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Opúsculo do Engenheiro-Geógrafo Agostinho Pereira Natário (1) de 1957, com o título “Tufões que Assolaram Macau” (2), publicado pelo Serviço Meteorológico de Macau.

“O objectivo desta publicação consiste em trazer ao público a descrição dos tufões cujos centros compreendidos num raio não superior a 80 milhas de Macau afectaram o tempo na região.
Do exame de investigação feito a documentos existentes na Província, e a publicações da especialidade de Hong Kong, Filipinas e Xangai, apurou-se que 119 tufões, uns mais intensos que outros, modificaram o tempo na Província.

Tufões que Assolaram Macau CAPA

O tufão mais antigo que se conhece foi observado em Junho de 1348 ou 1347 por um viajante árabe – Ibn Batuta – que, por duas vezes, atravessou o Mar da China, entre as Filipinas e Amoy, num navio pertencente ao Rei de Sumatra do Norte. Este tufão é considerado pelo Rev. Pe. Miguel Selga (3) como um tufão histórico e outros que se não citam por não terem afectado o tempo na região.

Tufões que Assolaram Macau CONTRACAPAPor falta de elementos concernentes aos mais antigos, não foi possível identificá-los convenientemente, mas citam-se apenas como elemento informativo.
Os tufões que assolaram Macau deixaram bem vincada a marca da destruição, do terror e da miséria em virtude dos elevados prejuízos materiais associados, por vezes, a grandes perdas de vida. Ainda que todos ocasionassem prejuízos o certo é que alguns houve que passaram quase despercebidos; no entanto, a Província entre os muitos que o assolaram não esquecerá o de Setembro de 1874, (4) Maio de 1875, 18 de Agosto de 1923, (5) e Agosto /Setembro de 1937 dadas as circunstâncias especiais em que se observaram e a importância dos estragos e vítimas causados.”

(1) Chefe do Serviço Meteorológico de Macau.
(2) NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau. Serviço Meteorológico de Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1957, 20 p + 26 p. (gráficos, mapas e fotografias), 32 cm. x 23 cm.
(3) Padre Jesuíta Miguel Selga (1879-1956), nascido perto de Barcelona, foi historiador, astrónomo e cientista. Chegou a Manila em 1915 para trabalhar no Observatório de Manila, tendo sido depois o seu director.. Trabalhou nas Filipinas até 1946. Publicou imensos trabalhos científicos em diferentes áreas tais como eclipses solares, estudos meteorológicos, terramotos, vulcões e tufões. O mais importante trabalho publicado é o Atlas dos Tufões de Filipinas de1902-1934.
file:///C:/Users/Jorge/Downloads/2306-7940-1-PB.pdf
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/08/18/noticia-de-18-de-agosto-de-1923-macau-assolado-por-um-tufao/
Ver também outro separata publicada sobre os tufões do mar da China, em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/13/leitura-os-tufoes-do-mar-da-china/

Foi inaugurada a capela de Cemitério de S. Miguel, (1) pelo governador do Bispado, o padre António Luís de Carvalho, (2) tendo a planta desse edifício sido desenhado pelo Barão do Cercal. (3) (4)  Assistiram à inauguração, o Presidente do Leal Senado, camaristas, pessoal do Seminário e vários outras individualidades, tendo o Padre António Luís de Carvalho procedido à bênção solene da capela, celebrando, em seguida, ali a primeira missa.

Capela de S. MiguelCAPELA DO CEMITÉRIO DE S. MIGUEL NA DÉCADA DE 80

No átrio dessa Capela lêem-se as seguintes inscrições nas bases de duas colunas

Delineada                         Começada em
por                                       1874
Barão                                Concluído em
do                                         1875
Cercal

Recorda-se que o cemitério de S. Miguel foi benzido a 2 de Novembro de 1854, pelo Bispo D. Jerónimo José da Mata e entregue a sua posse ao Leal Senado em 1869.

A pequena capela existente no cemitério de São Miguel do Arcanjo construído com o objectivo de efectuar os ritos católicos funerários daqueles que iam ser sepultados neste cemitério, merece ser visitada. Esta pequena capela é um dos edifícios mais bem conservados em Macau. O exterior está pintado a verde e branco. Um vitral filtra luz colorida para o interior da capela.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_de_S%C3%A3o_Miguel_(Macau)

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/02/noticia-de-2-de-novembro-de-1854-cemiterio-de-s-miguel/
(2) António Luís de Carvalho foi Governador do Bispado entre 1870-1875, no período da vacância (1857-1877) (designa-se vacância, o cargo, neste caso, Bispo de Macau, que ficou vago enquanto não é preenchido por nova nomeação)
Durante a sua governação, foi criado o asilo para pobres e uma escola de português para chineses (1872); o Seminário de S. José, dirigido pelos jesuítas desde 1862, foi secularizado em 1871; e faleceu a última clarissa local (1875).
(3) 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-de-cercal/
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

A 11 de Março de 1875, o tenente João Procópio Martins Madeira, Comandante da Taipa e de Coloane, informava o Governo: (1)

“Defronte d´este forte (da Taipa) está a Ilha de D. João, onde há três povoações, a primeira tem o nome da ilha, a segunda Avane, e a terceira Chi-liom com; estas povoações tem estado ezentas de pagar qualquer imposto ao estado, não obstante terem redes de pesca, viveiros d´ostras, e muitos barcos pequenos que se empregão na pesca de caranguejo, e a condução de mato que cortão na aludida Ilha, e muitas vezes com abundancia d´agua.
Vizitei a povoação, mandei chamar um china velho proprietário em D. João, e soube que ele foi nomeado Tipu (regedor) a 24 de Junho de 1850 pelo snr. Ten Coronel Mesquita (2); desde essa epoca não houve outra nomeação, e essa à muito de nada servia porque os habitantes nada se importavão com tal auctoridade e nada lhe davão; em vista d´isto recebi o título que o Tipu tinha, e mandei avizar todos os habitantes principais para virem a este forte e aqui lhe ordenei que deviam nomear Tipu, e desde o corrente anno pagaram decima, assim procederam, nomeando Tipu o China Hiat-qui a quem dei o competente título o qual ficou encarregado do recebimento das decimas e já pagou a importancia de 9 1/2 patacas correspondentes ao 1.º trimestre do corrente anno.
A povoação de D. João pode tornar importante estando os seus habitantes livres de roubos a que estão sujeitos e muitos teem sofrido, por terem estado completamente abandonados, é mesmo possível estabelecer boticas e estaleiros para o que tem magnificos terrenos mas para isso será preciso pôr ali um destacamento, fazendo primeiro a caza , por enquanto bastavão três soldados e um cabo, os habitantes muito o desejão e mesmo agourão  para progredir, parecendo-me que mais tarde se tirariam bons resultados, havendo mesmo toda a conveniência para se ir recebendo os empostos que legalmente devem pagar, e se os resultados não forem como se espera pouco prejuízo haveria pois se aproveitaria a casa para dar aos loucanes da povoação, que também vou mandar nomear

 Mapa 1912Mapa da Colónia (MACAU E TERRITÓRIOS VISINHOS) de 1912, onde se visualiza, a oeste, as ilhas da Lapa (também chamada de PATERA)  (湾仔Wanzai)., de D. João (também chamada Ilha de Macarira) (小横琴Xiao Hengqin) e  da Montanha ou Tai-Vong-Cam  (大橫琴Da Hengqin )

A resposta do Secretário Geral do Governo a 18 de Março de 1875, quanto ao último parágrafo foi a seguinte:

“Pelo que respeita a construção de uma caza para ali se estabelecer um pequeno destacamento, julga S. Excia conveniente por enquanto não se fazer, pois em negocios que de algum modo prendem com direitos se soberania é necessário uzar de toda a reserva, e ir pouco a pouco alcançando vantagens, mas não de modo tão patente que possam despertar as atenções das auctoridades chinesas.
Pode V. S. organizar na dita ilha uma pequena guarda de loucanes de individuos das mesmas povoações sugeitas a sua auctoridade, e debaixo da direcção do dito tipu, por em quanto é o que convem fazer”

(1) TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1981, 190 p.
(2) Vicente Nicolau de Mesquita, promovido a tenente em 1850, foi nomeado comandante interino do posto da Taipa em 1851. Em 1857, foi promovido a capitão efectivo para o batalhão de Macau e major graduado em 1862 (major efectivo em 1863). Exonerado do comando da Taipa em 1863, para tomar o Comando da Fortaleza do Monte. Nomeado Tenente-coronel e comandante da Fortaleza de S. Tiago em 1867. Reformado no posto de coronel.

NOTA 1: Os portugueses construíram uma leprosaria na ilha de D. João e creio eu, uma escola  para os poucos chineses residentes na ilha. Após a invasão da China, pelo Japão, os portugueses, em 1938, ocuparam oficialmente a ilha (bem com as ilhas da  Lapa e da Montanha), com o pretexto de protegerem melhor os portugueses e os missionários aí residentes. Em 1941, o Exército Japonês ocuparam as três ilhas, afugentando a pouca tropa portuguesa aí estacionadas. No final da Segunda Guerra Mundial, a China recuperou as 3 ilhas.
Mapa Google

NOTA 2: As ilhas de D. João (“Pequena Ilha de Hengqin”) e da Montanha (“Grande Ilha de Hengqin”) estão presentemente ligadas por aterro que juntou as duas ilhas passando a ser uma só. A esta ilha foi dado o nome em chinês de Hengqin Dao  (橫琴島 / Ilha Hengqin;  mandarim pinyin: héng qin dão; cantonense jyutping waang4 kam4 dou2).  A Ponte Flor de Lótus faz a ligação entre esta ilha chinesa de Hengqin e a zona do Cotai (Taipa/Coloane). (https://maps.google.pt/maps)