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Mais um assalto de piratas, no dia 18 de Abril de 1917, ao «Fantan» Uai Vó, de Macau. Pedido feito pelo Comissário de Polícia para, pelo Governo de Macau, ser solicitada ao de Cantão a extradição de um dos implicados naquele assalto, o chinês Chiang Loi Choi, também conhecido pelo nome de Chiang Foi Loi e que se encontrava preso em Heong San. Pedido que não pode ser atendido, por não haver precedentes e por não existir, no tratado entre Portugal e a China, disposições que permitam fazer cumprir tal pedido.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
Sobre pirataria no mar da Sul da China, aconselho leitura dum artigo recente publicado on line em Fevereiro de 2018, no «Journal Asian Affairs» Volume 49, 2018 – Issue 1
PURBRICK, Martin – Pirates of the South China Seas, pp.11-26
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/03068374.2018.1416010?scroll=top&needAccess=true

Publicado na «Gazeta das Colónias» (1), a propósito dos monumentos a Ferreira do Amaral e Nicolau Mesquita.
Desde 1917 que o Governo de Macau está autorizado a dispender uma determinada verba, a que naturalmente for julgada suficiente, com a construção dum monumento à memória dos dois heroicos defensores de Macau, o malogrado governador Ferreira do Amaral e o bravo Nicolau de Mesquita.
Várias vezes a imprensa local tem tratado o assunto, insistindo pela realização dessa justa homenagem.
Passados 7 anos ainda nada há feito. O nosso brilhante colega «O Combate» voltando mais uma vês a lembrar essa sagrada dívida de gratidão, regista o seguinte contraste:
«Na colonia ingleza de Hong Kong, foi em 1949 aberta uma subscrição para um monumento a Sir Henry May, que naquele ano deixará o Governo da Colonia; pois em abril ou principio de Maio de 1923, isto é, quatro anos depois, fez-se a inauguração do monumento»
Não estranhe colega; talvez que Sir Henry May tivesse morrido ainda não tivesse feito o monumento.
A gratidão humana, rara vezes é despida duma esperança em futuros benefícios.
Ferreira do Amaral e Nicolau de Mesquita foram dois Portugueses, mas … morreram.
(1) «Gazeta das Colónias» I n.º 12 de 30 Outubro de 1924.
Disponível em:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/GazetadasColonias/N12/N12_master/N12.pdf

Livro de Henrique Manuel Vizeu Pinheiro com o título “INSPIRAÇÕES”, de 1950
Pequeno opúsculo (83 páginas) contendo pequenas reflexões, pensamentos, meditações, breves crónicas, apontamentos, etc., num total de 43 escritos, colectados desde “Patriotismo” (escrito a bordo do “Empress of Canada”) de Abril de 1923, até “Envelhecido” de Agosto de 1950.
O prefácio é de Hernâni Anjos: (2)
“… O autor não o diz nem talvez espera que lho digam mês, decerto, compreenderá que eu lho observe: o seu opúsculo, mais do que uma colectânea de breves crónicas, surge-me, a princípio, como um aliciante salão, vazio de materialismo mas repleto de profunda espiritualidade, em cujas alvas paredes o autor tivesse ido pendurando, pela vida fora, os quadros pessoais, muito pessoais, que dessa mesma vida e através dela foi pintando…..”

MEDITANDO

Quando ao nosso redor deparamos com objectos que foram pertença de entes queridos que já não podem voltar, avivamos, na retina, essas imagens que o Tempo tende a apagar! Mas o Tempo, contrariado na sua acção demolidora, longe de perdoar … leva-nos também, para junto desses queridos que já dormem no Além!
São aqueles pequenos nadas da vida, que, por vezes, a levam de fugida!

Macau, Junho de 1950

NOTA: A única referência que consegui obter referente a este autor, além da apontada em (2) , é a seguinte:
15-08-1917 – Processo n.º 508 – Série P – Indemnização concedida ao 1.º oficial de Fazenda, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro, da quantia de esc. 17$12, relativa à diferença entre o custo da passagem, via terrestre, de Barcelona a Lisboa e a quantia que lhe fora abonada para a compra da referida passagem”. Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I – Jan/Jun 1985.
(1) PINHEIRO, H. M. Vizeu – Inspirações. Impresso na Imprensa Nacional, Macau em 1950, 83 p., 19 cm x 14,5 cm.
(2) Hernâni Anjos dedicou na revista «Mosaico» de 1951, o soneto “Rossio” a Henrique M. Vizeu Pinheiro. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/27/salve-macau-seis-sonetos-de-hernani-anjos-vi/ 

Averiguações feitas pelo Comissário da Polícia sobre o facto apontado pelo diário chinês de Macau «Ou Mun Iat Pou», em que os empregados do exclusivista de recolha de matérias fecais exigiram dinheiro à população, pela remoção daquelas matérias das latrinas das casas.

Processo n.º 64 – Série A –  Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I – Jan/Jun 1985.

Hoje comemora-se o centésimo aniversário do nascimento do Padre Salesiano César Brianza, (1) professor de Música e de Religião e Moral no Colégio D. Bosco. (2) Formado pelo Conservatório Nacional de Lisboa, fundou em 1959 o coral dos “Pequenos Cantadores do Colégio D. Bosco” (3) dirigindo-o durante 16 anos.
Em 1962, juntamente com o Padre Áureo Castro, fundou a “Academia de Música de São Pio X”. O Padre César Brianza também foi orientador artístico da Banda da Polícia de Segurança Pública entre 1966 e 1980.
Em sua homenagem recupero um artigo (não assinado) publicado na Revista “Macau – Boletim de Informação e Turismo, (4) acerca da viagem do Coro «Os Pequenos Cantores» às Filipinas, nos últimos dias do mês de Janeiro e primeiros dias de Fevereiro   de 1976.
Nas Filipinas repetiram os mesmos êxitos. Se bem que com menos demora por estas terras intimamente ligadas à história deste nosso território, as suas qualidades artísticas e particularmente a sua preparação como conjunto coral foram motivos de estranheza admirativa da numerosa assistência que as descobriu nos concertos a que teve oportunidade de assistir. E os aplausos com que sublinhavam o seu entusiasmo e a sua admiração, traduziam o testemunho duma autêntica consagração dos nossos jovens intérpretes duma arte que vence os limites de todas as fronteiras nacionais… (…) que nos pode representar em qualquer parte do mundo…(…)

Os «Pequenos Cantores» na execução dum concerto nas Filipinas

Claro que um bom escultor consegue transformar uma pedra tosca, bruta, dura e informe numa obra prima capaz a de desafiar os séculos e os mais desencontrados gostos humanos. E o padre Brianza, maestro do conjunto, da matéria impreparada que lhe colocaram entre mãos, teve a habilidade de a converter em vozes harmoniosas que arrebatam, com todo o seu poder de emoção, uma assistência inteira… (…)
E as nossas autoridades diplomáticas que, com compreensiva modéstia, se haviam referido ao Grupo, porque não o conheciam, convenceram-se, perante o comprovado nível artístico dos concertos executados, que tínhamos em Macau um conjunto musical de elevada categoria. (…)

Os «Pequenos Cantores» confraternizam com estudantes filipinos, na sua embaixada de arte e amizade.

(1) Foto de «JTM », Uma Vida Ligada à Música, 4 de Abril de 2014
http://jtm.com.mo/local/uma-vida-ligada-a-musica/
(2) “O Padre César Brianza iniciou os seus estudos de piano em Hong Kong sob a égide do conhecido maestro Elisio Gualdi. Partiu depois para Xangai, onde recebeu lições de Kostevich, outro grande maestro, até partir para Lisboa, em 1954, onde tirou o curso de piano no Conservatório Nacional. Dois anos mais tarde partiu para Viena, para um estágio de três meses no Augarten Palaiso, o que lhe permitiu assistir frequentemente aos ensaios do aclamado grupo coral «Viena Boys Choir» “. (1)
(3) “A sua dedicação ao grupo dos Pequenos Cantores em Macau, que fundou em 1959, teve um grande impacto não só nos próprios jovens, como também no território. Conhecido pela sua dedicação, o Padre Brianza conseguiu transmitir aos jovens do Colégio Salesiano Dom Bosco uma confiança na procura de atingir a perfeição, merecendo rasgados elogios em cada actuação. Levar os Pequenos Cantores ao Japão foi um sonho tornado realidade para o padre, mas não se ficou por aqui, havendo outras digressões às Filipinas, Portugal, Singapura e Malásia.” (1)
(4) Macau B. I. T. XI-1-2,1976
Anteriores referências a este sacerdote e à deslocação dos «Pequenos Cantores» ao Japão em:
https://www.google.pt/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-#q=nenotavaiconta+C%C3%A9sar+Brianza&*

12-12-1917 – Processo n.º 180 – Série C – Ordem dada à Mesa da Confraria do Senhor Bom Jesus dos Passos para intentar a competente acção contra o herdeiro de D. Eufémia Francisca dos Reis, a fim de conseguir o reembolso da quantia de $ 200,00 que a referida Confraria emprestou em 1911, à mesma senhora, sobre a hipoteca do prédio n.º 1 da Rua Central, devendo a Mesa, no caso de este meio não ser suficiente para reaver aquela quantia e os devidos juros, intentar a acção competente contra os mesários, a cuja negligência se deve atribuir o facto dessa importância não ter sido cobrada, quando o referido prédio foi vendido em hasta pública judicial. (Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I – Janeiro/Junho de 1985).

 

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iO Liceu Central de Macau (1927)

No dia 11 de Dezembro de 1923 foi nomeada Amália Alda Jorge para reger, interinamente, as disciplinas do 2.º grupo Português/Francês -do Liceu Central. Terá sido, ao que sabemos, a primeira professora do sexo feminino, no Liceu Central. (1) (2) (3)
Nesse ano de 1923, o Liceu de Macau estava instalado no edifício do antigo “Hotel Boa Vista”. Só a 12 de Julho de 1924, mudaria a instalação para o prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira – as fotos do Liceu no ano de 1927.

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-ii-escadasA entrada do Liceu Central de Macau (1927)

Amália Alda Pacheco Jorge, é a filha mais velha de José Vicente Jorge, nascida em S. Lourenço a 30-08-1898 e faleceu em Lisboa a 17.03.1977. Foi professora primária e em 1923/1924 nomeada professora do 2.º grupo do Liceu. Estudou medicina (1924/1925) em Lisboa cujo curso frequentou até ao 2.º ano tendo regressado a Macau após falecimento da mãe, em 30 de Dezembro de 1926, porque, como irmã mais velha, sentiu-se responsável pelos irmãos (11), alguns deles ainda muito novos. (4)

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iii-varandaA varanda do Liceu Central de Macau (1927)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) O Liceu de Macau que foi criado pela Carta de lei de 27 de Julho de 1893, regulamentada pela Portaria Provincial de 14 de Agosto de 1894, foi elevado a Central em 8 de Outubro de 1917 pelo Decreto n.º 3.432. Quando foi criado, o Liceu de Macau ministrava em três cursos: o curso geral (4 anos), o de letras (3 anos) e o de sciências (3 anos). Era condição essencial para a matrícula ao Curso de Letra ou de Sciências, possuir os 3 primeiros anos do Curso Geral. Este regime foi alterado pala Portaria Provincial de 16 de Setembro de 1897, que mandou pôr em vigor a organização dos Liceus Nacionais da Metrópole, terminando desde então, os cursos de letras e de sciências, e ficando o Liceu apenas com o Curso Geral, que passou a ser de 5 anos.
(3) Consta no «Anuário de 1924» como professora interina do 2.º grupo (Português e Francês) D. Amália Aldo Jorge. Nomeada secretária da 1.ª e 5.º classe, e regente das seguintes disciplinas: francês 1.ª, 2.ª e 5.ª classe e Matemática da 1.ª classe. O seu pai José Vicente Jorge era professor provisório do 3.º grupo (Inglês); secretário de 6.ª e 7.ª classe e regente das seguintes disciplinas: inglês 2.ª, 3.ª, 4.ª 5.ª 6.ª e 7.ª classe
(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II.

Neste dia, 19 de Outubro de 1917, foi proibido em Macau, a exibição do filme «Perigo Amarelo» (1)
O filme “Perigo Amarelo” (“The Yellow Menace”) foi um seriado (2) da época do cinema mudo, produzido pela «Serial Film Corporation» (E.U.A.), em 1916, no género aventura. Tinha 16 capítulos (3), não sei qual dos capítulos terá sido proibido mas pressuponho que tenha sido os primeiros.
the-yellow-menace-iO filme já tivera uma reacção negativa nas primeiras exibições nos E. U. A. (4) por apresentar uma história com um sentido anti-asiático pois alertava o povo americano para o perigo amarelo, da infiltração dos chineses tentando tomar o poder e destruir a cristandade e a civilização “branca”. Para isso, o seriado demonizava os asiáticos como predadores sexuais, apresentando imagens negativas da China, sendo o vilão (mongol) chamado «Ali Singh» protagonizado por Edwin Stevens (actor “branco”) um sádico, cruel e fanático em destruir a América.
the-yellow-menace-ii(1) 19-10-1917 – Processo n.º 269 – Série F – Proibição da exibição, nesta cidade, do filme «Perigo Amarelo». (A. H.M. – Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I , 1985.
(2) “The Yellow Menace” da Produtora «Serial Film Corporation», filme a preto e branco, tinha 16 capítulos (estreia nos E. U. A. a 4 de Setembro de 1916; o episódio 16 no dia 18 de Dezembro de 1916). O director foi William Steiner com argumento de Audrey M. Kennedy baseado numa história de Louis Tracy.
Elenco: Edwin Stevens, Florence Malone, Marguerite Gale.
Foi o único seriado da «Serial Film», companhia cinematográfica presidida por William Steiner. O filme não foi proibido em Portugal, tendo estreado a 4 de Fevereiro de 1918. Presentemente não se encontra nenhuma cópia (considerado perdido)

the-yellow-menace-i-actor-edwin-stevensO actor Edwin Stevens, o vilão «Ali Singh»

the-yellow-menace-iv(3) Os títulos dos episódios: 1. Hidden Power 2. The Mutilated Hand 3. The Poisonous Tarantula 4. Plot of a Demon 5. The Haunted House 6. The Torture Chamber 7. Drops of Blood 8. The Time-Clock Bomb 9. The Crystal Globe 10. A Message from the Sky 11. The Half-Breed’s Hatred 12. Aeroplane Accident 13. The Spy and the Submarine 14. Interrupted Nuptials 15. The Pay of Death 16. The Final Strand.

(4) Em 1916, chineses nos E. U. A. protestaram atacando os cinemas onde estavam o filme “The Yellow Menace”
the-yellow-menace-iiiAnúncios do filme em Setembro de 1916 em que se chamava a atenção ao tratamento dado pelos vilões asiáticos à heroína (branca)
NOTA: os fotogramas das cenas foram retirados de:
http://www.imdb.com/media/rm1013244160/tt0007598
– o poster do 16.º episódio foi retirado de:
http://www.icollector.com/The-Yellow-Menace-Unity-Sales-1916-One-Sheet-27-X_i6097311

Os serviços de incêndios de Macau foram, em tempos remotos prestados pelos seus próprios habitantes e com material adquirido por particulares.
Até ao ano de 1882, (1) não havia estações de bombeiros, mas apenas postos para a armazenagem do material sendo todo o pessoal constituído por empregados das lojas comerciais, fabricas e outros moradores.
Datam de 1883 os primeiros «Serviços de Incêndios», sob a administração da Fazenda Pública. (2)  Mais tarde, esses serviços passaram à administração da Direcção das Obras Públicas, cujo director desempenhava as funções de Inspector de Incêndios. (3)
Esses serviços, até 1914, (4) eram rudimentares e insuficientes para a cidade, cujo desenvolvimento populacional aumentava em ritmo acelerado.
No ano de 1914, (5) o sr. Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndios  a sua viatura automóvel, um das poucas existentes em Macau, que ao alarme de fogo, ou de outro sinistro, acorria sem perda de tempo, ao Quartel de S. Francisco, a fim de transportar o Inspector de Incêndios e os bombeiros auxiliares (militares).
Em face deste evidente atraso, o então major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes, (6) já pela generosidade que era seu timbre, já pelo que em Portugal fizera (2.º comandante dos Bombeiros Municipais de Lisboa) e pelo que vira no estrangeiro, resolveu dotar esta Cidade de Nome de Deus com um serviço de incêndios, a que tinha indiscutível direito, pelo que seu crescente desenvolvimento comercial e industrial, pela expansão das suas artérias e pela sua categoria de grande centro do Sul da China.
E assim se criou, em 30 de Outubro do ano de 1915, a «Inspecção de Incêndios», tendo por seu 1.º Inspector Comandante o detentor da medalha «Torre e Espada», ganha honrosamente ao célebre incêndio da «Madalena», o major João Carlos Craveiro Lopes. (7)
A técnica a empregar na extinção de fogos, posta em vigor em 1915, foi ensinada por este Grande Bombeiro, saudoso pai do actual Presidente da República Portuguesa.
Igualmente a Corporação lhe deve o ter sido apetrechado com material e ferramentas apropriados para os serviços de prevenção e ataque, além das melhores bombas a vapor, conduzidas por tracção animal.
Foi em 1917 adaptada a 1.ª viatura automóvel em «Pronto-Socorro», cedida pelos «Serviços dos Correios de Macau» à «Inspecção de Incêndios».
Em 1919, passou a «Inspecção de Incêndios» a designar-se «Corpo de Bombeiros» a cargo da Câmara, para efeitos de administração. (8)
Em 1922, a Corporação começou a ser equipada com apropriadas viaturas motorizadas das mais completas, da Casa Merryweather. (9)
Em 1923, a Corporação passou a denominar-se «Corpo de Salvação Pública, voltando à administração directa do Governo da Província subordinado à Secretaria Geral do Governo. (10)
Em 1936, coube à Repartição Técnica de Obras Públicas a administração do mesmo. (11)
Nos termos do § 1.º do art. 12.º do Decreto n.º 31:714 do Ministério das Colónias, conjugado com o art. 47.º do D. L. n.º 908, do Governo da Província de Macau, o Corpo de Salvação Pública com o seu pessoal e material transitou para o Leal Senado, a partir de 1 de Janeiro de 1946. (12)
A Corporação, passou então a denominar-se «Corpo de Bombeiros Municipais», de acordo com a Organização dos Serviços do Leal Senado da Câmara de Macau.

obras-e-melhoramentos-1947-1950-pronto-socorro-cbmO novo pronto-socorro do Corpo de Bombeiros Municipais. em 1955

O edifício situado na Estrada Coelho do Amaral serve de «Quartel dos Bombeiros» e tinha 14 divisões: parque para viaturas, casernas, central telefónica, comando, secretaria, arquivo, porto médico, arrecadação, casa-escola, cantina, sala recreativa, sala de aulas, barbearia e campo desportivo.
Em 1951, foi instalado um «Posto de Incêndios» para a protecção do Bairro e moradores das Casas de Madeira da Ilha Verde.
Em 1955, a corporação era constituída por 75 elementos incluindo o Comandante, Manuel Dimas Pina e seu ajudante, Napoleão da Guia de Assis. Tinha ao seu serviço o seguinte efectivo de viaturas:
1) 2 Pronto-Socorros (Ford V-8)
2) 1 Pronto -Socorro (Ford)
3) 1 Auto-Bomba (Dennis)
4) 1 Ambulância (Ford V-8)
5) 1 Ambulância (Austin)
6) 1 Camioneta (Ford)
7) 1 Carro-de-Comando (Willy´s Overland)
8) 2 Moto-Bombas (Merryweather)
9) 1 Moto-Bomba (Pfalaz)

obras-e-melhoramentos-1947-1950-ambulancia-cbmA nova ambulância do Corpo de Bombeiros Municipais, em 1955

(1) “18-03-1867 – Foram aprovadas, provisoriamente, por portaria régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.” (13)
(2) “25-09-1875 – Nomeado pela Portaria n.º 79 o Major de Engenharia do exercito de Portugal, Augusto César Supico, para o cargo de Inspector de Incêndios. Exonerado em 20-01-1879“. (14)
(3) “20-01-1879 – Exonerado o Major Eng.º Augusto Cesar Supico do cargo de Inspector dos incêndios e nomeado o Major Raymundo José de Quintanilha , Director das Obras Públicas , para exercer o mesmo cargo“. (14)
(4) “28-04-1912 – Nomeação de Simeal José Gregório Madeira, sota da Inspecção dos Incêndios de Macau”. (15)
(5) “1914 – Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndio o seu automóvel, um dos primeiros que existiram em Macau a fim de acorrer com mais presteza aos sinistros. O pessoal de incêndios, na maioria militares, estava aquartelado em S. Francisco”.(15)
(6) “09-10-1915 – Louvado o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, comandante do Corpo da Polícia (mais tarde General e Governador do Estado da Índia e pai do Marechal Craveiro Lopes, Presidente da República) por se ter oferecido para ministrar instrução de bombeiros a um núcleo de praças do Corpo de Bombeiros Voluntários que satisfaça às exigências da cidade de Macau.(15)
(7) “1-11-1915 – Nomeado para interina e cumulativamente exercer o cargo de Inspector de Incêndios o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes (P.P. n.º 253). Exonerado a 13-03-1916″ (15)
(8) “26-04-1919 – A Inspecção de Incêndios de Macau é extinta e criado em sua substituição o «Corpo de Bombeiros». Nesta data pela Portaria n. 80, B. O. n.º 17 é aprovada a organização do Corpo de Bombeiros de Macau, extinguindo a Inspecção de Incêndios . A  2-09-1919, este passa para o Leal Senado”.(15)
(9) “1922 – O Corpo de Bombeiros de Macau recebe equipamento e viaturas modernos. (15)
(10) “01-09-1923 – O corpo de Bombeiros volta para o Governo da Província e passa a denominar-se Corpo de Salvação Pública. (15)
(11)  “7-03-1936  – O Corpo de Salvação Pública de Macau – os «Soldados da Paz», até aí vinculado à Secretaria Geral do Governo, passa a estar ligado às Obras Públicas (15).
(12)  “01-01-1945 – O Corpo de Salvação Pública transita para o Leal Senado, passando a Corpo de Bombeiros Municipais”. (15)
(13) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(14) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol. 3, 1995
(15) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Vol. 4, 1997

Retirado do artigo “Corpo de Bombeiros Municipais de Macau“, publicado no «Anuário de Macau, 1953-55»,

Tellurologie e Climatologie CAPAPequeno opúsculo, (1) 2.ª edição, em francês, que contém o Relatório da participação médica no 4.º Congresso de Medicina Tropical do Extremo Oriente, realizado na Batávia (2), em 1921, elaborado pelo Dr. António do Nascimento Leitão (3).
Tellurologie e Climatologie 1.ª páginaEste exemplar, na segunda folha, encontra-se uma dedicatória feita pelo autor ao Senhor António d´Almeida Morais e assinado com a data de Agosto de 1921.
O autor baseando no estudo telurológico/climatológico e nosológico de Macau analisou os dados de 10 anos, os elementos climáticos/meteorológicos do território nomeadamente temperatura, pressão atmosférica, ventos, humidade e chuva. (II Capítulo).
A primeira parte do trabalho (I Capítulo) faz um resumo da Telurologia do território: situação geográfica e configuração; o solo e seu relevo, constituição geológica e mineralógica do solo; e considerações hidrológicas.
No III Capítulo, traça a situação geral dos agentes transmissores da peste.

Tellurologie e Climatologie MAPA Macau 1921Mapa de Macau de 1921 escala de 1 / 20 000
Estão assinaladas as letras: A – Praia da Areia Preta; B – Praia de Cacilhas; C – Praia da Guia; D – Praia Grande; E – Porto Interior; F – Aterros e bacia do Patane; G – Aterros em execução; I – Ilha Verde e outros 42 números correspondentes a sítios/locais/edifícios públicos/cemitérios/monumentos, etc de maior interesse.

As conclusões do trabalho científico apresentado foram:
Do estudo telurógico/climatológico e nosológico de Macau conclui-se que:

  • Durante todo o ano, o clima de Macau é salubre e refractário a certas doenças.
  • Durante a época outonal/inverno (Outubro a Março), Macau estará incluído na classificação da “Estação Climática do Mar da China”, pois que nessa época, seu clima temperado tem as características do clima mediterrâneo.”

NOTA: Telurologia é uma disciplina científica através da qual podemos identificar como é a expressão energética do nosso planeta em cada instante e como nos afecta na nossa vida quotidiana.
(1) LEITÃO, António do Nascimento – Tellurologie et Climatologie Médicales de Macao (Macao Station Climtique). Macao, Imprimerie de l´Orphelinat Salésien, 1821, 73 p. +  4 mapas + 7 fotografias; 25 cm x 16 cm.
(2) Jacarta (Indonésia). Até 1949 era Batavia, nome dado pelos holandeses quando foi fundada em 1619.
(3) António do Nascimento Leitão, médico-cirurgião, radiologista (capitão – médico; promovido a major-médico e depois a tenente-coronel médico) chegou a Macau a 1907 (destacado para Timor em 1913, esteve ali algum tempo, regressando a Macau em 1917, após especializar-se em radiologia, em França) como Médico Sanitário, nomeado director do Laboratório de Radiologia em 1922 e director do Laboratório Bacteriológico do Hospital Militar em 1919. Foi Subchefe interino dos Serviços de Saúde (nomeado em 13 de Agosto de 1926).
Era membro correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Membro titular da Sociedade de Radiologia Médica de França e Oficial da Ordem Militar de Avis, etc. “Homem de cem ofícios” como lhe chamou o Padre Teixeira (“Foi um dos bons médicos que conhecemos”). Faleceu em Macau no dia 15 de Maio de 1954.
TEIXEIRA, P. Manuel – A Medicina em Macau, Vol. IV, 1976.