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Extraído de «Boletim do Governo de Macau» XII, n.º 1, 1 de Janeiro de 1866.

St. Joseph´s Church, Macao (c. 1900)
Sold by Graça & Co., Hong Kong, China

Em 1861, o Bispo D. Jerónimo José da Mata recruta em Portugal dois padres jesuítas para voltar a tomar conta do Seminário Diocesano de S. José (1862 a 1871)
O ministro da Marinha deu-lhes passagem para Macau. Embarcaram a 1 de Janeiro de 1862 aportando a Macau a 25 de Março. Quando chegaram ao Seminário, havia apenas 9 externos que estudavam latim e algumas crianças de primeiras letras e um interno, Manuel José Maria Gonçalves da Silva nascido em Ponte da Barca em 1850 (falecido em Macau em 21-10-1885). O reitor do Seminário padre Gouveia, oficiou em 25 de Setembro de 1862 ao Ministro da Marinha e Ultramar:
… Apenas aqui chegaram estes dois professores tão ansiosamente esperados principiou logo a acudir um grande numero d´alumnos externos e outros que pretendiam ser internos pensionistas. Para estes últimos foi-me necessário adaptar a casa, fazendo algumas obras e, por isso, só pude recebe-los em 8 de Junho, (1) havendo n´esse dia  função solemne da abertura do internato a que assistiram as auctoridades civis e eclesiásticas com grande concurso do povo……”
Em 1862, o número dos alunos internos era de 41, sendo todos pensionistas, excepto 7 jovens chineses de Cantão que foram recebidos por conta do fundo das missões. Os externos eram mais de 150, andando ao todo 200, distribuídos todos pelas aulas de primeiras letras, português (1.ª e 2.ª classe), latim, francês, inglês, elementos de matemática, história e geografia, filosofia racional e moral e física além de outras aulas
acessórias como por exemplo a música, instrução pública ou primária do Governo e pilotagem (professor: tenente honorário da Armada Francisco Joaquim Marques).
Em 1864 era no total 216 alunos e em 1870, 377 alunos.
No ano de 1865 chegaram mais dois jesuítas para professores do seminário: padre Domingos Pereira e Padre José Vergili. (2)
(1) Os professores eram:
Padre Francisco Xavier Rôndina (3) que ensinava retórica, filosofia racional e moral e teologia dogmática.
Padre José Joaquim d´Afonseca Matos que ensinava francês, português e literatura.
Padre Faria que ensinava gramática portuguesa e latina
José Martinho Marques (4) que ensinava chinês.
Menorista António Lopes, prefeitos dos alunos dava rudimentos de latim e português.
Padre Tomas Cahil que ensinava inglês.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(3) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pe-francisco-xavier-rondina/
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/

Sendo os meses de Verão propícios aos tufões nesta zona do Pacífico, é natural que nos meses de Julho, Agosto e Setembro surjam sempre notícias referentes a temporais,  tufões ou ventos fortes que passaram por Macau.
Tufões q assolaram Macau - Gráfico e frequência

Gráfico da “Época e Frequência dos Tufões” (1)

Assim neste dia de 2 de Setembro de 1709:
Neste dia houve hum tao grande temporal nesta Cidade, que fes crescer as agoas fóra dos seus limites, quebrarão os mares toda a praia grande e casas della, e na praia pequena se encherão os Gudões das mesas cazas de agoa, a qual sobio a tres covados de alto dentro delles, durando esta enchente desde 6 horas da manhãa athe as nove da noite sem deminuir. No vasar chegarão as Lorchas a receberem o fatto que estava nas boticas. Em fim não há lembrança a mais remota de que houvesse nesta Cidade outra semelhante ” (2)
E no mesmo dia, mas de 1871: (1)
No dia 2 de Setembro de 1871, passou pela cidade um violento tufão afundando-se na ponta de Kaó (Taipa) a barca holandesa «Rolina Maria» e a galera russa «Vístula». A primeira perdeu sete homens da sua tripulação de 16 homens e da segunda salvou-se toda a tripulação de 22 homens . O brigue português «Conceição de Maria», pertencente a Francisco Manuel da Cunha, que saía para Yokohama, com carga de açúcar e vinho, naufragou na ponta de Kai Kiao (Ponta Cabrita), salvando-se toda a sua tripulação. A corveta «Duque de Palmela», do comando do Capitão-Tenente Gregório José Ribeiro, a galera «D. Maria Pia» e a canhoneira «Camões» sofreram grandes avarias, em consequência dos embates com o barcos chineses dos quais 150 ficaram danificados.” (3)

crveta Duque da Palmela 1864-1913A corveta DUQUE DE PALMELA  (1864 – 1913) (4)

A corveta «Duque de Palmela» (arvorava 3 mastros) que esteve algum tempo destacada em Macau,  foi construído no Arsenal de Lisboa e era uma corveta de propulsão mista (vela/vapor) da Armada Portuguesa. Serviu de 1864 a 1875, passando a  navio escola entre 1876 e 1913 em Lisboa e Faro, sendo depois desmantelado.
Características:
Deslocamento: 952 tons.
Armamento:  12 peças de 32 mm e com um rodízio (Brackeley) de 56 mm
Dimensões: 50 metros de comprimento; 9 metros de boca; 4,50 metros de calado
Propulsão: 1 máquina a vapor (acoplada a 1 veio = 7 nós ), desenvolvendo uma força de 150 hp.
Guarnição: 164 homens incluindo oficiais. (5)
(1) Referência ao mesmo tufão mas com data de 3 de Setembro de 1871: ” Formou-se no Pacífico, passou na ilha de Luzon e afectou seriamente Macau. Naufragaram na ponta de Ká-Hó a barca holandesa «Rolina Morim» e a galera russa «Vístula». Também se afundou o lugre português «Conceição Maria» A pressão desceu até 717,85 mm” (NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau, 1957) e (SIMÕES, Joaquim Baião – Macau e os Tufões, 1985).
(2) BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
(3) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) https://www.revistamilitar.pt/artigo/1065
(5) localhttp://alernavios.blogspot.pt/2016/01/duque-de-palmela.html
Referência anterior à corveta «Duque de Palmela»
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/corveta-duque-de-palmela/

Na imprensa do mês de Agosto de 1952, (1) vinha a notícia da remodelação das instalações (2) do Clube Militar, antigo Grémio Militar, e da realização de animadas reuniões dançantes, aos domingos.

MOSAICO V - 25 1952 Clube Militar IA fachada principal do Clube Militar em 1952

(1) «Mosaico, 1952»

MOSAICO V - 25 1952 Clube Militar IIO bar do Clube Militar (1952)

(2) O Grémio Militar com projecto do Barão do Cercal. foi erguido no local do antigo mosteiro dos franciscanos. Fundado em 1870, por iniciativa do alferes Rafael das Dores, foi o seu primeiro presidente, o Capitão Manuel d´Azevedo Coutinho, eleito a 20 de Abril de 1870. Os primeiros estatutos foram aprovados em 24-01-1871 e publicados a 31 do mesmo mês no «Boletim de Macau e Timor, 1871». O edifício do Grémio foi ampliado em 1893 (3) e depois das primeiras décadas do século XX, de maiores actividades, foi decaindo até à Guerra no Pacífico quando foi ocupado pelo Governo para aí instalar os refugiados. Findo a guerra e  após ocupação pelos serviços de Fazenda  foi entregue aos serviços militares para instalação do Clube Militar.
Em 1951 foi feita uma remodelação no interior (Portaria Provincial de 29 de Outubro de 1951, o Governo nomeou uma comissão, composta do Major Cabreira Henriques, tenente Alexandrino José Marques Pinheiro, da Administração Militar, e tenente Manuel Nunes Vieira), obra dirigida pelo então tenente de Engenharia Manuel de Mesquita Borges.
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX , pp.613-614)
(3) 25-08-1893 – Processo n.º 17 – Série A – da Adm. Civil (A. H. M)

O jornal «O Século» (n.º 10575, p. 3) publicava no dia 22 de Maio de 1911 a notícia do falecimento do Conde de Arnoso: (1)
“O sr. Bernardo Pinheiro Correia de Melo, conde de Arnoso, contava 56 anos de idade. (…) Grande admirador de Eça de Queirós, seu companheiro no famoso grupo dos «Vencidos da Vida». Influiu bastante para que se erguesse a estátua do largo de Quintela à memória do autor da Relíquia. Após o regicídio (…) esforçou-se, na câmara dos pares, por obter a colocação de uma lápide no Terreiro do Paço, comemorando a morte do sr. D. Carlos. Nada conseguiu, porém, embrenhando num alheamento de todos os assuntos da política portuguesa (…). Essa atitude valeu-lhe ir ter que bater-se em duelo à espada, de que saiu levemente ferido.”
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IPublicado no semanário ilustrado “Branco e Negro” de 29 de Dezembro de 1896, um artigo denominado “O ORIENTE – MACAU” (2), que reproduz a primeira parte do capítulo “Em Macau”  das “Jornadas pelo Mundo“.
José Sarmento director do  semanário (3) fez uma pequena introdução, a propósito das “«Jornadas pelo Mundo» do conde Arnoso (Bernardo Pindella), um livro “encantador e luminoso que nos falla d´essa impenetrável e silenciosa China, tão cheia de coisas imprevistas, tão typica, tão atrazada e por isso mesmo tão curiosa, onde ha, para quem saiba vêr, uma tão subtil e colorida analyse a fazer. É realmente de tentar este passeio ao paiz dos amarellos; e Bernardo Pindella, com raras qualidades de colorista, d´elle nos trouxe um pedaço delicioso, claro e aromal como um bosque …de tamarindos. … (…)
Das Jornadas pelo mundo que são, n´este ponto o livro de viagens que nos traduz melhor a impressão sentida, doce impressão, como a que se tem a um pôr de sol que morre n´uma gloria d´oiro, recortamos um bello trecho sobre a cidade de Macau.”
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IIEncontrar terra portugueza, a mais de 3:600 leguas de distancia da nossa querida patria, é tamanha ventura, que os cinco dias que estivemos em Macau (4) contarão na nossa vida como para o caminhante no deserto contam as horas de descanço passadas à sombra bemfazeja das palmeiras d´um oásis. E o orgulho de ser portuguez parece crescer ainda quando, pisando a bella terra, volvemos os olhos para o passado e de memória folheamos as paginas da nossa gloriosa historia. … (…)
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IIIO seminário de S. José é o unico estabelecimento de instrucção secundária da província. (⅟)
Esta casa de educação soffreu um grande golpe com a expulsão dos dois unicos professores estrangeiros, jesuítas que n´ella existiam. Foi o decreto de 1871 que reorganisando o seminario de S. José, prohibiu que n´elle professassem disciplinas padres estrangeiros. Esses dois unicos jesuitas, d´um grande saber, e que tão relevantes serviços tinham prestado á mocidade estudiosa de Macau, tiveram então de sair. Um é hoje professor em Melbourne; o outro tem a seu cargo em Roma, como redactor principal, a Civittà catolica. É triste vês como um simples traço de penna pôde ter tão funestos resultados.Não se imagina a differença que existe entre os macaístas que foram ainda discípulos d´esses dois padres, e aquelles que não puderam aproveitar das suas lições. Ao sexo feminino prestam  hoje relevantes serviços as irmãs de caridade italianas estabelecidas em Macau. Além de receberem as orphãos e as educarem,  as suas classes são frequentadas pelas filhas de macaístas e empregados da província. Ensinam tambem  a lêr e a trabalhar as ceguinhas pobres. Não se calcula a quantidade de chinas, ou absolutamente cegos ou vendo tão pouco que os fórça a trazer óculos fixos, que por toda a parte se encontram.

BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IV“Mais acima, no alto d´uma pequena colina, assenta o hospital S. Januario, magnífico e elegante estabelecimento que Macau teve, entre outras muitas coisas, á larga iniciativa do conde de S. Januário.”

As irmãs italianas, apezar de abençoadas por todos, não estão livres tambem de ser expulsoas um dia por algum ministro repentinamente atacado de liberal jacobinismo, formula estapafurdia e indígena muito do apreço de conspicuos conselheiros. O actual bispo de Macau, D. António de Medeiros, não descura um momento, com os eu incansável zelo, estes dois estabelecimentos de instrucção. Prelado d´uma illustração que eguala a sua virtude, não lhe serviu a purpura para descançar. Novo ainda, encontramol-o magro e pallido, mirrado pelas febres devoradoras de Timor, adquiridas na longa visita que ultimamente fez no pelo interior d´aquella ilha ás Missões por elle creadas. Durante algum tempo estivemos presos da iua palavra fluente, ouvindo-o discorrer com rara largueza de vistas e superior bom-sendo sobre o estado actual e o futuro de Timor.”
(⅟ ) Uma recente lei creou felizmente um lyceu em Macau que já está funccionando”

BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso V(1) Bernardo Pinheiro Correia de Melo, conde de Arnoso, também conhecido pelo pseudónimo literário Bernardo Pindela (1855-1911). Fidalgo da Casa Real, capitão do Estado-maior de engenharia, oficial às ordens do rei D. Carlos e seu secretário particular, escritor  e diplomata. É filho do segundo matrimónio do primeiro visconde de Pindela, João Machado Pinheiro Correia de Melo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, do conselho de S. M.
Chegou a Macau em 23 de Abril de 1887. Acompanhou o ex-governador Tomás de Souza Rosa a Pequim, em 1887, como secretário, numa missão diplomática, que tinha por fim celebrar um tratado com a China, e foi o negociador do convénio do primeiro de Dezembro do referido ano. As suas notas de viagem a Pequim, em 1887, (roteiro da viagem: Singapura,  Saigão, Hong Kong, Macau, Xangai, Tien-Tsin e Pequim) reuniu-as depois num livro com o título de Jornadas pelo Mundo, que publicou em 1895. A edição foi feita pela casa editora Magalhães & Moniz, do Porto. Pelo decreto de 28 de Setembro de 1895 foi agraciado com o título de conde de Arnoso. Até então assinava-se sempre Bernardo Pindela em todos os seus trabalhos literários.
http://www.arqnet.pt/dicionario/arnoso1c.html
Ver ainda anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/conde-de-arnoso/
(2) Publicado em “Branco e Negro, 1896, n.º 38, pp. 182- 183″
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/BrancoeNegro/1896/Dezembro/Dezembro_master/BrancoeNegroN36aN39.PDF
«BRANCO E NEGRO» – semanário ilustrado publicado em Lisboa de 5 de Abril de 1896 a 27 de Março de 1898 (total de 104 números) sob a chancela da Livraria e casa editora António Maria Pereira  sedeada na Rua Augusta n.º 50 a 54.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/BrancoeNegro.pdf
(3) José de Matos Sarmento de Beja (1870-1939), jornalista, escritor e tradutor. Na imprensa, registe-se que foi chefe de redacção do Diário de Notícias; redactor do Século, Novidades, O Dia e Jornal da Noite; e colaborou com muitos outros títulos de natureza literária e artística, como Serões, De Teatro, Domingo Illustrado, Noticias Illustrado, Século Illustrado, entre outros. Também exerceu cargos na administração do Estado e no universo empresarial.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/BrancoeNegro.pdf
(4) Chegou a Macau em 23 de Junho de 1887 juntamente com Tomás  de Sousa Rosa.

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IA fachada da Igreja do Seminário de S. José

A imponente fachada das Ruínas de S. Paulo não constitui apenas um monumento religioso. Aquela mole gigantesca de granito apregoa na sua aparente nudez, uma época brilhantíssima em que com toda a justiça, Macau era apontada como o ponto de irradiação da Cultura Lusíada nestas paragens.
Do Colégio-Universidade de S. Paulo (ou S. Paulo, o Grande – Tai Sam Pá / 大三巴) fundado no final do século XVI) saíram para a China, para o Japão, para todo o Extremo Oriente, legiões de missionários, padres e leigos empenhados na obra de difundir entre os infiéis, a Fé e a Civilização Cristãs.
Remonta também a essa época o começo do Seminário de S. José, fundado como Colégio de S. Paulo, pelos Jesuítas.
Há grande divergência entre os investigadores sobre a data da sua fundação. Sabe-se que já existia em 1749, podendo situar seguramente o seu começo no segundo quartel do século XVIII. Existia, então, no sítio onde se levanta o actual edifício, conhecido durante muito tempo como Monte do Mato Mofino, um grupo de 3 casitas pertencentes a um homem rico, Miguel Cordeiro, que as ofereceu aos missionários jesuítas. Nelas se instalou o primitivo Seminário e delas se foi erguendo, ano a ano, gradualmente o grandioso maciço que ainda é conhecido entre os chineses: Sam Pá Tchai ou S. Paulo Menor/ 三巴仔.(1)
Com a expulsão dos jesuítas, em 1762 , registou-se um período de abandono, até 1784, ano em que o Seminário foi confiado aos Lazaristas ou Padres da Missão, vindos do Seminário de Chorão (Goa).(2)
Dentre os novos professores, que conseguiram levantar o seu prestígio cultural a um grau bastante elevado, distingiu-se o famoso sinólogo, Padre Joaquim Afonso Guimarães, cujas cinzas, como as do Bispo de Pequim, D. Joaquim de Sousa Saraiva, ainda se conservam na igreja do Seminário.
Em 1820, ensinavam-se nela, além de ler, escrever e contar, as Línguas Portuguesa, Inglesa, Francesa e Chinesa, a Música, a Retórica, a Filosofia, os Estudos Eclesiásticos. Havia também aulas de Matemática, uma Academia e de Marinha.
Em 1828, o Seminário adquiriu, por compra, a Ilha Verde, então verdadeira ilha, para nela se construir uma casa de repouso, onde os seminaristas passavam as férias de Verão.(3)

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IIAltar de Nossa Senhora da Conceição

Com a execução, em Setembro de 1835, do decreto que extinguia toas as congregações religiosas e, mais tarde com a morte, em 1853, do Pe. Joaquim José Leite, último reitor lazarista, entrou o então «Real Colégio de S. José» num novo período de decadência.
Em Março de 1862, porém, graças aos esforços do bispo D. Jerónimo José da Mata, chegavam os jesuítas Padres Francisco Xavier Rôndina (o seu retrato está num dos salões do edifício do Leal Senado) e José Joquim de Afonso Matos, que deram notável impulso ao ensino, atraindo ao Seminário alunos de Hong Kong, das Filipinas e doutros pontos do Extremo Oriente.
Em 1870, os seus estudos foram oficializados, para os que se não destinavam ao sacerdócio, passando a denominar-se «Seminário-Liceu», facto este que confere o direito de ser considerado o primeiro Liceu da Província.(4)
Em 1871 com a expulsão, primeiro dos professores estrangeiros e, mais tarde, de todos os padres da Companhia de Jesus, sofreu o Seminário novo golpe.(5)
O bispo D. António Joaquim Medeiros confiou em 1890, o ensino, e, em 1893, a direcção e administração do Seminário, novamente, aos jesuítas.
Com a terceira expulsão destes, em 1910, tomou a direcção do Seminário, o clero secular, até 1929, ano em que o bispo D. José da Costa Nunes a entregou, outra vez, aos jesuítas que nela se mantiveram  até 1940. Desde então foi dirigido pelos cleros seculares, auxiliados por alguns religiosos e leigos até ao seu fecho em 1968 (externato); no ano anterior tinha sido encerrado o curso eclesiástico por falta de vocações.

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IIIAltar-mor da Igreja do Seminário

Em 1931, fundou-se o Colégio de S. José para alunos externos chineses, anexo ao Seminário até 1938, data em quer foi desligado, passando a funcionar independentemente.
Em Maio de 1938, fecharam-se as portas do Seminário aos alunos externos, sendo frequentado apenas pelos candidatos à vida missionária.(6)
Mas, em 1949, reabriu para os externos, o curso primário e, em 1950, o curso secundário.

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IVApós obras de reconstrução, em 1955, os dois edifícios novos do Seminário de S. José. Ao fundo o Salão de Actos e sala de estudo e em primeiro plano a nova escola para alunos esternos.

Em 1954, (7) após a restauração da igreja do Seminário construída igualmente pelos jesuítas, em data que se ignora, mas já existente em 1758, o bispo João de Deus Ramalho, S. J. inaugurou dois pavilhões novos, um para sala de estudos dos seminaristas e salão de actos e outro para aulas dos externos e residências dos professores.
Em 1954/1955 funcionavam neste estabelecimento, 4 cursos distintos, com 2 classes diferentes de estudantes (96 seminaristas e 330 alunos externos):
1 – Curso de Instrução Primária, para alunos portugueses;
2 – Curso Secundário, para alunos portugueses;
3 – Curso Secundário, para alunos chineses;
4 – Curso Eclesiástico, constituído por 2 anos de Filosofia e 5 de Teologia, comum a chineses e portugueses.
À parte funcionava ainda um Curso Especial nocturno de Português para chineses , frequentado especialmente por empregados comerciais.
No seu período áureo, por muitos anos, chegou a manter, com grande proveito para os que não pretendiam seguir a carreira eclesiástica, entre outros cursos especiais, uma Escola de Pilotagem e um Curso Comercial em língua inglesa.(8)
Durante mais de dois séculos, o Seminário de S. José formou sucessivas gerações de pessoas que se destacaram em Macau e no mundo, nomeadamente: Marechal Gomes da Costa, Leôncio Ferreira, o antigo governador de Macau  Artur Tamagnini Barbosa, D. José da Costa Nunes (Vice-Camarlengo da Santa Sé), D. Jaime Garcia Goulart, (Bispo de Timor), Guilherme José Dias Pegado Gouveia ((doutor e lente de Matemática/Física da Escola Polytécnica e seu irmão Manuel Maria e  Pedro José Lobo, Pedro Nolasco da Silva, José Silveira Machado, Manuel Teixeira, José Machado Lourenço, D. Jerónimo José da Mata, D. Arquimínio Rodrigues da Costa, D. Domingos Lam Ka-tseung, D. José Lai Hung-seng e D. Jaime Garcia Goulart. (9)

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José VO corpo docente e discente do Seminário de S. José (1954/1955) com o novo reitor, Rev. Pe. Arquimínio Rodrigues

(1) 19-02-1783 – Foi erecto em seminário o antigo colégio de S. José, que os padres jesuítas tinham estabelecido em 1754 com três casitas que Miguel Cordeiro doou à Missão dos Jesuítas em Nanquim.(10)
      07-03-1783 – Foi criado no Colégio de S. José de Macau, um seminário para a educação da mocidade macaense.(10)
(2) 01-10-1784 – Foi inaugurado o Seminário de S. José, confiado aos lazaristas, com oito alunos. (10)
(3) Referências anteriores à Ilha Verde:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-verde/
(4) O decreto de 20 de Setembro de 1870 é o primeiro documento oficial completo, referente ao Seminário, que, além dos estudos eclesiásticos e da formação dos missionários para a China, visava também oficializar os estudos no referente a alunos que não se destinavam ao sacerdócio. Na verdade, o n.º 3 do artigo 1.º diz assim « Servir de liceu em que recebam instrução secundária os indivíduos que não se destinarem aos estado eclesiásticos». Aparece, portanto, o Seminário de S. José, como o primeiro liceu na realidade, em Macau,  visto que o Liceu de Macau só foi criado em 27 de Julho de 1893.
22-12-1881 – Decreto organizando o Seminário de S. José, sob o nome de Seminário -Liceu de S. José de Macau, continuando, porém a serem mantidas a cadeira de náutica e as aulas do ensino comercial.(10)
(5) 20-09-1870 – Todos os professores estrangeiros do Seminário de S. José foram obrigados, por decreto, a deixar o ensino.(10)
(6) 18-05-1938 – Foi extinto o Colégio e ficou só o Seminário de S. José, por Portaria Eclesiástica, em cumprimento às instruções da Santa Sé de as aulas do Seminário só poderem ser frequentadas por candidatos à vida eclesiástica(SILVA, B. B. .Cronologia da História de Macau, Vol.4)
(7) MARÇO DE 1954 – Concluídas as obras de reparação nela introduzidas, foi reaberta ao público a Igreja do seminário de S. José. Nesse dia, Sua Exa. o Bispo D. João de Deus Ramalho conferiu o Santo Crisma a 18 seminaristas recentemente vindo vindos da metrópole. (Macau B. I., 1954)
(8) 22-12-1881 – Decreto organizando o Seminário de S. José, sob o nome de Seminário -Liceu de S. José de Macau, continuando, porém a serem mantidas a cadeira de náutica e as aulas do ensino comercial.(10)
(9) Seminário de S. José – Macau B. I. 1955 e Seminário de S. José in Anuário de Macau 1953-55.
(10) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954
NOTA: a Igreja e o Seminário de São José estão incluídos na lista dos monumentos históricos do “Centro Histórico de Macau”, que por sua vez foi classificado pela UNESCO em 2005 como sendo um Património Mundial da Humanidade.

Bernardino Senna FernandesFoi nesta data, 18 de Abril de 1890, agraciado por mercê honorífica com o título de Visconde de Sena Fernandes por duas vidas, o proprietário macaense Barão de Sena Fernandes.

Bernardino de Senna Fernandes nasceu em Macau a 20 de Maio de 1815 e também aqui faleceu a 2 de  Maio de 1893. Era filho de José Vicente Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes, naturais desta Província.
Bernardino Senna Fernandes Brasão IBernardino Senna Fernandes Brasão IIBernardino Senna Fernandes Brasão IIIFoi distinguido com os títulos de Barão em 25 de Outubro de 1888, de Visconde (17-04-1890) e de Conde, em duas vidas (31-03-1893).  Esta ultima mercê só chegou depois da sua morte pelo só pode ser gozada por seu filho que, a falar com rigor foi o 1.º Conde de Sena Fernandes. Enquanto que o nome de família seja referenciado em Macau como “Senna Fernandes“, os títulos foram outorgados como “Sena Fernandes
Bernardino Senna Fernandes Brasão IVBRASÃO DE ARMAS: Escudo de ouro carregado com uma águia bifronte de negro estendida, armada de vermelho e com um crescente de prata apontado para cima sobre o peito ; orla de vermelho carregado com quatro cruzetos de ouro entre quatros crescentes de prata sendo estes acantonados  e aqueles nos centros do chefe, contra-chefe e laterais – Timbre, uma águia de negro andante e armada de vermelho. Virol de ouro e vermelho e assim o paquife; elmo de prata lisa, decorado de oiro lavrado e o forro azul celeste.

Negociante rico, grande proprietário (um dos maiores contribuintes de Macau do século XIX), figura polémica (1) e controversa,  foi Major ordinário, (2) Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem do Elefante de Sião, Cavaleiro de Torre e Espada, Condecorado com a Medalha de Prata de Mérito e Filantropia, Cônsul de Sião e da Itália em Macau, diplomata,  (3) Comandante da Guarda da Polícia, (2) organizador da Polícia do Mar,  (4) superintendente da Emigração Chinesa (isto é da emigração dos cules), inspector de Incêndios,  (5)  presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). (6)
Deixou numerosa descendência. Casou a 30 de Setembro de 1840 com Antónia Maria de Carvalho. Ficou viúvo, casou a 11 de Julho de 1862 com D. Ana Teresa Vieira Ribeiro e tiveram 9 filhos.

Bernardino Senna Fernandes Estátua IFoto: 2015

Esta estátua foi erecta, em Março de 1871, (no mesmo mês e ano em que foi inaugurado o monumento da Vitória) (7)  num terreno ajardinado do outro lado da rua oposto ao Monumento da Vitória; dali foi removida para o pequeno jardim do vivenda “Caravela”, (8) na Avenida da República, construída pela família Senna Fernandes. A família posteriormente alugou/vendeu (?)  a vivenda “Caravela” para servir de Hotel/Restaurante e nessa altura ofereceu a estátua ao Governo que a mandou colocar no recinto murado do então Museu de Luís de Camões (hoje  propriedade da Fundação Oriente) à direita de quem entra. (9)

Bernardino Senna Fernandes Estátua IIO pequeno jardim à frente da sede da Fundação Oriente com a estátua de Senna Fernandes (na foto: esquerda superior). Foto: 2015

O pedestal tem inscrições em chinês e português. (actualmente muito apagadas)

Bernardino Senna Fernandes Estátua IIIFoto: 2015
PARA PERPETUAR A MEMORIA DO BENEMERITO
CIDADÃO
BERNARDINO DE SENNA FERNANDES
MAJOR HONORARIO
COMMENDADOR DA ORDEM MILITAR DE
NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO
COMMENDADOR DA ORDEM DO ELEPHANTE BRANCO
DE SIAM
CAVALEIRO DA ANTIGA E MUITO NOBRE ORDEM
DA TORRE E ESPADA, DO VALOR, LEALDADE E
MERITO FIDALGO CAVALEIRO DA CASA REAL
CONSUL DE SIAM E DA ITALIA
I BARÃO, VISCONDE E CONDE DE SENNA FERNANDES
AGRACIADO COM A MEDALHA DE PRATA
DE MERITO, PHILANTROPIA E GENEROSIDADE
CHEVALIER SAUVETEUR DES ALPES MARITIMES
SOCIO PROTTETORE DE ASSOCIAZIONE DEI
BENEMERITI ITALIANI
MUITO APRECIADO PELA COMUNIDADE CHINEZA
DE MACAU
PELO SEU AMIGO JUSTICEIRO E PROVADA
ESTIMA  E SYMPATHIA
AOS NEGOCIANTES CHINEZES
A QUEM SEMPRE DISPENSAVA PROTECÇÃO
E APOIO
Bernardino Senna Fernandes Estátua IVFoto: 2015
Esta Estátua foi mandada erigir por
Lu-Cheo-Chi, Cham Hau-in, Ho-Liu-Vong
e outros negociantes chinezes de Macau
Em Testemunho de Amizade e Gratidão

(1) “Figura poderosa e polémica, foi naturalmente alvo de invejas e acusações  de toda a ordem, sobre as quais se torna difícil, hoje em dia, tecer um juízo de valor. Seja como for, ele próprio entendeu defender-se e publicou o folheto Um apelo ao publico imparcial, Macau, Typ. Popular, 1869, 24 p., no qual apresenta uma série de documentos comprovativos dos altos serviços prestados à Província. Coincidência, ou não, pouco depois desse desafrontamento pessoal, um grupo de importantes comerciantes chineses, deliberou mandar erigir-lhe uma estátua de corpo inteiro. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses)
(2) Senna Fernandes criou um corpo de polícia privado, em 1857, a «Polícia do Bazar», paga por um grupo de comerciantes chineses e depois esta Polícia extendeu-se a toda a cidade. Mas breve surgiram queixas de abuso de poderes. O governo hesitava, falho de meios para se lhe opor. Finalmente usando a velha regra que propõe que “se não os podes vencer junta-te a eles“,  Senna Fernandes foi nomeado Comandante da Guarda da Polícia a 14 de Outubro de 1857 e a 18 de Julho de 1861 foram-lhe concedidas as honras de major. Para demonstrar a sua riqueza, armou a Polícia à sua custa, com o armamento mandado vir propositadamente da Inglaterra.
SARAIVA, António M. P. – Jardins e a história de Macau in Macau, encontros de divulgação e debate  em estudos sociais, pp. 193-205.
Site das Forças de Segurança de Macau  indica como Comandante da Polícia: 14-10-1857 a 29-07-1863. (http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html)
(3) Conseguiu estabelecer com a China vários tratados de comércio, a fim de garantir à população os víveres necessários, depois de várias proibições ordenadas pelos mandarins em consequência da guerra entre a China e a Inglaterra, missão esta muito difícil que só o seu génio e alto prestígio conseguiu levar a bom termo. (Macau B. I., 1954)
(4) Criou também a Polícia do Mar, a quem se deve o salvamento de muitas vidas e propriedades, especialmente a quando do tufão de 27 de Julho de 1862. Reprimiu, à sua custa, com os seus navios e embarcações, o contrabando  e a pirataria nesta paragens, entregando sempre à Fazenda Pública o produto e os artigos das apreensões. Macau B. I., 1954)
(5) Reorganizou os serviços de incêndio da cidade exercendo gratuitamente o cargo de inspector (Macau B. I., 1954)
(6) Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) foi  fundada em 17 de Outubro de 1871, destinada à educação dos «filhos da terra». Em 1878 cria a «Escola Comercial»  (SILVA, Beatriz Basto da Cronologia da história de Macau, Vol.3).
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/
(8) O edifício da Caravela, infelizmente demolido em princípios de 1979
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/31/caixa-de-fosforos-hotel-caravela-2/
(9) TEIXEIRA, P.  Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980.

Porta do Cerco quadro século XVIPortas do Cerco no século XVI (1)

Foi inaugurado, no dia 31 de Outubro de 1871,  pelo Governador António Sérgio de Sousa (governação de 1868 – 1872), o arco da Porta do Cerco dedicado à memória do Governador João Maria Ferreira do Amaral e ao feito heróico do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita. (2)

Eudore de Colomban Porta do Cercol 1927Porta do Cêrco, 1927 (3)

Nas paredes interiores há duas lápides com as datas do início e fim da construção:

22 de Agosto de 1870
31 de Outubro de 1871

Nas exteriores outras duas datas com as datas do assassínio do Governador  Amaral e da tomada do Passaleão

22 de Agosto de 1849
25 de Agosto de 1849

Está também gravada o lema “A Pátria honrai, que a Pátria vos contempla“. (4) POSTAL WONG WAI HONG 1992 Porta do CercoPOSTAL – PORTA DO CERCO – The Border Gate
foto de Wong Wai Hong, 1992

(1) Segundo o Padre Teixeira, reprodução de um quadro de autor desconhecido que existia no Museu Luís de Camões, em Macau. TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Militares em Macau, 1975.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927.
(4) A Porta do Cerco era encimada por uma inscrição chinesa, que os chineses lá tinham colocado « Admirai a nossa grandeza, respeitai a nossa virtude»

EXP. Plantas de Edifícios Históricos CARTAZContinuação da minha colecção de marcadores de livro referentes à Exposição de Plantas de Edifícios Históricos”, realizada entre 22 de Agosto e 22 de Outubro de 2005  e organizada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau no Arquivo Histórico. (1) (2)

EXP. Plantas de Edifícios Históricos Bairro de S. LázaroMarcador: Bairro de São Lázaro

“Na sequência da sua demolição em finais do século XIX devido às deficientes condições higiénicas, surgiu um novo bairro de malha regular que albergou a vivência urbana e peculiar de Macau dos anos 20 do século passado.”

EXP. Plantas de Edifícios Históricos Bairro de S. Lázaro versoNOTA: “Em 10 de Setembro de 1808 o Pe. Agostinho espanhol, José Segui requereu ao Senado um terreno baldio, defronte uma povoação que estava fora das portas de S. Lázaro onde estavam 300 a 400 novos cristãos chineses. Estes foram perseguidos por ordem dos Mandarins mas muitos deles voltaram, registando-se em 1818, nada menos de 98 casas de cristãos chineses. O jornal “Echo Macaense”, de 21.02-1897 dizia: «Até 1871 as freguesias da Sé, S. Lourenço, e Santo António eram as únicas onde estavam estabelecidas as residências de portuguezes: em 1878, estenderam-se elas já para S. Lázaro, e em 1896 disseminaram-se pelos bairros chinas: ora sendo em geral os rendimentos dos prédios das três primeiras freguesias, pela natureza da construção e pela sua situação, superior ao dos prédios da freguesia de S. Lázaro e dos bairros, a dispersão encontra natural explicação no presente estado financeiro dos filhos desta terra, como também a este estado se pode atribuir a sucessiva diminuição d´esta parte da comunidade portugueza, e, como consequência, a sua emigração»” (3)

EXP. Plantas de Edifícios Históricos Igreja N.S.CarmoMarcador: Igreja de Nossa Senhora do Carmo

“A construção desta igreja foi proposta em 1882 e concluído em 1885, sob o motivo de promover a missão católica junto dos três mil habitantes da Taipa”

EXP. Plantas de Edifícios Históricos Igreja N.S.Carmo versoNOTA: “Dado o constante aumento da população que se entregava à pesca, construiu-se em 1876 na Taipa para atender às suas necessidades espirituais uma ermida  e com tão bom sucesso que em breve foi necessário um edifício mais vasto, levantando-se em 1883 uma igreja; a actual igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo foi levantada em 1885, ficando ali como pároco o P. José V. da Costa, antigo missionário e superior de Hainan”. (4)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/17/marcadores-de-livro-i-exposicao-de-plantas-de-edificios-historicos/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/28/marcadores-de-livro-ii-exposicao-de-plantas-de-edificios-historicos/
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I.
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940

Roteiro do Ultramar Tempo Á -MáO templo da Deusa A-má

 “Parece ter sido construído nos princípios da dinastia Ming; a actual estrutura data do reinado de WanLi (萬曆 -1573-1621). Em 1828, os negociantes de Fuquiem (Fujian ou Hokkien 福建) e Taicho ofereceram mais de dez mil taéis de prata para a restauração do pagode da Barra. Este é o primeiro e principal pórtico que leva ao átrio e dali ao tempo dedicado a Neang-Má.” (1)
À entrada, dois leões de pedra, de fera expressão, terríficos e misteriosos, em esgares de ironia e crueldade como costumam ser estes leões mitológicos dos chineses, guardam, quais sentinelas, as portas do pagode (Jaime de Inso, em 1929)

 Roteiro do Ultramar Porta do CercoPorta do Cerco

 António Feliciano Marques Pereira, (2) informava que a primitiva Porta teria sido construída em 1573: «Macau fugiam a seus donos e iam praticar roubos nas povoações da ilha de Hian Chan (Heung-Shan, hoje Chong-Shan). Este facto deu motivo, em 1573,à construção da muralha e barreira do istmo, a que os nossos ficavam chamando «Porta do Cerco» e os chinas «Kuan-Chap» (關閘mandarim pinyin: guan zhá; cantonense jyutping: gwaan1 zaap6).
O actual arco da Porta do Cerco foi levantado para honrar a memória de Governador Ferreira do Amaral, a 31 de Outubro de 1871, durante o governo de António Sérgio de Sousa (1868-1872).

 Roteiro do Ultramar PenhaResidência episcopal da Penha em Macau

A residência episcopal e a Ermida de N. Sra. Da Penha de França, ficam no topo da colina da Penha. Mais abaixo, a Gruta de N. Sra. de Lourdes. A gruta foi construída em 1908, por iniciativa do D. João Paulino de Azevedo e Castro, bispo de Macau (1903-1918), que ali foi sepultado.
Segundo se lê numa lápide, na parede da direita da Igreja da Penha, esta Igreja foi «Construída em 1934-1935 em substituição da primitiva capela edificada em 1622 e reedificada  em 1837».” (1)

Fotogravuras do livro de
GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p.
(1) TEIXEIRA,  P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997, 667 p.
(2) PEREIRA,  A. Marques – As Alfândegas Chinesas de Macau. Macau, 1870, 166 p.

No dia 26 de Março de 1871, foi inaugurada a Praça da Victoria (hoje, Jardim da Vitória) com o Monumento da Victória,” junto da Flora Macaense, na estrada que por S. Lázaro conduz à porta do Cerco (hoje situado entre a Avenida Sidónio Pais e a Estrada da Vitória)”  (1) pelo Governador, Conselheiro Vice-Almirante graduado, António Sérgio de Sousa. (2)

O monumento comemora a vitória alcançada pelos macaenses contra o ataque dos holandeses, em 24 de Junho de 1622, no Campo de Victória, sendo anteriormente conhecido como Campo dos Arrependidos (3) , pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes.

A pedra fundamental para o monumento que Carlos José Caldeira, por incumbência do Leal Senado, encomendara a Manuel Maria Bordalo Pinheiro, (4) pai do tenente coronel de artilharia Feliciano Henrique Bordalo Proste Pinheiro, que prestou notáveis serviços na Direcção das Obras Públicas de Macau, quando da reconstrução dos edifícios e reparações dos estragos causados pelo desastroso tufão de 1874, foi solenemente lançada em 23 de Junho de 1870. (1)

Concluído o monumento foi o mesmo expedido para Macau, pelo governo da Metrópole, livre de frete, no vapor Saida, que em Junho de 1870, transportou um contingente militar para esta cidade.” (1)

Monumento da Vitória Sem data P. TX LEAL SENADO

Foto do livro: «O Leal Senado», do Padre Manuel Teixeira , sem data (década de 60)

O Monumento da Vitória é composto por um soco octogonal sobre o qual se assenta um fuste canelado, tendo nele aplicado as duas cartelas, no estilo do século XVII, e encimado por dois escudos, um com as armas de Portugal e outro com as da Cidade, ornados de carvalho e loiro. É rematado, no topo, pela coroa real portuguesa. (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(2) Sobre o Governador António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872 ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/02/noticia-2-de-julho-de-1871/
(3) Beatriz Basto da Silva refere outra explicação para o nome:  “
“A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(4) Manuel Maria Bordalo Pinheiro é também autor do busto em bronze de Camões, que se encontra colocado na Gruta de Camões, em Macau.