Continuação das postagens: “MACAU RETROSPECTIVA I”, “II” e “III” (1), nomeadamente na apresentação do terceiro postal dos quatro emitidos com o mesma tema,
As referências iconográficas são da autoria de Luís Sá da Cunha e foram extraídas do documento dos CTT explicativo da emissão (pagela).
QUADRO III – POSTAL – SELO DE 2.00 patacas
MACAU, A ALDEIA GLOBAL
“Nas suas épocas mais florescentes, Macau foi porto de todos os comércios, materiais e espirituais. De todos os quadrantes, o mundo todo foi aqui convocado. Parafraseando Fernando Pessoa, Macau foi todo o mundo a sós. Foi miniatura do mundo global a vir. Essa a sua grandeza rara.
Na sua dimensão antropológico-cultural, Macau espelhou essa confluência de matrizes e influências, culturalmente resolvida em termos de Civilização e antropologicamente operada em hibridismos complexos. Houve, em Macau, solução universalizante.
As sínteses seculares do encontro e convívio de diversidades culturais e genéticas tiveram aqui o seu fundamental pressuposto – o espírito e a prática da tolerância.
Na sua genética biotipológica e na sua endogenia cultural, o macaense, ou “filho da terra”, é a máxima encarnação da mensagem universalista aqui protagonizada por gerações ao longo das (sic) séculos gerações ao longo das (sic) séculos.”

Verso do postal – BP- MACAU – 86

1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/12/19/noticia-de-19-de-dezembro-de-1999-filatelia-macau-retrospectiva-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/01/09/postal-i-filatelia-macau-retrospectiva-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/01/12/postais-ii-filatelia-macau-retrospectiva-iii/

Três fotografias antigas de Macau, provavelmente do princípio do século XX, extraídas do “Boletim de Geografia de Lisboa” (1)

Porta do Cerco em Macau, s.d.
Jogadores de Fantan em Macau, s.d.
Antigo palácio do governador de Macau, c. 1908

(1) http://www.socgeografialisboa.pt/wp/wp-content/uploads/2017/11/SGL-Boletim-133-Ano-2015.pdf 

Relato de um incêndio numa casa (defronte ao Hotel Albion) habitada pela família dum americano, Sr. Perkins no «The Canton Register» (1)

Rua de Macau  1835 – 1837
Desenho de George Chinnery

Recorda-se que nesse mesmo mês e ano, no dia 26, a bela Igreja de S. Paulo foi destruída por um violento incêndio, restando a arruinada frontaria.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/26/noticia-de-26-de-janeiro-de-1835-destruicao-da-igreja-de-s-paulo/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-madre-de-deus-s-paulo/
(1) “The Canton Register “, Vol. 8, N.º2, 1835.

Continuação das postagens: “MACAU RETROSPECTIVA I” e “II” (1), nomeadamente na apresentação do segundo postal dos quatro emitidos com o mesma tema,
As referências iconográficas são da autoria de Luís Sá da Cunha e foram extraídas do documento dos CTT explicativo da emissão (pagela)

QUADRO II – POSTAL – SELO DE 1.50 patacas

A ALMA E O ESPÍRITO
Desde o início, a estratégia da entrada no âmago do Império Chinês dava valor igual ao Outro. Assim foi definida a política de “acomodação cultural”, cerne de uma vasta operação inter-civilizacional com sede no Colégio da Madre de Deus em Macau. Foi o mais largo e exemplar fenómeno de encontro de culturas assinalado na História.
De 1582 a 1773, foram apresentados à classe letrada do Império chinês todos os ramos do Saber ocidental, movimento nucleado ao famoso Tribunal das Matemáticas da Corte de Pequim, presidido quase desde o início a até à extinção por jesuítas portugueses. Foram publicadas nesse período 187 obras, esforço ingente de tradução para língua chinesa dos livros mais marcantes na cultura e na ciência ocidentais.
No ano 48 do reinado de Wanli (1620) Nicolas Trigault chegou a Macau com “mais de sete mil livros bem decorados”; na maioria forma formar a biblioteca de Pequim.
Sobressaíram os contributos prestados à cultura chinesa nos campos da Matemática, da Medicina, da Astronomia (o rigor na predição dos eclipses era politicamente importante para demonstrar que o Imperador ainda gozava do “mandato do Céu”), da Mecânica, da Música e do Calendário (reforma do calendário chinês segundo o gregoriano).
Em sentido inverso, a divulgação da cultura tradicional chinesa começou a fluir para a Europa com os primeiros relatos descritivos da nação e do Império (sobretudo de autores portugueses) e com a publicação do Quadrivolume de Confúcio (Sishu)  por Ricci em 1593, em Itália (Tetrabiblion Sinense de Moribus).

Verso do postal – BP . MACAU – 85

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/12/19/noticia-de-19-de-dezembro-de-1999-filatelia-macau-retrospectiva-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/01/09/postal-i-filatelia-macau-retrospectiva-ii/

Camoes Grotto , Macao
Copyright by Sternberg , Hong Kong
Cerca de 1910

Teria ou não Camões estado em Macau e composto na gruta lendária parte dos Lusíadas? Desde que a lenda se apossou do caso, os críticos tinham obrigação de se retirar discretamente nos bicos dos pés, porque as suas opiniões não interessam nada e não oferecem nenhuma utilidade, enquanto as lendas, ao envolver os assuntos, lhes dão aquele valor poético que é uma das mais altas expressões da espiritualidade.
Não interessa, pois, perante a lenda, que Camões estivesse ou deixasse de estar em Macau. Os críticos dizem que sim; mas põem dúvidas quanta à gruta.
Devemos dizer, em primeiro lugar, que não há gruta nenhuma. Gruta pressupõe um vão cavado na terra ou na rocha, e não foi isso que nós vimos ao subir pela rampa da colina verdejante, até ao alto, ao pequeno terreiro ensombrado de árvores, onde um penhasco recoberto de ondulante vegetação parece palpitar com os estremecimentos dos fetos finos. Defronte, dois penedos sustentam um terceiro sobre si, deixando entre eles um espaço vazio, túnel talvez de metro de largo e dois de fundo – a que se chama gruta.
Aqui esconderam, sobre pedestal pobre, um pequeno busto do Poeta. Ao princípio, o monumento parece insignificante, destituído de grandeza; mas há nesta discreta concha vegetal uma frescura acariciante, um retraído ramalhar tão suave e tão insinuador, que a falta de grandeza ganha valores de intimidade espiritual, que a falta de grandeza ganha valores de intimidade espiritual e o busto deixa de ser o monumento público, a impor-nos e esmagar-nos, para se reduzir à pequena figura que temos sobre a nossa banca de trabalho. Não é quadro para se reproduzir em fotografias ou postais ilustrados. É um local para se visitar sozinho.” (1)

O mesmo postal, colorido.

Camoes Grotto Macao
Copyright by M. Sternberg, Hong Kong

(1) in p. 190 de OLIVEIRA. Barradas de – Roteiro do Oriente. Agência Geral do Ultramar, 1954, 249 p.

O grupo «Hong Kong Ballet for All» organizado em Hong Kong em 1969, fez a sua primeira apresentação no Teatro D. Pedro V no dia 10 de Janeiro de 1970, por iniciativa e sob o patrocínio do Centro de Informação e Turismo de Macau.
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V. pp. 43-44
Sobre o Teatro D. Pedro V, referências anteriores em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/