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Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 84 de 8 de Fevereiro de 1866, p. 84

João Damasceno Coelho dos Santos, natural de Macau (S. Lourenço 11.05.1800; Sé 2.02.1866), filho de Faustino Coelho dos Santos e de Maria Josefa da Costa Lage , bacharel em Direito (U. C.). Terá sido nomeado em 1826, juiz de fora de Algoso (ex-freguesia portuguesa do concelho do Vimioso – Portugal) ( (1)

Em Macau, foi membro do Senado de Macau (desde 1841) (2 ) e depois Procurador da Cidade, entre 1843 e 1844. Foi delegado do Procurador da Coroa e Fazenda em Macau (1846-1866). (3) Foi um dos fundadores e o 1.º Presidente da direcção do Teatro D. Pedro V. Casou com Eudóxia António Joana Rangel (filha de Floriano António Rangel -1778-1843-  e de Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho), Tiveram 7 filhos (4)

(1) Extraído de «Gazeta de Lisboa», n.º 35 de 10 de Fevereiro de 1826, p. 138

(2) Extraído de «The Chinese Repository», Volume 10, From Jan to Dec, 1841, p. 57

(3) Extraído de MAIA, José António (cirurgião pela Escola Mécio-Cirúrgica de Lisboa) – Memória sobre a franquia do porto de Macao, 1849, p. 85

(4) FORJAZ Jorge – Famílias Macaenses I e II Volumes, 1996

Extraído de «TSYK»- III Ano, n.º 18 de 1 de Fevereiro de 1866, p. 77

O busto (e a sua inauguração que foi anteriormente publicada neste blogue)(1), já em 1862, mereceu um “apontamento” no «Boletim do Governo de Macau» (VIII-17 de 19-03-1862, p. 66):

Retrato de Camões – Desenho de F. Gerard e L. Visconti – Gravura de F. Lignon (1817) POSTAL  (14, 5 cm x 10,3 cm) – Colecção “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas “, 1987

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

28-01-1866 – “Para solenizar a colocação do busto de Camões, encomendado por Lourenço Marques, proprietário da gruta do mesmo nome, a Bordalo Pinheiro, busto este cuja chegada a Macau foi noticiada, no Boletim do Governo n.º 17 de 29 de Março de 1862, realizou-se «uma escolhida reunião de damas e cavalheiros, nacionais e estrangeiros, n´aquelle ameno e delicioso recinto». Compareceu também, S. Exa. O Governador e mais autoridades, bem como os estudantes do seminário, tocando a interessante banda marcial dos alunos, composta de mais de 20 músicos. Alguns estudantes recitaram, a propósito, várias poesias escolhidas e adequadas, em português, latim, francês e italiano. O Sr. Sá Camello, alferes do batalhão de linha recitou poesia do Sr. António Serpa Pimentel intitulada «Camões na gruta de Macau» ”(GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954, pp. 26-27

1866 – O primeiro busto de Camões, na Gruta do Jardim de Manuel Pereira (1757-1826) foi substituído nesta data, por iniciativa do genro do rico negociante, Lourenço Caetano Cortela Marques, casado com Maria Ana Josefa Pereira. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p.177) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

Extraído de «Boletim do Governo de Macau», XII-47 de 19 de Novembro de 1866, p. 189

A Procuratura dos Negócios Sínicos, cujo início se aponta para 1583, tinha um Procurador com um lugar cativo na vereação municipal. Em 1847, a Procuratura ficou na dependência do Governo e em 1852 (1) clarificaram-se as suas atribuições quanto aos negócios sínicos. Em 1865, por decreto de 5 de Julho, (2), o Procurador foi definitivamente desligado do Senado nos assuntos municipais de que ainda estava dependente, passando a ser de nomeação régia, sob proposta do Governador e em 1877, nova lei, a Procuratura foi reforçada com um tribunal especial. A Procuratura foi extinta em Maio de 1894, pelo Regimento de Justiça para as Províncias Ultramarinas. As competências passaram para o juiz de Direito da Comarca (3)  

(1) “19-11-1852 – Em 19 de Novembro de 1852, foi promulgado e publicado pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães, o primeiro regulamento da Procuratura dos Negócios Sínicos, (com 19 artigos) determinando que, para além do Procurador, somente o Governador pudesse interferir nos assuntos sínicos de Macau.

Regulamento da Procuratura, n-º 67 de 17-12-1862 Extraído do «Boletim do Governo de Macau», IX-4 de 27 Dezembro de 1862, p.14

Pela portaria provincial publicada em 17 de Dezembro de 1862, surgiu um novo regulamento relativo ao processo cível onde as questões cíveis de que a Procuratura se ocupava, eram, segundo a Lei, aquelas que não pertenciam ao juízo de Direito e que as questões não decididas por conciliação, naquele organismo, continuavam a ser decididas por árbitros nomeados pelas partes. (3)

(2) “5-07-1865 – Em 1865, por decreto de 5 de Julho, o Procurador foi definitivamente desligado do Senado nos assuntos municipais de que ainda estava dependente. O Procurador que desde 1853, era eleito pelo povo, passou a ser de nomeação régia, sob proposta do Governador, feita de entre os elegíveis a vereadores. Assim, foi constituído um funcionário do Estado de responsabilidade directa do Governo central e atribuída a denominação de Procuratura dos Negócios Sínicos àquela que tinha sido a Procuratura do Senado.” (4)  

“12-07-1865 – Foi criado, por decreto, do Marquês Sá de Bandeira como Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar a criação de «um corpo de intérpretes de língua sínica», apto para o exercício das funções que lhes forem incumbidas” (4)

Extraído de «TSYK»,  III ano, n.º 2 de 12 de Outubro de 1865, p. 1

“31-12-1865- Nomeado procurador interino – António Feliciano Marques Pereira, e em 1866, nomeado Procurador dos Negócios Sínicos. A nomeação régia para este cargo vem substituir a forma de provimento anterior; este era feito localmente, na pessoa de um Vereador da Câmara.” (3)

Quadro de funcionários, da Procuratura dos Negócios Sínicos em 1866 (Almanach Luso Chinez de Macau para o anno de 1866, p. 36.)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, pp. 135, 176, 302.

(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

Extraído de «Almanach Luso-Chinêz de Macau», 1866

N. B. – Desde o meio dia de quinta-feira até egual hora de sexta-feira maior, é sempre de guarda
DIAS DE JEJUM E ABSTINÊNCIA DE CARNE
DIAS DISPENSADOS DA ABSTINÊNCIA MAS EMQUE SE NÃO DEVE MISTURAR CARNE COM PEIXE NA MESMA COMIDA Extraído de «Almanach Luso Chinez para o anno de 1866», pp. 46-47
Extraído de «TSYK» III ano, n.º 30 de 26 de Abril de 1866, p. 142

NOTA: O governador de Hong Kong era Sir Richard Graves MacDonnell (麥當奴), (1814-1881) (1) que tomou posse em 11 de Março de 1866 (até 11 de Abril de 1872). Chegou a Hong Kong a 15 de Março no navio “Princess Royal” tendo estado anteriormente em governos coloniais na Gâmbia, St. Vicent, Sul da Austrália e Norte da Scotia. Foi nesse ano de 1866 que o comando da marinha dos EUA que estava sediada em Macau, se transferiu para Hong Kong. O Governador de Macau era José Rodrigues do Amaral (22-06-1863 a 26-10-1866)

Acompanhava-o Contra-Almirante George St. Vincent King, (2) Comandante em Chefe da China e estação Naval do Japão de 17 de Janeiro de 1865 a 18 de Janeiro de 1867.

(1) Ver anteriores referências a este governante de HK bem como anterior postagem desta visita relatada no «BGM» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/21/noticia-de-21-de-abril-de-1866-visita-do-governador-de-hong-kong/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-richard-g-macdonell-1814-1881/

(2) George St. Vincent King – 2.º filho do Vice almirante Sir Richard King (1774-1834) e de Sara Anne (filha do Almirante Sir John Thmoas Duckworth); Contra Almirante em 4 de Abril de 1862; Vice-almirante em 20 de Março de 1867 e Almirante em 20 de Abril de 1875. Por morte do seu irmão Sir Richard tornou-se Barão em 2 de Novembro de 1887,  e por licença a real de 13 de Fevereiro de 1888, tomou o nome de Sir George St. Vincent B. Duckworth King Morreu a 18 de Agosto de 1891 (aos 83 anos). PARKINSON, Jonathan – The China Station, Royal Navy: A History as seen through  the careers of the Commanders in Chief , 1864 – 1941, 2018

Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 29 de 19 de Abril de 1866.

Clotilde Maria Martinho Marques (20-02-1841/ 6-09–1885) casou pela 1.ª vez em Lourenço a 15-04-1866 com William Augustus Read. (1) Deste casamento teve duas filhas, Clotilde Maria Marques Read (da Rosa) e Maria Salomé Marques Read (Leitão). Casou pela 2.ª vez em S. Lourenço a 23-11-1879 com Guilherme Augusto Barreto.

É filha de José Martinho Marques (1810 -1867) que estudou no Colégio de S. José e se especializou em chinês, seguindo depois a carreira de intérprete do Governo de Macau e de várias legações estrangeiras e de Vicência Maria Baptista (1811-1885), casamento em 1835. Tiveram 12 filhos. (2)

 (1)  William Augustus Read – 24 de Junho de 1843 (Clifton, Bristol, Gloucestershire, Inglaterra / 8 de Fevereiro de 1872 (28) São Lourenço, Macau. Filho de Henry Read e Maria Read. Irmão de Lucy Maria Read; Francis Henry Read; Frederick Hamlin Read; Charles Edward Read e Henry Arthur Read (2)

De religião protestante, engenheiro civil que trabalhou nas obras do porto de Hong Kong e depois, funcionário das Obras Públicas de Macau, responsável pelas obras do Porto Exterior. Faleceu em Macau (S. Lourenço) a 8-02-1872. (3) Está sepultado no Novo Cemitério Protestante da Bela Vista na Rampa dos Cavaleiros – campa n.º235 (4)

(2) https://www.geni.com/people/William-Read/6000000002010332548 (3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II. (4) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980

Agenda das procissões religiosas no ano de 1866

Almanach Luso-Chinês de Macau, 1866

Anúncio publicado na imprensa em Macau, em 1888, da Farmácia Lisbonense (1)

«O Correio Macaense» Vol V, n.º 230 de 17-02-1888, p. 4.

Além da venda de drogas medicinais e medicamentos, na Farmácia Lisbonense também se vendia, artigos de toilette e rapé meio gordo da fábrica portuguesa Xabregas (2)
(1) Desconheço a data de inauguração desta farmácia. A “Pharmacia Lisbonense” a partir de 10 de Agosto de 1866, ficou sob a direcção e maneio dos seus novos proprietários Joaquim das Neves e Sousa & C.ª. Joaquim das Neves e Sousa era proprietário e farmacêutico. Terá fechado na década de 90 do século XIX. Os anuários /directórios a partir de 1900 já não apresentam referência a esta farmácia.

«B. G. M.» XII-33. 13 de Agosto de 1866, p. 134

Anterior referência a esta farmácia em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/farmacia-lisbonense/
(2)

Anúncio de 1880
Diário Illustrado” de Lisboa, Ano 9 – n.º 2:535 de 7 de Junho de 1880.

A Rua Direita de Xabregas passou pelo Edital municipal de 8 de junho de 1889 a ter a sua denominação simplificada para Rua de Xabregas, A Rua de Xabregas, que liga a Calçada de Dom Gastão à Rua da Madre de Deus, albergou nos séculos XIX e XX uma Fábrica de Tabacos, onde antes fora o Convento de São Francisco de Xabregas e hoje encontramos o Teatro Ibérico… (…)
A Fábrica de Tabacos da Rua de Xabregas existiu desde 1845 no que fora o Convento de São Francisco de Xabregas, destruído pelo terramoto de 1755 e reconstruído/ ampliado, com uma fachada monumental e o pórtico principal encimado pelo brasão de armas do rei  D. José I de Portugal…. (…)
A partir de 1927, passou a denominar-se Companhia Portuguesa de Tabacos e em 1962, a Fábrica mudou-se para um novo edifício na Avenida Marechal Gomes da Costa, sendo qu as instalações de Xabregas foram em finais de novembro de 1980 destinadas ao Teatro Ibérico.”
https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/02/06/a-fabrica-de-tabacos-da-rua-de-xabregas/

Extraído de «B. G. M.» XII-29 de 16 de Julho de 1866.
Príncipe Fernando de Orléans, duque de Alençon
Foto da década de 1860

Fernando Filipe Maria de Orléans (Ferdinand Philippe Marie; 1844-1910) é um dos setes filhos de Luís Filipe, duque de Némours e de sua esposa, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry (prima da rainha Vitória)
É irmão do príncipe Gastão de Orléans, Conde d’Eu, marido de Dona Isabel, Princesa Imperial do Brasil.
Em 28 de setembro de 1868, na capela do Castelo de Possenhofen, Fernando de Orléans desposou a duquesa Sofia Carlota Augustina da Baviera (1847-1897), (1) irmã mais nova da imperatriz Isabel da Áustria, conhecida popularmente como “Sissi”. O casal teve dois filhos: Luísa de Orléans (1869 –1952) que se casou com o príncipe Afonso da Baviera (1862-1933) e Emanuel de Orléans (1872–1931), Duque de Vendôme, que se casou com a princesa Henriqueta da Bélgica (1872-1931), irmã do rei Alberto I da Bélgica.
O duque Fernando Filipe Maria de Orléans faleceu na Capela Real, em Dreux (França) no dia 29 de Junho de 1910. Foi além de militar, pintor que deixou vários álbuns com desenhos e aguarelas dos lugares por onde viajou nomeadamente Filipinas, de Filipinas, China, Índia e Egipto.
https://www.revolvy.com/page/Prince-Ferdinand%2C-Duke-of-Alen%C3%A7on
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_de_Orl%C3%A9ans,_Duque_de_Alen%C3%A7on

GRANDE MURALHA DA CHINA
Extremidade que termina no golfo de Liaodong / Outubro de 1866
Pintado pelo Duque de Alençon

http://encheres.parisencheres.com/html/fiche.jsp?id=3469397&np=7&lng=fr&npp=20&ordre=1&aff=1&r=

(1) Entre 3 e 6 de maio de 1897, em Paris, as irmãs dominicanas organizaram uma feira beneficente no Bazar de la Charité, um edifício industrial escolhido por Sofia Carlota (nos últimos anos da sua vida tinha dedicado às obras de caridade, ingressando na Ordem Terceira de São Domingos com o nome de Irmã Maria Madalena). por ser mais adequado para a montagem dos stands. Os irmãos Lumière também foram convidados para o evento, para apresentar seus filmes (com material e equipamentos altamente inflamáveis). Subitamente, um acidente com uma das lâmpadas de éter (utilizada na exibição dos filmes) iniciou um incêndio que se alastrou rapidamente. Enquanto todos fugiam em pânico, Sofia preocupava-se em salvar as pessoas que estavam com ela atrás do balcão e a procurar por seu marido. Só decidiu fugir após colocar a última de suas auxiliares a salvo, mas as chamas já haviam tomado todo o bazar e Sofia não conseguiu sair de lá. A lista oficial de mortos na tragédia foi de 132 pessoas, sendo 124 mulheres (damas da alta nobreza francesa e irmãs dominicanas, em sua maioria) e 9 homens. A identificação dos mortos no incêndio foi bastante difícil, pois a maior parte dos corpos estava carbonizada. Embora Sofia tenha sido reconhecida pela arcada dentária (com uma ponte e algumas incrustações de ouro) por seu dentista, sua camareira afirmou que o crânio carbonizado não pertencia à princesa.
A cerimônia fúnebre foi realizada em 14 de maio de 1897, na igreja de Saint-Philippe-du-Roule. Sofia foi sepultada na Capela Real de Dreux.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sofia_Carlota_da_Baviera