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Fotos de Catela (1) publicadas em 1936, (2) mas tiradas provavelmente em 1934 quando estiveram em Macau os aviadores, capitão Humberto Cruz e o mecânico António Lobato durante 5 dias no raid Lisboa-Timor-Macau-Índia. Lisboa. O aparelho Dilly – um “De Havilland Leopard Moth”, com motora Gipsy Major de 130 cavalos – aterrou a 18 de Novembro de 1934 no hipódromo da Areia Preta. Durante a estadia, voaram sobre a cidade com o fotógrafo Catela que tirou 180 retratos aéreos da Colónia. (3)

Vista aérea da península de Macau 
Vista aérea do centro da cidade, vendo-se o Largo do Senado
Vista aérea da Avenida Vasco da Gama e Campo da Caixa Escolar
Vista aérea dos terrenos conquistados ao mar que foram cedidos à Companhia de Abastecimento de Águas para a construção de reservatório
Vista aérea do Porto Interior

(1) José Neves Catela faleceu aos 49 anos de idade, em Macau, a 1 de Fevereiro de 1951. Natural de Alpiarça, onde nasceu em 1902, encontrava-se em Macau desde 1921 sendo funcionário da Secção de Propaganda de Macau. (informação da revista MOSAICO). Sobre este fotógrafo ver referências anteriores em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/

(2) Extraído de «Directório de Macau de 1936»,

(3) , Luís Andrade de – Aviação em Macau, um século de aventuras. Livros do Oriente, 1990, p.66; https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/humberto-da-cruz/

Na tarde de 21 de Julho de 1951, no campo dos operários (pelado) (1) defrontaram-se os primeiros classificados do campeonato militar e do campeonato civil de futebol em miniatura, (2) saindo vencedor o grupo civil Leng Yee, que derrotou o adversário por 2-0

O grupo Leng Yee com a taça que ganhou
O capitão do grupo Leng Yee recebendo a taçadas mãos do sr. Ung Tchek  Ii, representante da Associação dos Cambistas Chineses, doadora da taça

Extraído de “Mosaico”, II-1 de Agosto de 1951

(1) Lugar actualmente ocupado pelo Hotel Grand Lisboa.

“Associação de Futebol em Miniatura de Macau (AFMM) – grande regozijo a notícia do despacho do Governador cedência dum terreno nos aterros da Praia Grande para a construção dum campo para a prática de futebol em miniatura” (3)

(2) Os Estatutos do Futebol em Miniatura (vulgo Bolinha) foram aprovados em 06-11-1943 – Portaria n.º 3251 (posteriormente foram actualizados a 08-05-1963, Portaria n.º 7:245, data em que o nº de equipas inscritas eram mais de 25) (4)

A.F.M.M. inaugurou a sua nova sede bem como o campo de jogos na Praia Grande a 29-08-1953, e iniciou o Campeonato de Bolinha, no dia 1 de Setembro, de 1953, o qual foi precedido dum festival desportivo de inauguração do campo de jogos e abertura do Campeonato de Macau. Inscreveram 24 grupos, 12 portugueses e 12 chineses, os quais disputaram a prova divididos em três séries diferentes. Os três primeiros classificados de cada série disputaram entre si o título de campeão, numa «poule final». O magnífico troféu posto à disputa intitulava-se “Taça Governador Joaquim Marques Esparteiro.” (3)

(3) «Macau Boletim Informativo», Ano I, n.º 2, 31 de Agosto de 1953, p. 13)

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 277).

D. Lígia Pinto Ribeiro cantando no Teatro D. Pedro V

Realizou-se na noite de 14 de Abril de 1952, um concerto, no Teatro D. Pedro V, em benefício do Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios, promovido pela senhora Lígia Pinto Ribeiro, (1) esposa do Dr. Aires Pinto Ribeiro, ilustre Chefe de Serviços de Saúde. (2) Acompanhou-a ao piano, o professor Harry Ore. (3)

O professor Harry Ore, na execução de um dos números do seu programa

A Sra. D. Lígia Pinto Ribeiro recebendo cestos e ramalhetes de flores das mãos dos alunos do Colégio D. Bosco

Os lugares de honra, no Teatro D. Pedro V, ocupados pelas altas individualidades da província

Fotos extraídos de «MOSAICO», IV-21/22 de Maio e Junho de 1952

(1) Lígia Edmunda de Morais Correia de Sá Pinto Ribeiro – ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ligia-pinto-ribeiro/

(2) Dr. Aires Pinto Ribeiro (1899) – Formado em Medicina pela Universidade do Porto, praticou nos hospitais do Porto, nomeado em 1925 médico do Quadro de Saúde Moçambique, onde esteve em diversas funções médicas até 1948, quando foi transferido para Macau para exercer o lugar de Chefe da Repartição Central dos Serviços de Saúde (4 de Maio de 1948). Em 1950 nomeado vice-presidente do Conselho do Governo e em 1951, tomou posse do cargo de Encarregado do Governo (18 de Abril até 23 de Novembro de 1951, data da chegada do Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro (1951-1957). Em 15 de Abril de 1955, nomeado Inspector Superior da Saúde do Ultramar pelo que deixou a chefia da Repartição Provincial dos Serviços de Saúde e Higiene de Macau, em 31 de Julho, seguindo para Portugal a 1 de Agosto. Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aires-pinto-ribeiro/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harry-ore/

Três grandes nomes da medicina que exerceram a sua profissão em Macau. Estes anúncios foram publicados no Anuário de Macau, 1921.

José Caetano Soares (Almendra, freguesia de Trancoso 1887- Lisboa 1963) – Estudou medicina na extinta Escola Politécnica no Porto e depois, em 1912, concluiu o curso na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa. Estagiou no Hospital de S. José (Lisboa) onde adquiriu a prática de cirurgião. Iniciou a sua vida de médico, ingressando no quadro de saúde de Moçambique como tenente- médico e em 1913 (Portaria de 5-4-1913) foi mandado servir no quadro de Macau até 1915 (com uma comissão de serviço em Timor). Após regresso de Timor em 1916, rescindiu o seu contrato como médico militar, sendo exonerado em 25-07-1916. Passou a exercer clínica particular e a ser o primeiro facultativo do «Partido Médico Municipal», recém-criado pelo Leal Senado (posse a 1-11-1916). Na mesma altura nomeado Director do Hospital de S. Rafael, da Santa Casa de Misericórdia. Começou também nessa ocasião a fazer clínica em Hong Kong aonde se deslocava semanalmente. Em 30-11-1918 casou-se com Maria Luísa da Silveira Lorena Santos. Os seus filhos (dois rapazes e uma menina) nasceram todos em Macau. Manteve-se em Macau até 22 de Julho de 1937 (22 anos de actividade clínica) tendo regressado a Portugal, fixando residência em Lisboa. Deixou escrito um livro notável de investigação histórica “Macau e a Assistência – Panorama médico-social”, de 544 páginas, que foi publicado em 1950, pela Agência Geral das Colónias. Pelos seus serviços no território, o Leal Senado, deu o seu nome à Rua da Cadeia, que hoje se chama «Rua Dr. Soares» (1) (2)

NOTA: anteriores referências neste blogue em: em:https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-caetano-soares/

José António Flipe de Morais Palha (Mormugão, Índia Portuguesa 1872 – Macau 1935). Licenciou-se em medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e frequentou o Instituto de Oftalmologia dessa cidade. Serviu como graduado em guarda-marinha desde 5-08-1893 a 2-08-1894. Foi promovido a alferes a 22- 07-1898. Chegou a Macau a 3.03-1900, como facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde de Macau e com guia da Canhoneira «Zaire». (em 1-07-1900 passaria ao serviço dos corpos da guarnição). Comissão em Timor de 30-01-1902 a 7-12-1908; 24-01-1908 -? ; 31.03-1913 a 16-03-1914 (já como capitão médico). Em 2-09-1918 promovido a major-médico e a 10-09-1920 a tenente-coronel médico. Em 1917 nomeado chefe interino dos Serviços de Saúde e depois efectivo neste cargo. Casou, em 1922, com Adélia Gonçalves Rodrigues. Deixou uma filha adoptiva. Entre outras actividades oficiais, foi professor do liceu (em 1900- de língua alemã; em 1912 a 1918, professor do 6. º grupo). Reformado em 15-05-1926. Faleceu em Macau a 2 de Novembro de 1935. (2)

NOTA: anteriores referências neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

António do Nascimento Leitão (Aveiro 1879- 1958)

Curso de Medicina na escola Médico-Cirúrgica do Porto com 18 valores; curso de Medicina Tropical com 12 valores; curso de Medicina Sanitária com 17 valores; curso especial de Medicina Operatória na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris e e curso de Radiologia Médica no Hospital de Saint Antoine, de Paris. Subdelegado de saúde em Lisboa. Facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde de Macau e Timor por Decreto de 4-04-1907 (B.M.U. n.º 8). Chegou em Macau e 8 de Julho de 1907. Destacado para Timor em 1913, esteve ali algum tempo, regressando a Macau em 1917, após especializar-se em radiologia). Em Macau destacou-se como médico-cirurgião e radiologista (capitão – médico, depois promovido a major-médico e a seguir tenente-coronel médico), como médico sanitário, nomeado director do Laboratório de Radiologia em 1922, Director do Laboratório Bacteriológico do Hospital Militar (1919) e subchefe interino dos Serviços de Saúde (nomeado em 13 de Agosto de 1926). Regressou a Portugal em 1951. (2)

“Homem de cem ofícios” como lhe chamou o Padre Teixeira (“Foi um dos bons médicos que conhecemos”).

NOTA: sobre este médico recomendo leitura de António Aresta em «JTM», 4 de Agosto de 2016: https://jtm.com.mo/opiniao/antonio-nascimento-leitao/ Anteriores referências neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-do-nascimento-leitao/

(1) Rua Dr. Soares começa na Rua dos Cules, entre a Calçada do Tronco Velho e o Beco da Cadeia, e termina na Avenida Almeida Ribeiro, ao lado do edifício dos Paços do Concelho.

(2) Breves notas biográficas, retiradas de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volume 2(III-IV), 1998. 566 p., ISBN 972-97934-2-5.

Extraído de «BGU», n.º 314, Ano XXVII, Agosto de 1951

Aspecto da assistência à celebração da Festa de Portugal (10 de Junho), levada a efeito na gruta de Camões, vendo-se ao centro a tribuna de honra presidida pelo Governador Capitão-tenente Albano Rodrigues de Oliveira (1) e o Dr. José Tertuliano Cabral a discursar. O outro orador foi Lei Chong Meng, director da Escola Secundária chinesa. No fim da sessão desfilaram numerosas delegações de escolas portuguesas e chinesas que depuseram flores na base do monumento.

(1) Nesse ano, em 23 de Novembro de 1951 tomava posse novo governador, Joaquim Marques Esparteiro https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albano-rodrigues-de-oliveira/

Na noite de 7 de Maio de 1952, o Governador e sua Esposa homenagearam o brigadeiro Paulo Bénard Gudes e sua Esposa com um jantar de despedida, no Palácio da Praia Grande, ao qual assistiram altas individualidades civis e militares. (1) O Comandante Militar, coronel de infantaria, Paulo Benard Gudes (1892 – 1960) chegou a Macau a 15 de Novembro de 1950. Foi promovido ainda em Macau, a brigadeiro em 15 de Março de 1951. Foi depois promovido a General e governador-geral da Índia entre 1952 e 1958 (já em 1945 e 1946 ocupara o cargo de Governador –Geral interino). (2)

O governador Marques Esparteiro brindando pelas prosperidades do Brigadeiro Paulo Bénard Gudes e Esposa
O Brigadeiro Paulo Bénard Guedes agradecendo o brinde do Governador.

(1) Fotos extraídos de «Mosaico» IV-21/22 de Maio e Junho de 1952

(2) Anteriores referências: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paulo-benard-guedes/

A TODOS, BOM ANO

Extraído de «BGC», XXVI-309 Março 1951.

Ainda a propósito da visita a Portugal de 29 representantes dos principais jornais ultramarinos que decorreu nos meses de Novembro e Dezembro de 1951 (ver postagem anterior), (1) recupero mais duas fotos dessa visita publicada no «BGU» (2).
Recordo que em representação de Macau foram quatro jornalistas: o redactor do «Notícias de Macau», Luís Gonzaga Gomes, o cónego Dr. Fernando Maciel do »Clarim» e dois jornalistas chineses.
Na Presidência do Conselho, com o Dr. António Oliveira Salazar e o Ministro do Ultramar
Manuel Maria Sarmento Rodrigues (3)

Na estação da Barragem Trigo de Morais

A barragem de Vale do Gaio ou barragem Trigo de Morais localiza-se no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, Portugal. Situa-se no rio Xarrama. A barragem foi projectada em 1936 e entrou em funcionamento em 1949
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/11/30/noticias-de-novembro-dezembro-de-1951-visita-dos-jornalistas-do-ultramar-a-portugal/
(2) «BGU» XXVII-319, Janeiro de 1952..
(3) Manuel Maria Sarmento Rodrigues (1899–1979), ministro do Ultramar de 2 de Agosto de 1950 a 7 de Julho de 1955, esteve em Macau em Junho de 1952.  Ver anteriores referências, nomeadamente  e esta visita em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-m-sarmento-rodrigues/

Realizou-se nos dias 6 e 7 de Outubro um intercâmbio desportivo entre os portugueses de Hong Kong e Macau, tendo sido disputados com grande animação e concorrência, os diversos desafios de hóquei em campo, ténis e bridge.
Macau saiu vencedora em ténis e hóquei em campo mas perdeu no bridge.
O Encarregado do Governo e esposa assistiram interessados ao desafio de hóquei em campo entre os grupos de Hong Kong e Macau, no campo do Tap Seac.
O grupo de honra do Hockey Club de Macau que derrotou o grupo visitante por 2 a 0
De pé (da esqª para dtº) Herculano da Rocha, , Augusto Jorge, César Capitulé, José Vítor do Rosário, Armando Basto, Humberto Rodrigues
1.ª fila: Luís da Cunha, Frederico Nolasco da Silva, Lourenço Ritchie, Fernando Marques Marques, Albertino Almeida
Os grupos de 2.ªs categorias do Clube de Recreio e Hockey Club de Macau
O vice-cônsul de Hong Kong, sr. Fernando Ribeiro, entregando a Taça Brazão ao Sr. António de Melo, capitão do Ténis Civil de Macau que derrotou o Club de Recreio de Hong Kong por 8 a 1.
Os numerosos convivas que participaram no jantar de confraternização
O representante do grupo de Hong Kong, Sr Jackie Noronha, agradecendo a hospitalidade de Macau.
Extraído de «Mosaico» III-15/16,1951

Hóckey (Oquei) Club de Macau – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente : António Emílio Rodrigues da Silva
Secretário: Engenheiro Humberto Rodrigues
Tesoureiro : Herculano Silvânio da Rocha
Vogais: Frederico Nolasco da Silva e Pedro Hyndman Lobo

Ténis Civil – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente – Dr Cassiano C. de Castro Fonseca
Secretário: Eduardo Batalha da Silva
Tesoureiro Armando Rodrigues da Silva.

Existiu uma Associação de Bridge de Macau, que teve como presidente foi Frederico Nolasco da Silva, mas não consegui determinar com exactidão a data da sua existência.

Em consequência das circunstâncias que nessa altura afligiam a China, numerosos mendigos e vadios procedentes das diversas partes da China vieram a Macau. Para os albergar (todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistência, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos) foi criado um centro de apoio e abrigo de mendigos e vadios, a título experimental e provisório na Ilha da Taipa, onde lhes foram fornecidos agasalho, alimentação, assistência médica e possibilidades de trabalho (1)

Abrigo de mendigos e vadios na Vila da Taipa
Os três barracões do referido abrigo

A Portaria na.º 4:998 de 8 de Setembro de 1951 foi substituída em 20 de Fevereiro de 1954, pela Portaria n.º 5:529  (B. O. n.º 8) (2)
Este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20) (3)
(1) Extraído de «Mosaico», III-14 de Outubro de 1951.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/20/noticia-de-20-de-fevereiro-de-1954-abrigo-de-mendigos-e-vadios-ilha-da-taipa/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/