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Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

 Em 31 de Maio de 1832, iniciou-se a publicação periódica, em Cantão (Guangzhou), da excelente revista «The Chinese Repository», contendo valiosos estudos sobre os assuntos chineses, entre outros, sendo editor o missionário protestante (norte-americano) Dr. Elijah Coleman Bridgman (1) (até 1847 quando deixou Shanghai, no entanto continuou a ser colaborador, com os seus artigos). Sucedeu-lhe como editor James Granger Bridgman até Setembro de 1848, data em que Samuel Wells Williams passou a ser editor. A colecção desta revista constitui um valioso repositório de artigos sobre a história, literatura e costumes chineses O último número data de Agosto de 1852. Entre os anos de 1842 e 1844 (volumes XI e XII), a revista foi editada em Macau, com excepção do número correspondente a Dezembro de 1844, por esta revista ter passado a ser impressa em Hong Kong. Depois de Hong Kong, passou novamente a ser impresso em Cantão. Ao todo com XX volumes, o «The Chinese Repository» foi uma das primeiras revistas publicadas por estrangeiros, na China e considerado o primeiro maior jornal de Sinologia.
Era mais dirigido aos missionários protestantes que trabalhavam na China elucidando-os da história e cultura chineses, assuntos correntes e documentação de relevo para os seus trabalhos. Foi reimpressa por Maruzen Co Ltd., em Tóquio (2)
(1) Elijah Coleman Bridgman (1801-1861) foi o primeiro missionário americano na China tendo chegado a Cantão em 19 de Fevereiro de 1830 (aí recebido por Robert Morrison). Foi autor da primeira história dos Estados Unidos em língua chinesa. Foi o intérprete/tradutor do primeiro tratado entre os Estados Unidos e o Governo chinês na Dinastia Qing.
https://en.wikipedia.org/wiki/Elijah_Coleman_Bridgman

(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Chinese_Repository

https://ia801407.us.archive.org/28/items/chinesereposito10unkngoog/chinesereposito10unkngoog/ 

Logo no primeiro volume (Volume I – de Maio de 1832 a Abril de 1833) contém várias referências a Macau:
Macao settlement ……………………………………………………….400
Macao, actual state of its commerce, public buildings & c … 403
Macao,   population of, &c………………………………………….. 404
Portuguese in Siam ………………………………………………………22
Portuguese in China …………………………………………………….398
Spanish trade at Macao ………………………………………………….403
St. Joseph´s college, at Macao ………………………………………… 406
Xavier, Francis ……………………………………………………265, 427
Review of an historical sketch of Portuguese……………….398, 425
Poderá consultar os XX volumes em
http://fig.lib.harvard.edu/fig/?bib=000129070
https://ia801407.us.archive.org/28/items/chinesereposito10unkngoog/chinesereposito10unkngoog/

Para ilustrar os locais de interesse turístico de Macau, no folheto turístico de 1928 (1) o autor apresenta a fotografia do túmulo do Dr. Robert Morrison (2) no antigo cemitério dos protestantes, (3) com a seguinte nota:
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-protestant-cemeteryTHE PROTESTANT CEMETERY – There are two Protestant Cemeteries in Macao. One is situated opposite Montanha Russa, on the way to Porta do Cerco, the other is close to Camoens´s Gradens. In this latter cemetery are interred, amongst others, the remains of:
GEORGE CHINNERY – Celebrated painter, whose pictures hang in the National Gallery , London – 1852.
Lord HENRY JOHN SPENCER CHURCHILL, R. N. – Commander of H. M. S. Druid – 1836.
EDMUND ROBERTS – U. S. A. Diplomatic Agent who concluded various friendly and comercial treaties for his country – 1843.
SIR HUMPHREY S. FLEMING SENHOUSE – Commander of the Brotish feleets in the China Seas – 1841.
The tiny chapel in the grounds is the Protestant place of Sunday worship and was recently built to replace na older one which had fallen into ruin.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/24/leitura-folheto-turistico-de-1928-a-visitors-handbook-to-romantic-macao/
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/robert-morrison/ 

Notícia no «Diario Illustrado» (Lisboa) do dia 22 de Janeiro de 1909, (1) a recordar o afundamento do brigue «Mondego» (2) no dia 22 de Janeiro de 1859, próximo do arquipélago das Maurícias, numa viagem de Macau para Lisboa.
diario-illustrado-22jan1909-brigue-mondego-idiario-illustrado-22jan1909-brigue-mondego-iiO brigue, de 20 peças, foi construído no Arsenal da Marinha pelo construtor Joaquim Jesuíno da Costa e lançado à água em 28 de Outubro de 1844. A quilha foi posta em 4 de Abril do mesmo ano. Também aparece como navio de 14 peças. A lotação era de 130 homens.
Esteve em Macau em Maio de 1852, onde deu fundo na Taipa. Em Julho de 1852 largou para Timor, conduzindo o novo Governador Capitão D. Manuel de Saldanha da Gama. O brigue largou de novo a 25 de Novembro de 1853 para nova missão em Macau e chegou a este território a 29 de Maio de 1954, após seis meses e cinco dias de viagem. (3) E a partir de 1855, passou a servir na Estação Naval de Macau. Em Outubro de 1856, largou para Hong-Kong com o Governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães. (4) Em Julho do ano seguinte, saiu em cruzeiro para a costa da China e, em Maio, visitou vários portos da China. Em Janeiro de 1859, largou para Sião e conduziu o mesmo Governador de Macau para assinar o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Portugal e o reino de Sião.
Em Dezembro do mesmo ano, partiu de Macau com destino a Lisboa. Reparou em Singapura, tendo o construtor naval assegurado que o navio podia empreender sem receio a sua viagem para a Europa. Partiu em 20 de Dezembro desse ano. Durante a travessia o navio sofreu graves avarias conservando-se à tona com grandes dificuldades. Tendo avistado a galera americana “Uriel”, de Boston, pediu socorro. Da galera prontificaram-se a recolher o pessoal, com extrema dificuldade, em consequência do grande mar. Durante a faina de salvamento, o Mondego afundou-se com os seus 40 tripulantes. O total de sobreviventes foi de 66 e o de falecidos 44. Os náufragos do Mondego chegaram a Lisboa em 26 de Abril de 1860. (3)
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=925
(1) diario-illustrado-22jan1909-cabecalho-do-jornal
(2) Sobre o brigue «Mondego» ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/1859/
(3) A descrição mais pormenorizada do naufrágio encontra-se descrita na biografia de José Feliciano de Castilho (Cavaleiro da antiga Ordem da Torre e Espada, segundo-tenente da armada, engenheiro hidrógrafo) um dos que sobreviveu a este acidente, em:
 http://www.arqnet.pt/dicionario/castilhojosef2.html
(4) Sobre este Governador,  ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

A Revista «Universal Lisbonense» no seu n.º 22, do dia 9 de Dezembro de 1852, dava a notícia na coluna “NOTICIAS E COMMERCIO” da chegada no dia 2 de Dezembro desse ano, no paquete do norte, de dois chineses Francisco Leu e José Li, provenientes de Macau.
Francisco Leu (o mais idoso) natural e residente em Pequim (北京), era encarregado de representações dos cristãos chineses da diocese de Pequim e vinha a Lisboa para tratar das questões do padroado real, nomeadamente pedir o regresso do bispo eleito de Pequim D. João de França Castro e Moura, (1) (na altura em Timor) e também a ida dos padres portugueses para as missões na sua diocese.
José Li, natural de Macau, estudava para padre e acompanhava Francisco Leu como intérprete, “fazendo-se entender em latim”.
revista-universal-lisbonense-n-o-22-1852-dois-chins-em-lisboa-iA notícia chamava ainda a atenção para o livro de A. C. J. Caldeira, “Apontamentos de uma Viagem de Lisboa à China” (2 volumes) (2), onde o leitor poderia aprofundar os motivos desta deslocação dos prelados.
revista-universal-lisbonense-n-o-22-1852-dois-chins-em-lisboa-ii

(1) D. João de França Castro e Moura nunca foi eleito bispo de Pequim.
d-joao-de-franca-e-catro-e-moura-18904-1868D. João de França Castro e Moura (1804-1868) nasceu no Porto e em 1823 partiu de Lisboa para o Convento de Rilhafoles da Congregação da Missão, preparando-se para as Missões do Oriente. Em 10 de Abril de 1825 partiu para Macau, ordenando-se sacerdote nas Filipinas em 1829. Celebrou a sua primeira Missa em Macau no princípio do ano de 1830. Em Agosto desse ano parte para a China primeiro para Fukien (福建) e depois Nanquim (南京). Nomeado Vigário geral em Nanquim. Devido ao falecimento do Bispo de Pequim, D. Caetano Pereira Pires, em 2 de Novembro de 1838, foi nomeado administrador apostólico da Diocese de Pequim. Devido estarem interrompidas as relações diplomáticas entre Portugal e Santa Sé, D. João esteve dezassete anos na China, não chegando a assumir o posto de Bispo de Pequim, proposto por Portugal e não aceite pela Santa Sé (o mesmo acontecendo com a nomeação do Bispo de Claudiópolis para Pequim pela Santa Sé e não aceite por Portugal, e com isso, a perda ao direito do Padroado Português na diocese de Pequim). D. João regressou a Macau em 14 de Julho de 1847 e em 1850 vai para Timor. Regressa a Portugal em Abril de 1853 e é nomeado em 27 de Fevereiro de 1862, Bispo do Porto.
http://biblioteca.cm-gondomar.pt/Topon%C3%ADmia.aspx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Fran%C3%A7a_Castro_e_Moura
Aconselho ainda a leitura de:
LIU Ruomei – Missionários portugueses e russos em Pequim no Século XIX in Administração n.º 95, vol. XXV, 2012-1.º, 259-278, disponível em:
file:///C:/Users/ASUS/Downloads/10-Missionarios_Liu%20Ruomei(259-278).pdf
(2) Carlos José Caldeira era primo de D. Jerónimo José da Mata (Bispo de Macau de 1845 a 1862) e amigo de D. João de França Castro e Moura bem como de D. João Maria de Amaral e Pimentel (Bispo de Macau nomeado em 1865 pela Santa Sé, mas não aceite por Portugal).
Ver mais informações em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/

Pouco dias antes da fatalidade, explosão da fragata “D. Maria II, no dia 29 de Outubro de 1850, (1) o tenente Luiz Maria Bordalo, uma das vítimas, compôs uma sentida e maviosa poesia (nela um vago pressentimento do destino que o esperava) (2) no dia 20 de Outubro de 1850, que foi publicada postumamente numa Revista Estrangeira.

Viver é gozar – um dia
Também eu vivi, oh! sim!
Como é doce a fantasia,
Sonhar contigo, oh Malim!
Lembras-te? … a flor perfumada,
Às mãos d´ella desfolhada,
E depois lançada ao mar?
Do poeta cifraste a sina,
Como essa flôr, Guilhermina,
Devem meus dias findar.

Onde Camões desterrado
Seu tão triste amor carpira
Vivo eu pobre, eu deslembrado,
Sem ter como elle uma lyra:
Oh! Quem china antes nascêra,
Na minha Lorcha eu vivera
Com velas de esteira fina;
Que lhe importa ao china a terra,
Se tudo qu´elle ama, encerra
A Lorcha dum pobre china?

Oh deusa! … tu, que no céu
Trazes cortejo de estrelas,
Que quando assomas sem véu,
Tanto semelhas às bellas;
Faze tu, casta deidade,
Que a pura ingenua amizade,
Que esses dois anjos estreita,
Seja eterna, como as plagas,
Onde vem quebrar-se as vagas,
Quando a tormenta é desfeita.

Mas se esta canção magoada,
Por vós, ó anjos, fôr lida,
Se por ella recordada,
Fôr do nauta a pobre vida;
Se em meio de alegre dança.
Surgir d´elle uma lembrança …
Oh! Fazei que uma saudade,
Busque ao triste ode elle arquêja,
Venha oh! Venha! … inda que seja
Nas azas da tempestade!.

Macau, 20 de Outubro de 1850
L. M. Bordallo (3)

explosao-da-fragata-d-maria-ii-em-1850-ihttp://www.acessibilidade.gov.pt/accessmonitor/dir/see/?cD0yfG89aW1nfHM9MzI3<

(1) A guarnição da D. Maria II compunha-se de 224 praças, das quais pereceram 188, salvando-se apenas 36 , que estavam em terra, doentes ou destacados e um grumete o único que sobreviveu entre os feridos que foram transportados ao hospital de Macau. Apenas foram enterrados 71 corpos; os outros desapareceram. Entre os mortos contam-se o comandante capitão-tenente, Francisco d´Assis e Silva (o corpo só foi encontrado no dia 31); os 2.ºs tenentes Plácido José de Sousa, Luís Maria Bordalo, Francisco Xavier Teles de Melo, Francisco Xavier Teles de Melo, Francisco Cipriano soa Santos Raposo, o tenente Mouro Samgi, o guarda-marinha João Bernardo das Silva, o 2.º cirurgião José Maria Lucas d´Aguiar e o comissário Manuel Marques. Entre os mortos, além da guarnição, contavam-se três marinheiros franceses presos, e uns 40 chineses que estavam a bordo ou em embarcações próximas. (3)
A fragata “D. Maria II” era um navio mercante “Ásia”, comprado em Inglaterra em 1831 e transformado em fragata no ano de 1832. A grande explosão deu-se no paiol que continha 300 barris de pólvora, e teria sido causada de propósito ou descuido pelo fiel da artilharia.

explosao-da-fragata-d-maria-ii-em-1850-ii“Explosão da Fragata D.ª Maria 2.ª  em Macao no anno de 1850”
Autor desconhecido de origem chinesa. (4)

Foi iniciativa do comendador Lourenço Marques mandar retirar do fundo do porto da Taipa o casco da fragata «D. Maria II» e algum tesouro, tendo sido o casco vendido por algumas mil patacas em benefício do erário público.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/14/noticia-de-14-de-dezembro-de-1902-falecimento-do-comenda-dor-lourenco-marques/
Outras referências a esta fragata:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fragata-d-maria-ii/
Aconselho visualização do vídeo “Explosão da Fragata D. Maria II”, de João Guedes, publicado a 19/01/2014 e artigo “Macau 1850: O mistério do maior desastre naval ultramarino português dos últimos duzentos anos”, do mesmo autor em:
https://www.youtube.com/watch?v=phN-7MWn39Q
https://temposdoriente.wordpress.com/2011/03/06/macau-1850-o-misterio-do-maior-desastre-naval-ultramarino-portugues-dos-ultimos-duzentos-anos-01-marco-11/
(2) “Virá aqui a propósito referir outra extraordinária coincidência relativa ao mesmo acidente:
Pela mala chegada em Outubro, recebeu o 2.º tenente Luís Maria Bordalo, uma carta de Lisboa do seu irmão Francisco Maria Bordalo (5) em que lhe dizia que em Lisboa corria a notícia, de ter voado com uma explosão a fragata «D. Maria II», carta essa que Luís Maria Bordalo mostrou a alguns dos seus camaradas. É extraordinário que tenha sido falado em Lisboa dum acontecimento que só viria a acontecer dali a dois meses e a 3600 léguas de distância” (3)
(3) Transcrito de TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, 1981.
(4) https://www.google.com/culturalinstitute/beta/u/0/asset/the-explosion-of-the-frigate-dona-maria-ii-off-taipa-island-macau/LwEeQsqGGH7xTQ
(5) Francisco Maria Bordalo (1821-1861) irmão de Luís Maria Bordalo, oficial da armada (promovido a capitão-tenente da armada em 1859), escritor, dramaturgo e colaborador em várias revistas portuguesas, também esteve em Macau de 1849 a 1852 quando era tenente, exercendo o cargo de secretário do governo de Macau. Publicaria em 1854 uma novela, baseada na tragédia da fragata D. Maria II, ocorrida a 29 de Outubro de 1850.  O protagonista Luís Osório seria o seu irmão Luís Maria Bordalo (morto na explosão) e todos os outros nomes (idênticos aos da vida real) correspondiam a tripulantes da fragata, mortos ou não na explosão. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/08/leitura-sansao-na-vinganca/
NOTA:Luís Maria Bordalo (1814-1850) promovido de guarda marinha a 2.º tenente em 26 de Novembro de 1840 publicou um drama original em 4 actos: “O Judeu” em 1843.

Março de 1858 – o Brigue Mondego (1) que voltara a Macau sob o comando do primeiro-tenente José Severo Tavares, (2) travou combate com vários juncos de um pirata chinês que pouco tempo antes tinha apresado duas lorchas de guerra portuguesas. Em resultado desse combate, as duas lorchas foram recuperadas e foi tomado um dos juncos do pirata armado com 15 peças e guarnecido com 50 homens”.(3)
(1) “O brigue Mondego, de 20 peças, foi construído no Arsenal da Marinha pelo construtor Joaquim Jesuíno da Costa e lançado à água em 28 de Outubro de 1844. A quilha foi posta em 4 de Abril do mesmo ano. Também aparece como navio de 14 peças (a notícia do jornal americano, refere 10 peças ) (4). A lotação era de 130 homens…(…)
Chegou a Macau em Maio de 1952 tendo em Julho largado para Timor conduzindo o novo Governador Capitão D. Manuel de Saldanha da Gama… (…)
Desde 1855, passou a servir na Estação Naval de Macau. Em Outubro de 1856, largou para Hong-Kong com o Governador de Macau (Isidoro Francisco Guimarães). Em Julho do ano seguinte, saiu em cruzeiro para a costa da China e, em Maio, visitou vários portos da China. Em Janeiro de 1859, largou para Sião e conduziu o Governador de Macau. Em Dezembro do mesmo ano, partiu de Macau com destino a Lisboa. Reparou em Singapura, tendo o construtor naval assegurado que o navio podia empreender sem receio a sua viagem para a Europa. Partiu em 20 de Dezembro desse ano. Durante a travessia o navio sofreu graves avarias conservando-se à tona com grandes dificuldades. Tendo avistado a galera americana “Uriel”, de Boston, pediu socorro. Da galera prontificaram-se a recolher o pessoal, com extrema dificuldade, em consequência do grande mar. Durante a faina de salvamento, o Mondego afundou-se com os seus 40 tripulantes. O total de sobreviventes foi de 66 e o de falecidos 44. Os náufragos do Mondego chegaram a Lisboa em 26 de Abril de 1860.
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=925
Há outra descrição do brigue Mondego, a propósito da biografia de José Feliciano de Castilho (1838 – 1864) que recebeu a mercê de cavaleiro da antiga Ordem de Torre e Espada (decreto de 26 de Abril de 1864, por proposta do ministro da Marinha, então José da Silva Mendes Leal) pelos feitos heróicos praticados no naufrágio do brigue Mondego.
http://www.arqnet.pt/dicionario/castilhojosef2.html
(2) Acção Naval de Março de 1858:
“Perto de Macau, o Brigue «Mondego» (1.º ten. José Severo Tavares), realizou uma importante operação contra os piratas, actuando naqueles mares, com óptimos resultados, como se pode
Portaria, publicada na Ordem da Armada n.º 386/1858:
«Havendo sido presente a Sua Magestade El-Rei o Officio datado de 27 de Março ultimo, em que o Primeiro Tenente da Armada José Severo Tavares, Commandante do Brigue Mondego, dando conta da maneira por que tem desempenhado a commissão de que se acha encarregado nos mares da China, participa ter retomado as Lorchas portuguezas n.os 52 e 77, e apprehendido um Tan-mau pirata, montando estas embarcações quinze bôcas de fogo de differentes calibres, e encontrando-se a seu bordo bastante mantimento e munições de guerra, e cincoenta individuos que ficaram presioneiros; e bem assim elogia os Officiaes e praças da guarnição do dito brigue pelo seu procedimento néssa occasião: Ordena Sua Magestade, que pela Majoria General da Armada sejam louvados em seu Real Nome o Commandante, Officiaes e mais tripulação do referido Brigue, pelos bons serviços que prestaram. O que, pela Secretaria dÉstado dos Negocios da Marinha e do Ultramar, se communica á mesma Majoria General para os devidos effeitos.
Paço, em 30 de Junho de 1858. –Sá da Bandeira.”
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592079.HTM
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592080.HTM
(3) MONTEIRO, Saturnino – Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol VIII, p. 112
Sacramento Daily, 1850 - Brigue Mondego(4) Notícia publicada no jornal “Sacramento Daily Union, Volume 19, Number 2871, 8 June 1860″: as graves avarias sofridas pelo brigue, foram devidas a um ciclone ou violenta tempestade que durou de 18 a 24 de Janeiro de 1860. Segundo o mesmo relato Oficiais e 55 homens da tripulação foram desembarcados nas Maurícias a 30 de Janeiro.
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SDU18600608.2.13
Referência anterior do brigue Mondego:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/brigue-mondego/