha Macau será absolutamente respeitada» Garantias nesse sentido foram secretamente transmitidas às autoridades portuguesas dois dias depois. (PEREIRA, Bernardo Futscher – Crepúsculo do Colonialismo. A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), 2017)

NOTA: A República Popular da China, na sequência da vitória de Mao Zedong (Mao Tse Tung – 1893 – 1976- 毛澤東) sobre o Kuomitang de Chiang Kai-Shek (Jiang Jieshi – 蔣介石1887-1975) que se retira para a Ilha Formosa (Taiwan) foi fundada a 1 de Outubro de 1949. Zhou Enlai (Chu En Lai – 周恩来 – 1898-1976), Primeiro Ministro entre 1949 e 1976, também Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1949 e 1958, publicou um comunicado expressando a intenção de abrir relações diplomáticas entre o seu Governo e os Governos de todas as nações, com base na igualdade e no mútuo respeito (excepto com Taipei).

Zhou Enlai – 周恩来 em 1946
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zhou_Enlai

Zhou Enlai  enviou um ofício ao ministro de Portugal na China a exprimir a vontade do novo regime chinês. Mas António Salazar rejeitou tal opção.
Sobre Macau, Zhou Enlai reconheceu ser inútil tomar Macau pela força, como exigiam na altura alguns radicais maoístas e os soviéticos, pois seria pernicioso para os interesses da China. Em 1952 aquando do conflito militar às Portas do Cerco, José Estaline (Josef Stalin – líder da União Soviética) ao querer inteirar-se sobre Macau, Zhou Enlai respondeu-lhe “Macau continua, como anteriormente, nas mãos de Portugal”.
Apesar de oficialmente não haver relações diplomáticas entre Portugal e a RPC,  em Macau, a diplomacia paralela ia funcionando com os intermediários:  O Lon (director clínico do Hospital Kiang Wu; 1.º secretário da cédula do Partido Comunista em Macau transferido para Cantão em 1951 , o seu irmão O Cheng Peng (Ke Zhengping) que em Agosto de 1949 funda a Sociedade Comercial Nam Kwong (no fundo o governo sombra da RPC em Macau até 1999); e Ho Yin, o líder da comunidade chinesa até à sua morte em 1983.  (dados recolhidos de SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997 e FERNANDES, Moisés Silva – Macau nas Relações Sino-Portuguesas, 1949-1979. Administração XII-46, 1999.
(1) «BGC» XXV  – 294, Dezembro de 1949.
(2)  «BGC» XXVI – 295 , Janeiro de 1950.

Título e artigo retirado duma rubrica que Luís Gonzaga Gomes manteve durante alguns números da revista «Mosaico» de 1952.
Kuó-Ká-Máu – 過家 – Gatas que atravessam as ruas
É termo que se emprega para se referir às mulheres que não param em casa, e, por isso, vivem quase que exclusivamente na rua, passando o dia a visitar a casa desta e daquela, em constante prática de bisbilhotice, conhecendo assim a vida particular de toda a gente.

Lêong-Fân –涼粉 – Farinha fresca
É uma geleia feita com farinha de coquinhos (castanhas aquáticas) e apresenta-se com cor negra e com o formato do alguidar que lhe serviu de forma. Esta geleia, vendida só no Verão, é servida em malgas, aos bocados ou ralada, com calda de açúcar e, apesar de por este facto ser muito doce, deixa, no entanto, um travo especial na boca.
Ora, na China (antiga) as criadas de servir costumavam andar vestidas de tch´áu preto e, por isso, se lhe referiam geralmente como membros da hák-i-tui (grupo de trajos negros). E, assim, a situação embaraçosa criada pelos patrões que mantiveram relações ilícitas com as suas servas é comparada à geleia lêong-fân, tão agradável ao paladar na ocasião em que é saboreada, mas cujo travo fina, isto é, as consequências, se não pode escapar.
mandarim pīnyīn: guō jiā māo; cantonense jyutping : gwo1 gaa1 maau1
涼粉mandarim pīnyīn: liáng fěn; cantonense jyutping : loeng4 fan2

A bordo do novo paquete “Índia” da Companhia Nacional de Navegação, chegou no dia 22 de Setembro de 1951, um contingente composto de 527 homens, sob o comando do Tenente-coronel Acácio Vidigal das Neves e Castro, que vieram render os seus camaradas cuja comissão de serviço foi dada por finda.

O Comandante Militar de Macau, Coronel de Infantaria Tirocinado (depois Brigadeiro) Paulo Bénard Guedes (1) tenho à direita o Coronel A. Cabrita e à esquerda o  Tenente -coronel  Acácio das Neves Castro.
Após o desembarque, os novos soldados formados para seguirem para os seus quartéis. (2)

Nesta data, 22 de Setembro de 1951, procedeu-se a uma remodelação dos nomes das companhias estacionadas em Macau terminando a designação de «Expedicionário»(3)
Assim:
1 – O 1.º Batalhão de Caçadores de Moçambique que desembarcou em Macau a 28 de Junho de 1951 e  ocupava nessa data os aquartelamentos da Porta do Cerco, Ilha Verde, Mong Há (Fortaleza e Asilo) e Ramal dos Mouros, passou a designar-se Batalhão de Caçadores n.º 1 (3) Comandante: Major de infantaria Mário da Costa Santos Anino (4)
2 – O 2.º Batalhão de Caçadores de Moçambique que desembarcou em Macau a 28 de Junho de 1951 e estava aquartelada em Coloane, passou a designar-se Batalhão de Caçadores n.º 2.  (3) (5) Comandante: Major de infantaria Mário Gustavo A. Barata da Cruz.(4)
3 – A Bataria Independente de Artilharia Anti-Aérea 4cm Expedicionária que estava em Mong Há, transformou-se em Bataria de Artilharia Anti-Aérea 4 cm. (3) Comandante: Capitão de artilharia Gastão M. de Lemos Lobato Faria.(4)
4 -A Bataria Independente de Artilharia Anti-Aérea Expedicionária de 7, 5 cm que estava na Flora desde o desembarque em 1949, e estava aquartelada nessa data no aquartelamento das Barracas Metálicas de Mong Há, desde Julho de 1951, transformou-se em Bataria de Artilharia Anti-Aérea de 7,5 cm. (3) Comandante: Capitão de artilharia Maurício Martins Lopes. (4)
5 – A 1.ª Bataria de Artilharia Ligeira de Moçambique transformou-se em Bataria de Artilharia Ligeira de 8.8 n.º1. (3) Comandante: Capitão de artilharia Eduardo Afonso Rodrigues Salavisa.(4)
6 – A 2.ª Bataria de Artilharia Ligeira de Moçambique transformou-se em Bataria de Artilharia Ligeira de 8,8 n.º 2.  Ficou administrativamente adida à Bataria de Artilharia Ligeira 8,8 n.º 1.  (3) Comandante: Capitão de artilharia Adriano Vitor Hugo L.  Cadima. (4)
O agrupamento de Batarias de artilharia estava sob o comando do Tenente-coronel de artilharia Acácio Vidigal das Neves e Castro.(4)
7- A Companhia de Engenharia Expedicionária, que em 1949 foi para o aquartelamento da Fábrica de Panchões (junto à Porta do Cerco), foi transferida para o aquartelamento da Flora (barracas metálicas) e passou nesta data a designar-se Companhia de Engenharia. (3) Comandante: Capitão de engenharia Henrique Pedro Daniel D. Silva P. Aranda.(4)
8 – A Companhia de Metralhadoras (no quartel de S. Francisco) foi transformada em esquadrão Motorizado sob o comando do capitão Cavalaria José Carlos Sirgado Maia. (3)
(1) Ver anteriores referencias em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paulo-benard-guedes/
(2) Fotos de «Mosaico» III-14, 1951.
(3) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau. Gabinete das Forças de Segurança de Macau, 1999.
(4) Anuário de Macau 1951-1952.
(5) Os batalhões de Moçambique que vieram substituir os de Angola saíram de Macau em Setembro de 1953 no navio «Niassa», na sequência dos incidentes na Porta do Cerco que culminaram em 25 de Julho de 1952 com a morte do soldado africano Joaquim Mundau (6) e consequente início da redução dos efectivos militares, deixando de haver mais soldados africanos em Macau.
(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1952-falecimento-de-jacinto-mundau/

Mais uma cédula (1) (danificada, faltando um pequeno pedaço na parte superior e outro menor na parte inferior) do Banco Nacional Ultramarino – Macau, de 20 – vinte avos, de 11 cm x 6 cm de dimensões, com o número 1211047. Autorizado pelo Decreto N.º 35.785 – Lisboa, 6 de Agosto de 1946.
As cédulas de 20 avos foram emitidas em 1942, 1945, 1946 e 1952. A casa impressora foi a litografia ”Hong Kong Printing Press – Hong Kong”, nos anos 194, 1945 e 1946. Em 1952 foi a “Bradbury Willkinson & Co  – Londres”.
Esta cédula de coloração acastanhada com a imagem das “Ruínas de S. Paulo”, tem assinatura do Director da Fazenda (fac-simile) e do Gerente (fac-simile).
Verso de coloração mais arroxeada, com o brasão de armas de Portugal.
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/notafilia/

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/