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Na sequência da ida dos médicos Isidoro Lucci e João Baptista Lima para a corte imperial chinesa,  episódio referido em 26 de Setembro de 2015 (1), retiro do livro do Padre Teixeira (2) o seguinte:
O Padre Grimaldi, (3) sabendo que na Corte seria informada de que chegara outro médico ao pequeno domínio português, fez seguir viagem o padre Isidoro Lucci (desembarcado em Macau em 1691) para Pequim em Maio de 1692, acompanhado pelo cirurgião João Baptista Lima.
Chegados a Pequim, logo a vontade do Imperador se manifestou em demoradas conversas ou pedidos de informes médicos, e por fim, para experiência distribuiu-lhes alguns doentes, mas não pode deixar de ser reconhecido quanto o factor sorte favoreceu pouco o médico Lucci, na natureza dos casos que lhe couberam: uma mulher sofrendo de «afectos histéricos», um caso grave de tifo exantemático, uma varíola hemorrágica, um caso de reumatismo crónico e uma tuberculose em fase terminal.
A enfrentar quadros desesperados ou mesmos perdidos, não admira que as curas, no dizer de outro jesuíta em carta, igualmente de Pequim – «lhe não sucedessem bem e a medicina europeia delas não saisse com grande honra».
Mais afortunado foi o cirurgião Lima que ” as postemas, alporcas, chagas mal incarnadas e mal dos olhos” obteve resultados excelentes e com o tratamento e cura do jovem Príncipe – 9.º filho de Kang Hsi – conseguiu um êxito retumbante. Desbridou com um grosseiro ferro ao rubro, perante o assombro dos circunstantes e o desespero angustioso de Kang Hsi, um abcesso parotidiano em avançada fase de infiltração. E quando alta noite, ainda em atmosfera de pavor, a toda a pressa os mandaram chamar – a ele e ao médico Lucci – para atenderem o operado que tivera um delírio, depois de observar o doente, declarou que “o menino nada tinha, salvo o medo que com tantos estrondos os seus tinham causado”
O caso esteve muito sério e houve quem afirmasse – “se o menino morrer, não morre só» mas a cura rápida do doente tudo mudaria para bem e, como era justo, trouxe ao Lima uma grande fama.
Na opinião dos próprios padres, dentro da sua esfera, mostrara-se competente: “pois com longa experiência tinha boas receitas e melhores mãos, além da natural audácia com que não receava empreender em qualquer cura, ainda que dificultosa».
Um dia, o próprio Imperador adoeceu com febre alta e, os dois clínicos foram chamados. na ideia fixa de que os interesses da Missão não toleravam riscos , não fugiram ao exame mas para o resto e sobretudo ao tratamento «viesse o que viesse», naõ passariam de informações tóricas, sem indicação de qualquer medicamento alegando não haver em Pequim os remédios europeus adequados.
Kanghi desapontado reenviou Lucci para Macau vindo com o cirurgião Lima a 13 de Setembro de 1693, donde Lucci partiu para Tonquim onde faleceu em 1715.
Outra versão da história: OS JESUÍTAS FRANCESES E OS PORTUGUESES: Em 1687, entravam em Pequim os jesuítas franceses, sob a protecção de Luís XIV, que, apesar de pertencerem à mesma ordem, se mostraram logo rivais dos seus confrades portugueses. Citemos apenas um incidente: o imperador Káng-Hsi pretendia a todo o custo um médico europeu em Pequim e insistiu com os jesuítas portugueses para que lho enviassem. Estes, com muita repugnância, enviaram-lhe dois: o jesuíta italiano Isidoro Lucci, padre e médico, e o cirurgião chinês João Baptista Lima, que servia o Senado de Macau e se criara entre europeus em Goa, Batávia, Sião e outras partes. Saíram de Macau a 12 de Maio de 1692 e, chegaram a Pequim a 12 de Julho. Curaram vários doentes e quando Kang-Hsi adoeceu com febre alta, consultou o Dr. Lucci. Este, temendo que a Missão sofresse se o doente não sarasse logo, respondeu que não tinha remédio algum, “querendo acabar de vez com todas as perguntas e historias que o podiam embaraçar em tal doença”. O Dr. Lucci foi recambiado para Macau, aonde chegou com o Dr. Lima ao 13 de Setembro de 1693. Logo acudiram os jesuítas franceses “sem experiencia e sem doutrina, ou para adiantarem-se na Graça do Rei, ou para fazer oposição aos outros Padres… e estão agora ainda metidos nas mezinhas e coisas medicinais, o que tanto se adiantaram que o Rei mandou o Padre Bouvet… de buscar e trazer mezinhas para a Corte”. Os jesuítas tinham consigo quinquina; deram-na a Káng-Hsi e, como tinha passado a noite muito agitado, tomou-a e ficou livre da terça. Como era natural, ficou muito contente e agradecido.
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP280/PP280275.HTM
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/26/noticia-de-26-de-setembro-de-1693-antonio-da-silva-cirurgiao-da-cidade/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998.
(3) Claudio Filippo Grimaldi (chinês: 閔明我, Min Mingwo), (Itália 1638-Beijing 1712) foi um jesuíta italiano, missionário na China, astrónomo (director do observatório  astronómico imperial em Pequim), engenheiro e construtor. Partiu para a China a 15 de Abril de 1666 de Lisboano navio “ Nossa Senhora da Ajuda. Chegou a Goa em 13 de Outubro de 1666 e em Macau no final do ano. Chegou a Cantão em 1669. E em 1671 a Beijing.
Para mais notas biográficas, entre outros sítios,  ver em:
https://no.wikipedia.org/wiki/Claudio_Filippo_Grimaldi
http://www.treccani.it/enciclopedia/filippo-grimaldi_(Dizionario-Biografico)/

Das “Páginas Inéditas dum visitador dos jesuítas” (1665-1671), publicada com o título: “Uma ressureição histórica”, na publicação “Ta Ssi Yang Kuo, Vol II, pág 749”, retiro uma nota do dia 8 de Março de 1668:
Aos 8 de Março se começou a ver hu Cometa (pode ser q´os oito dias antecedentes tivesse aparecido, e se não visse, por estare aquelles dias e noites nublados) ás 6 oras e meya principio da noite: perto do Orizonte de Oeste: sua forma de rayo pintado do Sol, a cor tirada p.º branco, q´. escuro; o comprimento respondete a tres lanças compridas; as pontas de hua e outra parte acuminadas, só no meyo estava grosso indo-se adelgaçando proporcionalmente p.ª cada hua das bandas acuminadas; o meyo parecia respondente ao do Sol; e a ponta respondente ao Orizonte respondia á parte por onde se poem o Sol; e por esta banda a ponta acuminada parecia q´. ficava cuberta com aponta do monte q`- responde ao Oeste; não se deixou ver mais q`. espaço de hua ora, porqu`. quando foi pelos três 4.os para as 8 escassamente aparecia; e ás oito totalmente se não via; reprezentava alem do raio do sol, hua lança naquela forma, ou duas lanças considerando o principio de cada hua do meyo grosso acuminando-se proporcionalmente para cada hua das partes: todo o corpo do cometa estava obliquo para onde se poem o Sol, mas a parte direita para o mesmo Sol; e a parte esquerda superior estava mais para a banda do Sul.”
Aos 9 de Março:  “não se vio este cometa por estar o ceo nublado “.
Aos 10 de Março: “por estar claro, se tornou a ver: seguirão-se nove dias e nove noites chuvosos, e nublados; em todos se não vio; e quando foi aos 20 de março se tornou a ver por não aver nuvem nenhua, não co tanta clareza, por ser já luar de  quarteirão do crescente; mas a forma era a mesma, posto que mais levantado do Orizonte, do q ´. as
primeiras duas vezes , q ´. apareceo.
O aparecimento deste cometa está documentado no livro (1) em que no capítulo sobre o Vietnam tem a seguinte referência no pé de página n.º 143 da p.1288.
“As a testimonial to this source´s reliability see a report of a comet which was visible to the west of Hanoi from March 8-16, 1668. In Goa this same comet was being studied daily between March 9 and 17 by Gottignies.”
Também vem referido no trabalho de Hasegawa Ichiro e S. Nakano Syuichi (2) comprovado pelas fontes chinesas
(1) LACH, Donalda; KLEY, Edwin J. Van – Asia in the Making of Europe Volume III: A Century of Advance, Book 3. The University of Chicago Press, 1993.
https://books.google.pt/books?id=5wq9BgAAQBAJ&pg=PA1288&lpg=PA1288&dq=comet+1668+in+Asia&source=bl&ots=uFbZ3RQ__b&sig=ACfU3U0YDC4hOQJ7ElkNF2xKJR2pUzE7iw&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiT8fWKr9fgAhX9A2MBHTtXD6oQ6AEwCHoECAcQAQ#v=onepage&q&f=true
(2) ICHIRO, Hasegawa; SYUICHI, Nakano – Possible Kreutz Sungrazing Comets Found in Historical Records.Publ. Astron. Soc. Japan 53, 931–949, 2001 October 25
http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.1000.3530&rep=rep1&type=pdf

Mais dois postais (n.º3 e n.º4) da colecção de 10 postais intitulada “Ten Scenic Spots of Macau”, uma colecção especial emitida na ocasião da transferência de Macau, em 1999. (1)
Postal n.º 3. –“Temple of A-MA “
“The temple  of a-Ma was built five centuries ago and was the most popular temple in Macau. The temple was built in the very spot where she set foot on land before walking to the crest in nearby Barra Hill and ascending into heaven in a lowing halo of light and perfume”(2)

Verso do postal n.º 3

Postal n.º 4 – “Monte Fort”
Monte Fort was built between 1617 and 1626 as part of the Church  of St.Paul´s project and with the added purpose of defending the city from possible attack. Monte Fort was rebuilt to become a historical museum” (3)

Verso do postal n.º 4

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/01/23/postais-ten-scenic-spots-of-macau-i/
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-a-ma-da-barra
(3) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fortaleza- do-monte/

Certidão de D. Sebastião Lobo da Silveira, (1) datada de 10 de Novembro de 1643, sobre a insubordinação / revolta dos soldados e a ajuda dos jesuítas:
“Lavrou a tal ponto a insubordinação e a revolta que os soldados do presídio desamparam S. Paulo. Os jesuítas saem do Colégio anexo à Fortaleza de S. Paulo, acorrem a ela e colocam-se ao lado do Capitão e ali conservam a pé firme dias e noites.
Silveira confessa que teve sempre os jesuítas a seu lado, “em particular neste último tempo que os soldados do presídio fugiram e largaram as forças (fortalezas) aleivosamente por maus conselhos dos religiosos dos três conventos, de S. Francisco, S. Agostinho e S. Domingos e de alguns seculares, que a seu tempo saberá
Achando-me só em grande aperto, me vali dos ditos Reverendos Padres da Companhia, os quais achei com particular vontade e verdadeiro ânimo para se empregarem com pessoas, vidas  e fazendas no serviço del-rei D. João IV, Nosso Senhor, acompanhando-me  de dia e de noite  neste Forte de S. Paulo, em que resido, e com sua indústria e diligência fizeram com alguns cidadãos dos principais da terra que tivessem particular cuidado de me assistirem» (2)
(1) Segundo Padre Teixeira, o capitão-geral D Sebastião Lobo da Silveira (1638-1644) não era boa peça. Essa insubordinação e revolta dos soldados deveu-se às despesas extraordinárias com a aclamação de D. João IV em 1642; para compensar, lançou mão dos soldos do presídio, que montavam a 1200 patacas mensais. Os soldados, vendo-se sem dinheiro, abandonaram os seus portos, deixando indefesas as fortalezas e revoltaram-se.(2)
Quando foi substituído em 1644 por Luís Carvalho de Sousa, o Senado da Cidade requereu ao novo governador a ao Governador do Bispado,  Padre Manuel Fernandes, a prisão de Sebastião Lobo d Silveira, por este ter sido a favor dos Espanhóis após a declaração de independência de 1640.
Dom Sebastião Lobo da Silveira saiu de Macau em 1644 e em 1647 foi embarcado em Goa rumo à Metrópole para aí ser julgado, no entanto o navio em que seguia veio a naufragar na costa do Natal. Os náufragos conseguiram passar para outro navio e seguiram para Moçambique, mas como Lobo Silveira era muito gordo, não conseguiu fazer o mesmo, deixaram-no e ele ali terá morrido.
No livro “Relaçam do naufragio que fizeram as naos Sacramento e nossa Senhora da Atalaia … de que era Capitão mór Luis de Miranda Henriques, na [sic] anno de 1647, etc”,  (3)
D Sebastião Lobo da Silveira, era assim descrito na p. 20:
D. Sebastião Lobo da Silveira era tão incapaz para marchar por ser muito pesado de gordura, e outros achaques, que lhe impediao andar poucos passos por seu pé, pelo que pediu aos grumetes, e officiaes, que o conduzissem, e por via do seu irmão D. Duarte Lobo, que de todos era bem quisto, se veio a concertar, que o acarretariao em huma rede, que se fez de linhas de pescar, dando a cada grumete oitocentos xerafins, a que se obrigou D. Duarte Lobo, e elle deu penhores de ouro…”
E sua morte assim relatado nas pp. 22-23:
(2) TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – IV Centenário dos Dominicanos em Macau 1587-1987. Fundação Macau, 1987, 50 p.
(3) Consultável em:
https://books.google.pt/books?id=of9lAAAAcAAJ

09-09-1607Tentativa holandesa para atacar e tomar Macau: oito navios holandeses, o “Orange” (capitânea), o “Maurício”, o “Erasmo”, o “Eunhice”, o “Delft”, o “Pequeno Sol”, o “Pombinha” e um iate, com uma tripulação de 551 homens e comandados pelo almirante Cornelis Matelieff, foram escorraçados das águas de Macau, por seis navios portugueses, tendo o inimigo perdido uma das naus e o iate” (1). “Assim se gorou a tentativa de impedir a largada da Nau do Trato para Nagasaqui” (2) (3) (4)

“Mauritius”, desenho de Hendrick Cornelisz em 1600
https://en.wikipedia.org/wiki/Cornelis_Matelief_de_Jonge

Na verdade nesse dia não houve batalha naval e explica-se pelo seguinte:
O almirante Cornelis Matelieff de Jonge (5) e a sua armada chegaram ao rio das Pérolas no dia 28 de Agosto de 1607, fundeando ao largo onde pudesse avistar a cidade de Macau, O capitão aguardou pela resposta a uma carta que enviou ao Mandarim de Cantão solicitando-lhe autorização para se dirigir para lá com os seus navios. Mas este (muito possivelmente subornados pelos portugueses) não lhe respondeu. No dia 9 de Setembro os seis navios de alto bordo portugueses acompanhados por três fustas (6) navegaram em direcção à armada holandesa e aguardando ventos mais favoráveis para atacar. Ao amanhecer do dia 10 de Setembro, o “Eendracht” encalhou e o “Erasmus” acorreu em seu auxílio para não ser assaltado pelos fustas portugueses. Como não foi possível desencalhar o “Eendracht”, Matelieff deu ordem para que fossem retiradas dele a artilharia e a guarnição e provavelmente para que fosse queimado. Nessa noite devido à inferioridade numérica da armada holandesa e o facto de os navios holandeses já terem a bordo carga valiosa, o capitão decidiu não dar combate aos portugueses, tenho partido no dia seguinte. Ainda foram perseguidos pela armada portuguesa que desistiu da perseguição nos dia 12, já que os galeões portugueses tinham menor velocidade e menor capacidade para bolinar. (7)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) PIRES, Benjamin. V.- Taprobana mais além… presenças de Portugal na Ásia, 1995. p. 234,  in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p. 67.
(3) Saturnino Monteiro tem outra opinião: “Naquela cidade (Macau) estava, nessa altura, preparando-se para seguir para o Japão, a nau de André Pessoa, que ali tinha chegado acompanhada por cinco dos galeões que haviam combatido com os holandeses em Pulo Butum. É de supor que, por intermédio de navios vindos de Chinchéu, os portugueses tenham sido informados da presença da armada holandesa no estreito da Formosa, o que os levou de imediato a sustar a saída da nau, que, por este facto, acabou por deixar a monção, ficando sem efeito a viagem ao Japão.“
MONTEIRO, Saturnino – Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa Volume V (1604-1625), 1994.
(4) Foi a 3.ª tentativa dos holandeses invadirem Macau após os primeiros navios holandeses terem aparecidos na costa de Macau em 1599: a 1.ª tentativa foi em 27 de Setembro de 1601; a 2.ª em 30 de Julho de 1603 e a 3:º em Setembro de 1607. Em 1609, os holandeses tomam parte de Ceilão e estabelecem a primeira feitoria no Japão e em, 1610, devida à intriga holandesa, dá-se o fim do comércio de Macau com o Japão, embora o corte não fosse definitivo. Há uma nota datada de 1620:
28-07-1620 – Foi atacado por holandeses o patacho S. Bartolomeu, capitaneado por Jorge da Silva, quando seguia na sua viagem para o Japão. Os negociantes que iam nela prometeram construir uma ermida a Nossa Senhora da Penha de França, no caso de saírem salvos do ataque, promessa que cumpriram, entregando a sua oferta ao prior do Convento dos Agostinhos, Simão de Santo António e ao Procurador do mesmo Convento, Fr. Aurélio Coreto”. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 1997).

Retrato de Cornelis Matelief de Jonge, pintura de Pieter van der Werff, c. 1700
Propriedade de Rijksmuseum

(5) Cornelis Matelieff de Jonge,(1569-1632) almirante holandês ao serviço da “Companhia Holandesa das Índias Orientais” (formada em 1602, dois anos depois da formação da “Companhia Inglesa das Índias Orientais” com o objectivo de conquistar supremacia face a ouros países europeus da rota comercial com o Oriente.), recebeu instruções de conquistar Malaca aos portugueses, mas a armada de Matelieff foi afugentada do estreito de Malaca pela esquadra do vice-rei D. Martim Afonso entre 17 a 24 de Agosto de 1606 (Batalha do Cabo Rachado). Mas por um erro estratégico do vice-rei (divisão da armada em duas esquadras) entre 27 a 28 de Outubro de 1606, deu-se a Batalha da Ilha das Naus, uma das mais importantes da História marítima portuguesa (marca a decadência de Portugal como a grande potência naval no Oriente) em que a armada holandesa impôs uma severa derrota aos portugueses.. Posteriormente, de 8 a 13 de Dezembro de 1606, deu-se a Batalha de Pulo Butum em que a esquadra de D. Álvaro de Meneses derrotou Matelieff, repondo o equilíbrio naval existente na altura.
MONTEIRO, Saturnino – Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa Volume V (1604-1625), 1994.

A armada de Matelieff, desembarcando tropas em Malaca, em 1606
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cornelis_Matelieff_de_Jonge

(6) Embarcação comprida, de fundo chato, de vela e remos, de um ou dois mastros.
(7) “Setembro de 1607. — O Almirante Cornélio Metelieff tinha partido para ir soccorrer Ternate em 3 de Maio de 1607 com uma frota de oito navios; o Orange (capitanea), o Mauricio, o Erasmo, o Enchuise, o Delft, o Pequeno Sol, o Pombinho, e um hiate — com uma tripulação de 5 5 1 homens, sendo 4S1 brancos e 50 negros. Depois de ter estado,sem conseguir grande cousa, em Tidore e em Ternate, e construído com grande difficuldade um forte n’este ultimo logar, seguiu MateliefF para os mares da China em 29 de Junho do mesmo anno de 1607.
Não é meu propósito dar conta do que aconteceu n’esta viagem, porque brevemente a transcreverei n’estes Annaes, devidamente traduzida. E, por isso, basta indicar, por agora, que Metelieff chegou a 28 de Agosto ao rio de Cantão, e que, depois de longas negociações com os mandarins, que o cançaram com os costumados subterfúgios e lentidões desesperadoras da diplomacia chineza, teve em 9 de Setembro seguinte de fazer frente a 6 navios portuguezes sahidos de Macau.
Estavam os hollandezes fundeados junto á ilha de Lenteng-Van ou Lin-Tin. Fez o almirante falia aos marinheiros e preparou-se para o combate. Mas isso não impediu que a frota holandeza fugisse vergonhosamente de vir ás mãos com os portuguezes até que, no dia 12, se afastaram das aguas de Macau, depois de terem perdido um navio, o vacht que acompanhava a esquadra, e que foi mettido no fundo pelos próprios hollandezes, segundo diz a narrativa por elles feita. Com mais alguma determinação da parte dos portuguezes, os tres grandes navios ficariam prisioneiros e poderiam os nossos entrar em Macau com mais esse tropheu de victoria alcançada contra esses corsários que nunca conseguiram apoderar-se da cidade do Santo Nome de Deus em todas as repetidas tentativas que para isso fizeram.
Hollandezes contra Macau”Ta Ssi Yang Kuo Archivos E Annaes Do Extremo Oriente Portuguez 1899-1900 Série I – Vols. I e II, edição 1984, pp. 255-256.

Data atribuída à chegada de Peter Mundy a Macau, o dia 5 de Julho de 1637 (1) (2) (3). No entanto, a frota onde vinha Peter Mundy) do capitão John Weddell e Nathaniel Mountney, comandantes da esquadra de quatro navios e duas pinaças enviada a Cantão em 1637 pela Courteen Association (com licença régia concedida em 1635 pelo rei inglês Carlos I) (4), chegou à Ilha da Montanha no dia 27 de Junho de 1637 e já no dia 28 de Junho, o próprio Peter Mundy com John Mountney e Thomas Robinson foram enviados à terra numa lancha com as cartas do rei e do Almirante dirigidas ao capitão General de Macau, Domingos da Câmara de Noronha para obter autorização para ancorar na Ilha da Taipa.
A tripulação dos navios estrangeiros estavam proibidos de ir à terra nem eram permitidas visitas a bordo – interditos todos os contactos dos estrangeiros com os locais – com excepção dos convites oficiais por parte as entidades de Macau (e nessa qualidade Peter Mundy pode visitar e descrever no seu diário (5) as impressões de Macau, bem como desenhos) ou a visita à frota inglesa do Procurador de Macau (no dia 28 de Junho de 1637) e do mandarim chinês no dia 1 de Julho.
Peter Mundy terá visitado ao Igreja e Convento de S. Paulo no dia 07-07-1637 (6)
Mais um pequeno extracto do diário (7) correspondente ao dia 8 de Outubro aquando da visita à cidade a convite do governador e do Conselho da Cidade a 4 individualidades, o comandante Weddell, o pastor, Cristopher Parr (comissário do Dragon) e Peter Mundy tendo este descrito o jantar “numa bela casa ricamente mobilada com baixela de prata, biombos, cadeiras, alcovas, tapeçarias …(…)
O nosso jantar foi servido em baixela, sendo a meu ver muito bom e saboroso; mas a maneira de servir era muito diferente da nossa, pois a cada pessoa era servida uma porção igual de cada espécie de carne, trazida em duas salvas de prata, sendo repetidas algumas vezes, pois antes de acabar um prato, já estava outro pronto para ser servido. O mesmo sucedia com as bebidas: cada um tinha uma taça de prata numa bandeja; apenas esvaziada, era de novo cheia com excelente e bom vizinho português pelos serventes que ali estavam prontos para esse fim. Havia também variada e boa música de canto, harpa e guitarra… (…)
… Neste lugar há muitos homens ricos, trajando à maneira de Portugal. As suas mulheres, como as de Goa, vestem-se com saraças e condês, (8) este sobre a cabeça e as outras do meio do corpo até aos pés, e andam calçadas de chinelas chatas, É este o trajo ordinário das mulheres de Macau. Só as de melhor categoria são transportadas em cadeiras à mão, como as cadeirinhas em Londres, todas totalmente cobertas algumas das quais são muito caras e ricas, trazidas do Japão. Mas quando saem sem elas, a patroa dificilmente se distingue da criada ou escrava pela aparência exterior, todas inteiramente cobertas, mas as suas saraças ou (?chailes) são de melhor qualidade. “(3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 1, 1997.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau através dos séculos, 1977).
(4) Terá sido a primeira embaixada britânica de comércio à China. Em 13 de Julho de 1635, após autorização aos ingleses de comerciar nos portos portugueses, dava entrada em Macau, o primeiro barco inglês. (2)
(5) Peter Mundy (1600-1667?) natural da Cornualha, mercador, viajante, é considerado um dos mais famosos viajantes ingleses pelas suas muitas viagens pela Europa e Àsia.
Sir Richard Carnac Temple (1850-1931) e Miss Lavinia Mary Anstey editaram (adaptação e comentários) com o patrocínio da Hakduyt Society, em 1907, os diários de Peter Mundy com o título “The Travels of Peter Mundy in Europe and Asia (1608-1667)”  em 5 volumes.
As referências a Macau encontram-se principalmente no Vol. III, Part. 1:
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu31mund#page/n7/mode/2up
(6) A data provável da conclusão da fachada de pedra da Igreja da Madre de Deus (SD. Paulo é de 1637.
(7) Ver anteriores referências a Peter Mundy em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/peter-mundy/
(8) O Condê era uma espécie de véu que cobria a cabeça e o tronco e a saraça um vestido de linho fino, que se segurava ao condê e ia da cintura aos pés. Quando o condê caía, apareciam as imodestas O bispo D. Alexandre Pedrosa Guimarães condenou este trajo em 1779, pois dizia ele, quando o condê «cai, se descompõem indecorosamente nos lugares mais modestos» (3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638.
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu32mund#page/n7/mode/2up

Colecção de 10 postais (postal: 16 cm x 11 cm) intitulada

澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”

emitido em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1), com legendas no verso de cada postal em chinês, português e inglês. Separação de cores e impressão na Tipografia Seng Si Lda.
Preço: 25 patacas. Esta minha, comprada no Museu de Macau
No interior da contracapa a fotografia do Museu de Macau com indicação da morada. Praceta do Museu de Macau, n.º 112, telefone (853) 28357911 Fax: (8539 28358503 e horário de funcionamento: 10h00 – 18h00, excepto às segundas-feiras
(1) 澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao.  Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau, Setembro de 2009 , 1.ª edição, ISBN 978-99937-0-113-2
澳門老照片 mandarim pīnyīn: ào mén lǎo zhào piān,; cantonense jyutping: ou3 mun3 lou5 ziu3 pin3
O primeiro postal:

燒灰爐 /Àrea do Chunambeiro /Chunambeiro area
澳門十九世九十年代/Macau – década de 1890/ Macao – 1890s

A área do Chunambeiro era o antigo lugar de Macau, próximo da fortaleza de Bom Parto, no extremo sul da baía da Praia Grande. Nesse local havia antigamente fornos de cal de ostras, e também foi o local da antiga fundição de artilharia e casa de pólvora de Manuel Tavares Bocarro no século XVII (1) (2) (3)
Nessa altura para vir da Barra à Praia Grande era necessário atravessar a colina pois a marginal terminava no Chunambeiro. (4) O projecto do primeiro lanço de 135 metros da extensão da muralha de Bom Parto e aterro marginal da Praia Grande do Chunambeiro à Fortaleza do Bom Parto foi aprovado em 17 de Janeiro de 1873. (5)
O aterro do Chunambeiro foi iniciada em 1871 sob a direcção de Vicente de Paulo Portaria e continuada no mesmo ano pelo tenente Henrique Augusto Dias de Carvalho, condutor das Obras Públicas, segundo ele diz no seu relatório de 30 de Junho desse ano. (3)
(1) BOXER, Charles Ralph (anotada por) – Ásia Sínica e Japónica, Vol II. Instituto Cultural/Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1988, 245 p.
(2) Existia no Chunambeiro a fundição de artilharia de bronze de Manuel Tavares de Bocarro de 1625 a 1656. Foi capitão-geral ou governador desta cidade de 1657 a 1664. Faleceu em Macau ou em Goa (3)
Segundo Marques Pereira in Ta-Ssi-Yang Kuo III (edição 1984), p.126, nota 2:
Manuel Tavares Bocarro fundiu peças em Macau desde 1626 a 1631.É possível que depois fosse para a India onde fundiu em 1641 a peça existente no Museu de Artilharia ou foi fundida mesmo em Macau por ordem do governador da Índia, Telles de Menezes?
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(4) Chunambeiro de chunambo ou chuname (6) que significa no Oriente cal de ostra – e por haver neste sítio antigamente em Macau também fornos para a queima desse marisco.
Existe presentemente a Rua do Chunambeiro (existia nos fins do século XIX ou princípios do Século XX o Largo do Chunambeiro) que começa na Praça de Lobo de Ávila  e termina na Calçada do Bom Parto. Em chinês chama-se Siu Fui Lou Kai (7)  que significa Rua do Forno do Cal.
(5) Em 1 de Outubro de 1869, o major de artilharia, Francisco Maria da Cunha, inspector das Obras Públicas, informava que em 1 de Julho a 30 de Setembro se fizera uma casa da guarda em S. Sancha «pela necessidade de estabelecer uma estação de polícia em um dos sítios mais isolados da cidade, mais importante pelas casas de campo que ali existem, e ponto quási obrigatório da passagem da povoação da Barra para a Praia Grande, atravessando a montanha intermédia».
Boletim da Província de Macau e Timor, XVI, n.º 3 de 17-01-1870.
(6) “Chunambeiro – forno para fabricação de chunambo ou local onde se fabricava chunambo.
Chunambo– cal obtida pela calcinação de conchas de ostras.”
BATALHA. Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977, pp. 144/145.
Charles Boxer (in Àsia Sinica e Japónica, Vol II, p. 234, nota 7) (1) refere: “Xinamo, Chunname ou Chunambo como cal obtida pela calcinação de conchas de mariscos. O motivo de admissão do termo indiano é que a cal da Ásia se faz de outro material. O étimo é o maliada Chunnambra, relacionado com o neo-arcaico chunã, sânscrito churna.”.
7) mandarim pīnyīn: shāo lú huī jiē; cantonense jyutping: siu 1 fui1  lou4 gaai1

Pequeno livro comprado numa feira de livros usados por 1 euro. (1)
Trata-se da biografia bem documentada do padre Miguel de Carvalho, natural de Braga (nasceu no ano de 1579), padre jesuíta que navegou para o Oriente (Índia, China, Filipinas e Japão) em fins do século XVI, e no primeiro quartel do século XVII e foi martirizado no Japão, por intolerância religiosa do Imperador do Japão. Foi beatificado pela Igreja em 1867 pelo Papa Pio IX. (2)
Estudou no Colégio de S. Paulo em Braga, onde completou os estudos de latim e de retórica, foi enviado pelos pais para finalizar a formação na Universidade de Coimbra. Abandonou a Universidade para ingressar aos 18 anos na Companhia de Jesus, em Coimbra. Em 1597 estava em Campolide (Lisboa) onde esteve seis anos como noviço. Em 31 de Agosto de 1599 (ou talvez 8 de Setembro) emitiu os seus votos religiosos. Partiu em 1599 (3 de Setembro) em direcção a Goa (demora média de seis meses). Recebeu a ordenação sacerdotal em Goa (1602 ou 1603). Lecionou em Goa, Teologia desde 1605 a 1620. A seu pedido já na casa dos 40 anos partiu para evangelização ao Japão. A caminho de Macau já ao largo do litoral da China, a galeota foi atacada por uma nau inglesa e o capitão decidiu salvar vidas do que ser cativos dos piratas ingleses, pelo que varreou a galeota para terra onde toda a carga se perdeu. Caminharam com os pés nus, calcorrearam léguas e mais léguas pelas praias ermas e penhascos da China até Macau. Chegaram magros e exaustos ao Colégio da Madre de Deus.
Em Macau iniciou estudos de japonês. Permaneceu em Macau desde Junho ou Julho de 1620 até fins de 1621 onde foi professor de Teologia no Colégio de S. Paulo.
Dado que as autoridades portuguesas não permitirem o embarque aos missionários por causa da perseguição religiosa iniciada pelo Xogun Ieiasu, em 1614, o Padre Miguel em 1622, vestiu-se de soldado português da Índia e navegou até Manila (na altura possessão espanhola) e dali seguiu para o Japão. Chegou a Nagasáki em Agosto de 1622. Em Julho de 1623 foi preso. E ficou no cárcere durante treze meses, até ao martírio, por imolação em Omura, a 26 de Agosto de 1624.
Deixou uma carta de despedida à família, (endereçada ao seu irmão Simão de Carvalho) escrita dois dias antes do martírio, a 24 de Agosto de 1624. Só em 1626 a carta chegou a Braga (a 2.ª via, pois a 1.ª extraviou-se. Era costume enviarem-se cartas em navios diversos). (3)
(1) PINA, A. Ambrósio de, S.J. – Nos Horizontes da Índia e do Japão … Agência Geral do Ultramar, n.º 16, Figuras e Feitos de Além-Mar, 197, 156 p. Edição comemorativa da Beatificação do mártir e missionário Miguel de Carvalho. (18 cm x 11,5 cm x 1 cm).
(2) Os designados de “Beatos Mártires do Japão”: são 205 beatos mártires que morreram entre 1617 a 1632 na perseguição movida pelos Xoguns Hidetada e Iemitsu em Nagasáki e Tóquio, beatificados por Pio IX, a 7 de Julo de 1867. São 166 cristãos leigos e 39 sacerdotes. Destes 13 eram jesuítas, 12 dominicanos, 8 franciscanos, 5 agostinhos e um diocesano japonês. Dos 13 Jesuítas, cinco eram portugueses.
https://martiresdojapao.wordpress.com/
(3) Esta carta esteve pela primeira vez em exposição integrada na programação cultural que o Museu de São Roque (da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa) organizou aquando da estreia do filme “Silêncio” de Martin Scorsese, em Fevereiro de 2017.

Fotos de Macau (com as respectivas  legendas) publicados na imprensa brasileira em 1933.

“O farol da Guia, o primeiro construído nos mares da China”

NOTA: creio que a esta estrada foi-lhe dada o nome de “Estrada do Engenheiro Trigo”. Começa entre a Calçada do Paiol e a Estrada de Cacilhas, em frente da estrada dos Parses e circunda a Colina da Guia a meia encosta e vem terminar na própria estrada, um pouco acima do ponto de partida. Adriano Augusto Trigo foi director das Obras Públicas de Macau entre 1919 e 1925. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A linda Avenida da Praia Grande”

NOTA: a Rua da Praia Grande foi cimentada em 1924-1925. Nesta rua erguiam-se as mais elegantes mansões do território como as dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, Major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter e também algumas famílias chinesas ricas. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A fachada da célebre Igreja de S. Paulo, construída em 1602 com o auxílio dos japoneses católicos, devorada por um incêndio no dia 26 de Janeiro de 1835”

NOTA: A igreja originariamente feita de palha é de 1565; esta igreja foi incendiada e foi construída outra de madeira e coberta a telha, em 1573. Nova igreja foi edificada na colina e no local onde existem as actuais ruínas de S. Paulo em 1579. Esta igreja foi incendiada em 1601 e nesse mesmo ano iniciaram a reconstrução (1602-1603), com motivos decorativos feitos por artistas japoneses. Embora a igreja reconstruída tenha sido reaberta na véspera de Natal de 1603, e que terá custado 30,00 taéis, só ficou concluída em 1640. (TEIXEIRA, Manuel – Japoneses em Macau)

“Vista parcial do Porto”

NOTA: Vista do Porto Interior, com a Ilha da Lapa no fundo à esquerda.

“O Forte do Monte da Guia construída em 1765 que fez frente às forças holandesas que marchavam sobre a cidade, naqueles dias tristes em que os holandeses queriam tirar a Portugal o poderio ultramarino”

NOTA: A foto mostra a fortaleza de S. Paulo do Monte (e não Monte da Guia), originariamente chamada de Nossa Senhora do Monte. A conclusão da Fortaleza de S. Paulo foi em 1626 (e não em 1765), conforme inscrição epigráfica sobre a porta de acesso. Esta fortaleza teve um papel decisivo no repelir o ataque holandês no dia 24 de Junho de 1622.

O navio Jesus Maria José que, em 2 de Janeiro de 1637, seguia de Macau para Manila com grande quantidade de oiro, drogas, etc, foi capturado no Estreito de Singapura pelos navios holandeses que andavam a cruzar nessas paragens. De entre as cartas que caíram nas mãos do «inimigo da Europa» havia uma de Luís de Pacheco, antigo vereador de Macau, em que declarava que o comércio português em Nagasáqui, no ano de 1636, fora tão grande que, só para os direitos de el-rei, em Macau, couberam 204 000 taéis. (1) (2)
T. Volker, no seu livro (3), pp. 197-198, descreve a carga do navio “Jesus Maria Joseph” que foi saqueada e vendida em Malaca (onde terá chegado a 14 de Janeiro de 1637)
(1) Está também, referenciado com o mesmo nome, a fragata, barco ou navio Jesus, Maria, José ou J. M. J. em 1705, pertencente a Francisco L. de Carvalho. Foi neste barco que viajaram, em 1705, para Batávia alguns mercadores chineses, com conhecimento do Senado e também o transporte de 3500 picos de sândalo, altos e baixos para Timor, em 10 de Outubro de 1706. Em Dezembro de 1709 (registo de 21-12-1709) era proprietário do barco Francisco Xavier Doutel, já referenciado em anterior postagem (4) (PIRES, Benjamim Videira – A Vida Marítima de Macau no Século XVIII, 1993, p. 19)
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) VOLKER, T – Porcelain and the Dutch East India Company: As Recorded in the Dagh –registers of Batavia Castle those of Hirado and Deshima and other contemporary papers 1602-1682. Leiden, E. J. Bril, 1971
Disponível para leitura (algumas páginas omitidas)  na net
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-xavier-doutel/