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Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)

Extraído do “Anuário de Macau 1921”.
A foto vem legendada com indicação de Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)
Trata-se no entanto da Travessa do Auto Novo.
Começa entre as Ruas da Caldeira e da Felicidade e termina na Travessa das Virtudes. Foi-lhe dado este nome por se representarem ali os autos chinas. Em chinês cama-se Cheng Peng Hong ou Ch´eng Sán Kai ou Ch´eng P´eng Chek Kai; tem este nome por lá existir o Cineteatro Cheng Peng que é o prédio n.º 23 dessa Travessa, construído um pouco antes de 1907. (1)
O Padre Teixeira, parece não ter razão quanto à data de início (“um pouco antes de 1907”) pois há indicações do Teatro/Auto China ter iniciado em 1875, construído por Vong Lok, um destacado comerciante de Macau (um dos fundadores do Hospital Kiang Wu) (2) e ainda uma outra referência a este teatro, de 1872, aquando da visita do Príncipe Alexis a Macau (3) pois embora não venha mencionado o nome do teatro, a menção do empresário “Eloc” muito possivelmente será o mesmo do apelido “Lok”
O Cine-Teatro Cheng Peng, no início, a maior parte dos espectáculos eram sessões de ópera chinesa (cantonense e de Beijing) mas a partir da década de 20 do século XX, com a popularidade do cinema, passava já filmes (4) predominantemente filmes chineses embora continuasse a apresentar ópera chinesa e outros tipos de espectáculos: circenses, musicais como por exemplo a do artista Xavier Cugat em 1953 (5), o “Trio Odemira” na década de 60, os chamados “pop concert” com artistas e agrupamentos de Hong Kong na década de 60s, etc. Recordo neste cine-teatro, os dois festivais de música de 1963 e 1964, concurso para eleger o melhor conjunto “ié ié” de Macau. Renovado em 1970 voltou a passar filmes (mais chineses) mas reposições e os chamados filmes “B”. Fechou no dia 21 de Agosto de 1992 quando o sistema de ar condicionado se avariou.
Foi o Cineteatro que mais tempo esteve em actividade em Macau 1875 a 1992 (117 anos).
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume 1,1997, p. 493
(2) https://macaostreets.iacm.gov.mo/p/route/detail.aspx?gid=4&id=0bc7aeda-ee3d-47b8-95f7-493cdc1fc971
Anteriores referências a este Cine Teatro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cine-teatro-oriental/
(3) “29-09-1872 – No domingo, dia 29 de Setembro, após o almoço, a que assistiram também vários funcionários, o Príncipe Alexis visitou o Leal Senado e a Gruta de Camões. De tarde recebeu cumprimentos dos funcionários e, à noite, novo jantar de gala, após o qual assistiu num teatro a um auto-china. Não se esqueceu de galardoar o empresário do teatro, chamado Eloc, com um alfinete cravejado dum pérola e brilhantes…. “ (TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores do Macau, p. 13)
(4) Em 1925, projectou-se neste teatro o célebre filme de Lilian Gish “The White Sister” –  filme mudo americano (drama; filmado em Itália) de 1923 com Lillian Gish e Ronald Colman, dirigido por Henry King para a “Metro Pictures”.
https://www.youtube.com/watch?v=0Hh3ZcAEHPY
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/

Hoje, dia 23 de Agosto celebra-se a festa litúrgica de Santa Rosa de Lima. Amanhã dia 24, do ano de 1617, (precisamente 400 anos ) assinala a morte de Isabel Flores y Oliva, que ficou conhecida como Santa Rosa de Lima, mística da Ordem Terceira Dominicana,canonizada pelo Papa Clemente X em 1671 e a primeira santa nativa da América e padroeira do Peru. (1)

Painel numa coluna á entrada da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, tirada em 2016

Em Macau, desde cedo o nome de Santa Rosa de Lima ficou ligada à educação principalmente para órfãs e meninas.
1.º Havia o Recolhimento de Santa Casa da Misericórdia cuja primeira referência aparece num termo do Senado de 26 de Dezembro de 1718 em que atribuía a este Recolhimento a sustentação das Meninas orphaans filhas de Portuguezes , q com o beneplácito do Procurador e mais Irmãons da casa, se fará nella hum recolhimento co mais huma S.ª grave p.r Mestra das Orphaans”
O Recolhimento foi fundado em 1726 sendo provedor de Santa Casa António Carneiro de Alcáçova; foi aprovado por João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia, “com a clausula de que haverá no d.º Recolhimento uma Mestra, que possa ensinar às Orfas as artes de que necessita uma mulher para governar a casa.”
Em 1737, a Santa Casa fechou o Recolhimento por falta de dinheiro. Em 1792, foi fundado por D. Marcelino José da Silva, bispo de Macau (1789-1808) um Recolhimento ou casa de educação para meninas órfãs”. Mais tarde esta Casa tomou o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima. Em 1848, foi instalado na Casa das 16 colunas (posteriormente Instituto Salesiano) sob a direcção das filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, que no ano seguinte o transferiram para o extinto Convento de S. Agostinho; dali passou para o Mosteiro de S. Clara em 1857; mas em 1865, essas Irmãs saíram de Macau.
Em 1875 o governador José Maria Lobo d´Avila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) determinou o seguinte: “ Tendo sua Majestade por decreto de 2 de Outubro de 1856 anexado o recolhimento de Santa Casa Rosa de Lima ao Mosteiro de Santa Clara, a fim de poder ali crear-se uma casa d´educação para o sexo feminino…(…)… Attendendo  a que é de toda a conveniência o acabar o estado excepcional em que ficou o recolhimento de Santa Rosa de Lima depois da extinção de mosteiro de Santa Clara, devendo segundo a letra do supracitado decreto crearse ali uma casa d´educação para o sexo feminino. “

Colégio de Santa Rosa de Lima anexo ao antigo Convento de Santa Clara em 1956

A direcção e administração directa do Colégio era exercida por uma comissão, mas a inspecção ficava a cargo do governo. O presidente era um prelado diocesano, sendo vice-presidente o juiz de direito, e os restantes membros: dois cidadãos nomeados pelo governador (sendo um deles tesoureiro) e um capelão que servia de secretário.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas, portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros ( bispo de 1884-1897),  as Irmãs Canossianas (Filhas Canossianas da Caridade) tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Em 17 de Novembro de 1903, as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria que haviam instalados em Macau, no Mosteiro de Santa Clara, em 1903 e começaram a desenvolver trabalho missionário ligado ao ensino passaram também a dirigir o Colégio por ordem do bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro (bispo de 1902-1918). Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de Santa Rosa de Lima.
As Irmãs que chegaram a 27-1-1903 eram as seguintes:
Benedicta de S. Joaquim, Superiora (moreu em Tsingtao, 15-11-1921)
Leona du Sacre Coeur (moreu em Macau, 16-03-1956)
Antoine de Brive (moreu em Chefoo)
Edeltrud (morreu  em Macau)
Ambrosina (morreu em Macau, Fevereiro de 1953)
Zélia (morreu  em França)
Mais tarde chegaram as Irmãs Clotilde, M. da Apresentação, M. Chiara, M. Leónia e M. Dismas.
A 30 de Novembro de 1910, (I República Portuguesa) o Governo ordenou a saída das Franciscanas (o Colégio, nesse ano, tinha 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muitas delas internas) e a escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.(2)
As Franciscanas só voltaram a dirigir o Colégio em 1932.

Pormenor do mesmo painel (2016)

(1) Rosa de Lima (1586 – 1617), nome de baptismo: Isabel Flores y Oliva, beatificada a 15 de abril de 1668 por Papa Clemente IX e canonizada a 2 de abril de 1671, por Papa Clemente X. A Festa litúrgica é no dia 23 de agosto (Calendário Romano) embora seja comemorada a 30 de agosto em Peru. É também padroeira das Filipinas.
Santa Rosa de Lima era muita devota de Santa Catarina de Sena, um dos padroeiros de Macau (declarado pela Vereação do Senado a 2 de Maio de 1646)  e venerada na Igreja de S. Domingos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_de_Lima
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
Ver mais informações sobre o Recolhimento e Colégio de Santa Rosa de Lima em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-de-santa-rosa-de-lima/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casas-de-recolhimento-de-santa-rosa-de-lima/

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

Duas notícias do dia 8 de Novembro referentes ao Colégio de Santa Rosa de Lima:
A primeira, do dia 8 de Novembro de 1846, data em foi reorganizado o Colégio de Santa Rosa de Lima para educação de meninas (1)
A segunda, do dia 8 de Novembro de 1876, por Decreto, o governo da Metrópole com os rendimentos do recolhimento de S. Rosa e do Mosteiro de S. Clara constitui uma doação para o Colégio de S. Rosa de Lima, que tinha o valor aproximado de cem mil patacas, incluindo todos os edifícios, propriedades, foros e capitais, que foram destinados à sustentação do colégio (2)
No ano anterior (1875), o Convento de Santa Clara (onde funcionava desde 1857 o Recolhimento de Santa Rosa) fundiu-se com o Recolhimento de Santa Rosa, com o nome de Colégio de Santa Rosa de Lima.

colegio-de-s-rosa-de-lima-1907-man-fookColégio de Santa Rosa de Lima em 1907
Atribuída ao fotógrafo Man Fook

Entre estas duas datas, alguns apontamentos mais importantes:
21-12-1848 – As Filhas de Caridade de S. Vicente de Paula, que se estabeleceram em Macau devido aos esforços do Bispo D. Jerónimo José da Mata, assumiram a direcção do Recolhimento de Santa Rosa de Lima, destinado à educação de meninas. O recolhimento funciona a partir de 1849 até 1857 no extinto Convento de Santo Agostinho, sob a direcção do Prelado da Diocese. (1)
02-10-1856 – Foi ordenado por decreto que o recolhimento para a educação das pessoas do sexo feminino, denominado de Santa Rosa de Lima e estabelecido no edifício do extinto convento de Santo Agostinho fosse anexado ao Mosteiro de Santa Clara. (1)
22-01-1857 – Provisão do Bispo D. Jerónimo José da Mata reorganizando o Recolhimento de Santa Rosa de Lima para a educação de meninas pobres anexando-o ao Mosteiro de Santa Clara de acordo com o Decreto anterior. (1)
06-07-1857 – Tendo sido transferido para o Convento de Sta Clara a escola de meninas que funcionava no convento de S. Agostinho, foi este transformado em Hospital Militar até 1872, ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário. O convento foi depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima serve de casa de repouso aos jesuítas. (1)
30-1-1875 – A Portaria Provincial n.º 19 desta data determina a incorporação na Fazenda, segundo a lei dos bens móveis e imóveis do Convento de Sta Clara, por ter falecido a última religiosa. (3)
Os Estatutos do Colégio foram publicados em Fevereiro de 1875 e em 4-03-1875 foi nomeada regente do colégio D. Theresa da Annunciação Danemberg, senhora de esmerada educação e muitas virtudes e para professoras sras. D. Lydia Francisca da Santa Cruz e D. Leonidia Maria da Conceição. Estas três senhoras residiam há muitos anos no convento e viram-se sem amparo com a morte da última freira. (2)

colegio-de-s-rosa-de-lima-directoria-1934O Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1934

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
(3)  Por Portaria Provincial n.º 19 de 30 de Janeiro de 1875, o governador José Maia Lobo d´Ávila determinou o seguinte:
Tendo falecido a ultima religiosa do convento de Santa Clara, (4) e devendo pelas leis em vigor serem incorporadas na fazenda todos os bens pertencentes ao mesmo convento, e sendo necessário proceder a um inventário geral dos mesmos bens: hei por conveniente nomear para este efeito uma comissão composta do secretário da Junta de Fazenda João Correa Paes d´Assompção, do delegado interino do Procurador da Coroa e Fazenda, o advogado Albino António Pacheco e o P. Capelão Vicente Victor Rodrigues Esta Comissão em 15 de Março de 1875 tomou posse de todos os bens móveis e de raiz, e da administração do mesmo extinto convento num valor total de $ 77.983,25.”
(4) Em 1834, pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, foram extintos os conventos em Portugal . Esta lei teve a sua repercussão no ano seguinte em Macau, em 1835, mas o governo local continuou a respeitar a existência das Claristas, mantendo-as no seu convento de Sta. Clara até à morte da última religiosa que faleceu a 18 de Fevereiro de 1875.

Os serviços de incêndios de Macau foram, em tempos remotos prestados pelos seus próprios habitantes e com material adquirido por particulares.
Até ao ano de 1882, (1) não havia estações de bombeiros, mas apenas postos para a armazenagem do material sendo todo o pessoal constituído por empregados das lojas comerciais, fabricas e outros moradores.
Datam de 1883 os primeiros «Serviços de Incêndios», sob a administração da Fazenda Pública. (2)  Mais tarde, esses serviços passaram à administração da Direcção das Obras Públicas, cujo director desempenhava as funções de Inspector de Incêndios. (3)
Esses serviços, até 1914, (4) eram rudimentares e insuficientes para a cidade, cujo desenvolvimento populacional aumentava em ritmo acelerado.
No ano de 1914, (5) o sr. Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndios  a sua viatura automóvel, um das poucas existentes em Macau, que ao alarme de fogo, ou de outro sinistro, acorria sem perda de tempo, ao Quartel de S. Francisco, a fim de transportar o Inspector de Incêndios e os bombeiros auxiliares (militares).
Em face deste evidente atraso, o então major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes, (6) já pela generosidade que era seu timbre, já pelo que em Portugal fizera (2.º comandante dos Bombeiros Municipais de Lisboa) e pelo que vira no estrangeiro, resolveu dotar esta Cidade de Nome de Deus com um serviço de incêndios, a que tinha indiscutível direito, pelo que seu crescente desenvolvimento comercial e industrial, pela expansão das suas artérias e pela sua categoria de grande centro do Sul da China.
E assim se criou, em 30 de Outubro do ano de 1915, a «Inspecção de Incêndios», tendo por seu 1.º Inspector Comandante o detentor da medalha «Torre e Espada», ganha honrosamente ao célebre incêndio da «Madalena», o major João Carlos Craveiro Lopes. (7)
A técnica a empregar na extinção de fogos, posta em vigor em 1915, foi ensinada por este Grande Bombeiro, saudoso pai do actual Presidente da República Portuguesa.
Igualmente a Corporação lhe deve o ter sido apetrechado com material e ferramentas apropriados para os serviços de prevenção e ataque, além das melhores bombas a vapor, conduzidas por tracção animal.
Foi em 1917 adaptada a 1.ª viatura automóvel em «Pronto-Socorro», cedida pelos «Serviços dos Correios de Macau» à «Inspecção de Incêndios».
Em 1919, passou a «Inspecção de Incêndios» a designar-se «Corpo de Bombeiros» a cargo da Câmara, para efeitos de administração. (8)
Em 1922, a Corporação começou a ser equipada com apropriadas viaturas motorizadas das mais completas, da Casa Merryweather. (9)
Em 1923, a Corporação passou a denominar-se «Corpo de Salvação Pública, voltando à administração directa do Governo da Província subordinado à Secretaria Geral do Governo. (10)
Em 1936, coube à Repartição Técnica de Obras Públicas a administração do mesmo. (11)
Nos termos do § 1.º do art. 12.º do Decreto n.º 31:714 do Ministério das Colónias, conjugado com o art. 47.º do D. L. n.º 908, do Governo da Província de Macau, o Corpo de Salvação Pública com o seu pessoal e material transitou para o Leal Senado, a partir de 1 de Janeiro de 1946. (12)
A Corporação, passou então a denominar-se «Corpo de Bombeiros Municipais», de acordo com a Organização dos Serviços do Leal Senado da Câmara de Macau.

obras-e-melhoramentos-1947-1950-pronto-socorro-cbmO novo pronto-socorro do Corpo de Bombeiros Municipais. em 1955

O edifício situado na Estrada Coelho do Amaral serve de «Quartel dos Bombeiros» e tinha 14 divisões: parque para viaturas, casernas, central telefónica, comando, secretaria, arquivo, porto médico, arrecadação, casa-escola, cantina, sala recreativa, sala de aulas, barbearia e campo desportivo.
Em 1951, foi instalado um «Posto de Incêndios» para a protecção do Bairro e moradores das Casas de Madeira da Ilha Verde.
Em 1955, a corporação era constituída por 75 elementos incluindo o Comandante, Manuel Dimas Pina e seu ajudante, Napoleão da Guia de Assis. Tinha ao seu serviço o seguinte efectivo de viaturas:
1) 2 Pronto-Socorros (Ford V-8)
2) 1 Pronto -Socorro (Ford)
3) 1 Auto-Bomba (Dennis)
4) 1 Ambulância (Ford V-8)
5) 1 Ambulância (Austin)
6) 1 Camioneta (Ford)
7) 1 Carro-de-Comando (Willy´s Overland)
8) 2 Moto-Bombas (Merryweather)
9) 1 Moto-Bomba (Pfalaz)

obras-e-melhoramentos-1947-1950-ambulancia-cbmA nova ambulância do Corpo de Bombeiros Municipais, em 1955

(1) “18-03-1867 – Foram aprovadas, provisoriamente, por portaria régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.” (13)
(2) “25-09-1875 – Nomeado pela Portaria n.º 79 o Major de Engenharia do exercito de Portugal, Augusto César Supico, para o cargo de Inspector de Incêndios. Exonerado em 20-01-1879“. (14)
(3) “20-01-1879 – Exonerado o Major Eng.º Augusto Cesar Supico do cargo de Inspector dos incêndios e nomeado o Major Raymundo José de Quintanilha , Director das Obras Públicas , para exercer o mesmo cargo“. (14)
(4) “28-04-1912 – Nomeação de Simeal José Gregório Madeira, sota da Inspecção dos Incêndios de Macau”. (15)
(5) “1914 – Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndio o seu automóvel, um dos primeiros que existiram em Macau a fim de acorrer com mais presteza aos sinistros. O pessoal de incêndios, na maioria militares, estava aquartelado em S. Francisco”.(15)
(6) “09-10-1915 – Louvado o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, comandante do Corpo da Polícia (mais tarde General e Governador do Estado da Índia e pai do Marechal Craveiro Lopes, Presidente da República) por se ter oferecido para ministrar instrução de bombeiros a um núcleo de praças do Corpo de Bombeiros Voluntários que satisfaça às exigências da cidade de Macau.(15)
(7) “1-11-1915 – Nomeado para interina e cumulativamente exercer o cargo de Inspector de Incêndios o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes (P.P. n.º 253). Exonerado a 13-03-1916″ (15)
(8) “26-04-1919 – A Inspecção de Incêndios de Macau é extinta e criado em sua substituição o «Corpo de Bombeiros». Nesta data pela Portaria n. 80, B. O. n.º 17 é aprovada a organização do Corpo de Bombeiros de Macau, extinguindo a Inspecção de Incêndios . A  2-09-1919, este passa para o Leal Senado”.(15)
(9) “1922 – O Corpo de Bombeiros de Macau recebe equipamento e viaturas modernos. (15)
(10) “01-09-1923 – O corpo de Bombeiros volta para o Governo da Província e passa a denominar-se Corpo de Salvação Pública. (15)
(11)  “7-03-1936  – O Corpo de Salvação Pública de Macau – os «Soldados da Paz», até aí vinculado à Secretaria Geral do Governo, passa a estar ligado às Obras Públicas (15).
(12)  “01-01-1945 – O Corpo de Salvação Pública transita para o Leal Senado, passando a Corpo de Bombeiros Municipais”. (15)
(13) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(14) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol. 3, 1995
(15) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Vol. 4, 1997

Retirado do artigo “Corpo de Bombeiros Municipais de Macau“, publicado no «Anuário de Macau, 1953-55»,

A 8 de Junho de 1875, (1) na Secretaria da Junta da Fazenda Pública compareceu o Barão do Cercal, como representante do Visconde do Cercal, proprietário do Palácio da Praia Grande, para lavrar o contrato do arrendamento ao Governo com as seguintes condições:

  1. É arrendado por um ano: 1-6-1875 a 31-5-1876.
  2. A renda é de $ 2 4000 patacas.
  3. Os concertos maiores – queda do muro ou do telhado – serão pagos pelo proprietário, os menores – janelas, portas, sobrado, tecto, caiação – pelo locatário.
  4. Ao terminar o contrato, o locatário não poderá desfazer os melhoramentos.
  5. Durante o contrato, o proprietário não poderá ordenar o despejo das casas.
  6. O locatário entregará tudo na mesma ordem e aceio em que o recebeu.
  7. Terminado o prazo, se não houver aviso algum de qualquer das partes, este é renovado.
  8. Antes de se proceder a concertos, deverá obter-se a permissão do proprietário (2)

Residência dos Governadores de Macau - Palácio da Praia GrandeFoto de 1981

A residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande foi construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino (talvez a obra-prima da arquitectura de raiz macaense)   para o 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo pelo filho António Alexandrino, (2.º Barão do Cercal) em representação Visconde do Cercal.
Com a morte do Visconde do Cercal, o Palácio passou para a sua viúva. A família do Barão do Cercal caída em decadência por dívida da viúva ao Chatered Bank, foi o Palácio à praça. A 18-03-1881, saiu o anúncio da “arrematação da casa n.º 27 da Praia Grande chamada Palácio do Cercal, e penhorada em execução que move Chartered Bank contra a Viscondessa do Cercal, e será de $ 25 068.66.” Foi então comprado pelo governador Joaquim José da Graça por $ 20 080.00, compra esta que foi aprovada pelo Governo de Lisboa a 17-05-1881.
Desde 1884 (o primeiro governador a residir aí, foi Tomás de Sousa Rosa que exerceu o seu mandato de 1883 a 1886) os Governadores de Macau passaram a viver neste Palácio, até 1926, quando o governador Tamagnini Barbosa (2.º mandato) escolheu Santa Sancha para sua residência permanente.
O Palácio da Praia Grande ficou a servir apenas de sede de governo (nele funcionava também a Assembleia Legislativa e o Conselho Consultivo do Governador) foi completamente restaurado em 1983.

Revista Casa e Jardim 1994 - Palácio da Praia Grande FotoFoto de 1994

(1) Os primeiros governadores viveram em casas alugadas pelo Leal Senado, até 1772, quando passaram a residir no edifício da Praia Grande em frente do fortim de S. Pedro. Nesse mesmo local o Visconde da Praia Grande,  Isidoro Francisco Guimarães (governador de Macau de 1851 a 1863) construiu em 1851, um grandioso palácio para nele instalar o Palácio do Governo.  Dois tufões, o de 1874 e o mais terrível de 1875, quase destruíram o Palácio construído pelo Governador Visconde Praia Grande, tornando-o  inabitável. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/31/noticia-de-31-de-maio-de-1875-tufao-de-1875/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, 19 – -, p. 16.

Artur Lobo de Ávila (1) relata o tufão de 31 de Maio de 1875:
O Governador, Visconde de S. Januário, (2) aconselhara a família do seu sucessor, a transferir-se para a ala direita do palácio, (3) por ter sido a menos batida pelo tufão.
Assim fizemos , mas com resultado exactamente negativo, pois foi essa ala a que ruiu com a nova tormenta de Maio de 1875.
O tufão começou, como de costume, por uma lestada. E quando da Secretaria da junta  (4) , quis regressar a casa, já os cules não puderam trazer-me na cadeira; e, de gatas, tive de atravessar o jardim na parte posterior do palácio para entrar em casa.
Os tufões ficam assinalados com os nomes dos governadores. No de S. Januário, o barómetro desceu tanto, que acabou por estoirar a coluna de mercúrio, a ponto de o oficial às ordens – 1.º tenente Júlio Elbão de Sampaio – dizer ao Governador, que a agulha doidejava, marcando o nome do fabricante.
Durante essas tormentas, os telhados são descosidos e, em pedaços, voam pelos ares. Quem se arrisca a sair, corre perigo de vida, mesmo resguardado com um tundum, espécie de capacete de duríssimo bambu. . . .
António de Azevedo e Cunha defendeu o palácio, enquanto foi possível. As janelas foram interiormente, revestidas com taipans de madeira e escoras.
mas, mesmo assim, o mar, rugindo furiosamente, despedaçou as da secretaria, instalada no rés-do-chão.
Foi neste momento que o Cunha, o ajudante do Governador, a ordenança Carlos, – filho de macaístas – eu, alguns soldados e operários, descemos ao referido andar, onde a tremenda inundação começava a causar terríveis e trágicos efeitos.
O Cunha, que empunhava uma pequena lanterna, vendo os da frente atingidos por uma derrocadas, gritou aos que o seguiam:
– Para trás, rapazes. . .
Quinze pessoas, entre europeus e chinas, ficaram soterrados nos escombros negros e tristes.
Quando foi possível, à luz de archotes desenterrámos o ajudante-de-ordens do Governador, Alferes Caetano Deniz Junior, que tinha ficado entre as ruínas, a sua figura era confrangedora e arrepiante.
Tinha perdido os sentidos e ao recobrá-los todo ensanguentado e de olhos esbugalhados, muito a custo, disse-nos:
– Lembrei-me de meu pai . . . Vi-o . . .  Foi ele que me salvou . . .
Depois foram desenterrados e socorridos, como era possível, os demais sinistrados, que, entre ais e gemidos, aflitivamente, pediam que os salvassem.
A ordenança de cavalaria, Carlos de Manila, achou-se também às portas da morte; o china, Paulo, morreu.
Um pesado banco chinês, revestido de mármore, depois de despedaçadas as janelas, deslocou-se com o furacão e veio bater nas pernas do Governador, meu pai, ferindo-o profundamente. Este desastre, porém, evitou que ele caísse do primeiro andar para o montão de ruínas que aumentava no pavimento inferior.
Até ao amanhecer, os que escaparam aos horrores desta tragédia e os feridos, estiveram refugiados num godão – pequena arrecadação, semi-subterrânea, em que entrava a água do amor, depois de ter galgado as ruínas do aterro da Paria Grande – sobre feixes de lenha.
A população de Macau, passada a tormenta, julgou que no palácio só havia cadáveres…
E pela tarde, uma proclamação do Governador terminava assim:
“Macaenses – A cidade de Macau, que ia ressurgindo das ruínas do terrível tufão do ano passado, foi novamente experimentada por idêntico flagelo.
Peço-vos serenidade, conformidade e trabalho, para vencermos esta nova crise, pois que, como vosso Governador, velarei por vós, assim como convosco partilhei os horrores do cataclismo que, como é notório, esteve a ponto de deixar sem família: . . .
(1) Artur Lobo de Ávila (1855-1945),  romancista (dedicou-se mais ao romance histórico), ensaísta e dramaturgo, é filho de José Maria Lobo de Ávila (1817-1889)  que tomou posse como governador de Macau em 7 de Dezembro de 1874 (governou até 30 de Dezembro de 1876), sucedendo ao Visconde de S. Januário, Januário Correia de Almeida (governador entre  1872-74).
Publicou “Memórias de  Artur Lobo d´Ávila“, 1945, cujas páginas 43-47 estão transcritas (de onde retirei) em TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, pp.14-15.
Sobre  Artur Eugénio Lobo de Ávila, ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/13/macau-apontamentos-historicos-a-incuria-portugueza-nas-relacoes-com-a-china/
(2) O maior tufão de Macau foi a 22 e 23 de Setembro de 1874 (era governador de Macau, o Visconde de S. Januário).
O director das Obras Públicas relata os danos causados ao Palácio do Governo: ” Os danos que sofreu este palácio, foram causados pelo tufão e pela grande enchente da Praia Grande. Com o tufão, sofreram todos os telhados, foi arrombada uma janela e houveram mais alguns pequenos estragos nos estuques.
Com a enchente, sofreram as casas do pavimento inferior, nos sobrados, portas e janelas; – a escada de cantaria da entrada principal foi deslocada completamente, saindo do seu lugar todos os degraus e alguns levados pela força das vagas para a grande distância – a balaustrada que a guarnecia foi completamente destruída também pela força das vagas”.
(3) O Palácio referido estava instalado num edifício da Praia Grande, em frente do fortim de S. Pedro. O Palácio foi construído pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães (1851-1863) , Visconde Praia Grande. Mais tarde, em 1884, a sede do governo passou para o Palácio do Visconde Cercal, onde continua hoje como sede do Governo da RAEM.
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(4) Artur Lobo de Ávila que acompanhou o seu pai enquanto governador de Macau, trabalhou como escriturário da Secretaria da Junta da Fazenda, recebendo 60 patacas mensais.

No dia 14 de Dezembro de 1863 (1) o célebre pianista Rod Sipp e o baixo italiano Grossi, deram um recital, no Palácio dos Barões do Cercal (2). O noticiarista do Boletim do Governo considerou o pianista superior a Franz Liszt.(3)

Palácio Barão do Cercal-Palácio do Governo c. 1890Palácio do Barão do Cercal  /Palácio do Governador  a partir de 1883
c. 1890

(1) António Alexandre Bispo num trabalho publicado na Revista Brasil-Europa-Correspondência Euro-Brasileira aponta a data de 11 de Dezembro de 1863 (sexta feira, às 8.30 horas) para o concerto  histórico na residência do Barão de Cercal do pianista Rod Sipp em Macau. Pelo pormenor da descrição deste concerto, é de confiar ser esta data, a mais correcta.(4)
Mais refere que neste concerto terá sido apresentado também Emmarentia Anna Peter van der Hoeven (5) que executou com Rod Sipp, uma fantasia para piano da ópera Moisés, de Sigismund Thalberg (1812-1871), e obras a quatro mãos na abertura da primeira e da segunda parte do programa. Refere ainda este autor que no concerto tomou parte um tenor italiano que se encontrava de passagem em Macau de nome Grossi.
(2) Nessa data a residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino,  era pertença do 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo (contrato a 8 de Junho de 1875) pelo filho António Alexandrino, em representação Visconde do Cercal e vendido posteriormente pelo filho. Hoje o Palácio é sede do Governo da RAEM.
(3) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954 ) e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Volume 3, 1995.
(4) Para melhor compreender a importância e a trajectória musical de Rod Sipp (“um dos primeiros nomes de pianistas de excelente formação e de renome internacional que actuaram na China”) bem como a sua biografia e as viagens que efectuou  aconselho a leitura do trabalho  de António Alexandre Bispo que contém o capítulo ” Apresentação em Macau na residência do Barão de Cercal
 Bispo, A. A. – “Judeus na internacionalização e profissionalização da vida musical em centros comerciais da Europa, das Américas e da China. O discípulo de Ignaz Moscheles (1794-1870) Rod Sipp, o D. Quixote do piano”. Revista Brasil – Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/13 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Rod-Sipp.html
(5) Emmarentia Anna Peter, nascida em Batavia, em 1836, e falecida em Macau, em 1865. Filha de John Hendrik Peter e Maria Drost, recebeu em Batavia formação musical, alcançando elevado nível como pianista. Casou-se em 1836 em Batavia com Jan des Amorie van der Hoeven (1825-1877), que foi agente comercial da Sociedade de Comércio dos Países Baixos em Batavia, em 1826 e depois cônsul em Guangzhou, entre 1855 e 1866. O casal teve seis filhos, todos nascidos em Macau: Maria (1858), Jacoba (1860), Theodora Agatha (1861), Jan (1863), Henriette (1864), Herman (1865). Tendo Emmarentia falecido com apenas 29 anos, Jan des Amorie van der Hoeven casou-se em segundas núpcias, já em Leiden, com  Hermine Paulina Hubrecht (1843-1883).
Bispo, A. A. – “Emmarentia Anna Peter Van der Hoeven (1836-1865). O cultivo da música na tradição da burguesia de Rotterdam em Batavia e suas repercussões na China à época de revitalização do comércio das Índias Orientais Holandesas. Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/12 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Emmarentia-Anna-Peter-Van-der Hoeven.html

NOTA POSTERIOR (11-12-2019): Ao folhear o semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo» de 1863, encontrei a notícia deste recital na casa do Barão do Cercal que afinal se realizou no dia 11 de Dezembro de 1863 (sexta-feira). Peço desculpas pelo engano e aqui fica a correcção.

Projectada a Igreja de N.ª S.ra do Carmo na Ilha da Taipa, apesar de concluída só em 1885. A ideia foi do Tenente João Procópio Martins Madeira, Comandante Militar da Taipa, que expôs ao Governador José Maria Lobo d´Ávila (1874-1876) em seu ofício n.º 85 de 8 de Dezembro de 1875, a necessidade de uma capela na Taipa e outra em Coloane. O Governador entregou o ofício ao Governador do Bispado de Macau e Deão da Sé, Manuel Lourenço de Gouveia. (1)
ROTEIRO DAS ILHAS TAIPA Igreja N. S. CarmoOfício de 8-12-1875 do Comandante Militar da Taipa ao Governo de Macau:
Sendo certo o que a história nos mostra que os nossos antepassados percorreram o mundo atravessando mares, arriscando a vida e os haveres para engrandecer a nossa Pátria com novas descobertas, e a religião de nosso Redemptor com maior numero de fieis, sendo tambem certo que onde fluctua a bandeira das quinas está arvorada a cruz de Christo, symbolo da mesma, é de estranhar que havendo ha muito tempo duas povoações  portuguesas importantes, Taipa e Coloane, tam proximas de um estabelecimento de missões, destinado à conversão de gentios e com fundos e elementos bastantes à sua disposição, para engrandecimento da Relegião Catholica Apostolica Romana , não haja uma unica Capella n´estas povoações onde ao menos os christãos aqui residentes possam cumprir os preceitos da religião do Estado e que seus paes lhes ensinaram. ..(…)
…As razões acima erão já bastantes, ainda que não houvessem, como ha maior numero de ellas para eu pedir a Sua Exa, digo a V. Sa. que leve ao conhecimento de Sua Exa. o Snr. Governador  estas considerações afim do mesmo Snr, servindo-se tomal-as em consideração propor ao Revdo. Snr Governador do Bispado para fazer duas capellas n ´estas Povoações, sendo uma na Taipa e outra em Coloane, formando assim duas freguesias“.

ROTEIRO DAS ILHAS TAIPA Igreja N. S. Carmo 1996

FOTO de 1996

Embora a ideia do Tenente Madeira fosse aprovada pelo Governador Lobo de Ávila e pelo Deão Lourenço de Gouveia, Governador do Bispado, (2) e depois retomada e reforçada pelo bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes e secundada pelo Governador Joaquim José da Graça (1879-1883), somente foi concluída  em 1885, durante o episcopado de D. António Joaquim de Medeiros (1883-1897).
A 29 de Agosto de 1882, o director das Obras Públicas, Eng. Constantino José de Brito apresentava ao Governador o orçamento para a construção da igreja na Taipa, dizendo: “Existem naquela ilha, segundo a estatística de 1880, 3.230 habitantes, dos quaes são apenas 35 christãos…”
O terreno em que se projecta a Igreja fica num monte sobranceiro à povoação  e próximo dela, para o qual se sobe por uma calçada denominada do Carmo, motivo para a invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo.
O orçamento era inicial de 10.800.00 patacas (custou mais pelo atraso da construção) e estava prevista a conclusão em 10 meses. A pedra da igreja veio da pedreira de Hapui Van na Taipa (frente à pedreira de Seac Pai Van, de Coloane)
Quando em 1883 se tratou da construção da igreja de N. Sra. do Carmo, pretenderam as Obras Públicas aproveitar-se das pedras da colina Lon-Van, mas os habitantes da povoação opuseram-se e houve que desistir (episódio que narrarei numa próxima postagem acerca do “Fong Soi” da Ilha).
ROTEIRO DAS ILHAS TAIPA Igreja N. S. Carmo 1996 IIEste edifício de formas e linhas sóbrias, e de cor amarela no exterior, tem três pisos , com 29 metros de comprimento e 9 metros de largura. Na fachada principal tem uma torre sineira. O coro está bem projectado, permitindo, deste modo, um bom aproveitamento acústico do interior da igreja. As janelas permitem uma maior recepção da luz do Sol. Para além do altar-mor, tem ainda um pequeno altar no lado esquerdo da entrada, ambos dedicados a Nossa Senhora do Carmo. Ao lado direito do altar-mor vê-se uma imagem de S. José e do lado esquerdo uma imagem do sagrado Coração de Jesus.” (3)
Foi seu primeiro pároco-missionário o P. José Vicente Costa, nomeado em 16 de Setembro de 1885.
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) “09-02-1876 – Construção de uma Capela na Vila da Taipa. O assunto é levantado de novo”.
“01-04-1876 – Pela Portaria n.º 20, publicado em B. O., desta data, é aprovado o projecto e orçamento da construção de uma Ermida na Taipa”
(3) Roteiro da Ilhas – Ilha da Taipa. Câmara Municipal das Ilhas, 1996

ANO III- 60 1956 Colégio S. R. Lima “O «COLÈGIO DE SANTA ROSA DE LIMA» anexo ao antigo Convento de Santa Clara e a cargo das Franciscanas Missionárias de Maria, é um dos modelares estabelecimentos de ensino da Província.” (1956) (1)

Os estatutos e regulamento para o Colégio de Santa Rosa de Lima como casa de educação para o sexo feminino, foram publicados em 1875 pelo governador José Maria Lobo d´Ávila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) após a extinção do mosteiro de Santa Clara.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros, as Irmãs Canossianas tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Convidadas pelo bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro, as Franciscanas chegaram a Macau a 17 de Novembro de 1903, instalando-se no Mosteiro de Santa Clara e tomando a direcção do Colégio. Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de S. Rosa de Lima (o recolhimento fechou em 1875 após o falecimento da última clarissa)
A 30 de Novembro de 1910, o Governo ordenou a saída das Franciscanas do Colégio, o qual era então frequentado por 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muito delas internas. A escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.
A 10 de Dezembro de 1911, foi arrendado o edifício do antigo Mosteiro de Santa Clara para aquartelamento e tropas expedicionárias, determinando-se que o Colégio de S. Rosa de Lima passasse para outro edifício particular; felizmente esta medida não pegou, continuando o colégio sob a direcção de pessoal leigo.
Em 1932, voltaram as Franciscanas a dirigir o Colégio. A secção chinesa iniciou-se em 1933. (3)
Em Setembro de 1975, o curso de inglês deste colégio, passou para a Escola Matutina (2) e o curso chinês desta passou para o Colégio de S. Rosa (Rua de Santa Clara). A Instrução Primária portuguesa no Colégio funcionou até 1999, permanecendo aí a secção chinesa.

ANO III - 62 1956 Colégio D. Bosco“O COLÉGIO D. BOSCO, de linhas modernas e airosas, é um dos mais modernos estabelecimentos de ensino da Província. “ (1956) (1)

 “ A 24 de Julho de 1941, a Santa Casa da Misericórdia entregou ao Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, o seu Asilo dos Órfãos, com os seus 30 rapazes e a 15 de Agosto desse ano foi confiado aos Salesianos. Enquanto se não levantava edifício próprio, os órfãos portugueses ficaram instalados no Orfanato da Imaculada Conceição juntamente com os chineses.
Em 1940, o Governo concedeu um terreno em Mong Há e a 10 de Novembro de 1941, fez-se a inauguração do aterro para os futuros pátios do colégio.
A 6 de Fevereiro de 1949, foi lançada nesse terreno a primeira pedra dum edifício que se chamou “ COLÉGIO D. BOSCO”, de Artes e Ofícios, destinado ao Ensino Técnico e Profissional, sendo seu primeiro Director, o Pe. António Giacomino.  António Bastos foi o arquitecto que preparou todos os planos”  (3)
(1) MACAU Boletim Informativo, Ano III, 1956
(2) Na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, edifício que foi demolido em 1998 para construir no mesmo lugar o actual “Colégio de Santa Rosa de Lima English Secondary” (Av. Dr.Rodrigo Rodrigues, n.º 367).
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1981, 423 p.