Faleceu no dia 9 de Fevereiro mais um dos actores da minha geração, um galã na década de 60 (séc. XX) que fez uma curta carreira cinematográfica (cerca de vinte filmes), depois em séries televisivas e mais tarde enveredando pela vida diplomática.
John Gavin (1931-2018), nome artístico de Juan Vincent Apablasa, actor, presidente da “Screen Actors Guild” de 1971 a 1973 e diplomata norte-americano (embaixador dos Estados Unidos no México de 1981 a 1986). Conhecido pelas suas participações nos filmes “Imitation of Life” (1959), “Spartacus” (1960), “Psycho” (1960) e  “Thoroughly Modern Millie”(1967), e outros papéis principais numa série de filmes para o produtor Ross Hunter.
Em sua homenagem, apresento hoje o folheto de cinema do Teatro Apollo do filme “Imitation of Life” (“Imitação da Vida” ), um dos melhores filmes do ano de 1959,e talvez melhor interpretação deste actor no cinema.
Filme que se estreou em Macau no dia 4 de Setembro de 1959, “Imitação da Vida” (“Imitation of Life”) é um filme (“eastmancolor”) de 1959, (1)  do género melodrama, dirigido pelo talentoso Douglas Sirk (último filme deste realizador) e produzido por Ross Hunter para a Universal International
Actores: Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee, Dan O’Herlihy, Susan Kohner, Robert Alda, Troy Donahue e Juanita Moore. (2)

Lana Turner no papel de Lora Meredith

O filme conta a história de Lora Meredith (Lana Turner), actriz famosa e consagrada que tinha uma filha e acolhe em sua casa uma mulher negra — Annie Johnson (Juanita Moore) — junto com sua filha para trabalhar como doméstica. Com o passar dos anos, as duas mulheres compartilham suas vidas e os problemas das respectivas filhas.
(1) Segunda versão cinematográfica do livro de Fannie Hurst; a primeira adaptação foi em 1934, realizado por John M. Stahl com a actriz Claudette Colbert.
(2) Susan Kohner e Juanita Moore foram indicadas para o Óscar de 1959 na categoria de para Melhor Atriz Secundária e Susan Kohner ganhou o globo de Ouro nesta categoria.

NOTA: A famosa cantora “Gospel” Mahalia Jackson(1911-1972)  aparece no filme como solista do coro da igreja.

Imagens retiradas de
https://en.wikipedia.org/wiki/Imitation_of_Life_(1959_film)
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Gavin
Trailers do filme em:
http://www.imdb.com/title/tt0052918/vi

No dia 14 de Fevereiro de 1954, o Clube Náutico de Macau levou a efeito duas interessantes regatas,  a que não faltou o valioso concurso da Secção Náutica da Mocidade Portuguesa. Duas taças foram postas à disputa, a primeira denominada «Improviso» oferta do velejador Gustavo Nolasco da Silva e a segunda denominada «Carochinha», oferta do velejador Tenente Lopes da Costa.

Aspecto das regatas «red-wing», vendo-se ao fundo as ilhas da Taipa e Coloane.

Disputaram a primeira taça as embarcações da classe «moth» do Clube Náutico e da Mocidade Portuguesa, vindo a ganhá-la a embarcação conduzida pelo «às» da vela da Mocidade, António Maneiras.
A seguir à largada dos «moths», fez-se a dos «redwings», para a disputa da taça «Carochinha» , a qual foi ganha por Lopes da Costa.
Estas regatas serviram também como preparação dos velejadores de Macau para o «Interport» com Hong-Kong , que nesse ano se realizaram no dia 28 de Fevereiro, nas águas de Macau.

O velejador tenente Lopes da Costa recebendo das mãos da esposa do governador a taça conquistada numa regata à Taipa e Coloane

(1) Ver anteriores referências ao Clube Náutico de Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/clube-nautico-de-macau/
NOTA: informações retiradas de «MBI» I- 14, 1954. As Imagens foram extraídas de «BGU» XXIX-346, 1954.

BOM CARNAVAL PARA TODOS

No dia  27 de Fevereiro de 1968, (DIA DE CARNAVAL) realizou-se no Teatro D. Pedro V uma récita em «patois», cujo relato inicial publiquei no ano passado (2017) (1)
“Depois, irrompeu pela plateia a Tuna, marchando e executando antigas marchas populares do Carnaval (marchas duma animação típica e inconfundível, que faziam as delícias da sociedade macaense de há trinta anos ou quarenta anos e têm, hoje, o gosto amargo duma saudade…). As 11 figuras que a formavam tomaram o seu lugar entre o palco e a primeira fila da plateia. E tocou, preenchendo os breves intervalos de cada número da representação. Reconhecemos neles os nomes de Francisco Freira Garcia, Mário Nogueira, Américo Vital, Manuel Rego, Luís A. da Rocha, Eduardo Siqueira, F. Siqueira, Domingos de Assunção, Filomeno da Rocha, António A. Amante e João Baptista M. K. Lam. Tocaram e agradaram plenamente, e fizeram o «milagre» de ressuscitar, ao som das violas e bandolins, uma época que já lai vai e não volta mais.
Três peças cómicas de um acto subiram à cena.
Na primeira, «Velho sevadízio», actuaram Lobato de Faria (já conhecido no meio local), no papel de velha «rabujenta» e «pelizona»; «Giga» Robarts (outra figura já evidenciada nas anteriores récitas), no papel de «Mena » linguareira e sem-papas na língua, e Tranquilino da Silva (para nós uma revelação), no papel de «Chencho, um tipo antigo de abastado cidadão macaense. O diálogo, fluente e pitoresco, entre as três personagens foi acompanhado com ao mais vivo interesse pela assistência. Risos não faltaram e gargalhadas também. Um trio modelar, no género. Nem sequer faltou, na cena final, um polícia (Alberto Alecrim, que apenas entremostrou – nesta cena – o seu papelão de cómico nato e consumado.
«Já fazê asnéra» deliciou a assistência dum «menino bonito» que se enamorou da «bicha» da vizinha do lado. Santos Ferreira, no papel da «bicha» foi simplesmente impagável. Álvaro da Silva, no papel de «senhora» à moda antiga, distinguiu-se pela sobriedade com que interveio e largou das «suas» (em «patois» de pura gema»). Maria Machado Correia Marques, no papel da mãe do «menino bonito» , revelou-se uma artista da primeira plana. Naturalidade e presença de espírito. Fala o «patois» com uma fluência antiga. E a senhora de Tranquilino da Silva, como «menino bonito», fez maravilhas. Só vista e ouvida. O quadro foi harmonioso. Completo. Evidentemente que fez rir toda a gente.
E «Chico vai escola» deu-nos um diálogo de típico sabor local. Alberto Alecrim (o professor) confirmou as suas qualidades, de actor nato e consumado. A sua actuação em português, a contrastar com a actuação de Tarcício da Luz (Chicho), este no papel de matriculando, um «pitoresco»  dialecto macaense, foi magistral. Chicho, por seu turno, mostrou dotes até então desconhecidos do grande público. Duma calma e duma espontaneidade raras, representa bem. O seu «patois» e a sua mímica têm piada, mesmo muita piada, como depois confirmou, exuberantemente, noutros números em que interveio. Foi a a revelação da noite.  ….” continua
Na primeira fila: (da esq. para a dta): Mário José Nogueira, Filomeno Rocha, e os irmãos Siqueira.
(1) Continuação do artigo iniciado em 27 de Fevereiro de 2017, extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971; ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-1968-recita-de-carnaval-no-teatro-d-pedro-v/
As fotos foram retiradas da Revista «MacaU», II série, n.º 13 de Maio de 1993, pp. 44 e 49

Festejou- no dia 12 de Fevereiro de 1956, a entrada do novo ano lunar – MACACO /FOGO, acontecimento relatado no «BGU» (1)

Em torno da estátua do heróico coronel Vicente Nicolau Mesquita montaram tenda para a tradicional venda de flores naturais e ramos de pessegueiros no dia de ano novo lunar
Uma novidade para este ano novo chinês foi uma banca onde vendiam antiguidades chinesas, estatuetas que faziam o encanto dos colecionadores.
Nas bancas de flores viam-se vasos com tangerineiras de palmo e meio pejadas de frutos maduros

(1) Extraído de «BGU» XXXII – 370 Abril de 1956.

Um saco comercial de plástico (49 cm x 33 cm) de cor castanho claro (fundo) e “design”/ letras a azul, anunciando dum lado a “SAPATARIA FU TEN” e doutro lado a “SAPATARIA VAI MENG”
SAPATARIA FU TEN
Rua Pedro Nolasco da Silva
N.º 27 R/C Macau

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SAPATARIA VAI MENG
Rua da Emenda n.º 1 r/c Macau
Tel: 87710

Tông Kuá Tchông  – 冬瓜盅 (1)

É um prato de cozinha chinesa, entre nós conhecido por cabeça de bonzo. É uma corcubitácea (2) recheada com caldo, no qual se encontram misturados pedaços de carne, de pato fresco, de pato salgado, cogumelos, cevada, etc. Em chinês ao indivíduo que é traído pela sua mulher, se diz tái lôk môu (usa chapéu verde) (3).  Como a casca desta corcubitácia é verde este termo é também empregado para se referir a um marido que é traído pela sua mulher.
GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», 1952.
(1) 冬瓜盅mandarim pīnyīn: dōng guā zhōng; cantonense jyutping: dung1  gwaa1 zung melão cucumber + inverno + tigela
A foto foi retirada de:
http://www.daydaycook.com/daydaycook/hk/website/recipe/details.do?id=25941
(2) Cucurbitaceae é uma família de plantas eudicotiledôneas fabídeas, de haste rastejante, rupícolas ou terrícolas, frequentemente com gavinhas de sustentação, que reúne cerca de mil espécies entre as quais várias domesticadas e de grande importância econômica tais como abóbora, melão, melancia, bucha, cabaça (cuia), abobrinha, pepino, etc. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cucurbitaceae)
(3) 戴  绿 帽  mandarim pīnyīn: dài lǜ mào; cantonense jyutping: daai3 luk6 mou6

Mais dois “slides” digitalizado da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado na década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O edifício das Repartições Públicas, na Praia Grande, inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 (2) e a estátua de Jorge Álvares, do escultor Euclides Vaz, inaugurada a 16 de Setembro de 1954. (3)

O Ministro do Ultramar Sarmento Rodrigues na sua deslocação a Macau em Junho de 1952, acompanhado pelo Governador da província, visitou no dia 20 de Junho de 1952, o Palácio das Repartições Públicas que tinha sido inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 e presidiu à inauguração do Tribunal Judicial da Comarca.
Com a progressiva saída das repartições que aí estavam instaladas (Serviços de Fazenda e Contabilidade, Serviços de Administração Cívil e Administração do Concelho), em finais da década de 70 o edifício passou a ter os serviços dos vários tribunais, pelo que normalmente era referido como “O Tribunal” , na década de 80.

O Palácio das Repartições à esquerda (foto tirada provavelmente do edifício D. Leonor), a Avenida Almeida Ribeiro à direita (o Hotel Central, o edifício mais alto).

(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) Este edifício denominado Palácio das Repartições Públicas substituiu o antigo Palácio das Repartições que tinha sido construído entre 1872-1874, no mesmo lugar (começou por ser residência de governadores, depois diversos  serviços públicos e mesmo o início do Banco Nacional Ultramarino). Como foi construído de tijolo e madeira, com o tempo, devido à formiga branca e tufões, degradou-se e foi necessário demoli-lo em 1946.O projecto do novo edifício foi de António Lei , de 1949  e conforme regime da altura, estilo monumental com colunas altas em pedra. (4)
Anteriores referências ao Palácio das Repartições
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/20/noticia-de-20-de-junho-de-1952-o-palacio-das-reparticoes-publicas-e-o-tribunal-judicial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/21/noticia-de-21-de-maio-de-1951-edificio-das-reparticoes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
(4) Descrição mais pormenorizada, aconselho consulta em:
http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=499