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A nova draga «Almirante Carmona» 
A cábrea flutuante 

Cábrea flutuante: espécie de guindaste instalado em barco, ou outro dispositivo flutuante, para embarcar e desembarcar cargas. É utilizada para embarcar ou desembarcar grandes pesos sem necessidade de atracar o navio ao cais.
Extraído de BGC, XXVI –311, 1951.

O Aviso «Pedro Nunes» ao deixar Macau, à saída do Porto Interior (1)

O aviso «Pedro Nunes» esteve em Macau  cerca de 30 meses; partiu de Lisboa para Macau em Janeiro de 1948 conforme noticiou o BGC (2)
A canhoneira Pátria nas águas de Macau, cerca de 1930

(1) BGC XXVI-302-303, 1950.
(2) BGC XXIV- 271, 1948.

Mais dois marcadores da colecção de seis marcadores de livro intitulada “仔炮竹“Extra Selected Firecrackers” e apresentada em (1) (2)

Etiqueta de embalagem da “ Him Son Firecrackers Factory
Etiqueta de embalagem da “Him Son Firecrackers Factory” (verso)

“Him Son Firecrackers Factory fundada em 1948, foi a quarta fábrica de panchões estabelecida na Taipa.

Etiqueta de embalagem da “Him Yuen Firecrackers  Co
Etiqueta de embalagem da “Him Yuen Firecrackers  Co” (verso)

“Him Yuen Firecrackers  Co” fundada em Novembro de 1925, foi a terceira fábrica de panchões estabelecida na Taipa.

Etiqueta de embalagem da “Kwong Yuen Firecrackers Co
Etiqueta de embalagem da “Kwong Yuen Firecrackers Co” (verso)

“Kwong Yuen Firecrackers Co” foi fundada em 1931, foi a quarta fábrica de panchões estabelecida na Taipa.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/14/marcadores-de-livros- -etiquetas-de-embalagens-de-panchoes-das-fabricas-da-ilha-da-taipa-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/08/marcadores-de-livros-etiquetas-de-embalagens-de-panchoes-das-fabricas-da-ilha-da-taipa-ii/

Artigo publicado no «Notícias de Macau» por Luís G. Gomes (1)
(1) Reproduzida depois no «Boletim Geral das Colónias», Ano XXIV, Maio de 1948, n.º 275 pp. 216-218.

Uma nota oficial, distribuída à imprensa constava o seguinte:
No dia 19 de Dezembro de 1954, vindo de Cantão, chegou o capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo Comandante da Polícia de Segurança Pública desta província, que se encontrava ausente na China desde 22 de Março de 1952“.
Embora a notícia oficial local não mencionasse mais pormenores, o relatório sobre a sua situação no Comando Militar de Macau, mencionava-o como desertor.
Na tarde do dia 22 de Março de 1952, o capitão de infantaria Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo comandante da Polícia de Segurança Pública (comandante do corpo da PSP entre 27 de Junho de 1946 e 1 de Janeiro de 1948) (1) e que nessa ocasião exercia o cargo de chefe de serviços de informações do comando da guarnição militar, foi capturado pela Armada do Exército Popular de Libertação (EPL) quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Aparentemente a “pequena embarcação … descaiu, aproximando-se da ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin), (2) sendo detido pelos chineses” (3),
Só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. Esteve em cativeiro em Cantão, 31 meses.
O período em causa (1952-1954) decorreu o conflito entre Macau e a China, o chamado “Incidentes das Portas do Cerco” (que se vinham “avolumando desde há meses e se intensificaram no mês de Maio com confrontos ligeiros nos dias 1,12 16, 19, 21, 28 de Maio e no dia 2 de Junho entre as sentinelas chinesas e os militares portugueses – guarnição da portas do Cerco com praças moçambicanas) e terminando no dia 23 de Agosto de 1954, com o pedido formal de desculpas ao general Li Zuopeng, chefe de Estado-Maior do distrito militar de Guangdong, por Pedro José Lobo, na qualidade de representante da administração portuguesa de Macau. (3) (4)

(1) Referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin) – actualmente a Ilha de D. João e a Ilha de Montanha (Tai-Vông-Kâm / Dahengqin ) estão ligadas por aterros formando a Ilha de Hengqin /横琴
(3) FERNANDES, Moisés Silva – Os Incidentes das Portas do Cerco de 1952: o conflito entre os compromissos internacionais e os condicionalismos locais – Working Papers do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 2005
Disponível para leitura em:
href=”http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf”>http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf
Imagem retirada de
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(4) A comissão da negociação foi presidida por Pedro José Lobo e integrava Ho Yin (He Xian) (um dos principais dirigentes da comunidade comercial chinesa do território) que foi o intermediário na libertação do capitão Salgado.

O serviço dos transportes citadinos em auto-ónibus em Macau começou a vigorar desde 1924. Manteve-se ele em regime de livre concorrência até que em 1928 resolveu o Leal senado abrir praça para a sua concessão em exclusivo.
A «Kee Kwan Motor Road Co.» (1) com sede em Macau e proprietária da estrada que mandou construir para ligar a cidade com o território chinês (Seac Kei) (2) ficou com a adjudicação pelo prazo de 10 anos, a contar de Outubro de 1928.
Passados os 10 anos e devido à situação incerta criada pela guerra sino-nipónica, foi o contrato prorrogado temporariamente, acabando por morrer de morte natural durante a Guerra do Pacífico.
Durante esta Guerra, pode-se dizer que paralisaram por completo os serviços de transportes citadinos.
Em 2 de Julho de 1947, em praça aberta ao público, concedia ao Leal Senado o exclusivo de transporte em auto-ónibus a uma nova companhia chamada «Companhia de Auto-Ónibus de Macau». (3) Cumpridas as formalidades legais, foi a respectiva escritura de adjudicação do exclusivo, assinada em 8 de Outubro de 1947, estabelecendo-se que a sua duração seria pelo prazo de seis anos, contados seis meses depois da assinatura do contrato. Em fins de Março de 1948 começaram as novas carreiras (em 1950 tinha cinco itinerários diferentes) custando cada viagem a quantia de 20 avos, por pessoa. A Companhia tinha em 1950 uma frota de 25 viaturas.

autocarro-companhia-de-auto-onibus-de-macau-1950Um autocarro de transporte de passageiros dentro da cidade da Companhia de Auto Ônibus de Macau

A antiga companhia «Kee Kuan» continuou a funcionar, fazendo ligações entre Macau e os territórios chineses circunvizinhos e vice-versa, não se interessando pelas carreiras locais. O Leal Senado autorizou essa situação pelas vantagens para Macau nas suas ligações com os territórios vizinhos, impondo porém, a condição de que os ónibus da «Kee Kuan» não pudessem parar, dentro da área da cidade, fosse para meter fosse para deixar passageiros.
A Companhia pagou, por este privilégio, uma renda anual à Câmara.
(1) A companhia «Kee-Kuan Motor Road C.ª» tinha a sua sede na Rua das Lorchas s/n.
(2) Shiqi / Seac Kei / Sek Kei – ver anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/shiqi-seac-kei-sek-kei/
(3) A companhia «Auto-ónibus de Macau» tinha a sua sede na Rua da Lorcha n.º 43.

Não obstante o aparecimento dos ónibus, com carreiras regulares, ter resolvido em grande parte o problema dos transportes, continuavam os automóveis que faziam serviço na praça a exigir, com sucesso, tarefas exageradíssimas. (1)
Em face disso e havendo várias pessoas interessadas no serviço de automóveis com taxímetros, resolveu o Leal Senado igualmente abrir praça para a concessão do exclusivo desse serviço, tendo em sua sessão ordinária, de 10 de Março de 1948, feito a adjudicação a Companhia de Táxis “Oriente”, (2) pelo prazo de 2 anos. A escritura foi assinada em 30 desse mês e antes de findar o mês seguinte, já a nova Companhia punha 10 viaturas em serviço, número esse que em 1950, era de 14.

companhia-de-taxis-orienteUm automóvel de passageiros da Companhia de Táxis «Oriente», com uma inovação : taxímetro.

Este serviço teve o condão mágico de imediatamente fazer descer, para aproximadamente um terço, os preços pedidos pelos automóveis de praça. Não contentes com isso, os proprietários destes foram reduzindo os seus preços ao ponto de elas serem em 1950 inferiores à tarifa dos táxis o que causa grande prejuízo a estes, cerceando-lhes o seu desenvolvimento.
A seguir a relação dos veículos automóveis em circulação em Macau (excluídos as viaturas pertencentes aos Serviços Militares) nos anos 1946 a 1948.

1946 1947 1948
Automóveis ligeiros 125 163 282
Automóveis pesados 46 60 179
Motocicletas simples 16 12 29
Motocicletas com carro lateral 7 7 4
TOTAL 194 242 494

Dados retirados do Anuário de Macau, 1950.
(1) É de salientar que o meio de transporte naquela época, em Macau, mais popular e mais barato era ainda o riquexó ou jerinxá. (3) Em 1950 estavam registados na cidade de Macau, 25 empresas ou locadores deste tipo de veículos.
(2) A Companhia de táxis «Oriente» tinha a sua sede na Rua dos Mercadores n.ºs 108-110
(3) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Nos enleios subtis de fantasia,
Florido é o jardim da vida bela!
Quantos há que, sonhando, vivem nela
De doces ilusões em prenhe orgia!
 
Por longes terras, leda correria,
Libando em cada flor, em cada estrela,
Não temem o perigo de perdê-la.
Que ditoso sonhar, doce magia!
Mas não é de sensatos tal viver,
Pois a vida não é flor, é amargura
E a ilusão do  prazer mui pouco dura.
 
Na vida é mor fortuna mais sofrer;
Ter espinhos, martírios suportar.
Que prazeres e gozo é vão sonhar!

Rolando das Chagas Alves (1)
O Clarim“, 1950

(1) Poema de Rolando das Chagas Alves incluído nas duas antologias : “Trovas Macaenses” (1992), p. 163 e “Antologia de Poetas de Macau” (1999), p. 93.
Rolando das Chagas Alves, nasceu em Macau em 1923. Foi funcionário dos Serviços de Saúde e do Banco Nacional Ultramarino em Macau. Um dos fundadores do jornal «O Clarim» (2) e colaborador em vários jornais de Macau, nomeadamente «O Clarim», «Notícias de Macau» e «Gazeta Macaense»
É seguramente, um dos melhores poetas da sua geração e de até ao tempo actual, nada justificando o semi-anonimato em que permanece a sua poética, de tão impressiva como genuína qualidade.
Poeta de grande sensibilidade e de observação impressionista, tem-se por grande pesar não haver ainda publicado em forma de livro, o melhor da sua poesia“(REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.)
(2) O jornal “O Clarim” que iniciou como semanário, a sua publicação em 2 de Maio de 1948 , só apareceu quando um grupo de jovens católicos (composto por José Patrício Guterres, Herculano Estorninho, José Silveira Machado, Abílio Rosa, Gastão de Barros, José de Carvalho e Rego, Rui da Graça Andrade e Rolando das Chagas Alves) apresentou aos padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa a ideia de publicarem um jornal.
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Clarim_(Macau)
Anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rolando-das-chagas-alves/

Realizou-se, no dia 7 de Julho de 1951, um animado arraial, promovido por uma comissão da presidência da senhora D. Lígia Pinto Ribeiro, esposa do Encarregado do Governo, no Ténis Militar e Naval, (1) em benefício do Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios.
Esta festa popular esteve muito animada e foi muito concorrida (2)

MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar IO Encarregado do Governo, Dr. Aires Pinto Ribeiro, (3) o General Pinto Monteiro, (4)  o Brigadeiro Benard Guedes (5) e esposa, o Capitão Álvaro Salgado (6) junto a uma mesa interessantemente ornamentada
MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar IIA barraca do “pão com chouriço”
MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar IIIDanças regionais
MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar IVO Grupo Musical Esperança que animou a festa
MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar VA barraca da comida chinesa
MOSAICO II-12 AGO1951 - Arraial no Ténis Militar VIA barraca da comida indiana

(1) O Ténis Militar e Naval de Macau foi constituído em 1932 (estatutos aprovados a 13 de Abril de 1932)  pela fusão dos antigos “Ténis Militar” e “Ténis Naval”, que foram extintos a partir dessa data (CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999).
(2) Informações e fotos de «MOSAICO», 1951.
(3) O governador Comandante Albano Rodrigues de Oliveira (governo entre 1947-1951) regressou a Lisboa no dia 18 de Abril de 1951, ficando encarregado do Governo o Dr. Aires Pinto Ribeiro, até 23 de Novembro de 1951, data da tomada de posse de Joaquim Marques Esparteiro.  Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aires-pinto-ribeiro/
(4) O General Joaquim Pinto Monteiro, Inspector Militar às forças portuguesas do Extremo-Oriente, esteve em  Macau de 2 de Julho a 4 de Agosto de 1951, tendo partido neste dia para Timor.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/07/02/noticia-de-2-de-julho-de-1951-inspeccao-as-tropas-portugue-sas-em-macau/
(5) O Brigadeiro Paulo Bénard Guedes (1892 – 1960) foi Comandante Militar de Macau de 15 de Novembro de 1950 a Junho de 1952. Foi depois  promovido a General e governador-geral da Índia entre 1952 e 1958.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/07/02/noticia-de-2-de-julho-de-1951-inspeccao-as-tropas-portugue-sas-em-macau/
(6) O Capitão de Infantaria  Álvaro Marques de Andrade Salgado era o comandante da Companhia de engenhos expedicionária que desembarcou em 9 de Abril de 1949  e extinta em 1 de Agosto de 1951 (ver NOTA POSTERIOR do post de 22-04-2013) (7). Foi preso pelas autoridades chinesas (segundo estas,  encontrava-se em água territoriais chinesas) em 1952 quando velejava em Coloane e levado para Cantão. onde esteve cativeiro durante 31 meses. Somente foi libertado em 19 de Dezembro de 1954.
O Relatório sobre a sua situação do Comando Militar de Macau, tratava-o como desertor.
Anteriormente já tinha estado em Macau como tenente durante a guerra do Pacífico e  depois como capitão, Comandante do Corpo de Polícia de Segurança de Macau de 27 de Junho de 1946 a 1 de Janeiro de 1948.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/19/noticia-de-19-de-agosto-de-1943-episodio-relatado-por-um-militar-no-quartel-da-guia-aquando-do-assalto-ao-vapor-sai-on-ii/
(7)https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/22/noticia-da-chegada-das-tropas-expedicionarias-em-1949/
NOTA: sobre o Colégio D. Bosco ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-d-bosco/

Duas fotos relacionadas com a fábrica de artefactos de malha Chi-Sang que laborou durante anos na Rua Francisco Xavier Pereira s/n.º.
ANUÁRIO 1938 - Fábrica de Malhas INo período de 1933 a 1935,  era um dos dez artigos mais exportados de Macau movimentando por exemplo nos anos 1933  (253.500,00 patacas ), 1934 (228.556,81 patacas) e 1935 (230.638,00 patacas).
Nas décadas de 30 e 40 (século XX), os artefactos de malha mantiveram-se como um dos principais artigos exportados de Macau (outros artigos mais exportados: panchões, fósforos, pivetes, peixe e mariscos, vinho chinês, moedas, tabacos, óleo de canela).
Em 1938,  havia 5 fábricas de artefactos de malha.

1 – Chi-Sang na Rua Francisco Xavier Pereira s/n.º (1)
2 – Chong-há na Rua dos Mercadores n.º 4
3 – Iong-moc-tong na Travessa Maria Lucinda n.º 15
4 – Wai-san na Avenida Almirante Lacerda n.ºs 6-8-10
5 – Wai-man na Rua João de Araújo n.ºs 12-22

Estabelecimentos fabris de artefactos de malha em 1947 (9); 1948 (7); 1949 (8)
ANUÁRIO 1938 - Fábrica de Malhas IINo Anuário de 1950 referia somente duas fábricas:
1 – Chun San na Rua Francisco Xavier Pereira n.º 47 (possivelmente a mesma fábrica referida no ano de 1938; ou mudou de nome da fábrica ou alteração da grafia utilizada
2 – Chong A na Rua de S. Paulo  n.º 35