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Pequeno opúsculo editado da Agência Geral do Ultramar (sem data, somente a indicação de “NEOGRAVURA – LISBOA – 5.000 ex”.; mas muito provavelmente do final de 50) (1), com o mesmo tamanho (16,5 cm x 12 cm) e impressão gráfica do opúsculo que publiquei em “FOLHETO DE PROPAGANDA – MACAU, PORTUGAL NO ORIENTE I e II”, impresso em 1964. (2)

Macau Terra de Maravilha AGU CAPA CONTRACAPA

O desenho da capa é de Fausto Rocha
Na contra-capa , o mesmo mapa de Macau (colorido mas com cores diferentes) existente na contra-capa do opúsculo “MACAO – UNE VILLE PORTUGAISE” (impresso em francês) (3)

Macau Terra de Maravilha AGU 1.ª Página1.ª Página, com uma fotografia da Rua da Felicidade

Embora o título seja diferente, assim como as fotografias (24 fotos, todas a preto e branco), o conteúdo é igual ao publicado, em 1964 (2). Apresenta o mesmo número de páginas: 32 páginas.
Assim os pequenos capítulos subdivididos são iguais. Escolho outros parágrafos, iguais nas duas edições.
1 -” Macau – terra maravilhosa“
Em 1910, Macau tinha apenas 3,380 quilómetros quadrados. Por causa de aterros efectuados para a construção do seu porto exterior e devido à reunião de lodos trazidos pelos braços do delta passou a contar, em 1927, mais 2,042 quilómetros quadrados. E desde essa altura, mercê de novos trabalhos a superfície da cidade não deixa de aumentar.…” (p. 3)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro I“Trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

2 – “Uma cidade maravilhosa “ (a única alteração é no título, na edição de 1964 é: “Uma grande cidade“)
A cidade tem uma vida intensa vida nocturna. Talvez de noite ela, seja ainda mais bela, mais aliciante, mais sedutora e mais original. Uma volta de automóvel por Macau faz-se em vinte minutos. O carro deixa a Almeida Ribeiro e entra na rua Pereira Marques, de grande movimento de gente e muita vida comercial. Da banda da direita, onde fica o porto interior, há uma série de pontes-cais, onde se embarca para Hong Kong, para Coloane e para a Taipa….…” (p. 6)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro II“Outro trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

3 – “Um elevado nível de cultura” 
“Na rua de Felicidade, que é caracteristicamente china, moram as mais lindas cantadeiras dos banquetes. São raparigas profissionais, muito dignas dentro do seu conceito de moral oriental, que, sendo diferente do nosso se deve apenas considerar como diferente.,. ” (p. 12).
4 – “Um pouco de história“.
5 – “A cidade de Macau
Em especial, no período que vai de Outubro a Março, na segunda monção, a cidade goza de magníficos dias, iguais aos de Lisboa. De Abril a Setembro é o tempo característico dos tufões que assolam os mares da China. Maca, porém, é raras vezes directamente vítima dessas terríveis tempestades. (p. 22)

Macau Terra de Maravilha AGU Rua Comercial“Uma rua comercial”

6 – “A ilha da Taipa
A Taipa Pequena, bastante pinturesca, possui duas praias e é muito acidentada, com vales de densa vegetação. Possui cais acostável, é servida por boas estradas e ali se encontra instalada uma importante indústria de fogo de artifício…” (p. 23)
7 – ” A ilha de Coloane“
Perto de Ká Hó estão instalados seis pavilhões que abrigam os leprosos que aparecem na província e ali são internados. Trata-se de um estabelecimento hospitalar considerado, no género, dos melhores de todo o Extremo Oriente. Ainda mais acidentada que, a Taipa, a ilha de Coloane possui igualmente vales pitorescos e abundante vegetação……” (p. 24)
8 – “Meios de comunicação
A viagem demora, aproximadamente, mês e meio e o turista que, largado de Lisboa, queira visitar Macau tem amplo tempo para descansar e ver algumas das mais belas e populosas cidades do Oriente. Os navios desta carreira escalam, entre outros, os portos de Porto Said, Suez, Mormugão, Singapura, Hong Kong e Macau. Alternadamente visitam também Dili, capital do nosso Timor e Manila, nas Filipinas….…” (p. 26)
Os procedimentos para “a entrada e permanência de estrangeiros” na edição 1964 eram ligeiramente diferentes, “a entrada ou permanência de estrangeiros na Província de Macau”: os vistos de entrada tinham a validade de quinze dias para os eram tirados nas representações diplomáticas e sessenta dias para os que eram  emitidos  nas representações consulares,  enquanto que , em 1964,  eram, respectivamente, de vinte e noventa dias.
A indicação dos “passeios e locais, dignos de visitar”, é idêntica nas duas edições.

Macau Terra de Maravilha AGU Páginas CentraisNas páginas centrais onde estava a foto de Macau, tirada do Farol da Guia na edição de 1964 (1),  nesta edição, encontra-se duas fotos: à esquerda: “uma vista parcial da Zona norte da cidade de Macau, tirada da Penha” e à direita: “Jardim de Camões”.

As alterações mais significativas encontram-se (nesta edição) nas indicações de:
Hotéis com os seus preçários (onde subdivide em “Principais Hotéis Europeus” e Principais Hotéis Chineses”) Ainda listava o «Hotel Central» que já não figura na edição de 1964.
Restaurantes (só estão referenciados: Fat-Siu-Lau – comida europeia, com especialidade em pratos de bacalhau; Golden Gate – comida europeia; Ruby – comida europeia; Long Kei – comida chinesa; Golden City – comida chinesa).
Teatros, cinemas e outros divertimentos– idêntico nas duas edições.
Acontecimentos anuais: Macau Grand Prix, Concurso hípico (Outubro); Feira Popular (Agosto a Novembro); Feira dos Santos Populares (Junho); Exposição Filatélica (permanente).
Festas religiosas.
Horário dos vapores da carreira de Hong Kong (referência somente ao «Tak Shing», «Tai Loy» e «Fat-Shan»)
Consulados (endereços) da Grã-Bretanha, Holanda, Tailândia e Delegação Especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Principais bancos (idênticos nas duas edições: Banco Nacional Ultramarino, Banco Tai Fung e Banco Lam Tong).
Agências de viagens (Agência Geral de Turismo, H. Nolasco & C.ª Lda., Companhia de Auto-carros «Fok Lai» e «Macao Air Transport»)
A indicação do Turismo, na edição de 1964:
Centro de Informação e Turismo – Palácio da Praia Grande – Tel. 2898
Nesta edição:
Secção de Propaganda e Turismo da Repartição Central dos Serviços Económicos.

(1) A descrição da ”entrada ou permanência de estrangeiros “, “hotéis “ e outros pequenos dados “turísticos”, leva-nos a pressupor que esta edição deverá ser do final da década de 50.

3 edições de MACAU AGUAs 3 edições referidas: 195? , 196? (em francês) e 1964

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/21/folheto-propaganda-macau-portugal-no-oriente-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/03/folheto-de-propaganda-macau-portugal-no-oriente-ii/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/17/folheto-propaganda-macao-une-ville-portugaise/

ANÚNCIO - BANCO DO ORIENTE IEste anúncio do Banco foi publicado no suplemento dedicado a Macau, do Diário de Notícias, de 1980

O Banco do Oriente iniciou actividades no ano de 1980. O Banco Totta & Açores era o accionista maioritário e detentor da gestão do Banco do Oriente cuja sede era no rés-do-chão do edifício do Hotel Sintra, na Avenida da Amizade Tinha sete dependências (as primeiras foram no Hotel Lisboa e na Ribeira do Patane)
O Banco do Oriente entrou em situação de falência técnica /prejuízos causados por crédito malparado, em final 1984.
Houve corridas aos seus balcões (depois das falências do Banco do Pacífico, do Overseas Trust Bank, do Deak & Company e do Bank of Credit and Commerce International) que foram sustidas com a injecção de fundos disponibilizados pelo BNU em colaboração com o Instituto Emissor e o Governo do território.(1)

ANÚNCIO - BANCO DO ORIENTE IIO pequeno banco estava tecnicamente falido essencialmente por causa da sua intervenção imprudente com financiamentos temerários e consequente controle de gestão de algumas fábricas de vestuário copiando modelos que a banca nacionalizada de algum modo experimentou na metrópole por essa época” (2)

Com Portaria n.º 91/88/M de 23 de Maio (BO n.º 21/1988), termina o Banco Oriente, S.A.R.L., com sede em Macau, cindindo o seu património em duas partes e a fusão de cada uma delas com a sucursal local do Banco Totta & Açores e com o Banco Comercial de Macau.

(1) Informações recolhidas duma entrevista a Abílio do Nascimento Dengucho (director do Banco Nacional Ultramarino – Macau,  de 1977 a 1995) publicado no JTM: http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=331501001
(2) Entrevista de António Correia ao JTM:
http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=338001001

 

Comunicação apresentada na Academia de Marinha pelo Membro Efectivo

Contra-Almirante EMQ José Luís Roque Martins

em 14 de Dezembro de 2010 (1)

“Aquele ano de 1960 tinha começado normalmente. Os cadetes do Curso D. Lourenço de Almeida preparavam-se para concluir o 3º semestre do seu curso, o que deveria acontecer até ao fim de Fevereiro. Todos nós sabíamos que no programa de ensino da Escola Naval, o 4º semestre correspondia a uma viagem de instrução. No entanto, apesar de nos aproximarmo-nos rapidamente de Março confesso que não notei que houvesse grande dramatismo com o caso, correndo às vezes notícias desencontradas a que se não dava grande importância. Até que numa tarde, quase no fim de Fevereiro, encontrando-nos a jogar futebol no campo da Base Naval, vejo descer a correr pela rampa do topo sul o meu primo, 1º ten. Martins Salvador, nosso professor na Escola Naval, gritando “Luís, Luís-vocês vão dar a volta ao Mundo!… (…)
Efectivamente aproveitando as Comemorações do V Centenário da morte do Infante D. Henrique que ocorriam em 1960, era proporcionado aos cadetes do curso D. Lourenço de Almeida uma viagem de circumnavegação… (…)
Saímos do Japão rumo a Hong-Kong pelo estreito da Formosa. A visita a este território, grande centro comercial e também cinematográfico, mostrou-nos um lugar cosmopolita com imensa população, com um centro da cidade onde predominavam os grandes bancos e grandes empresas.
Daí a Macau foi um pequeno passeio entre ilhas. Em Macau foi pena termos de ficar no Porto Exterior a 4 milhas de terra. A ligação era feita por um rebocador que ia lançando fagulhas, que com o tempo chuvoso que apanhámos quase sempre, nos sujava as fardas permanentemente. Estivemos pouco tempo em Macau, mesmo assim deu para visitar os pontos mais importantes da cidade, desde o Farol da Guia até à Porta do Cerco, às ruínas da Igreja de S. Paulo e à gruta de Camões e às instalações da Marinha. Circulámos no Centro e tivemos uma recepção no Leal Senado e uma pequena festa no Clube Militar e ainda tivemos tempo de ir uma noite ao velho Casino Central, experimentar aquele ambiente de fumos e odores exóticos.
Macau em 1960 tinha casas relativamente baixas e não havia nenhuma construção moderna, como as que vieram a ser construídas no último quartel do século XX. Ficámos um pouco surpreendidos com a reduzida percentagem da população que falava português. Tirando o pessoal dos correios, da polícia, e das funções oficiais, poucos mais falavam a nossa língua.”

AVISO DE 1.ª CLASSE “AFONSO DE ALBUQUERQUE” (2) 

Esta viagem, a bordo aviso de 1ª classe “Afonso de Albuquerque” iniciou-se  em 18 de Março de 1960.
O aviso “Afonso de Albuquerque” ficou em Goa tendo os cadetes sido transferidos para o “Aviso Bartolomeu Dias ” que regressava a Lisboa. O Aviso “Afonso de Albuquerque” não voltaria a Lisboa pois em Dezembro de 1961. no combate com a esquadra indiana, acabou por se perder encalhado perto de D. Paula (praia de Bambolim). Do combate resultou 5 mortos e 13 feridos . A heroicidade da guarnição do “Afonso de Albuquerque” foi reconhecida pelo próprio inimigo, sendo Cunha Aragão (o comandante, António da Cunha Aragão, capitão de mar e guerra ficou ferido durante o combate) visitado no hospital, pelos comandantes dos navios que enfrentou. Depois de capturado, o navio foi rebatizado “Saravasti” pelos indianos, sendo rebocado para Bombaim (hoje, Mumbai). (3)

AVISO DE 1.ª CLASSE “BARTOLOMEU DIAS (4)

NOTA: Os cursos da Escola Naval tinham  um patrono. O curso «D. Lourenço de Almeida» foi o primeiro curso da chamada «nova» reforma da Escola Naval, aprovada pelo Decreto-Lei nº 41.881, de 26 de Setembro de 1958, que veio alterar, substancialmente, o ensino naquela Escola. Os 63 Cadetes que iniciaram o curso em 2 de Dezembro de 1958, com destino às classes de Marinha, Aviação Naval, Engenheiros Maquinistas Navais e Administração Naval, constituíram, muito provavelmente, o maior curso que alguma vez frequentou a Escola Naval. (5)
Lourenço de Almeida  (1480-1508) foi capitão-mor de Portugal, único filho varão do vice-rei D. Francisco de Almeida e de Brites Pereira. Combateu em Tânger (1501) e chegou ao Ceilão (actual Sri Lanka) em 1506 onde submeteu o rei e descobriu a origem da canela. Derrotou a poderosa esquadra do rei de Calecute. Faleceu em combate, em 1508, na batalha de Chaul frente à esquadra mameluca egípcia comandada por Mirocem. (6)
(1)  http://www.marinha.pt/PT/amarinha/actividade/areacultural/academiademarinha/Conferencias/Documents/14DEZ10.pdf
(2)  http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/naviosfichas/navios.swf(3)  http://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_Afonso_de_Albuquerque
(4)  http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2009/04/bartolomeu-dias-o-navegador-e-os-navios.html
(5)  http://avozdaabita.blogspot.pt/2008/11/os-50-anos-do-curso-d-loureno-de_20.html
(6)  http://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_de_Almeida,_capit%C3%A3o-mor

Propício para as festividades do ano novo chinês, apresento três envelopes vermelhos – Lai Si (1), emitidos pelo Banco Comercial de Macau, (BCM), todos com o mesmo tamanho (10,2 cm x 7 cm) mas com imagens diferentes. Provavelmente da década de 90 (século XX)

De interessante, o logo do BCM nos três envelopes, no canto inferior esquerdo com a brasão de Macau.

Versos dos três envelopes.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/envelopes-vermelhos-%E5%88%A9%E6%98%AF-%E5%88%A9%E5%B8%82-%E5%88%A9%E4%BA%8B/

(2) Anteriores referências ao Banco Comercial de Macau: https://nenotavaiconta.wordpress.com/?s=banco+comercial+de+Macau

Anúncio em inglês de 1920, inserida numa publicação “turística” editada em Hong Kong.

O “Hotel Macao”/ “Macao Hotel” situado no Centro da Praia Grande  com entrada na Rua da Praia Grande n.º 65, tinha uma fachada de três pisos, que dava para a praça da Praia Grande, e proporcionava uma ampla vista panorâmica da zona ribeirinha e da marginal orlada de pinheiros, e uma porta lateral sque dava para  futura Avenida de Almeida Ribeiro. O luxuoso hotel era o preferido dos turistas e comerciantes  abastados e dos convidados oficiais.

Anteriormente chamado Hotel “Hing Kee” (o proprietário do hotel era o sr. Leong Hing Kee / Pedro Hing Kee, grande negociante/comerciante em Hong Kong e em Macau) (1) foi depois remodelado, passando a ser conhecido em 1903, como “Macao Hotel” e depois na década de 20 (séc. XX) “New Macao Hotel” com entrada principal na Avenida Almeida Ribeiro. Após a morte do proprietário, o hotel de novo entrou em obras, permanecendo a entrada pela Avenida Almeida Ribeiro, e reinaugurado com o nome de “Hotel Riviera” de 1928 até 1969, quando foi demolido. Em 1974 erigido no mesmo local o edifício Comercial Nam Tung e depois reconstruído, em 1998 para sede do Banco da China, em Macau.

(1) Pedro Leong Hing Kee (alias Pang Ahim) (segundo algumas fontes, além do chinês, falava francês, inglês e português?) era entre 1870 e 1880, dono de dois hotéis de luxo em Hong Kong “Hong Kong Hotel” e Victoria Hotel” e depois em 1890 fixou-se em Macau,. envolvendo-se  em vários negócios, como por exemplo, negociante de gelo neste anúncio de 1922

Pedro Hing Kee era proprietário do hotel “Hing Kee” (também chamado “Hotel Victória“) , inaugurado em 1880, e em Maio de 1903, vendeu-o por 20 mil patacas a William Farmer. (2) Há uma outra informação que refere ter o Hotel “Hing Kee”, pertencido de 1891 a 1903 a um chinês, rico comerciante do Havai (3)

(2) William M. Farmer, australiano do ramo da hotelaria, veio para Hong Kong em 1890 para trabalhar no “Victoria Hotel” e depois “New Victoria Hotel” que ele comprou, em 1898. Em 1892 associado ao negociante parse, Sr. Madar, adquiriu o “King Edward Hotel”. Nessa década, terá vindo a Macau e achou que era proveitoso investir na hotelaria em Macau e havia só dois hotéis que o satisfazia: hotel Boa Vista e o hotel Hing Kee. Quis arrendar o Hotel-sanatório Boa Vista, mas este foi cedido à Santa Casa da Misericórdia, em 1901, por 80 mil patacas. Comprou o Hotel Hing Kee, em 1903 rebatizando-o como “Macao Hotel”.

 (3) “Quando Chun Afong (1825-1906), um rico comerciante do Hawaii, visitou Macau na companhia do filho no verão de 1891, tentou entrar no Hotel Victoria, mas foi impedido pelo porteiro que lhe explicou que “cães e chineses não eram admitidos”. Chun ficou irritadíssimo e pediu para falar com o gerente do hotel, a quem ofereceu 5.000 dólares americanos pela compra do Hotel. Uma vez adquirido, o hotel mudou de nome e passou a chamar-se “Sei Hoi Fong Un” (o jardim de Fong dos quatro mares).” (“As Ruas Antigas de Macau”, I.A.C.M., 2016,p. 29)

Anteriores referências a este hotel em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-maca

Cortejo do funeral – Lu Lim Ioc (31-7-1927), ao longo da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida
Sem referência do editor

Lou Lim Ieoc/Ioc 盧廉若 (1877-1927), filho mais velho de Lou Kau/Cau (1837 – 1906), abastado comerciante (com vários  interesses comerciais entre este, acionista da «Nam Iong Tobacco Company», um dos proprietários do Banco Pou Hang, presidente da Companhia «Clube Internacional de Recreio e Corridas de Macau, Limitada»)e grande filantropo de Macau
Foi um dos fundadores da Associação Comercial de Macau. Presidente da Câmara de Comércio da China em Macau e do Hospital Kiang Wu (contribuiu para a reconstrução do Hospital), Presidente da Sociedade da Educação Chinesa (chegou a manter, à sua custa várias escolas), membro do Conselho Legislativo de Macau.
Tem o Título de honra da China durante a dinastia Qing, medalhado pela República Chinesa e em 1925 condecorado pelo Goverto Português com a Comenda da Ordem de Cristo (governava interinamente Macau Joaquim Augusto dos Santos, na ausência do Governador Rodrigo José Rodrigues)
Morreu a 15 de Julho d3 1927.


Cortejo do funeral – Lu Lim Ioc (31-7-1927), ao longo da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida
Sem referência do editor

Infelizmente Lou Lim Ioc morreu cedo, segundo consta, vítima e apoplexia, tendo sido faustosos os seus funerais, e luzido o préstito que percorreu Macau em 31 de Julho de 1927. A urna com os seus restos mortais, seguiu para Cantão, onde veio a ser sepultado na encosta da colina conhecida por Pak San.
Lou Lim Ieoc teve 17 filhos das suas sete esposas, das quais só a primeira – aquela que usufruía, na China todas as prerrogativas de mulher legítima – habitava na sua luxuosa residência (herdado do pai Lou Kau que adquiriu um vasto terreno sito nas várzeas  próximas da velha aldeia de Mong Há, construindo uma confortável residência, rodeada por um idílico jardim em estilo palaciano conhecido por U Wó Un . Jardim de Recreio (hoje conhecido como jardim de Lou Lim Ieoc)
A despesa diária da sua casa orçava entre 5 a 7 contos, quantia muito elevada naquele tempo. Contudo, os seus rendimentos permitiam-lhe viver como um grande senhor.“ (TEIXEIRA, P- Manuel – Toponímia de Macau, Vol.I, 1979)

Cortejo do funeral – Lu Lim Ioc (31-7-1927), ao longo da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida
Sem referência do editor

Anteriores referências a este filantropo e do seu pai bem como ao jardim da residência, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lou-lim-ioc/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lou-cheok-chin-lu-cao/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ioc/

A criação de um banco com personalidade jurídica própria e com sede em Macau, a partir de 1 de Julho de 1978, é a decisão fundamental do acordo assinado entre o Governo de Macau e o Banco Nacional Ultramarino. O referido Banco que integrará o departamento do B. N. U. de Macau, terá um capital a definir  quando da elaboração dos seus Estatutos, que orçará entre 25 e 50 milhões de patacas. O valor mínimo de 25 milhões de patacas será subscrito, no momento da assinatura da escritura da constituição do novo Banco, pelo B. N. U. com 49% e pelo Governo de Macau com 51% que fica deste modo a deter a maioria do capital social do novo estabelecimento bancário.
O novo banco que surgirá no território, quando cessar em 30-06-1978 a actividade do departamento de B.N.U. de Macau, terá as funções de Banco Emissor, Caixa Central de Reserva de Divisas, Banqueiro do Governo e Banco Comercial.
No referente ao pessoal daquele estabelecimento bancário, o acordo agora assinado prevê que os funcionários do departamento do B. N. U. de Macau possam optar pela continuação no B. N. U. em Lisboa, ou pela sua integração no futuro Banco em Macau. A opção dos referidos funcionários deverá ser feita até três meses antes da criação do Banco local, em Julho do próximo ano (1978), não perdendo os direitos já adquiridos.
Para finalizarem as negociações (cerca de nove meses) para a assinatura do novo acordo encontram-se em Macau, o presidente do Conselho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino, dr. Oliveira Pinto, o director Abílio Dengucho do mesmo estabelecimento bancário e o dr. Pires Lourenço, representante do Ministro das Finanças Português, que acompanhou a delegação do B.N.U. para tomar parte nos trabalhos.
Participaram ainda nas reuniões para além do Governo Garcia Leandro, os drs. Iglésias Tomás, Carlos Vargas e Oliveira Carvalho, da Inspecção do Comércio bancário, e o gerente da filial do B. N. U., em Macau, Amílcar Peres.” (1)
(1) Notícia publicada em Abril de 1977 no «Macau B. I. T.»

Saco de compras de plástico de cor verde da Companhia Nam Kwong (1) (59 cm x 30,5 cm) publicitando

NAM KWONG TRADING COMPANY
EXHIBITION HALL
  貿     (2)

Nam Kwong Trading Co. I

Esta “sala de exibição/exposição” ficava no 2.º andar do Banco “Nam Tung”

NAN TUNG BANG BUILDING (3)
Rua da Praia Grande, 65-A, 2.º andar, MACAU (4)

Nam Kwong Trading Co. IIDo outro lado, sem impressão.

Nam Kwong Trading Co. III(1) “Em 1949, o Ministério do Comércio Externo da China continental cria, em Macau, a sociedade comercial Nanguang (南光Luz do Sul) para controlar o comércio entre Macau e a China continental e os comerciantes locais, na sua maioria sinófonos.”
FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas relações luso-chinesas 1945-1995. Fundação Oriente, LIsboa, 2000, 850 p. , IISBN – 972-785-015-4
  mandarim pinyin: nán guang; cantonense jyutping: naam4 gwong1.
Nam Kwong (Group) Co. Ltd. is an enterprise directly under the central government based in Macao. Founded on August 28, 1949 as Nam Kwong Trading Company by Mr. O Cheng Peng on the commission of China, the Group is the first Chinese-funded institution in Macao with its 60 odd years of history. In the course of development, the older generation of pioneers represented by Mr. O Cheng Peng devoted themselves to the painstaking endeavors for the inception, development and growth of Nam Kwong and made remarkable contributions to the prosperity and stability of Macao.
Ler “History of Nam Kwong” em
http://www.namkwong.com.mo/en/aboutnamkwong/History.html
(2) 南 光 貿 陳 列 mandarim pinyin: nán guang mào yi gong si chén lié  shi; cantonense jyutping: naam4 gwong1 mau6 ji6 gung1 si1 can4 laat6 sat1.
(3) O banco “Nam Tung Lda.”, fundada em 1950, no ano de 1987 foi autorizado a mudar de nome para “Banco da China – Filial Macau” (Bank of China Macau Branch) sendo na altura a 9.ª filial do Banco da China, no estrangeiro.
A propósito do Banco “Nam Tung” na Rua de Praia Grande, relembro que o prédio ocupou o espaço que era do Hotel Riviera, à frente do Banco Nacional Ultramarino.
Não resisto a passar parte do poema “Macau Ontem e Hoje (1960-1984)” no tom humorístico de J. J. Monteiro: (5)


O progresso, sempre forte
Vencedor de velharias,
Destruiu o Riviera
Como bom hotel que era,
Só porque não teve a sorte
De David contra Golias

Sumiu-se p´ra dar lugar
Àquele não pequenino
Mas gigantesco edifício,
Com um lato frontispício,
Bem trabalhado, a brilhar,
Frente ao Banco Nacional Ultramarino

«Nam Tung» é o nome dado
Ao edifício em questão,
com seu rico Banco China
Que em frente ao nosso empina
Pomposamente instalado
Logo ali no rés-do-chão

(4) 地 址: 澳門南灣街 65號A南通银行大廈 二樓 電話 84255 (10) 84252
mandarim pinyin: di zhi: Ào mén  nán wan jié     65 hào A     nán tòng yin hàng dà xià èr lóu    diàn huà: 84255 (10) 84252; cantonense jyutping: dei6 zi2: Ou3 mun4 naam4 waan1 gaai1 65 hou4 A naam4 tung1 ngan2 hong4 daai6 haa6 ji6 lau4 din6 waa2: 84255 (10) 84252.
(5) MONTEIRO, J. J. – Macau vista por dentro. Edição da Direcção dos Serviços de Turismo, 1983, 385 p.

Em 16 de Julho de 1948 registou-se um dos primeiros sequestros (considerado o primeiro acto de pirataria na história da aviação) de um avião comercial. O hidroavião Catalina BBY 5AQ – VR -HDT – baptizado com o nome de «Miss Macao», (1) – voava de Macau para Hong Kong quando foi sequestrado, tendo o assalto corrido mal, resultando no queda do hidroavião no Delta do Rio Pérola, perto de Jiuzhou Yang (2)
A razão do assalto estaria na suspeita de que um dos passageiros era milionário e levaria consigo a bordo 3000 taeis de ouro. (3) Macau não sendo signatário às restrições Betton Woods no tráfico de ouro, tornou-se após a segunda guerra mundial um importante porto de operações entre Macau, Hong Kong e Saigão.
Os assaltantes eram quatro, que compraram no dia anterior um fato à europeia por 20 patacas cada um, tendo um deles (o chefe) sido treinado como piloto de Catalina. O plano inicial seria assumir os comandos do hidroavião e fazê-lo aterrar numa das ilhas do Delta. Terá sido o chefe dos assaltantes que ao tentar estrangular o piloto americano Dale Cramer e perante a reação do copiloto australiano Ken McDuff (bem como alguns dos passageiros), matou a tiro o piloto. Este atingido por uma bala caiu sobre o comando levando o hidroavião a cair a pique. (4)
Um dos assaltantes Huang Yu (黃裕, mandarm pinyin: Huáng Yù; cantonense jyutping: Wong4 jyu6), que fora contratado na China (era um camponês plantador de arroz da China, conhecedor da área onde voava o hidroavião) foi o único dos quatro que não tinha pistola e será talvez, por isso, o único que não tomou parte no assalto, mantendo-se sentado com o cinto de segurança e por esta razão provavelmente terá sobrevivido.
Levava 23 passageiros e 3 tripulantes.
Na década de 40 não havia legislação sobre a pirataria aérea em águas internacionais pelo que devido a um conflito entre jurisdições – acto de pirataria dum avião britânico em espaço aéreo internacional, o tribunal de Macau remeteu para Hong Kong o julgamento (o registo do avião era de Hong Kong), O Governo de Hong Kong alegou não ter jurisdição sobre o local da queda. Por isso Huang foi libertado a 11 de Junho de 1951 e deportado para a China. (5)
Como curiosidade vem mencionado em muitos artigos que a aeromoça do hidroavião era uma macaense de 21 anos chamada Delca da Costa. Mas num “post” sobre a aviação naval do blogue “Crónicas Macaenses” (6), aparece um comentário de Jorge E. Robarts (em 10-03-2004) referindo que a sua amiga Elsa Demée (do Pilar) seria a hospedeira de bordo desse dia mas foi substituída pela colega Gutierrez a pedido desta que precisava estar em Hong Kong por motivos familiares.

O Segredo do Hidroavião CAPA

A partir deste facto histórico Fernando Sobral (7) publicou recentemente em Março de 2014, o romance “O Segredo do Hodroavião” – thriller emocionante passado entre a China de Mao Tsé-Tung, a Hong Kong de Jorge VI e Macau de Salazar” (8)
Lê-se na sinopse desta obra, com chancela da Parsifal:
No dia 16 de Julho de 1948, o hidroavião Miss Macau fazia mais uma viagem entre Macau e Hong Kong. Entre os passageiros embarcados estava um grupo de chineses a bordo que haveria de tentar sequestrar a aeronave, fazendo com que este se despenhasse nas águas do mar, matando tripulação e passageiros. O único sobrevivente seria assassinado anos depois, junto à porta da cadeia, após a sua libertação. Por que razão?”.
O preço do ouro, cuja regulação definida pelo Tratado de Bretton-Woods durante a II Guerra Mundial levara ao comércio ilegal, dera origem a um frenesim na circulação deste metal precioso na zona. Mas naquele dia de Verão, o parelho da “Matco/Cathay Pacific” transportava também algo bastante desejado por muitas e influentes pessoas de Macau e da China.
Quem está por detrás da tentativa de sequestro da Miss Macau, a primeira da história da aviação? E porquê?
A partir de um facto histórico, Fernando Sobral constrói um empolgante thriller levando até ao leitor o jogo de interesses políticos em conflito numa China em guerra civil, entre os nacionalistas de Chiang Kai-shek e os comunistas de Mao Tsé-Tung e criando, ao mesmo tempo, um retrato fiel do universo de intrigas e ambições, de receios e interesses da comunidade portuguesa em Macau. Um romance histórico apaixonante!

O Segredo do Hidroavião CAPA+CONTRACAPA

(1) Abril de 1948 – Pedro Lobo e Liang Chang organizam a Companhia Limitada de Transportes Aéreos de Macau, registada em Hong Kong tendo alugado à Cathay Pacific Airways o seu primeiro avião (anfíbio, de 2 hélices) baptizado como «Miss Macau». As viagens entre Kai Tak e o Porto Exterior de Macau custavam 40 dólares de Hong Kong (simples) e 75 (ida e volta). A viagem num sentido demorava cerca de 20 minutos.”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p. (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Ilha de Jiuzhou九洲 (mandarim pinyin: Jiu zhou; cantonense jiutping: gau2 zau1) – ilha (hoje integrado numa das áreas do porto de Zhuhai) no estuário do Rio Pérola.
(3) Tael –(mandarim pinyin: liǎng; cantonense jyutping: loeng5), é uma medida de peso muito utilizada em Macau (na China e no Extremo Oriente). Utilizadas nas lojas de ervas medicinais chinesas, nos mercados bem como na transação do ouro e prata.
Um tael é sensivelmente 50 gramas ou 1/18 do cate ( mandarim pinyin: jin; cantonense jyutping: gan1)

1 cate (gan) = 0.60478982 kg
1 tael (loeng) = 1/16 cate

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tael
(4) HACKER, Arthur – Cathay Pacific Airways PBY Catalina amphibious aircraft Miss Macao ashore at Kai Tak airport in
http://www.pprune.org/aviation-history-nostalgia/60421-pbys-5.html
(5) http://en.wikipedia.org/wiki/Miss_Macao
(6) http://cronicasmacaenses.com/2014/02/16/aviacao-naval-em-macau-uma-visao-em-1989/
(7) Fernando Sobral, jornalista, é autor dos romances “Na Pista da Dança”, “O Navio do Ópio”, “L. Ville” e “Ela Cantava Fados”. Escreveu ainda “Os Anos Sócrates” e, em co-autoria, “Barings – A História do Banco Britânico que Salvou Portugal”, “A Teia do Poder ou Os Mais Poderosos da Economia Portuguesa”.
(8) SOBRAL, Fernando – O Segredo do Hidroavião. Edições Parsifal, 2014, 216 p., ISBN 978-989-98521-4-3

Os folhetos do teatro Império eram todos do mesmo tamanho (variando alguns décimos de centímetro, talvez devido á “cortagem” na imprensa) e quase sempre sem “figuras” com excepção (poucas) dos filmes que lhes mereciam ser mais divulgados. Creio que, a partir de 1960-61, se deixou de publicar os folhetos, pelo menos em português. Possuo muitos dos folhetos do período de 23 de Setembro de 1954 a 26 de Junho de 1959.
O teatro Império ou Cine-Teatro como eram classificados oficialmente, foi inaugurado em 21 de Março de 1953 com o nome de Teatro Broadway, com o filme “David and Bathsheba (nomeado com 5 óscares): “o  filme “David e Bathsheba” com o Gregory Peck (como Rei David, o segundo monarca do reino unificado de Israel, sucedendo a Saul, de acordo com a Bíblia hebraica, data nascimento cerca de 1040 a. C. e morte em 970 a.C. e reinado no reino unificado de Israel de 1003 a 970 a.C (1). Ele transferiu a capital de Hebron para Jerusalém ), Susan Hayward (como Bathsheba- Bateseba ou Betsabéia, mulher de Urias, oficial do exército,  morto por ordem de David) ) e Raymond Massey (Nathan, o profeta Natã) é um filme de 1951, de Henry King”
Tinha uma capacidade para 906 lugares. Situava-se  na Rua do Campo, n.º 238 (hoje edifício comercial e apartamentos), “à frente” da Repartição das Obras Públicas que foi demolida (actualmente Banco Delta Asia,  balcão da Rua do Campo). Fechou em 1 de Junho de 1982 (2).
Foto do fotógrafo Lei Iok Tin, (3) , de 1964, onde se pode visualizar à direita, o edifício das Obras Públicas, a Rua do Campo e á esquerda da rua (sensivelmente a meio da foto), o Teatro Império.

O folheto mais antigo, que possuo do teatro Império é de 23 de Setembro de 1954. Trata-se do filme “Aventuras de Robinson Crusoe” (“Adventures of Robinson Crusoe). O folheto, com razoável estado de conservação, tem 18,0 cm x 13,0 cm de tamanho, branco de fundo e com as letras cor de preta, com as seguintes indicações:

TEATRO IMPÉRIO  telefone 2050

A COMEÇAR EM 23 DE SETEMBRO  DE 1954
Sessões ás 14.30, 19.45 e 21.45 horas.
1. – Abertura – Discos
2 – Reclamos de próximos filmes (2)
3. – Produção da Casa “U. A.”
(FILME TECNICOLORIDO)
Adventuras de Robinson Crusoe
“Adventures of Robinson Crusoe”
COM
Dan O Herlihy e James Fernandez
Espectáculo para maiores de 13 anos
————————————————-
Próxima Mudança
(FILME TECNICOLORIDO)
“SABAKA”
—————————————————
Os discos tocados em todas as sessões são fornecidos
pela firma
“Johnson Radio & Electric Service”
———————————————————-
28-SETEMBRO-1954 — 500 Ex
 
No verso:
ARGUMENTO
—————————————
BREVEMENTE
FILME TECNICOLORIDO
POR ORDEM DO CZAR
“Par Ordre Du Tsar”
De realçar que o filme de 1954, é um dos primeiros filmes com a temática “Robinson Crusoe” de Daniel Defoe, e foi filmado no México (excepto o actor principal, creio que os restantes actores eram todos mexicanos, daí Jaime Fernandez e não James Fernandez como vem no Folheto apresentado), com versão inglesa e espanhola (“Las aventuras de Robinson Crusoe“), e dirigido por Luís Buñuel (argumento seu em inglês). Primeiro filme deste grande cineasta espanhol em língua inglesa. Nomeado em 1955 para melhor actor (Dan O´Herlihy) e galardoado com Prémios Ariel (México) em 1956, em seis categorias (4) (5)

Luís Buñuel   (1900-1983) produziu, escreveu e dirigiu em 1928, em colaboração com Salvador   Dali, a curta- metragem “Un chien   andalou“, primeira grande manifestação do surrealismo   cinematográfico e a seguir em 1930, “L´âge   d´or” ( a obra mais importante do surrealismo no cinema). Luís   Buñuel, exilado por causa da guerra civil espanhola, trabalhou na Cinemateca   do Museu de arte Moderna de Nova Iorque e, posteriormente, encarregou-se de   dobragens em espanhol na Warner Bros.. Em 1946, foi para México onde esteve   durante vinte anos, sendo este filme o nono filme dessa segunda carreira. (6).
O folheto mais antigo a seguir a este, do teatro Império é do filme “SOB O RECIFE DE 12 MILHAS” que já fiz referência em post anterior – FOLHETO DE CINEMA -TEATRO APOLLO (I).
NOTAS:
1- A preocupação comercial de chamar a atenção para o processo cinematográfico” tecnicolorido” (filme a cores pelo processo tecnicolor inventado em 1916 e aperfeiçoado ao logo das décadas seguintes) embora no site (3)  consta na ficha técnica como um filme Pathécolor.
2 – A estreia em Macau, no mesmo ano de produção, logo a seguir à estreia nos Estados Unidos em 5 de Agosto de 1954. Portugal só teve a estreia em 8 de Maio de 1956.
3 – “A próxima mudança”, o filme “SABAKA”, filme de aventura, também de 1954 com o actor Boris Karloff, foi dirigido por Frank Ferrin (o único filme que dirigiu), só foi estreado nos Estados Unidos em 6 de Fevereiro de 1955 (7)
4-O filme franco-alemão “Par Ordre du Tsar“, tem duas versões: em francês com estreia em França a 18 de Junho de 1954 e  em alemão “Ungarische Rhapsodie” (8) (estreia na Alemanha (oeste), em 15 de Abril de 1954. Internacionalmente comercializado com o título de “At the Order of the Czar“. O argumento é baseado num incidente da vida do compositor Franz Liszt. Protagonizado por Michel Simon (1895-1975) (nessa época um dos grandes actores franceses, com trabalhos exemplares nos dois filmes de Jean Renoir ” La chienne” (1931) e “Boudu, sauvé des eaux” (1932) e Colette Marchand. Não tenho informações precisas mas em Macau terá sido passado a versão em língua francesa.
5 – Fotos do Teatro Império podem ser visualizados em:http://macauantigo.blogspot.com/2010/01/antigos-teatroscinemas.html

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/David
(2) http://cinematreasures.org/theaters/32492
(3) http://picasaweb.google.com/lh/photo/Nbhy2oegpCe2LVJ8NTo0lg
(4) http://www.imdb.com/title/tt0044386/
(5) http://en.wikipedia.org/wiki/Adventures_of_Robinson_Crusoe
(6)
SADOUL, Georges – Dictionnaire des cinéastes. Microcosme/Éditions du Deuil, 1965, pp. 35-37
(7) http://www.imdb.com/title/tt0048573/
(8) http://www.imdb.com/title/tt0135699/