Archives for posts with tag: 1770

“Tomou posse da Capitania Geral e Governo de Macau, o Fidalgo Cavalheiro Diogo Fernandes Salema Lobo Saldanha. Com este Governador, que não era bemquisto pelos moradores, tomou nova forma o governo de Macau” (1) Salema Saldanha foi governador durante os anos de 1767- 1770 (1.ª vez) e depois 26-07-1771 a 1776. (2)  

Charles R. Boxer dá dele as seguintes informações: (3) «Fidalgo Cavalleiro – Natural da Vila da Batalha, Bispado de Leiria. Era filho de José Salema Cabral e Paiva e neto de Miguel Salema. Tomou posse em 19 de Agosto. Sobre este governador, o viajante holandês A. E. Van Braam Houckgeest (4), que vivia em Macau durante os anos de 1759-1963, diz-nos: «Este chefe, que unia ao nascimento uma distinta educação, fazia aos estrangeiros um acolhimento, que, atraindo-os a si, lhe ganhava os ódios dos habitantes de Macau»

Também o Vice-Rei da Índia numa carta de 18 de Abril de 1778, referia às muitas queixas contra este governador: « … tendo nomeado D. Rodrigo de Castro (5) para o Governo de Macao, sucedeo que elle falecesse na viagem saindo de Malaca. Chegado o navio a Macao se abriram as vias de sucessão, e na primeira tinha nomeação o Bispo daquela diocese, e ficou governando interinamente com geral acceitação do povo daquella cidade, o que bem se demonstrou porque, nas monções antecedentes sendo muitas e muitas as queixas contra o governador, Diogo Ferreira Salema de Saldanha, que não houve nesta monção queixa alguma contra o bispo |D. Alexandre|… » (6) (7)

(1) GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau, 1954

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-fernandes-salema-e-saldanha/

(3) BOXER, Charles R. Estudos para a História de Macau, Séculos XVI a XVIII 1.º Tomo, 1991, p. 253-254

(4) Autor do livro: “Voyage de l´ambassade de la Compagnie des Indies Orientales hollandaises vers l´empereur de la Chine dans 1794-1795.

(5) No dia 26 de Julho de 1771, Salema e Saldanha retoma o governo, vago pela morte de D. Rodrigo de Castro; este fora nomeado pela terceira vez Governador de Macau em 1771. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rodrigo-de-castro/

(6) D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães (1727-1799) foi eleito Bispo de Macau a 13 de Julho de 1772. Chegou a Macau a 23-08-1774, tomando posse a 04-09-1774. Tomou posse do cargo de Governador e capitão-Geral de Macau, interinamente, a 25-06-1777. Adepto incondicional da política pombalina, e acérrimo inimigo dos jesuítas, deixou de ser governador a 1 de Agosto de 1778, (3) com a queda do Marquês de Pombal, e falecimento do Rei D. José em 1777.

(7) SILVA, Beatriz Basto da Cronologia da História de Macau, Vol. 2,1997. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alexandre-pedrosa-guimaraes/

Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anteriores postagens (2)

“Uma das primeiras curiosidades de Macau que, naturalmente, o forasteiro procura vêr, é a afamada Gruta de Camões. A collina que a encerra é um pedaço do Bussaco transplantado ao extremo-oriente, assim como a avenida da Praia Grande é, em miniatura, a Promenade des Anglais, em Nice. Visitei a Gruta em um Domingo (22 de Junho). Ao aproximar-me do portão que, ao canto de uma pequena praça, dá entrada ao famoso recinto, ouvi canticos religiosos. Á direita de onde eles partiam vi uma fachada de egreja com uma porta aberta e entrei. Era um templo protestante, e na ocasião um padre inglez discursava. Retrocedendo tranpuz o portão e achei-me em face de um bello prédio azul que serve de repartição de obras públicas. (3) Na frente há um jardim. Contornando este, transpondo outro portão e descendo uma escada, penetra-se na pequena eden que inspirou o grande vate.

Segue-se no bosque um arruado amenisado por massiços de cannas e copado arvoredo, até que um caminho á esquerda, subindo o suave outeiro, nos leva ao local onde uma grande pedra, pousada sobre outras duas, cobre o busto, em bronze, do sublime épico, assente em um pedestal de granito. Sobre as quatro faces de base, estão gravadas outras tantas estancias dos Lusíadas e ao lado esquerdo, quatro grande pedras graníticas, encostadas as rochedo conteem sonetos dedicados ao cantor immortal. Este logar é impropriamente chamado gruta, visto que lhe falta a concavidade interior.

BUSTO DE CAMÕES NA GRUTA . 1957

É de crer que Camões se inspirasse alguns passos mais acima, no vértice da collina que domina o esplendoroso panorama do porto, da cidade, das ilhas circunvizinhas e de liquida imensidade. N´este alto está uma guarita de pedra e cal, onde de abrigou La Perouse, (4) ao acertar os instrumentos nauticos com que navegou para a imortalidade.”

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

(2)https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

(3) Esta casa (Casa Garden) construída em 1770, era originalmente a residência de um rico comerciante português, conselheiro Manuel Pereira. Posteriormente, foi alugado para a Companhia das Índias Orientais.

Em 1885, o seu genro Lourenço Marques, que herdou a propriedade, vendeu-a ao Governo. Em 1887, instalou-se aí a Direcção das Obras Ppblicas, e depois em 1931, a Imprensa Nacional de Macau. Tornou-se parte integrante do Património Mundial da UNESCO Centro Histórico de Macau em 2005. Hoje em dia, é a sede da Fundação Oriente.

(4) Em 3 de Janeiro de 1787, fundearam, no ancoradouro da Taipa, os vasos de guerra franceses «Astrolabe» e «Boussole», e os seus oficiais, sob a direcção do Conde Jean François de Lapérouse. (1714-1788), que por ordem de Luís XVI fazia uma viagem de exploração científica à volta do mundo  Estiveram instalados no recinto da Gruta de Camões, onde efectuaram várias observações astronómicas. (SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Ver anteriores referências à Gruta de Camões, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/15/macau-e-a-gruta-de-camoes-iv/