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No dia 4 de Novembro de 1828, o mandarim da Casa Branca por apelido Lei, em virtude do ofício do Procurador da Cidade, ordenou que fossem desmanchadas as barracas da Praia Pequena, Barra e outros lugares, por serem coutos de maltrapilhos e publicou um edital, proibindo a construção de mais barracas, nos referidos sítios. Nesta mesma data, o mandarim de Hèong-Sán, por apelido Liu, proibiu por edital, que se continuasse a quebrar um grande rochedo na Ilha Verde. (1)

Ta-Ssi Yang-Kuo Vista do Porto Interior antes de 1847PORTO INTERIOR DE MACAU ( antes de 1847)
VISTA DA MARGEM DESDE O MATAPAO ATÉ AO ISTMO DA PORTA DO CERCO (2)

A 15 de Março desse mesmo ano, os padres do Seminário de S. José tinham comprado a Ilha Verde, a Bernardo Gomes de Lemos que com Manuel Homem de Carvalho, era o co-proprietário dessa Ilha.(1)
A escritura da compra da Ilha Verde foi feita no escritório do tabelião José Gabriel Mendes e assinada pelo Pe. Nicolau Borja por parte do Seminário de Macau, por Bernardo Gomes de Lemos, que era co-proprietário dessa ilha com Manuel Homem de Carvalho. O preço foi de duas mil patacas espanholas , nelas sendo empregue parte do dinheiro que recebeu da venda de bens da Missão Portuguesa de Pequim (3)
A Ilha media 3.300 «paos» ou «côvados» chineses, medidos por cima do alicerce do muro velho, em circuito. Tinha casas e árvores de fruto e a venda ao Seminário permitiu resguardá-la da ocupação abusiva de chineses que já por lá iam armando barracas clandestinas, ameaçando, aos poucos, tomar domínio dela.(3)

Ta-Ssi Yang-Kuo Ilha VerdeILHA VERDE (Antiga propriedade dos jesuítas)(4)

Há registos da insistência por parte das autoridades chineses sobre a autoridade na Ilha Verde e  as obras efectuadas nela.
21-07-1831 – Na correspondência entre o Mandarim de Heong-San por apelido Pao e o Procurador de Macau, o Mandarim reclamou insolentemente e por ignorância, sobre a posse («há mais de 200 anos») e contra uma obras  que se estavam efectuando na Ilha Verde. Acrescentava o Mandarim que os portugueses só têm residência autorizada dentro das muralhas e a Ilha Verde está fora delas, no mar, à distância de alguns lis; por isso não é portuguesa.(1)(3)
03-08-1831 – O mandarim tchói- t´óng de Macau por apelido do Tchau, proibiu, por edital, a construção dos muros no sítio do Bom Jesus e na Ilha Verde ameaçando os pedreiros que se incumbissem da execução de tais obras (1) (3)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
Luís G. Gomes nas “Efemérides” aponta duas datas para a compra da Ilha Verde: 22-02-1828 e 1503-1828. Beatriz Basto da Silva menciona somente uma:  15-03-1828 (2).
(2) Photogravura de P. Marinho, segundo uma aguarela de João d´Almeida Vieira. (Ta-Ssi Yang-Kuo, 1899)
(3) SILVA, Beatriz Basto da  – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(4) ) Photogravura de P. Marinho, segundo uma “photographia de 188..”. (Ta-Ssi Yang-Kuo, 1899)

Outro desenho a lápis do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Macau Cidade do Nome de Deus na China Church St. LourençoThe Church of St. Lorenzo from the Bishops Gate.
A legenda para este desenho no livro: “Macau – Igreja de S. Lourenço”

“Afirmam alguns que esta igreja fôra construída em 1618, como se prova por uma lápide existente na capela de Nossa Senhora dos Remédios, que tem esta data, mas dizem outros, baseando-se em provas mais seguras, que a igreja foi construída muito antes e que esta data só se refere à construção da mencionada capela e não à da Igreja que já antes existia.
Foi reconstruída em 1846 e depois em 1892 à custa das Obras Públicas de Macau sendo Bispo da Diocese,  D. António Joaquim de Medeiros.” (2)
(1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
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https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel –Paróquia de S. Lourenço. Escola Tipográfica do Orfanato , Macau, 1936.15 p.

Outros dois desenhos a lápis, do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Pintura de 1831-1832 - Praia Grande“Macao, from the Balcony of the Albany
No livro, a legenda para este desenho: “Macau – Praia Grande”

“Balcony of the Albany” – desenhado duma varanda de “Albany” (não consegui descobrir a tradução deste termo). Pela perspectiva destes dois desenhos, tratar-se-ia da varanda de uma residência, num alto, na zona da Praia Grande / Bom Parto (2), com uma vista para o mar desde o E/SE até ao SW.

Reparar no desenho seguinte, a entrada da residência por debaixo da varanda, (à direita), próximo da marginal da entrada do Porto Interior

Pintura de 1831-1832 - Entrada do porto interior“From the Albany, Macao
Looking to the South”
No livro, a legenda para este desenho: “Macau – Entrada do porto interior”

(1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
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(2) A zona da Praia Grande até ao Bom Parto foi aterrado somente a 1869, tendente a harmonizar e tornar mais saudável a zona de Chunambeiro e só mais tarde, em 1910, concluir-se-ia com a pavimentação em terra batida da Avenida  da República, a ligação do Bom Parto a S. Tiago da Barra e Porto Interior. A primeira referência ao Hotel Boa-Vista (depois Hotel Bela Vista) é de Julho de 1890
(Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau,, 3.º Vol)

 

Outros dois desenhos a lápis, do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Pintura de 1831-1832 - Penedos do PataneNear the Campo
No livro, a legenda para este desenho: “Recanto do Campo de Patane junto do rio

Pintura de 1831-1832 - Ribeira do PataneThe Water course near the Campo
No livro, a legenda para este desenho: “Recanto do curso do rio, próximo do Campo de Patane

NOTA: O rio referido era a Ribeira de Patane que “passava” onde é agora o Bairro de Patane (Sá Lei Tâu) (3) indo desaguar no Porto Interior. Existia sobre esta ribeira, uma ponte antiga de madeira e bambu destruída por um tufão e reconstruída depois, pelo que ficou conhecida com Sân Kiu (新 橋mandarim pinyin: xin qiáo; cantonense jyutping: san1 liu4 – Nova Ponte). Esta ponte desapareceu com os aterros dessa zona permanecendo o nome do local (Canal de Sân Kiu) e creio a denominação de uma Travessa chamada da Ponte.
Recordar que já em 1632 existia o «Campo dos Patanes»; Pe. António Cardim (reitor do Colégio de Macau) referia, naquela época, um local “Penedos de Camões, junto do campo dos patanes

1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
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(2) Sobre este autor e referência ao livro, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/
(3) Ver: “O Bairro do Patane” em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/09/o-bairro-do-patane/

Outro desenho a lápis do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

A legenda para este desenho, no livro citado:

Pintura de 1831-1832 - Cena da Costa

“MACAU – Cena da costa, enfrentando Lan-Tao que se vê à distância”

(1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
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Outro desenho do álbum da colecção Duarte de Sousa (1), presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (2).

Macau Cidade do Nome de Deus na China Ruínas S. PauloSt. Paulo Church. Macao. The most ancient in the Place. 400 years.
A Igreja de São Paulo, Macau. A mais antiga no território. 400 anos.

“One of the most imposing structures in Macao is the ruined facade of the Jesuit Church of San Paulo which is visible from almost every point of the compass. The church was burnt on January 26th or 27th 1834 (or 1835?). (3) A private manuscript states that Francis Peres and a few Jesuits in 1565 had a house in Macao where those of their Society used to lodge on way via Macao to Japan. The church which was erected by the Jesuits on their arrival in this part of China was accidentally destroyed by fire and was a noble building, – noble indeed it must have been if the rest of the structure was in keeping with the grand and picturesque hoary ruin left. This Collegiate church was erected in 1662 as expressed by an inscription engraved on a stone iixed in the western corner of the building:

Vrgini Magna Matri,
Civias Macaensis Lubens,
Posuit an. 1662. (4)

The Church was consecrated to ‘Nossa Senhora da Madre de Deos’ like its predecessor (built circa 1565)… (…)
This splendid facade is nearly intact though slightly touched by the demolishing hand of time, and this though hundreds of storms and typhoons must have assailed it from every quarter of the compass during nearly three centuries and three quarters. The site of the church, only some walls being left to mark its position, has been used as a cemetery, though unused for some time now. A long night of steps leads up to it; this flight contains 130 steps of granite of a width of from 60 to 80 feet. This church was formerly the Cathedral; standing thus on a height under the walls of the Monte Fort it must have been even a more conspicusous land mark than the present Cathedral.
There are stories current of subterranean passages leading from St. Paul to Green Island which was formerly owned by the Jesuits.
In 1838 the side walls, though of great thickness, were considered unsafe and were cut down to a height of 22 feet; the facade, which is the most striking object in the view of Macao from the harbour, was left standing. This church took 8 years to build (1594-1602) … (…)
It appears that the church of St. Paul itself was entirely built by Portuguese and Japanese, the latter probably being converts exiled on account of their profession of Roman Catholicism. Chinese are not mentioned, as at that date in Macao’s history the Chinese were not employed by the Portuguese and were only permitted to sell provisions during the day in Macao and having to leave the City at night.
Vaults credited with containing treasure (for the Jesuits had gathered much wealth together and were forced to leave Macao with nothing but their breviaries) are, it is stated, known to be under the long flight of stone steps in front of the facade. And one writer affirms that not only subterranean passages lead under water a considerable distance to Green Island or Priests Island, but also up to the Guia Fort. (5)

Serões 1902 Ruínas S. Paulo

Revista “Serões”, 1902

(1) Ver: Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html 
(2) Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
(3) “27-01-1835 – A bela Igreja de S. Paulo, de que hoje só resta a arruinada frontaria, foi destruída por um violento incêndio, na noite de 26 para 27. Erigida entre 1594 – 1602, pelos padres da Companhia de Jesus …..….”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(4) Engano do autor. O início da construção da Igreja da Madre de Deus, conforme a inscrição exterior na base de uma das paredes laterais, logo a seguir à fachada, do lado do Evangelho,  é 1602.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997198 p (ISBN 972-8091-08-7)

Segundo Padre Teixeira a inscrição é a seguinte:

PLACA Ruínas S. Paulo“VIRGINI MAGNAE MATRI
CIVITAS MACAENSIS LIBENS
POSVIT AN. 1602

i.e. To the Great Virgin Mother the city of Macau willingly placed this in the year 1602 “
TEIXEIRA, Fr. Manuel – The Japanese in Macau. Instituto Cultural de Macau, 1990, 62 p. , ISBN 972-35-0095-7.
(5) BALL, J. Dyer – Macao: The Holy City: The Gem of the Orient Earth. The China Baptist Publication Society. Canton, 1905, 83 p. Pode consultar este livro em: http://www.archive.org/stream/macaoholycitygem00ballrich/macaoholycitygem00ballrich_djvu.txt

 

Outro desenho a lápis do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Macau Cidade do Nome de Deus na China A Ma TempleA God House; Back Harbour. Macao.”

Templo de A-Má, no Porto Interior

THE AMACAO TEMPLE  (descrição de J. Dyer Ball, em 1905)
The temple near the inner harbour is remarkable for its situation. A mass of gigantic boulders are heaped together by Nature in chaotic confusion and at their feet are the main buildings of the temple while stone steps lead up amongst the masses of the rock, amidst which here and there, are perched different buildings and shrines. Inscriptions are cut in the rocks, and stone seats are placed on the little terraces, which occupy every coin of advantage, grudgingly granted by the great granite boulders. 
In the main building of the temple is a very good model of a Chinese junk with wooden anchors, complete. The goddess came from Foochow to Macao in the junk of which this is a model, after various oppositions made to her departure. One of the signs that she should go was the falling ill of all the sailors with colic. The sword of a large sword- fish is also preserved in this temple as a thank-offering presented by a fishing-junk for a fruitful season in fishing. This temple which is known as the Amacao Temple, or that of “he Lady of the Celestial Chambers”, had its beginning about A. D. 1573, when a Fukienese ship becoming unman- ageable at sea, all perished but one sailor, a devotee of the goddess, Matsopo, who embracing her sacred image with the determination to cling to it was rewarded by her powerful protection, according to his own belief, and preserved from perishing. The ship, driven through the storm, weathered it, and the devoted sailor landed at Macao and built on this spot a temple at the hillock of Amako, as being the best situation he could find for the only temple to his patron saint which his slender means would permit of his erecting. 
Fifty years after an Imperial Messenger in the course of a dream had the locality of a lake, containing many and valuable pearls revealed to him by the goddess, and in grateful acknowledgement of the great favour thus granted him, he built a temple on the spot to her. 
The origin of the present congeries of buildings was due to Kukienese and Tiuchiu merchants subscribing 7000 taels to build some more fitting shrines for the favourite object of their worship. The upper temple is dedicated to The Goddess of Mercy; the middle one is styled The Temple of Universal Benevolence; while the lower one is named Amako. (2)

(1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
Ver anteriores “posts”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832
(2) Sobre este autor e referência ao livro, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/

Mais um desenho do álbum da colecção Duarte de Sousa (1), presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (2).

 Macau cidade do nome de Deus na China Gruta de Camões“Camoens Cave at the Casa. Macao.”

O alpendre em forma de pombal, sobre a gruta, já aparece em 1797, na gravura do livro de Sir George Staunton, intitulado “An Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China”.
O caramanchão ou pavilhão chinês encimado pelo tal pombal apareceu em 1558, na revista «Archivo Pitoresco», e em 1900 na revista de João Feliciano Marques Pereira, «Ta-Ssi-Yang-Kuo»,  Vol II, p. 534.
Talvez este alpendre circular semelhante a um pombal terá dado origem à nomenclatura chinesa de Pak Kap Tch´au, dada ao Largo e ao Jardim de Camões.
Esta pintura está datada de 1831/1832. Nessa altura já lá havia um busto, pois Harriet Low (3) no seu diário do dia 18 de Outubro de 1829, anotava:
“…Noutra parte, há uma gruta nos rochedos, onde o famoso Camões escreveu os Lusíadas. Na gruta ergue-se o busto de Camões…é um lugar selvático e aprazível…”
E creio que este desenho terá sido feito antes de 3 de Setembro de 1832, dia do grande tufão que assolou Macau e fez grandes estragos na casa Garden e os jardins.
No mesmo diário de 8 de Setembro de 1832 :
… Agora está inteiramente delapidado; as paredes foram arrombadas pelo tufão, as árvores arrancadas pelas raízes, os templos e as casas de verão, demolidos….” .
O busto foi mutilado entre 1837 e 1840, e a pedido de Lourenço Marques, o antigo Vice-Cônsul da França em Macau, Chalave, encomendou em Paris um busto em bronze do poeta ao escultor Jules Droz (pediu 600 francos pelo trabalho). Mas tanto quanto se sabe, o busto de bronze nunca chegou ao seu destino embora a obra fosse executada e enviada para Macau. No entanto foi colocado em 1840 um busto de greda, de cor bronzeada feito em Macau por um artista chinês.
O primeiro busto seria colocado em 1840, por iniciativa do Comendador Lourenço Marques, que herdou a Gruta, por ter casado com uma filha do Conselheiro Manuel pereira (falecido em Macau a 10 de Março de 1826 que já anteriormente tinha mandado branquear o alpendre), e o mesmo Lourenço Marques “na senda tortuosa do mau gosto”, em 1840 mandou revestir de alvenaria o corpo do rochedo da Gruta e circundar o local por um muro de alvenaria. As paredes do rochedo foram cobertas com 3 ou 4 lápides de granito com inscrições.
(1) Ver:
Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
(2) Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
(3) Outra referência de Harriet Low é a descrição do tufão que atingiu Macau nos dias 23 e 24 de Setembro de 1831, in
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/23/leitura-diario-de-harriet-low-tufao-de-1831/

23-09-1831 – Grande tufão assolou Macau e destruiu todo o traçado e muitos edifícios da Praia Grande, além de inúmeros outros da cidade. Em 3 de Outubro de 1831 e em 14 de Maio de 1832 o Senado tentou minorizar os efeitos dos estragos deste tufão, com obras cujas despesas procurou repartir com alguns dos moradores”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p. (ISBN 972-8091-10-9)

Outro desenho a lápis de Macau, do álbum da colecção Duarte de Sousa,  do livro: “Macau, Cidade do Nome de Deus na China”, sem nome do autor, mas referenciado como do ano de 1831-1832. (1)

Macau Cidade do Nome de Deus na China The Pena Church The Peña Church. Macao.

A Colina e a Igreja da Penha (2)

 HERMITAGE OF PENHA (descrição de J. Dyer Ball, em 1905):
Though the city his now grown up to this small church yet when it was first erected it was so far out in the country as to merit the name of hermitage. An old writer thus describes it:
          On the western hill, denominated Nillau, the Augustine friars began (1662) the Hermitage of Penha “Ermida de Nossa Senhora da Penha de Franca” devotees enlarged it in 1624. Portuguese ships going into the harbour are ac- customed to salute the hermitage with a few guns. Its revenue depends upon the liberality of individuals and on promises sea-faring people occasionally make in an hour of distress, to acknowledge by gratuities the favour which they think the Virgin Mary bestowed upon them, in preserving their lives and property. (3)

(1)Ver anteriores “posts”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/18/postal-de-macau-antigo-iv-colina-da-penha/ 
(3) Sobre este autor e referência ao livro, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/

Do álbum da colecção Duarte de Sousa, reproduz-se outro desenho a lápis de Macau, (do livro: “Macau, Cidade do Nome de Deus na China”), sem nome do autor, referenciados como do ano de 1831-1832. (1)

Macau Cidade do Nome de Deus na China CHINNERY Porta da Barreira“The Barrier. Macao, on the Race Course. The Cecilia Bay.”

O istmo que ligava Macau à terra chinesa, a chamada Porta do Limite ou da Barreira. O campo de corridas de cavalos mantido pelos ingleses, com apostas que atraía muita gente. À direita, a baía/praia da Areia Preta que vem referenciada como  Baía Cecília. Nunca vi referenciada esta baía/praia com este nome. Terá sido o autor induzido em erro por esta praia/baía estar em continuidade com a praia de Cacilhas?

Sobre esta região escreveu  J. Dyer Ball (2), em 1905, no capítulo “The Barrier”:
This is the division between Portuguese, and Chinese territory. It is some distance along the long isthmus which unites the peninsula of Macao to China… (…)
Just before reaching the Barrier a short distance is the bathing place, the whole coast line here forming with the sandy beach on the seaward side a magnificent roughly semi-circular bay. Many large fishing stakes are seen with the hovels of their owners perched up amongst the rocks. The whole of Macao seems dominated by forts. To the left is a large one, topping a hill, commanding the Barrier, while to the left are two small ones overlooking the sea and Cacilha’s Bay. Once on the road, leading to the Barrier, we see facing us the large gateway which marks the boundary line…”

Sobre o “hipódromo” e as corridas de cavalo na Areia Preta, uma descrição com algum pormenor de Harriet Low (3) que viveu em Macau de 1829 a 1834, no seu Diário:
5 de Novembro de 1829:“…O campo de corridas está no lugar chamado a Barreira, que impede todos os estrangeiros de passarem além. O campo mede cerca de três quartos de milha. Havia lá uma casa provisória de bambú construída para as senhoras, e posso afiançar-te, minha querida irmã, que era muito interessante comtemplar o matizado grupo abaixo de nós. Chineses de todas as descrições, enfarpelados nos seus trajos muito singulares, alguns com os chapéus da forma dum cesto, muitos de cabeça descoberta, mas empunhando uma ventoínha que os protege do sol. Alguns tinham sacos nas costas medindo cerca de meia jarda quadrada, nos quais metem os bebés. Estes pobrezinhos apanhavam chocadelas em toda a roda, no meio da multidão, como se fossem pedaços de madeira.
Portugueses e lascares andavam de mistura com chineses e, ao ouvir esta mistura de línguas – das quais nada comprendi, fez-me pensar na confusão de Babel, o que me levou a desejar que esta doida gente visesse na terra tamto tempo quanto lhe fosse permitido.
Algumas das corridas foram muito boas e fizeram-se grandes apostas.
Regressámos cerca das sete horas e tivemos uma longa discussão sobre os méritos dos ingleses…(4)

Macau Cidade do Nome de Deus na China The Race Course

“Near the Race Course. Macao”

Creio que é a mesma “paisagem” do anterior mas “vista” de mais longe, podendo distinguir melhor o istmo que ligava Macau à terra chinesa. A colina à esquerda, muito provavelmente, a de Mong Há.

Ainda sobre estas corridas de cavalos, há um ofício, de 28 de Abril de 1829, do Mandarim de Heong San ao Procurador da Cidade:
ordenando-lhe que proibisse imediatamente as corridas de cavalos com que, por divertimento, os estrangeiros residentes em Macau (ingleses) assustavam os viandantes, junto às Portas do Limite, o que constituía uma grave ofensa às leis do Império (5)
Em 1831 havia ainda a disputa/jurisdição sobre a posse de terras. Sobre umas obras na Ilha Verde, o Mandarim de Heong San, num ofício de 21 de Julho de 1831, informava:
“... Os portugueses só têm residência autorizada dentro das muralhas. A Ilha Verde está fora delas, no mar, à distância de alguns lis; por isso não é portuguesa …etc”(5)
NOTA: outra referência ao Hipodromo da Areia Preta em 1934:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hipodromo/

(1) Ver referências em anterior “post”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832-i-fortaleza-da-guia/   
(2) Sobre este autor e referência ao livro, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/ 
(3) Sobre Harriet Low, ver referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/23/leitura-diario-de-harriet-low-tufao-de-1831/
(4) TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no séc. XIX visto por uma jovem americana. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, Macu , 1981, 59 p.
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)