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Encontrei num alfarrabista esta fotografia colada a um pequeno papelão com a seguinte inscrição

N, R. P. GONÇALVES ZARCO
HONG KONG
20-12-1959

Pelo posicionamento da tripulação e enquadramento da fotografia, lembrei-me de uma outra foto publicada na revista “MacaU” (1) que foi tirada no mesmo barco em Junho de 1963, também na altura estacionada em Hong Kong.

Ao centro (na foto) vemos o comandante, capitão-de-fragata Malheiro do Vale, tendo à sua esquerda o imediato, capitão-tenente Rosa Coutinho, e, à sua direita, o 1.º tenente Cristóvão Moreira, o oficial mais antigo do aviso português na altura. (1)

O N. R. P. Gonçalves Zarco (2) foi o primeiro aviso a entrar em Macau em 1935, e o último navio da Armada Portuguesa que esteve em comissão de soberania em Macau e Timor.
A última missão de nove anos em Macau foi de 14 de Outubro de 1956 (3) a 28 de Março de 1964. A sua partida após ter cumprido a sua gloriosa missão de nove anos consecutivos, no Oriente, teve honras de fogo de artifício (4) e “na véspera, em jeito de despedida, os marinheiros organizaram um cortejo em riquexós, pelas ruas da cidade, cantando e queimando panchões”. (1) A chegada a Lisboa foi a 16 de Maio de 1964, “a aguardar a tripulação no cais estavam apenas os familiares, nada de entidades oficiais, nem mesmo da marinha, tão pouco a imprensa. Restava-lhes a consolação do dever cumprido e o feito de terem conseguido trazer para Portugal aquela relíquia naval, que, com galhardia, desempenhou durante nove anos consecutivos a última missão de soberania de um navio da Armada Portuguesa, nas águas de Macau e Timor“(1)

https://arquivohistorico.marinha.pt/viewer?id=14925&FileID=4116

(1) TOMÉ, EDUARDO – A Última Missão Naval de Soberania no Oriente. MacaU, II série, n.º 58, Fevereiro de 97, pp.6-22.
(2) O aviso «Gonçalves Zarco» (igual ao aviso «Gonçalo Velho») foi uma classe de avisos coloniais de 2ª classe ao serviço de Marinha de Guerra Portuguesa. Os dois navios da classe, foram construídos nos estaleiros Hawthom-Leslie (Inglaterra) em 1933, encomendados ao abrigo do Programa Naval Português da década de 1930. Como avisos coloniais, os navios foram projetados com o objetivo reforçar e manter a capacidade de presença naval nos vários territórios do Império Colonial Português, assegurando aí, a soberania de Portugal.
Os navios da classe foram baptizados com os nomes de dois dos navegadores portugueses envolvidos na descoberta das ilhas do Atlântico: Gonçalo Velho Cabral e João Gonçalves Zarco.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, os navios foram equiparados a fragatas, recebendo o prefixo F nos seus números de amura, pintado no costado.

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco» – por volta de 1940

Classe GONÇALO VELHO:
GONÇALO VELHO – F 475 (1933 – 1961) – efectuou quatro comissões de serviço em Macau entre 1937 e 1954
GONÇALVES ZARCO – F 476 (1933 – 1964) – efectuou três comissões de serviço em Macau, em 1935, 1939 e a última de 1955 a 1964, (durante os quais passou 17 meses na Índuia Portuguesa, 20 meses em Timor)
Os avisos foram alvo de grandes modificações durante os anos cinquenta. Em 1959 foram substancialmente modernizados, sendo equipados com armamento e sensores para guerra anti-submarina.
Ambos os navios deixaram de ser empregues como unidades combatentes em 1961. O Gonçalo Velho foi, imediatamente, abatido ao serviço, mas o Gonçalves Zarco foi transformado em navio hidrográfico, alterando a referência da amura para A 5200 e mantendo-se em serviço até 1964, ano em que foi activo (seria então o navio de guerra mais velho em serviço, em todo o mundo).
Apanhou, em Macau, dois violentos tufões, o «Glória», em 1957 e em 1962 quando estava em Hong Kong o «Wanda»

O NRP Gonçalves Zarco em Macau, 1950
http://jcsnavy.weebly.com/marine-naval-and-military-posts/nrp-goncalves-zarco-1950

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco»
Deslocamento: 1 784 tons (outras fontes: 1174 tons) (1933); 1 500 tons (1959)
Comprimento: 81,5 m; Boca: 10,8 m; Calado: 3,5 m; Sensores: radar de navegação e ASDIC (1959); Propulsão: 2 turbinas a vapor de 2 000 SHP, servidas por dois eixos permitiam atingir os 16,5 nós, de velocidade máxima.
Armamento: 3 peças de 120 mm e 2 peças de 40 mm (1933); 3 peças de 120 mm, 5 peças de 40 mm, 4 morteiros lança bombas, 2 calhas lança-bombas de profundidade (1959)
Tripulação/Equipagem: 142 homens
Informações e referências de:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho#/media/File:Portuguese_sloop_Gon%C3%A7alves_Zarco_in_the_1940s.jpg
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/goncalves-zarco/
(3) “ 14-10-1956 – Vindo do estado da Índia Portuguesa chegou ontem dia 14 o Aviso de 2.ª classe «Gonçalves Zarco» da nossa Marinha de Guerra.” (MBI IV-77, 1956)
“20-10-1956 – A fim de receber beneficiações, partiu para Hong Kong no passado dia 20 o Aviso «Gonçalves Zarco» do comando do capitão-tenente António Garcia Braga.”  (MBI IV-78, 1956)
Regressaria a Macau no dia 8 de Março de 1957 trazendo a bordo para o Porto Interior o novo governador, Capitão-tenente Pedro Correia de Barros.
“15-07-1963 – Após reparações seguiu para Timor. Chegados a Timor, não havia condições de reabastecer o navio de combustível pelo que a 9 de Setembro deram um pulo atè Darwin. O governador de Timor era Alberty Correia. O Gonçalves Zarco saiu de Timor a 2 de Janeiro de 1964. Chegou a Hong Kong a 12 de janeiro de 1964 – atracou ao cais da Royal Navy onde estiveram 4 dias.
Partida 10 de Março de 1964, para Hong Kong com objectivo de efectuar  uma inspecção geral, rasparem e pintarem o fundo” (1)
(4) “Its departure was heralded with fireworks and a large turnout odf the people of Macau who saw it as the end of an  era.”
GARRETT, Richard J. – The Defences of Macau, Forts, Ships and Weapons over 450 Years!.Hong Kong University Press, 2010.

“O Correio Macaense“, V-230 de 17 de Fevereiro de 1888

A “Herbert Dent & Ca.” foi uma empresa em Macau ligada a negócios com a China (seda, chá e  ópio) e por isso, como agentes, ligada às companhias seguradoras e empresas de navegação.
O representante em Macau era D. da Roza (muito possivelmente Daniel Francisco António Campos da Rosa.(1)
A empresa , em 1888, estava na Rua da Sé; em 1910 na Rua dos Prazeres n,º 2 e 4
Em 1910, apresentava-se em Macau como:
No mesmo ano, em Cantão
Herbert Fullartoon Dent foi baptizado a 5 de Fevereiro de 1849 (Londres). Faleceu a 6 de Fevereiro de 1920 com 71 anos de idade. Foi Comissário das alfândegas chinesas (sedas e chás) e fundador da companhia “Herbert Dent and Company”, para comércio com a China (principalmente com o ópio que introduzia em Cantão). Vivia com a família entre Cantão e Macau.(2)
Herbert Fullartoon Dent é da família DENT que fundou “Dent & Co.”  ou “Dent’s” que foi uma das maiores firmas britânicas (rival directa das outras duas mais conhecidas, a «Jardine, Matheson & Co» e a «Russell & Co.»), que com o comércio do ópio com a China, levaram à entrega de Hong Kong e onde depois sediaram e prosperaram.
O seu antepassado Thomas Dent foi o  fundador da firma . Chegou a Cantão em 1823 e com o sócio fundaram a «Davidson & Co».  Em 1824, Davidson saiu e a firma passou a denominar-se “Dent & Co.”. A firma “Dent & Co.” foi à falência em 1867. (2)

“The London Gazette, 9 September, 1921”

Herbert Dent adquiriu o Palacete de Santa Sancha em 1893, aos herdeiros do Barão do Cercal (neta) após o falecimento da Viscondessa do Cercal (em 16 de Dezembro de 1892.) por 8.000 patacas.
Em 1896, teve um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.
A 28 de Janeiro de 1923, William Herbet Shelly Dent, filho de Herbert Dent vendeu essa propriedade ao Governo de Macau (governador Rodrigo José Rodrigues) por $32.500. Nesse ano 1923, um tufão provocou estragos consideráveis, levando à execução de obras no palácio.

A Chácara de Santa Sancha vista da Penha – c. 1925

(1) Daniel Francisco António Campos da Rosa (1850-1916), comerciante de chá e cônsul de França em Foochow (China). Faleceu em Macau na sua casa da Praça Lobo de Ávila.
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol III, 1996
(2) http://www.thepeerage.com/p3627.html 

História do Tufão Pamela relatado pelo Dr. Mário de Matos Silveira, meteorologista-adjunto do serviço Meteorológico de Macau (1)
“Este tufão foi pela primeira vez assinalado no observatório de Macau às 08 horas do dia 3 de Novembro, cerca de 500 milhas a E de Luzon.
Nas 24 horas seguintes, deslocou-se para WNW encontrando-se às 08 horas do dia 4, cerca de 200 milhas a E do estreito de Balintang.
Atá às 08 horas do dia 5, deslocou-se para W, com a velocidade média de 11 nós, ficando centrado 360 milhas a ESSE de Macau. Foi içado o sinal n.º 1 de tufão às 10.05 horas.
Nas 6 horas seguintes, deslocou-se para WNW com a velocidade média de 16 nós estando o centro do tufão, às 14 horas locais, situado 260 milhas a ESSE de Macau, Às 15.45 horas foi içado o sinal n.º 5 (tempestade provável do quadrante NW). Às 20 horas do mesmo dia o centro do tufão estava 50 milhas a E da Ilha das Pratas, cujo observatório registou nessa altura, vento N de 130 Km/h; o nosso observatório registava na mesma ocasião vento N de 18 Km/h.
Nas 12 horas seguintes o tufão continuou a deslocar-se para WNW com a velocidade média de 13 nós, estando às 08 horas do dia 6, situado cerca de 90 milhas a E de Macau. Às 09.25 horas foi içado o sinal n.º 9 ( a tempestade tende a aumentar).
Depois o tufão deslocou-se para W tendo o centro passado a cerca de 40 milhas a Sul de Macau.
A rajada máxima, 130 Km/h, direcção E, foi registada às 15.10 horas; a velocidade horária máxima foi de 99 Km/h, entre as 15 e as 16 horas, com a direcção predominantemente ESE
A pressão mínima registada, reduzida ao nível do mar, foi de 988,3 mb, às 15 horas. às 15.30 horas o sinal n.º 9 foi substituído pelo n.º 8 (tempestade provável  de SE) Entre as 15 e as 16 horas a pressão subiu 3, 5 mb, e o vento rodou para ESSE. Das 16 para as 17 horas a pressão subiu rapidamente 6,1 mb, e o vento continuou a rondar para SE, fixando-se nesta direcção; a velocidade diminuiu para 50Km/h. às 16.50 horas foi  arriado o sinal de tufão e substituído pelo sinal de ventos fortes.
O tufão continuou a deslocar-se para W, em direcção do Golfo de Tonquim e diminuir de intensidade às 12.25 horas do dia 7 foi arriado o sinal de Ventos Fortes, pois todo o perigo do tufão Pamela havia passado.
Valores observados
Velocidade horária máxima do vento: 99 km/h, direcção ESE.
Rajada máxima: 130 Km/h, direcção E.
Pressão mínima: 988,3 mb.
Precipitação: 41,5 mm.”
(1) Extraído do «M. B.I.» ANO II, n.º 31, 1954.

Extraído do Boletim da  Prov. Macau e Timor XIII – 40 de 7 de Outubro de 1867.

Do diário de A. J. Pinto Basto, na sua viagem de circumnavegação a bordo do Cruzador S. Gabriel (1)
Com muito bem tempo largámos de Hong Kong (2) para Macau pelas 8 h da manhã do dia 2 de setembro. Ao passar pelos navios de guerra estrangeiros, tocaram as suas bandas o hymno portuguez, e foi-nos feito o signal de boa viagem. Seguimos para Macau coma velocidade de 13 milhas por hora, fundeando na rada pelas 10h 45m. O governador organizou em nossa honra um passeio a Colovane, no qual tomaram parte as principaes auctoridades e famílias de Macau, talvez mais de duzentas pessoas, que para ali seguiram na lancha Macau e em três outras lanchas a vapor. A nossa visita a Colovane foi interessante, por se verem ali ainda em ruinas muitas casas contra as quaes a lancha Macau teve de fazer fogo no seu ataque aos piratas. Por essa ocasião prestou aquella lancha relevantes serviços. Démos um passeio pelas ruas da povoação e realisaram.se u lunch e uma regata de embarcações chinas.
Tivemos noticias de dois tufões que das Filipinas se dirigiam ara costa da China, o que nos obrigou a demorar a nossa partida para ali. No mez de setembro os tufões são muito frequentes e pouco dias se passa sem que os observatórios anunciem aquelles temporaes. Já foi difícil o regresso a bordo e o dia 26 amanheceu com chuva, vento, e mau aspecto, motivo pelo qual resolvemos deixar a rada para procurar melhor fundeadouro, logo que possível fosse. Vieram para bordo n´uma lancha quatorze presos, entre eles os piratas de Colovane, (3) que a requisição do governador da província devíamos conduzir a Timor e Moçambique. O transbordo da lorcha para o navio fez-se com dificuldade n´uma das nossas embarcações e foi impossível receber-se os volumes pesados. Ás 3h  30m suspendemos e  fomos procurar o abrigo na bahia de Castle Peak, ao norte da ilha de Lantao, o melhor fundeadouro próximo, onde ancorámos pelas 6h da tarde em 5 braças de fundo com 45 m de amarra. Na tarde do dia 27 seguimos para Hong Kong, onde amarrámos às 5 horas a uma boia das docas de Kowloon, depois de ter salvado ao almirante americano. Fui agradecer os cumprimentos ao Tamar, navio chefe inglez, e ao New York, americano, a bordo do qual fui convidado a tomar parte n´um tea oferecido pelo comandante Lee Jayne a varias senhoras da colonia americana de Hong Kong.
(1) Ver anteriores referências a este diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cruzador-s-gabriel/
(2) O cruzador «S. Gabriel» de 1 838 toneladas passou por Macau na viagem de circum-navegaçao que estava efectuando sob o comando do Capitão António Aluízio Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto. Chegou a esta cidade a 7 de Agosto de 1910. Esteve depois estacionado em Hong Kong para proceder às reparações indispensáveis depois de um alonga viagem. Segundo O Capitão Pinto Basto, Hong Kong que estava a meio caminho da sua viagem, oferecia as melhores facilidades para as reparações (“ docas e oficinas e o pequeno custo da mão d´obra”)
(3) 01-08-1910 – A bordo do Cruzador «S. Gabriel», seguem vários indivíduos condenados a degredo, e o antigo farol de rotação da Fortaleza da Guia, que foi destinado ao Museu da Marinha.” (SILVA, Beatriz Basto da BBS Cronologia Vol. 4, 1997)
Os piratas sequestradores de Coloane, foram julgados em Novembro de 1910 e condenados a 20 anos de prisão em degredo.
A. J. Pinto Basto não refere no seu diário o transporte do antigo farol da Fortaleza mas assinala o seguinte:
Nos primeiros dias de setembro estive em Macau, a convite do governador, com quem visitei as novas e bem instaladas baterias de 15 cm Krupp, perto do farol da Guia , e o novo aparelho lenticular do mesmo farol illuminado actualmente por um candieiro de quatro torcidas. O farol antigo, o primeiro da costa da China, era também de rotação e movido por um machinismo de madeira muito curioso.”

Notícia publicada no jornal “Translation The Peking Gazette”, em inglês, (1) acerca do violento tufão que assolou Macau em 22 de Setembro de 1874.
Extraído de: “Translation The Peking Gazette” de 29 Novembro de 1874, pp. 128/129

Click to access pg-1874.pdf

The Portuguese Brig Concordia
carried inland on to a rice field in Macao during the ravaging Typhoon of 1874 (1)

O navio “Concórdia ”que estava ancorado no Porto Interior antes da passagem do Tufão de Setembro de 1874, foi encontrado numa várzea nos arredores de Macau.
Ver anteriores referências a este tufão:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
(1) POSTAL da “Union Postale Universelle” (The Hong Kong Pictorial Postcard Co. P. O. Box N.º 4.

Outra descrição do grande temporal que caiu sobre Macau no dia 5 de Setembro de 1738 (1)

Causou incalculáveis prejuízos, desfazendo completamente numerosíssimas embarcações chinesas e quebrando e desmantelando dôze navios que ali achavam ancorados. Pelos desastres e o mais que ocasionou, é considerado o maior de todos quantos têm assolado Macau”. (3)
(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/05/noticia-de-5-de-setembro-de-1738-outro-tufao/
(2) Ephemerides da Semana – Boletim do Governo de Macau XII-37, 10 de Setembro de 1866.
(3) CASTRO, A; CARDOSA,A – Uma Viagem Através das Colónias Portuguesas, 1926.
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/22/leitura-uma-viagem-atraves-das-colonias-portugue-sas/

Anúncios, em português, dos três barcos que faziam a ligação diária entre Macau e Hong Kong, em 1962. Exceptuando os barcos da «Companhia Nacional de Navegação», todas as ligações de Macau com o exterior eram feitas através de Hong Kong por estes três barcos. O preço era sensivelmente igual nos três barcos. O custo das passagens:
Cabines de 1.ª classe (singular) …  $ 20,00
Cabines de 1.ª classe (duplas) …… $ 15,00 (por pessoa)
Salão de 1.ª classe ………………… $ 8,00
Cabines de 2.ª classe (duplas) ……. $ 10,00 (por pessoa)
Salão de 2.ª classe ………………… $ 6,00

M. V. TAI LOY -大來 

Concluído em 16 de Setembro de 1948. Lançado à água em 20 de Outubro de 1949.
Navegou de 1950 a 1968, ano em que alterou o nome para “Chung Shan” e depois até 1978, com o nome de “Hong Xing 801” na China Continental.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tai-loy/

S. S. TAKSHING – 徳星

Construído na Doca de Taikoo (Hong Kong) em 1924, já efectuava a carreira nos finais de década de 40. Tinha o nome de “S.S.Sai On” (西安) e fazia a carreira Macau-Hong Kong antes da guerra. Foi atacado e rebocado para Hong Kong pelos japoneses em 19 de Agosto de 1943 (episódio relatado anteriormente com o nome de “Sean Maru”). Em 1945, voltou a denominar-se “Sai On” até 1950, quando a Companhia “Tai Hip Shipping C.º“, de Hong Kong, o comprou e lhe pôs o nome de “ S.S. Tak Shing”. Era um vapor de 1949 toneladas com dois (três ?) conveses, 225 pés de comprimento e 42 pés de boca. Em 1968, mudou de nome para “Tung Shan” e até ser desmantelado em Janeiro 1974.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/takshing/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/19/noticia-de-19-de-agosto-de-1943-episodio-relatado-por-um-militar-no-quartel-da-guia-aquando-do-assalto-ao-vapor-sai-on-ii/
NOTA: O “S.S. Takshing” foi também notícia em 1952, no dia 25 de Setembro, quando foi “capturado” pelos chineses comunistas perto da Ilha de Lafsami tendo os navios “HMS Mounts Bay” e “HMS Consort” da Marinha Inglesa aberto fogo e conseguido rebocar o navio para as águas territoriais inglesas.
Outra referência a este navio está no diário de Ian Fleming (1908-1964 ) autor dos livros de “James Bond”) que anotou o seguinte aquando da sua passagem por Macau em 1959:
“Richard Hughes and I took the S.S. Takshing, one of the three famous ferries that do the Macao run every day, These ferries are not the broken down, smokebillowing rattletraps engineered by whisky-sodden Scotsmen we see on the films, but commodious three-decker steamers run with workmanlike precision. The three hour trip through the islands anda cross Deep Bay, brown with the waters of Pearl River that more or less marks the boundary between the leased territories and Communist China, was beautiful and uneventful…. “

S. S. FAT SHAN – 佛山

Perdido (virou e afundou) no dia 17 de Agosto de 1971, aquando da passagem do Tufão Rose por Hong Kong (perdeu 88 dos 92 passageiros e tripulantes).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fat-shan-%E5%BD%BF%E5%B1%B1/

Já em 17 de Agosto de 2016, escrevi sobre o tufão «Rose» (1) que passou por Macau nesse mesmo dia de 1971, e embora não causasse muitos estragos em Macau (alguns estragos e inundações, tendo-se registado a rajada máxima de 130 Km/h“), ficou marcado pelo afundamento após se ter virado, em Hong Kong, na Ilha de Lantau, no dia 17 de Agosto, do barco «Fat Shan – 彿山» (2) que fazia a carreira Macau-Hong Kong. Das 92 pessoas a bordo somente sobreviveram quatro. (3)
O jornal australiano de 18 de Agosto, 1971 noticiava o seguinte:

Typhoon toll may top 100“.

«The Canberra Times». Australian Associated Press. August 18, 1971. p. 5.
http://trove.nla.gov.au/newspaper/article/110674269
O mesmo jornal do dia 21 de Agosto intitulava a sua coluna do correspondente de Hong Kong:

Typhoon takes nine more lives“.

«The Canberra Times». Australian Associated Press. August 21, 1971. p. 4.
http://trove.nla.gov.au/newspaper/article/110674834

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/17/noticia-de-17-de-agosto-de-1971-tufao-rose-e-navio-fat-shan-%E5%BD%BF%E5%B1%B1/ 
Typhoon Rose, known in the Philippines as Typhoon Uring, was the most violent and intense tropical cyclone to strike Hong Kong since Typhoon Wanda in 1962.
Formed:  August 9, 1971; Dissipated August 17, 1971; Fatalities: 134 total
Areas affected            : Philippines, Hong Kong, eastern China
https://en.wikipedia.org/wiki/Typhoon_Rose_(1971) 
“HONG KONG DISASTER: Every shipping man must be horrified to see such a picture -aftermath of Typhoon Rose which hit Hong Kong with ferocious violence in the early hours of 17th August. 62 lives lost: over 50 people missing: 313 injured: 1483 homeless: a multimillion fire in a main electrical installation causing a blackout throughout the whole of Kowloon and the New Territories: 37 ships aground: 52 boats sunk: the Macao ferry Fatshan capsized with loss of almost all hands: blocked roads, floods, fire and landslides: these are the facts which pinpoint the comparatively small-sized typhoon as the worst since 1957.”
http://www.varenisfijner.nl/PDF/RIL-Post/RIL%20Post%2018-09.pdf
(2) Documentado em video “彿山輪沉沒 Fat Shan Ferry sinking, 1971” em
The “Fat Shan”, a Hong Kong – Macau Ferry was sunk. Most of the deaths occurred on board the capsized “Fat Shan”. Of the 92 people on board, there were only four survivors.
https://www.youtube.com/watch?v=WKy3Rk7_e3A
(3) Ver um video do navio na década de 50 «五十年代香港、澳門、彿山輪 Hong Kong, Macau, Fat Shan Ferry 50’s»
https://www.youtube.com/watch?v=_MDh3czgZGs
Existe um memorial lembrando os mortos, na colina acima da praia onde se deu este trágico acidente.
https://gwulo.com/atom/14070 

«S. S. FAT SHAN» num anúncio em 1962

Antigamente, o aviso de aproximação dos tufões, aos habitantes e gentes do mar, era feito com hasteamento de bandeira e com tiros de canhão quando o ciclone caía sobre a cidade. Em 1898, a Repartição da Administração Marítima de Macau começou a adoptar as “Bandeiras do Código Internacional para as Letras”, (1) concebidas pelos Serviços Meteorológicos de Xangai, para informar os cidadãos da vinda e direcção dos tufões. O actual sistema de aviso por código de sinais numerados foi adoptado pela Capitania dos Portos de Macau em 1912, em consonância com os sistemas usados nas zonas costeiras da China e de Hong Kong.(2) 
Mas a adopção dum “signal para indicar a probabilidade de taes temporaes, com uma bandeira “toda branca com um quadrado vermelho no centro” acompanhado “com um tiro de peça”, já é de 1862, com a publicação do AVISO emitido pelo Conselho do Governo no Boletim Oficial de 16 de Agosto de 1862.
Extraído do «Boletim do Governo de Macao» VIII – n.º 37 de 16 de Agosto de 1862
(1)
(2) Retirado do Catálogo “Em Tempo de Tufões” do Instituto Cultural do Governo da RAEM., 2014.
Ver anteriores referências a sinais de tufão em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/