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5 de Agosto de 1835, data do tufão (1) que fez tantos estragos na Sé Catedral que a catedral foi provisoriamente transferida para a Igreja de S. Domingos  em 3 de Agosto de 1836” (2).
A cerimónia de Sagração do novo Bispo,  D. Jerónimo José de Matta em 1846, já se realizou na Igreja de S. Domingos.(2)
A reconstrução da Sé Catedral, dedicada à Natividade de Nossa Senhora, foi iniciada pelo Bispo D. Nicolau Pereira da Borja (3) em 1844. Por sua morte, em 1845, o novo Bispo, D. Jerónimo da Mata (4) tratou de continuar e concluir a construção da catedral cuja consagração foi feita em 19 de Fevereiro de 1850.(5)

Sob o Olhar de Á MÁ - SÉ CATEDRAL Man Fook 1907Vista lateral da Igreja/ Sé Catedral
Atribuída a Man Fook, 1907

(1) “De acordo com os mapas de Piddington o tufão atravessou a ilha de Mindoro na direcção SE-NW e foi sentido pelo navio “Lady Hayes” que estava a Sul de Macau” (NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau, 1957.
O navio “Lady Hayes” está referenciado como um navio construído na Índia, em 1931, comprado  pela empresa  “Jardine Matheson & Co.” de Hong Kong em 1833 para  o transporte do ópio entre a Índia e a China.
(2) “03-08-1836 – Por a igreja da Sé ter ficado muito danificada com o tufão, a catedral foi provisoriamente transferida para a Igreja de S. Domingos” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
A autorização do cabido para a transferência provisória da Catedral para a Igreja de S. Domingos foi a 29 de Fevereiro de 1844. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995).

D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja 1841-1845Bispo Nicolao Rodrigues Pereira de Borja.(5)

(3) D. Nicolao Rodrigues Pereira de Borja (1841-1845), sacerdote da Congregação de Missão, Mestre na Sagrada Theologia no Real Colégio de S. José da Cidade de Macau, foi eleito Bispo em 25 de Novembro de 1841, confirmado aos 19 de Junho de 1843 e tomou posse do Bispado aos 14 de Novembro do mesmo ano. Não chegou a ser sagrado  (marcado para 8 de Setembro de 1844) encontrando-se para esse fim já em Macau D. Fr. Tomás Badia mas este falece a 1 de Setembro de 1844 e o Bispo Borja falece a 29 de Março de 1845 (antes de ser sagrado), com 68 anos de idade. Foi sepultado no interior da Capela do cemitério de S. Paulo. (5) Transladado depois para debaixo do altar principal da Sé Catedral.

D. Jerónimo José da Mata 1804-1865Bispo D. Jerónimo José da Mata (5)
No pergaminho sustentado pelo Prelado lê-se:
Plano da Igreja Cathedral de Macau – J. Thomas d´Aquino – 1845 (6)

(4) D. Jerónimo José da Mata (1804 – 1865)  foi admitido no seminário aos 18 anos de idade e chegou a Macau em 24 de Outubro de 1826, tendo concluído os estudos no Real Colégio de S. José em 1827. Em 1829, recebeu o diaconado e presbiterado em Manila (não havia Bispo em Macau para essa ordenação). Voltou a Macau, continuando os seus estudos em Matemática e  astronomia com a fim de passar para o Tribunal das Matemáticas em Pequim, o que não se concretizou por ordem imperial de não admitir ali mais padres. De 1837 a 1843 esteve no reino  e foi nomeado coadjutor do Bispo de Macau (D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja, com estado precário de saúde. Voltou a Macau em Maio de 1844,  confirmado pela Santa Sé em 17 de Junho de 1844, com o título de Altobosco. Com o falecimento do bispo Borja, foi sagrado Bispo de Macau, em 21 de Dezembro de 1846, na igreja de S. Domingos. Renunciou o cargo em 25 de Setembro de 1862 Faleceu em Campo Maior (Portugal) em 5 de Março de 1865.(5)
(5) TEIXEIRA, P. Manuel  Macau e Sua Diocese Vol II, 1940
(6) José Tomás de Aquino foi o arquitecto da reconstrução da Sé Catedral (incluída na lista dos monumentos históricos do “Centro Histórico de Macau”, por sua vez incluído na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO). Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
Referências anteriores às  Igrejas de S. Domingos e Sé Catedral, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/se-catedral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-domingos/

No dia 23-02-1837, tomou posse do cargo de Governador e Capitão-Geral de Macau,  o major de infantaria, Adrião Acácio da Silveira Pinto, nomeado em 4 de Março de 1836 (1) (2)
O Governador e Capitão-Geral Adrião Acácio da Silveira Pinto que governou Macau até 1843 (3) teve uma governação atribulada e difícil pois durante o seu governo, teve de lidar com o problema do ópio na China que já vinha desde 1832, com a proibição do ópio em Cantão (4), a proibição da importação e tráfico do ópio  pela China  em 1834 (5), a queima de ópio publicamente em Cantão em 1835 (6), a proibição do comércio do ópio pela China em 1838 (7), terminando com a chamada “I Guerra do Ópio”, em 1839.  (8)

Barrier Wall Macao 1844“Barrier Wall, Macao” (1844)
The barrier on the land bridge separating Macao from China is viewed here from a British encampment in Macao, with British warships to the left and Chinese war junks close to the barrier on the right.”
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/opium_wars_01/ow1_essay03.html

A sua governação foi um constante equilíbrio diplomático entre a ingerência e imposição pela força dos ingleses em Macau (9), expulsão dos súbditos britânicos da China (10) e a necessidade de manter a neutralidade neste conflito com os mandarins de Cantão. (11) Em 1838, assiste-se em Macau ao enforcamento por ordem dos mandarins, do chinês Kuo Si Peng por ter sido apanhado em flagrante delito a vender ópio. (12)
Foi deste Governador a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, para edificar um palacete residencial para si, tendo o Leal Senado pronunciado contra essa ideia. (13)
Adrião Acácio da Silveira Pinto, após sido substituído por José Gregório Pegado foi por este indicado e depois nomeado em 10 de Outubro de 1843,  embaixador de Portugal para tratar com os plenipotenciários chineses sobre o estabelecimento de Macau. (14)
Faleceu em Lisboa a 23 de Março de 1868, no posto de marechal de campo. (1)

1840Macau vista de Praia Grande Museu PeabodyMacau, vista da Praia Grande, ca. 1840, guache em papel
Museu Peabody Essex  Foto de Jeffrey R. Dykes 2007
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995).
(3) 03-10-1843 ou 04-10-1843 (autores consultados): “tomou posse do governo o Chefe da Divisão da Armada José Gregório Pegado, que foi nomeado, em 14 de Dezembro de 1843. Durante o seu governo, iniciou-se a ocupação da ilha da Taipa, depois de uma memorável visita de cortesia ao vice-rei Ki-Yin, alto comissário de Cantão que prometeu «fechar os olhos» ao nosso estabelecimento na mencionada ilha”. José Gregório Pegado faleceu em Aden no seu regresso a Portugal em 1846 tendo embarcado em Macau em 28 de Maio desse ano.” (1) (2)
(4) 09-02-1832 – Proibição de importação de ópio em Cantão.(2)
(5) 07-11-1834 – O Imperador Tou-Kuóng decretou a proibição do tráfico do ópio.(1)
(6) “1835- Queima de ópio, publicamente, em Cantão, em frente à feitoria europeia, como prova de desagrado da China. Mais tarde (1838-1839) são também ali executados contrabandistas de ópio chineses...”(2)
(7) 1838 – A China proíbe o comércio do ópio.(1)
(8) 03-11-1839 – Data geralmente apontada para o início da I Guerra do Ópio (1839-1842).(2)
(9) “12-07-1838Chegou a Macau num navio de guerra o Almirante Maitland com instruções para proteger o comércio inglês”. (2)
“28-04-1839 – Governador Silveira Pinto escreve ao Comandante Blake, agradecendo mas recusando a oferta inglesa de ajuda para defesa da cidade, proposta por ofício da véspera“. (2)
01-09-1839 – O capitão Charles Elliot que chega a Macau em 26-05-1839, propõe que os ingleses regressem a Macau, pondo à disposição do Governador Silveira Pinto o navio de guerra inglês «Volage» e mais de 800 homens para cooperarem na defesa da Cidade”.(2)
(10) “22-03-1839 o Capitão Elliot pede ao Governador de Macau protecção para os súbditos britânicos: o Governador Silveira Pinto consentiu mas exceptuou todos os que estivessem envolvidos no tráfico do ópio.”(2)
“13-04-1839 – O Superintendente do Comércio Britânico na China, Charles Elliot, perante a ordem de expulsão que recebeu, avisou os súbditos britânicos, em nome de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra para, encontrando-se em águas chineses, se porem «imediatamente sob o comando de S. S.ª o Governador de Macau para a defesa dos Direitos de Sua Majestade Fidelíssima, e para a geral protecção das vidas, propriedades e liberdades de todos os súbditos dos Governos Cristãos que frequentam aquele Estabelecimento.”(2)
12-09-1839 – Elliot pede licença ao Governador Silveira Pinto para que os negociantes ingleses se refugiassem em Macau e propõe-lhe que este porto se tornasse no centro do comércio inglês, mas Pinto recusa.“(2)
23-01-1840 – Os súbitos britânicos expulsos da China desembarcam e passam a  viver em Macau, o que desencadeou a reacção das autoridades chinesas, que se apresentaram, na pessoa do Tou T´oi a 31 do mesmo mês, na cidade portuguesa, dando um prazo de 5 dias para a limpar dos ingleses. O Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto reuniu com o Senado e, na sequência da correspondência trocada com o Comandante H. Smith, da corveta «Hyacinth», este acabou por retirar, o mesmo fazendo as forças chinesas estacionadas junto do Templo da Barra. Macau procurou, como em tantas outras vezes estribar-se na neutralidade ... “(2)

LAM QUA 1843 Praia Grande vista da Varanda de KinsmanA Praia Grande vista da varanda, residência do mercador  Nathan Kinsman
Quadro de Lamqua (1843)
Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: PLACES  http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html

(11) “09-03-1839 – Sessão do Leal Senado em que se publica um Edital suspendendo a introdução do ópio em Macau por depósito ou para consumo. Esse Edital determina que nenhum nacional ou estrangeiro dê asilo em suas casas a chineses que, de alguma forma, estejam envolvidos no tráfico do ópio.”(2)
“10-03-1839 – Violenta crise (sentida em Macau profundamente) do comércio do ópio com a China. Por trás o Delegado Imperial, Comissário  Lin, chegado a Cantão nesta data. No periódico «O Portuguez na China», publicado por Manuel Maria Dias Pegado, em Macau, iria verificar-se o claro elogio à defesa da China que Lin faria, na perspectiva evidente de se demarcar em relação aos ingleses.”(2)
“01-04-1839 – O Mandarim da Casa envia um ofício ao Procurador de Macau, José Baptista de Miranda e Lima, comunicando a ordem do delegado imperial para se entregar todo o ópio existente em Macau.”(2)
“27-04-1839 – O Mandarim da Casa Branca envia um ofício ao Procurador dando um prazo de três dias para lhe ser entregue o ópio existente nas casas dos Portugueses em Macau, pois, caso contrário o porto seria fechado” (2)
(12) “05-04-1838 – Foi enforcado em Macau por ordem dos mandarins o chinês Kuo Si Peng por ter sido apanhado em flagrante delito a vender ópio“(1)
(13)  “05-02-1842 – O Leal Senado reunido em sessão, pronuncia-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tem contígua a ela um «Campo Santo de Pública devoção. A demolição veio a fazer-se, mas não para edificar um palacete residencial para o Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, que andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido.“(2)
(14) “27-10-1843 – O ex Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, que fora nomeado pelo Governador José Gregório Pegado, em sessão do Senado de 10 de Outubro, para tratar com os comissários chineses, no sentido de se melhorarem as condições da existência política deste estabelecimento, seguiu para Cantão no brigue de guerra Tejo, do comando do Capitão-Tenente Domingos Fortunato de Vale. Agregaram-se a esta missão o Procurador da Cidade João Damasceno Coelho dos Santos e o interprete interino José Martinho Marques.”(1)

Foi aprovada, por Decreto Régio de 12 de Março de 1847  e publicado no Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor de 10 de Dezembro de 1847,  a criação do Batalhão Provisório de Macau, em 17 de Outubro de 1846, pelo Governador João Maria Ferreira de Amaral,  destinado a auxiliar a Força de 1.ª linha.
Este batalhão foi criado pelo Governador Ferreira de Amaral  (e organizado com os moradores), após a revolta dos faitiões de 8 de Outubro desse ano, (1) para reforçar a força armada da Colónia que então o governador reconheceu ser insuficiente para defender a Colónia de possíveis ataques futuros.(2)(3)
A criação deste Batalhão não foi do agrado do Leal Senado que contrariava a política do Governador Amaral mas este proclamava em 22 de Dezembro de 1847 “ha de conservar-se o Batalhão Provisorio no pé em que está, porque o mui disciplinado batalhão d´Artilharia apenas pode suprir para o serviço ordinario, e só serão punidos os Cidadãos, que ou por mandrice, ou por pouco respeito à lei faltarem às reuniões.” (2)
O seu primeiro Major-comandante foi o macaense Francisco José de Paiva, que comandou o Batalhão até 13 de Dezembro de 1849, data do seu falecimento, aos 48 anos de idade. (4) O Batalhão ficou aquartelado no extinto Convento de S. Domingos.
A Relação dos Oficiais do batalhão que era composta por 4 Companhias, todos elas chefiadas por um Capitão,foi aprovado por Decreto de 13 de Dezembro de 1847.

O Estado Maior era formado por:
Major Comandante: Francisco José da Paiva
Tenente  Ajudante: Pedro Marques
Cirurgião-Mór: Joaquim C. da S. Telles
Alferes Porta bandeira: Luiz João da Silva

O Batalhão Provisório de 2.ª linha foi depois reorganizado em Dezembro de 1857 e passou designar-se Batalhão Nacional. Este Batalhão foi extinto em 1876, tendo os militares passado para o Regimento de Infantaria do Ultramar que se manteve até à sua extinção 1893.(5)
Francisco José da Paiva, nascido a 4 de Janeiro de 1801, na freguesia de S. Lourenço era filho de Francisco José de Paiva (natural de Vila do Mato, freguesia de Milhões, do Bispado de Coimbra) (6) e de Inácia Vicência Marques.
Joaquim José de Paiva, avô de Francisco, também natural de Vila do Mato viera de Portugal para Macau no século XVII tornando-se em breve um dos mais ricos comerciantes desta cidade, vindo a família Paiva a ser uma das mais poderosas de Macau. Estava casado com Maria Nunes também natural da Vila do Mato.
Francisco José da Paiva, foi nomeado Juiz ordinário de Senado em 1831, e Encarregado dos Negócios Sínicos, em 1836.(7)
Francisco José de Paiva andou envolvido nas lutas que se travaram em Macau entre constitucionais e absolutistas. Recebida em Macau a nova da revolução de 24 de Agosto de 1820, que proclamara a Constituição em Lisboa, apressaram-se alguns elementos a jurar aqui a Constituição, o que se realizou em 15 de Fevereiro de 1822.
Em 19 de Agosto de 1822, é eleita pelos constitucionais a nova Câmara, sendo escolhido Francisco José da Paiva para Procurador com 87 votos; esta Câmara cessou em 23 de Setembro de 1823 dia em que tomaram posse do Governo de Macau,  o Bispo Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim, o Major João Cabral de Estefique e o vereador do senado Inácio Baptista Cortela.
Francisco José de Paiva  foi nomeado em 1846,  o primeiro Cônsul de Portugal em Hong Kong. Foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo.
Fora das suas actividades como grande Homem Público, Francisco José de Paiva tomou parte importante na fundação da antiga «Casa de Seguros de Macau» de que foi, entre as pessoas particulares, o segundo maior accionista. (8)
Francisco José de Paiva casou com Aurélia Pereira (neta paterna do conselheiro Manuel Pereira) e tiveram 3 filhos: Francisco José de Plácido de Paiva (1836) Carolina Maria de Paiva (1839) e António Aurélio de Paiva (1843).

Seminário S. José 1929Igreja do Seminário 1929

Faleceu a 13 de Dezembro de 1849, sendo sepultado no Cemitério de S. Paulo. A lápide sepulcral  de Francisco José de Paiva foi depois transladada para a igreja do Seminário de S. José, onde está na parede debaixo do coro, à esquerda de quem entra do lado do Evangelho.(2)

Seminário S. José -Lápide de Francisco José PaivaTRADUÇÃO
Cristo, alfa e ómega, i. é. princípio e fim

“Aurélia Pereira de Paiva, viúva, com os seus filhos, Francisco José Plácido de Paiva, da Ordem de S. bento, e Carolina Maria de Paiva, pede, aflita, luz e descanso para Francisco José de Paiva, caritativo para com os pobres de Cristo, o qual nasceu em Macau, em 4 de Janeiro de 1801, e aqui faleceu em 13 de Dezembro de 1849, confortado com os sacramentos da Igreja”.

NOTA: Francisco José de Paiva tem o seu nome na toponímia de Macau: Travessa do Paiva (擺華巷), construída pelo Eng. Abreu Nunes em 1896, que começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço e termina na Rua da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo.
(1) “08-10-1846 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral sufocou, prontamente a revolta dos faitiões (embarcações chinesas de passageiros e carga) que se tinham revoltado por ter sido lançado o imposto de uma pataca sobre essas embarcações, o qual fora proposto ao governo pelo Procurador da Cidade Manuel Pereira. “(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.
(3) E não tardou muito que os acontecimentos viessem demonstrar a veracidade desta afirmação, pois que, assassinado o Governador Amaral, em 22 de Agosto de 1849, e vendo-se a cidade ameaçada pela invasão china, o batalhão Provisório concorreu bastante para a memorável vitória de 25 de Agosto, segundo se vê, das seguintes palavras do Capitão Ricardo de Melo Sampaio (Boletim do Governo n.º 80 de 5 de Setembro de 1849) : “As forças do batalhão Provisório que me foram enviadas durante a acção concorreram bastante pela sua actividade e disciplina par que o resultado da luta nos fosse favorável, e sem algum acontecimento funesto a não ser um só ferido, não gravemente.(2)
(4) Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, Ano V, n.º 89, de 10 de Janeiro de 1850:

NECROLOGIA

«Um dos golpes mais severos, que tem soffrido ultimamente esta nossa Cidade, é pela voz geral de todos, a falta do nosso mui digno, e mui chorado concidadão o Ilmo. Sr Francisco Jozé de Paiva, Commendador da Ordem de Christo, nomeado por sua Majestade Fidelíssima, Consul Portuguez em Hong Kong, e Commandante do Batalhão Provisório de Macao. – Elle já não é comnosco! No Cemiterio de Sm. Paulo, onde jaz, está esperando, como os outros que alli moram, o dia final dos seculos …(…)
…Alem d´outras prendas estimaveis, que possuia, fallava a sua lingua materna com pureza, e correcção , assim coomo diversas outras d´Europa, não ignorava o latim, sabia a Historia, e a Geographia, amava e cultivava a Musica e a literatura nacional e estrangeira, de que tinha bom conhecimento. Sua enfermidade foi longa; mas supportada com paciencia…
(5) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau, 1999.
(6) Francisco José de Paiva (pai do biografado, com o mesmo nome) nascido em 1758, em Midões,  faleceu em Macau (27-11-1822) sendo sepultado na Igreja do Convento de S. Francisco. Casado com Inácia Vicência Marques (faleceu a 2 -11-1848) que era proprietária do mato/monte do Bom-Jesus onde estava instalado o Carmelo de Bom Jesus. Tiveram  oito filhos.
Uma das filhas Maria Vivência da Paiva (irmã do biografado, Francisco José de Paiva que era o terceiro na linhagem mas varão) nascida em Macau a 22 de Julho de 1802.
casou com Albino Gonçalves de araújo proprietário do navio Conde de Rio Pardo de quem teve um filho, Albino Francisco de Araújo que nasceu em Macau na freguesia de S. Lourenço a 19-05-1824 e se suicidou em paris em 1873 com 51 anos de idade. este episódio relatei em:
“OUTRAS LEITURAS – 365 Dias com histórias da HISTÓRIA DE PORTUGAL (I)”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/02/outras-leituras-365-dias-com-historias-da-historia-de-portugal-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
(7) “07-10-1836 -O Procurador Francisco José da Paiva escreve ao Mandarim da Casa Branca, pedindo para autorizar o restauro da Fortaleza da Barra, destruída com o último tufão e chuvas, alegando ser obra pública de grande necessidade.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(8) “29-11-1817 -Foi instalada a Casa de Seguros de Macau que devido ao seu poderio, era conhecido por Casa Forte. A sua primeira direcção, nomeada a 23 de Dezembro de 1817 ficou  assim constituída: Presidente, o Barão de São José de Porto Alegre; Vogais, Francisco José da Paiva e João de Deus Castro ....” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

Continuação da leitura do Capítulo I do artigo escrito em 1846, “China and the Chinese” referente à «descrição de Macau, suas igrejas e edifícios públicos, gruta de Camões e cemitério inglês», publicado no «Dublin University Magazine», 1848. (1)

The China and the Chinese BAZAAR

The Protestant Cemeteries CAPELAA Capela do Cemitério Protestante no Largo de Camões
(década de 80 – século XX)

The China and the Chinese Cemitério Protestante

The Protestant Cemeteries Lord ChurchillLápide do túmulo de Lorde Henry John  Spencer  Churchill, (1797-1840), 4.º ( e último) filho do 5.º Duque de Marlborough , George Spencer-Churchill (1766-1840). (2)  Lorde Spencer Churchill foi Capitão do “H. B. M. Ship Druid” e Oficial Superior na China. Faleceu em Macau a 2 de Junho de 1840  com 43 anos de idade.

(1) Ver anterior referência a este artigo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/05/17/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxix-visit-to-camoenss-cave-1846/.
(2) George Spencer Churchill faleceu a 5 de Março de 1840, no mesmo ano, 3 meses antes do filho mais novo.

” The most interesting object to be seen in Macao is the Cave of Camoens, the author of the ‘* Lusiad.” This cave is situated within the pleasure-ground attached to the residence of a Portuguese gentleman, (1) who was most courteous and polite in conducting me through the walks of his beautiful-arranged garden and groves, where  flourish in perfection the finest trees of various descrptions. I have seen ill-natured observations, relative to this gentleman´s ostentation, but I must  say that they were perfectly unfounded. When I extolled his grounds, the taste and care with which they were laid out, and the beautiful prospect witnessed from the poet’s  seemed inclined to depreciate everything, and attributed my commendation to good breeding. It is very possible, that the person who wrote or dictated the remarques I alude to, may be the same individual who was handed ever to the police for impertinente intrusion, and insults offered to the ladies  of this gentleman´s family.
The owner of the grounds ins noted throughout Macao for his politeness and hospitality.
The cave is situate at the top of a rock, over which is is placed the bust of Camoens.
On the walls are inscribed some of his choicest lines in the original, to which s alson added a Chineses translation. Some of of these are descriptive of the boundless sea-view, lying beneath; and I was a loss, whether most to admire the truthfulness of the description, or the sublimity of the prospect.” (2)

077 Gruta de Camões c. 1910A Gruta de Camões c. 1910

 (1) Comendador Lourenço Marques. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/
(2) Artigo escrito em 1846, “China and the Chinese” (Capítulo I – Descrição de Macau, suas igrejas e edifícios público, gruta de Camões e cemitério inglês) publicado no «Dublin University Magazine», 1848.
The Dublin University Magazine” foi um “magazine” literário/cultural/político (iniciou-se como publicação política mas com os anos, tornou-se mais literário), independente que se publicou em Dublin de 1833 a 1882.

A data da morte de Lourenço de Huesca ou São Lourenço (Huesca ou Valência, Espanha, 225? — Roma, 10 de Agosto de 258), mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma, foi já colocado em post anterior (1). Hoje, complemento-o com a leitura de um pequeno opúsculo do Padre Manuel Teixeira (2) sobre a «Paróquia de S. Lourenço».

Pe. TEIXEIRA - Paróquia de S. Lourenço CAPA

Sobre a Igreja de S. Lourenço, transcrevo:
Afirmam alguns que esta igreja fôra construída em 1618, como se prova por uma lápide existente na capela de Nossa Senhora dos Remédios, que tem esta data, mas dizem outros, baseando-se em provas mais seguras, que a igreja foi construída muito antes e que esta data sé se refere à construção da mencionada capela e não à da igreja que já antes existia.

Pe. TEIXEIRA - Paróquia de S. Lourenço Desenho Fachada

Foi reconstruída em 1846 e mais recentemente em 1892 à custa das Obras Públicas de Macau, sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros.
A nova Igreja tem a forma duma cruz latina com os braços formados dum lado pela capela do Sagrado Coração de Jesus e do outro pela Capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Pe. TEIXEIRA - Paróquia de S. Lourenço Capela MórUm interessante aspecto do interior da Igreja de S. Lourenço.
Em perspectiva a Capela-Mór onde se regne o novo Altar”

É a igreja mais ornamentada e ricamente dotada de Macau, devido ao zêlo do ex-pároco, Revdo. Sr. Cón. Francisco Xavier Soares, e à generosidade de seus fregueses.
Entre as obras de arte que a decoram, sobressaem o altar-mór, o Baptistério e os quadros de Via Sacra, tudo em mármore de Carrara, com artísticos relevos.

Pe. TEIXEIRA - Paróquia de S. Lourenço Altar MórO Altar-mór de mármore

Dos 7 altares existentes, o altar-mór-Orago é a de S. Lourenço. É o mais antigo e foi erecto com a mesma igreja.
O novo  altar-mór de mármore foi sagrado em 27 de Abril de 1930 (véspera da festa de N. Senhora dos Remédios, onde também tem um altar) sendo então benzida a nova estátua de S. Lourenço, pelo actual Bispo Diocesano, o sr. D. José da Costa Nunes. É uma obra artística de valor, encimado por um baldaquino, também em mármore e disseminado de graciosas estatuetas de anjinhos.
O Pavimento e a grade da Comunhão são também de mármore. Tudo isto foi oferta de:

D.ª Ana Teresa Maria Gomes
D.ª Cecília Augusta Gomes d´Eça
José Maria d´Eça
D.ª Maria Gomes Carvalho
D.ª Guilhermina Maria Gomes.

Em Julho de 1934 foram colocados atraz e sobranceiros ao altar-mór uns lindos vitrais, representando a cores vivas a pomba simbólica do Espírito Santo e quatro anjos, dois segurando uma coroa e dois em oração, dando ao altar extraordinário reles.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/10/s-lourenco-igreja-de-fe-no-vento/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço. Escola Tipográfica do Orfanato – Macau, sem data, 15 p., 22,5 cm x 16cm.

No dia 21 de Abril de 1846, tomou posse do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, o Conselheiro Capitão de Mar-e-Guera, João Maria Ferreira do Amaral (o Herói de Itaparica), (1) vindo a ser o primeiro Governador a administrar a Província, como independente da Tutela do estado da Índia .
João Maria Ferreira do Amaral embarcou para Macau no navio inglês «Madrid», a 13 de Fevereiro e chegou a esta província, a 19 de Abril de 1846. (2)

Maqueta Estátua Ferreia do Amaral

No ”O Notícias Ilustrado” de 1928, encontrei esta notícia:

“MAQUETTE DO MONUMENTO DESTINADO A MACAU EM

MEMÓRIA DO GOVERNADOR FERREIRA DO AMARAL, OBRA

DOS ARQUITETO CARLOS DE ANDRADE E ESCULTOR MA-

XIMIANO ALVES

A estátua foi inaugurada, no aterro da Praia Grande, no dia 24 de Junho de 1940 (no mesmo dia da inauguração da estátua do Coronel Vicente Nicolau Mesquita, no Largo do Senado).

Fotos do dia da inauguração (3)

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO I

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO II

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO III

Postal Estátua Ferreira Amaral c. 1970

ESTÁTUA DO GOVERNADOR FERREIRA DO AMARAL – POSTAL (década de 70)

NOTA: Os restos mortais do governador deram entrada no cemitério ocidental de Lisboa (Cemitério dos Prazeres) a 19 de Agosto de 1879 (Luís Gonzaga GomesEfemérides da História de Macau)

(1) Ver anterior “post” sobre este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p. (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Anuário de Macau 1940/41

Portugal no Extremo Oriente VIIcontinuação de (1) (2) (3) (4)

“Era já o anno de 1846, foi nomeado governador João Maria Ferreira do Amaral, pae do actual presidente do conselho. (5)
Era um bravo que servira a causa liberal, que no Rio de Janeiro fizera o assombro dos officiaes fransezes e inglezes entrando com o seu barco Urania contra o vento na bahia, após um baile dado a bordo e em que ficára cançada a guarnição. Ao mesmo tempo que a sua bravura, era já legendaria, as suas aventuras amorosas e as suas excentricidades emprestavam-lhe um brilho galante. Eram tão celebres as proezas guerreras do almirante como as suas conquistas amorosas. Como Nelson, ficára sem um braço na guerra, mas isso não o impedia de apertar ao peito com o maior ardor as mais lindas mulheres que lhe amavam a fórma galharda, o ar atrevido,  a gloriosa tradição que o fazia querido. batera-se contra os negreiros e por sua vez capturava corações, proclamava-se defensor dos escravos e ia ecravisando aquelas beldades que a sua ancia amorosa cobiçava. Ninguém melhor do que elle podia ir governar Macau e impôr ali tida a força do poderia portuguez.

Portugal no Extremo Oriente XV“Correio e Hotel Macau” (6)

              O valente official foi assassinado pelos chins (7), que o atacaram quando ia a passeio , e logo, após a sua morte correram às armas, entrincheiraram-se em Passaleão, que Vicente Nicolau de Mesquita devia tomar apenas com 12 soldados, um obuz e algum povo, sob o tiroteio inimigo. Também este heroe morreu mais tarde victima da loucura (8) que o fez gerar a mais terrivel teagedia domestica, mas viu Macau prosperar, encher-se de edificios pomposos, recolher n´um largo periodo os colonos chinas e japonezes que ficavam ali em vez de irem para a Australia, tornar-se finalmente n´essa cidade onde se descança e se folga, onde o dominio portuguez se accentuou tanto que hoje difficilmente se poderia apagar.

Portugal no Extremo Oriente XVIPalácio das Repartições”

A ultima questão que surgiu entre Portugal e a China acerca de Macau, a proposito do apresamento do Tsatu-Maru, não é mais do que a repetição dos sonhos largos que os botões de crystal do Grande Conselho de Pekin costumam ter falando em nome de Confucio e dos tratados, chupando no tubo do cachimbo e bebendo o aromatico chá, pensando nos olhos obliquos das gaiatas dos harems com o mesmo fervor que o Theodoro do Mandarim (9) punha ao arrastar a generala dos seus amôres para a sombra negra dos sycomoros. Sonhos …apenas sonhos…”

Portugal no Extremo Oriente XVII“Theatro de D. Pedro V e Club de Macau” (10)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/15/leitura-portugal-no-extremo-oriente-macau-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/05/leitura-portugal-no-extremo-oriente-macau-ii/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/10/leitura-portugal-no-extremo-oriente-macau-iii/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/20/leitura-portugal-no-extremo-oriente-macau-iv/
(5) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral (1844-1923) (filho de João Maria Ferreira do Amaral) foi Presidente do Conselho de Ministro (cargo equivalente ao de primeiro ministro actual) dum governo suprapartidário denominado «Governo de Acalmação», nomeado por D. Manuel II na sequência do regicídio, de 4 de Fevereiro a 26 de Dezembro de 1908.
(6) Sobre esta foto, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/01/%ef%bb%bfnoticia-de-1-de-marco-de-1884-correios-de-macau/
(7) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/22/22-de-agosto-de-1849-assassinato-do-governador-ferreira-do-amaral/
(8) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/19/noticia-de-19-de-marco-de-1880-tragedia-em-macau-vicente-nicolau-de-mesquita-i/
(9) Refere-se ao romance de Eça de Queirós, “O Mandarim”. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/31/outras-leituras-o-mandarim/
(10) Sobre o Teatro D. Pedro V,  ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

Falecimento de Francisco José de Paiva (irmão de Mariana Vicência de Paiva) (1)   (nascido a  04-01-1801). Nomeado em 1846, Cônsul de Portugal em Hong Kong, foi o primeiro cônsul português nessa colónia britânica. Foi ele que deu o nome à Travessa do Paiva, que começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço e termina na Avenida Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo (2)

NOTA: em 1846, num dos primeiros recenseamentos publicados em Hong Kong, são indicados cerca de 50 portugueses com actividade profissional, um terço dos quais funcionários do governo. A maioria, no entanto desempenhava tarefas de escriturário ou de contabilista em companhias de comércio, em bancos, em agências de navegação, registando-se desde logo uma tendência para um número significativo de portugueses abraçar o sector gráfico e de impressão (3)

(1) Mariana Vicência de Paiva foi mãe de Albino Francisco de Paiva Araújo, referido em “OUTRAS LEITURAS – 365 Dias com histórias da HISTÓRIA DE PORTUGAL (I)”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
(2) TEIXEIRA, Monsenhor M. – A tragédia de Albino Gonçalves de Araújo, boémio macaense in NAM VAN n.º 16, 1989, pp. 47-51
(3) , Luís Andrade de – The Boys From Macau/Portugueses em Hong Kong. Fundação Oriente/Instituto Cultural de Macau, 1999, 202 p., ISBN 972-9440-93-X

“O procurador oficiou ao mandarim tchó-t´óng (1) que não tendo sido dado providência ao roubo cometido na pessoa do zoólogo dinamarquês Bebu da fragata Galathea, por quatro chineses, na falda da colina da Guia que os soldados receberam ordens do Governador Amaral (2) para fazerem fogo sobre qualquer chinês que desse indício de querer roubar, ficando o mandarim responsável por qualquer resultado”.(3)

FRAGATA GALATHEA (4)

              “Galathea expeditions comprise a series of three Danish ship-based scientific research expeditions in the 19th, 20th and 21st centuries, carried out with material assistance from the Royal Danish Navy, with regard to the second and third expeditions, under the auspices of the Danish Expedition Foundation. All three expeditions circumnavigated the world from west to east and followed similar routes. The first Galathea Expedition took place from 1845 to 1847 and had political and scientific objectives. It was initiated by the King of Denmark, Christian VIII, with its main purposes the handover of the Danish colonies in India, following their sale to the British East Company, as well as a final Danish attempt to explore and recolonise the Nicobar Islands in the Indian Ocean. Additional aims were the expansion of trade with China and the discovery of new trading opportunities, as well as making extensive scientific collections …(…)
The Galathea proceeded to Southeast Asia, calling at Penang, Singapore, Batavia and Manila, before heading for the Chinese coast and visiting Hong Kong, Macau, Canton, Amoy and Shanghai” (4)
(1) Tso- Tang segundo Beatriz Basto da Silva
               SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Séculos XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p., ISBN-972-8091-10-9
(2) João Maria Ferreira do Amaral, (1803- 1849), governador de Macau de 21 de Abril de 1846 (data da tomada de posse)  a 22 de Agosto de 1849, data do seu assassinato nos terrenos perto da Porta do Cerco.  Em consequência da Primeira Guerra do Ópio, a Inglaterra fundou a colónia de Hong Kong, que se tornou o porto ocidental mais importante na China. Estes acontecimentos levaram o governo de Portugal, em  1844, a decidir tornar Macau uma verdadeira colónia portuguesa. Em 1845, a cidade foi declarada um porto franco e tornada independente do governo da Índia, ao qual estava sujeita até então. Macau tinha até então duas alfândegas: a portuguesa, que cobrava impostos sobre o comando dos navios nacionais, constituindo a única renda pública de que se pagava aos funcionários da cidade; e a chinesa (o Ho-pu), cujos impostos eram cobrados pelos mandarins do Império Chinês. O Governador Ferreira do Amaral expulsou os mandarins de Macau, aboliu a alfândega chinesa (proclamação de 5 de Março de 1849, dando execução ao Decreto de 20 de Novembro de 1845 que no seu art.º 1.ª citava: Os portos da cidade de Macau, tanto o interino, denominado do rio, comos os exteriores da Taipa e da Rada, são declarados portos francos para o comércio de todas as nações, e neles serão admitidas a consumo, depósito de reexploração de todas as mercadorias e géneros de comércio , seja qual for a sua natureza.), pôs fim ao pagamento de tributos e impostos (de entre os quais o aluguer de Macau) às autoridades chinesas, abriu os portos, construiu estradas nos campos anteriormente vedados pelos chineses (estrada até à Porta do Cerco), ocupou e fortificou a ilha da Taipa, lançou tributos e reorganizou os serviços públicos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Maria_Ferreira_do_Amaral_(Governador_de_Macau)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau e da História dos Portugueses na China. Mosaico, Vol II, n.º 10, 1951
(4) http://en.wikipedia.org/wiki/Galathea_expeditions