Archives for category: Vivências

Mochila distribuída pela organização aos atletas, dirigentes e técnicos da Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau que participaram no encontro internacional denominado “7th FESPIC Bangkok 99” (1) (2), realizado na Tailândia, ente 10 e 16 de Janeiro de 1999.
O lema deste encontro foi “Equality in one world

Everyone has equal dignity and fundamental human rights.
Neither the disability nor difference in physics, mentallity,
and society will change the dignity of human.

Participaram 34 delegações num total de 2258 atletas em 15 modalidades desportivas.
A delegação de Macau sob a bandeira do Leal Senado, foi chefiada pelo Presidente da ARDDM António Fernandes e eu, vice-presidente como técnico da saúde.
Boa participação dos atletas macaenses conquistando 8 medalhas de ouro, 7 de prata, e 4 de bronze num total de 19 medalhas. (a 9.ª delegação mais medalhada; a primeira foi a China com 340 medalhas)
(1) JOGOS FESPIC (FESPIC GAMESThe Far East and South Pacific Games for the Disabled), foi a denominação do encontro desportivo, realizado de 4 em 4 anos, para os deficientes motores da região asiática e sul do Pacífico.
Iniciado em 1975 (na cidade de Oita, Japão) o último encontro com esta denominação foi em Dezembro de 2006 em Kuala Lumpur, Malásia. A partir de 2010 estes encontros passaram a estar em paralelo com os “Jogos Asiáticos” tendo adoptado a denominação de “Asian Para Games” (à semelhança dos Jogos Olímpicos e a seguir os “Jogos Paraolímpicos”). O 1.º com esta denominação foi em Guangzhou (Cantão), após os “16.º Jogos Asiáticos” nesta cidade. ARDDM participou em todos os encontros desde o 1.º,  em 1975.
(2) https://en.wikipedia.org/wiki/FESPIC_Games
https://en.wikipedia.org/wiki/1999_FESPIC_Games/a>
Anterior referência à Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau. (ARDDM) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/associacao-recreativa-e-desportiva-dos-deficientes-de-macau-arddm/

A Dra. Beatriz Basto da Silva chama a atenção (1) para um artigo “Anatomy of a small foot” publicado no mês de Abril de 1835 no «The Chinese Repository» (2) sobre os pés enfaixados e pequeninos das mulheres chinesas. (3)

A Chinese Golden Lily Foot, Lai Afong, c. 1870s (4)

Refere um estudo de Jean Baptiste Du Halde (5) que dá como início deste costume a Última Imperatriz da Dinastia Shang que pereceu cerca 1.123 A.C.. como tinha os pés realmente muito pequenos, resolveu enfaixá-los e atá-los, fazendo crer que se tratava de uma moda, quando era, afinal, uma deformação congénita.
Robert Morrison, na sua «View of China» (6) diz que Howchoo (por volta das Cinco Dinastias, cerca de 925 A. D.) pediu à concubina Yaou para atar os pés com faixas de seda para se manterem pequenos, com a beleza do quarto de lua crescente. As outras mulheres imitariam a ideia.
Enfim, hipóteses incertas, mas que trouxeram o costume dos «Golden Lilies» ou «Kin leen» (7) quase até finais do século XX. (1)

18th-century illustration showing Yaoniang (窅娘) binding her own feet, Qing Dynasty woodblock print from Hundred Poems of Beautiful Women(Bai Mei Xin Yong Tu Zhuan 百美新詠圖傳) (8)

NOTA 1 – Na década de 60 (séc. XX), em Macau, ainda conheci uma senhora amiga da minha avó, que tinha os “pés atados”. Lembro-me dela sempre bem vestida (muito possivelmente de famílias aristocráticas chinesas) que saída à rua sempre acompanhada por uma criada que a ajudava a andar e sempre protegida por uma “sombrinha” (guarda- sol) (6)
NOTA 2 – Aconselho visualização das fotografias da britânica Jo Farrell que passou oito anos a registar a vida das últimas mulheres idosas chinesas com os “pés deformados”. Estas fotos estiveram em exposição de 18 a 31 de Março de 2018 no «Hong Kong Museum of Medical Science».
http://www.dailymail.co.uk/news/article-5425801/Last-foot-binding-survivors-captured-beautiful-photos.html
Pode ver uma reportagem sobre estas mulheres em:
https://www.youtube.com/watch?v=gmGZGa0Ze58
(1) SILVA, Beatriz Basto da Sila – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-chinese-repository/
(3) Pés atados ou Pés-de-lótus (em inglês footbinding) foi um antigo costume chinês em que os pés de meninas jovens mantinham reduzidos em tamanho no máximo 10 cm de comprimento. Para isso, os pés das meninas jovens eram rigorosamente atados e mantidos em pequenos sapatos a fim de evitar o máximo o seu crescimento . O objetivo era ter o menor pé possível, que significava sensualidade muito apreciado pelos homens na altura.
(4) https://en.wikipedia.org/wiki/Foot_binding#/media/File:A_Chinese_Golden_Lily_Foot,_Lai_Afong,_c1870s.jpg
(5) Jean-Baptiste Du Halde (1674-1743), jesuíta francês, historiador com especial interesse na história chinesa, embora nunca tivesse estado na China nem dominar a língua chinesa mas coleccionava os relatórios dos missionários jesuítas e a partir deles fez uma enciclopédia da história, cultura e sociedade chinesa.

 

 

(6) MORRISON, Robert – A view of China for philological purposes : containing a sketch of Chinese chronology, geography, government, religion & customs, designed for the use of persons who study the Chinese language, 1817
Anteriores referências a Robert Morrison em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/robert-morrison/
(7) –  mandarin pīnyīn: jīn lì; cantonense jyutping: gam1lei6
(8) https://en.wikipedia.org/wiki/Foot_binding#/media/File:Yaoniang_binding_feet.jpg
(9) Sombrinha – termo utilizado em Macau para designar o sombreiro ou guarda-sol ou guarda-chuva. Segundo Prof Graciete Batalha, o termo sombreiro, com este sentido foi corrente no ásio-port., mas a forma macaense parece revelar influência espanhola talvez através das Filipinas. Glossáro do Dialecto Macaense, 1977, p. 534.

Amanhã dia 18 de Março de 2018, festeja-se o dia do deus da família TOU TEI – 土地 (1)  É uma divindade tutelar (espírito ou divindade que tem a função de guardião, patrono ou padroeiro de um determinado local)
Em 1869,  os festejos decorreram nas noites de 17 e 19 de Março, com fogos de artifício, conhecidos por balsas, (2) na Praia do Manduco. Do Boletim da Província de Macau e Timor do ano de 1869, extraí esta notícia em que o autor nomeia dois deuses tutelares chineses: Tuti e Fu-Shui. Creio tratar – se dos deuses Tou Tei ou Tou Dei Gung (土地公) e Fu Shi (伏羲) (3)


Templo de Tou Tei no Largo do Pagode do Patane

Este templo está classificado como Monumento e localiza-se entre as Ruas da Palmeira, da Pedra e da Ribeira do Patane, no Porto Interior. Está encostado ao Jardim de Camões, no sopé do outeiro, com os seus pavilhões construídos entre as pedras da Colina.
NOTA: fotos pessoais do Templo Tou Tei do Patane de Maio de 2017
(1) Ver anteriores referências a “Tou Tei, o deus da família” em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-2017-tou-tei-o-deus-da-familia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tou-tei-patane-%E5%9C%9F%E5%9C%B0%E5%BB%9F/
(2) BALSA – fogo de artifício chinês, muito comum em Macau até à década de 20 (séc. XX) depois caiu em desuso. Ver explicação em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/02/27/noticias-de-25-e-26-de-fevereiro-de-1868-fogos-de-artificio-na-fonte-de-lilau/
(3) Fu Xi (Fuxi) ou Fushi ou Fu Hsi (伏羲), também conhecido como Paoxi ou Pao-hsi (庖犧). É um personagem da mitologia chinesa e é tido como um imperador que reinou durante os meados do século 29 aC. Ele foi o primeiro dos Três Augustos (三皇 Sānhuáng). Na antiga China ele era considerado um herói mitológico da cultura, atribuindo-se-lhe a invenção da escrita, pescaria e caça. Ele é considerado o fundador na nação chinesa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fu_Xi

Junto à entrada está o deus-porteiro
Que não deixa entrar diabos e ladrões,
E àquela que abra e saia dos portões
Assegura que volte são e inteiro

Na sala está o buda folgazão
Enchendo a casa de luz da alegria
E p´ra que nunca falte arroz do dia
Na cozinha está o deus do fogão.

Fotografia tirada na Rua do Matapau em Maio de 2017

Trabalha o patrão numa grande mesa
E entre ábacos e livros aos montões,
Majestoso se ergue o deus da riqueza.

Na alcova está a deusa das paixões
Para dar ao casal toda a certeza
De dar ao seu lar novas gerações.

Leonel Alves (1) (2)

(1) In “Antologia de Poetas de Macau”, selecção e organização de Jorge Arrimar e Yao Jingming, 1999, p.81.
(2) Ver anterior referencia a este poeta em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leonel-alves/

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas premiou neste ano de  2018, o filme “The Shape of Water” – “A Forma da Água” como o melhor filme do ano. Neste filme, supostamente passado nos primeiros anos da década de 60 (século XX), os protagonistas Elisa Esposito (Sally Hawkins) e Giles (Richard Jenkins) moravam em apartamentos situados em cima de um cinema que tinha em exibição dois filmes, “The Story of Ruth” de 1960“ (1) e o musical  “Mardi Gras”de 1958.
É precisamente deste último filme “MARDI GRAS”, (2) o folheto de cinema que apresento hoje, estreado no Teatro Apollo no dia 6 de Março de 1959.
Há um erro na parte inicial do “Argumento”: na apresentação dos nomes dos cadetes do Instituto Militar da Virgínia, há uma repetição “Tommy Sands”. O correcto será: Pat Boone (Paul Neweell) Tommy Sands (Barry Denton), Gary Crosby – filho de Bing Crosby (Tony Collins) e Dick Sargent (Dick Sagion).
Filme norte-americano de 1958, do género musical, dirigido por Edmund Goulding (0 último filme deste director) com os actores Pat Boone, Christine Carère, Tommy Sands e Sheree North.
É um filme “promocional” do cantor Pat Boone (3), mas quem sobressai do filme é a actriz (e cantora ) Sheree North. (4).
O compositor Lionel Newman foi indicado para o Óscar de melhor trilha sonora por este filme musical, no entanto quem ganhou foi André Previn pelo filme “Gigi”.
“ Trailers” do filme:
http://www.dailymotion.com/video/x6dxe8y 
https://www.youtube.com/watch?v=8c0qDV6vmqs
https://www.youtube.com/watch?v=-yHANo_axSs
(1) “The Story of Ruth”  é um filme americano de 1960, dirigido por Henry Koster, com os actores: Stuart Whitman e Elana Eden. O filme relata a história bíblica de Rute, a bisavó do rei David.
(2) Mardi Gras – terça feira Gorda ou terceira feira de Entrudo – último dia de carnaval.
O mais famoso “Mardi Gras”  é o Carnaval de Nova Orleães. No folheto

“It´s New Orleans favorite festival of fun! “

(3) Os estúdios americanos nessa época (década de 50-séc. XX) “criaram” uma rivalidade entre Elvis Presley e Pat Boone (1934), cantores muitos apreciados pelos fãs, tornando-os actores. Enquanto Elvis era citado como um rebelde, “rockqueiro”, Pat Boone era apresentado “bem comportado”, com canções de estilo romântico, como neste filme. Outros filmes musicais populares deste actor “Bernardine” de 1957; e“April Love” de 1957.
Em Macau, também havia torcedores pelos dois artistas, os mais “novos” adolescentes eram mais adeptos de Elvis e mais “velhos” e os “trintões” apreciavam o Pat Boone. Lembro-me vagamente ter visto este fllme nessa altura embora não tovesse ainda 12 anos ( o espectáculo era para maiores de 12 anos).
(4)  Sheree North (1932-2005),  dançarina, cantora e actriz em 29 filmes  É dela a melhor canção do filme “That man” (uma das oito canções que a dupla -Sammy Fain e Paul Franscis Webster  – compôs para o filme)
BREVEMENTE: “LAW and DISORDER” – filme de 1958, uma comédia britânica  inicialmente dirigida por Henry Cornelus que morreu nas primeiras filmagens e portanto substituído por  Charles Crichton (director de várias comédias bem sucedidas entre elas a comédia “ A Fish Called Wanda” de 1988) com os actores Michael Redgrave e Robert Morley.

Numa das casas existentes neste Jardim (1), uma varanda de “ferro” com o formato de dragão
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/09/macau-no-exterior-macau-e-o-jardim-oriental-em-lisboa-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/12/macau-no-exterior-macau-e-o-jardim-oriental-em-lisboa-ii-o-busto-de-camoes/

Extraído do «BGC»  XXIII – 260, 1947
Funeral do Governador Artur Tamagnini Barbosa em Macau – 1940 

Artur Tamagnini Barbosa filho primogénito de Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1) e de Fátima Carolina Correia de Sousa. Nasceu em Lisboa em 31-08-1881 e veio para Macau ainda bebé chegando no transporte África a 22-01-1882. Cursou o Seminário de S. José e o Liceu de Macau até à idade de 19 anos, em que regressou a Portugal com a família em 1900.
Governador de Macau por três vezes: de 1-07-1918 a 12-04-1919; 19-06-1926 a 19-11-1930 sendo exonerado a 2-1-1931;  e nomeado em 25-11-1936 para novo mandato que se iniciou a 11-07-1937  até sua morte. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, volume II, 1997)

O governador faleceu pelas 7h30 do dia 10 de Julho de 1940,  no Palácio de Santa Sancha. O cadáver foi depositado no Salão Nobre do Leal Senado da Câmara de Macau até o dia de funeral que se realizou pelas 11 horas do dia 11 de Julho, sendo o féretro conduzido até à Sé Catedral onde ficou depositado até seguir para Portugal. Mas devido à Guerra do Pacífico somente foi transladado para Portugal em 7 de Dezembro de 1946, a bordo do paquete “Quanza” (2)
NOTA: Meu pai que chegou a Macau em 1936 como soldado de artilharia referia muitas vezes que fez parte das sentinelas (nos primeiros dias na Sé Catedral) que revezavam o corpo do Governadornuma das alas/corredor da Sé Catedral onde o corpo estavaassim como esteve integrado na guarda de honra no dia 7 de Dezembro que acompanhou o féretro da Sé Catedral até ao cais, onde os restos mortais foram transportados para o paquete “Quanza
Ver anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/
(1)  Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1852 – ?) esteve pela 1.ª vez em  Macau de 1877 a  1880 como 2.º oficial da administração de fazenda militar e depois contador interino da junta de fazenda de Macau e Timor e pela 2.ª vez em Macau e Timor de 1882 a 1897  como quartel mestre do 1.º Batalhão do Regimento da Infantaria. Pertenceu à Comissão de Contas da primeira Direcção do Grémio Militar eleita a 1 de Janeiro de 1880  e foi  eleito vogal efectivo da Direcção a 3 de Janeiro de 1888.
(2) Paquete «Quanza» (1928 – 1968)
Navio de passageiros da Companhia Nacional de Navegação. Deslocava 11 550 toneladas (em plena carga) e media 133,53 metros de comprimento por 16,05 metros de boca. Movia-se graças à força de 2 máquinas, de 4 000 cv, que lhe permitiam navegar à velocidade de 13 milhas/hora. A sua tripulação era constituída por 162 membros. Podia receber a bordo 518 passageiros, distribuídos por várias classes.
http://alernavios.blogspot.pt/2010/11/quanza.html