Archives for category: Tropos Usados na Gíria Chinesa

Kâu-T´ou-U狗肚魚  (1) – Peixe barriga de cão

É uma espécie de peixe de pequeno tamanho, aspecto repugnante e carne viscosa. Refere-se ao humor mucoso que sai das ventas de certos indivíduos porcos que não lavam a cara. (2)

Kàu-T´ou狗肚 (3) – Barriga de cão

Como os ventres dos cães são bojudos e sem gordura este termo foi adoptado para se referir a um indivíduo sem meios e sem carácter. (2)

Kei-Lim-T´ông忌廉筒  (4) – Rolos de créme

A palavra kei-lim é uma reprodução deturpada da palavra inglesa cream. O termo é empregado para se referir aos canudos de cabelos encaracolados do moderno penteado das raparigas chinesas. (2)

(1) 狗肚魚 – mandarim pīnyīn: gǒu dù yú; cantonense jyutping:gau2 tou5 jyu4

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», IV-19/20 de Março e Abril de 1952, p. 401.

(3) 狗肚 – mandarim pīnyīn: gǒu dù; cantonense jyutping: gau2 tou5

(4) 忌廉筒 – mandarim pīnyīn: jì lián tǒng, ; cantonense jyutping: gei6 lim4 tung2

NOTA de 01-05-2022: agradeço a seguinte informação dada por Isaías do Rosário, acerca do peixe “Kâu-T´ou-U – 狗肚魚,
O peixe “Kâu-T´ou-U – 狗肚魚” não existe, infelizmente, em Portugal.
Um dos meus pratos chineses favoritos é esse peixe frito, apenas com sal e malagueta – “chiu Im”.
O Peixe-pato de Bombaím, é originários dos mares tropicais do Indo-Pacífico e tem o nome científico de “Harpodon nehereus”.
A origem do nome do prato é oficialmente desconhecida, embora as histórias variem conforme a região. Alguns dizem que é depois da palavra hindi para correio, dak, devido ao odor pungente do prato, que lembra os vagões de madeira do trem postal de Bombaim. Outros afirmam que o termo peixe bummalo soava rude quando oferecido como uma refeição, então os vitorianos começaram a chamar a comida de um nome semelhante a Digchick, ou arenque seco. Outros nomes para a comida em várias regiões globais incluem bamaloh, loita, bombil e bumla.
Na ìndia portuguesa é conhecido por “Bombli”
“.

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KÂM – 柑 (1) – Tangerina

Este vocábulo quando figura na palavra composta Tch´iu-tchâu-kâm  (tangerina de Tchíu-Tchâu), cuja casa é grossa e muita enrugada, sendo empregada para se referir a um indivíduo cuja pele do rosto está muita engelhada ou bexigosa. (2)

KÂM KÊOK KÁP金脚甲 (3) – Unhas dos dedos do pé douradas

Tal termo não se aplica às unhas coloridamente polidas das modernas raparigas chinesas que fazem pédicure mas às unhas dos pés dos lavradores que estão sempre incrustadas de terra amarela, por andarem a trabalhar constantemente pelos campos. (2)

KÂM LIN金蓮 (4) – Lírios dourados

A originalidade deste poético termo, que se refere aos atrofiados pés das antigas mulheres chinesas, deve-se ao imperador Tông Fân Hau (499-501 AD) que, cheio de admiração pela sua concubina P´án Fêi que estava dançando sobre lírios, exclamou entusiasmado “Cada passo seu faz nascer um lírio”. (2)

(1) mandarim pīnyīn: gān ; cantonense jyutping: gam1

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», IV-19/20 de Março e Abril de 1952, p.400.

(3) 脚甲mandarim pīnyīn: jīn jiǎo jiǎ; cantonense jyutping: gam1 goek3 gaap3

(4) mandarim pīnyīn: jīn lián; cantonense jyutping: gam1 lin4

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Ü PÉI UÀN T´ÂN  魚皮雲吞 (1) –Raviois de pele de peixe

Este termo emprega-se para se referir ao indivíduo que está sempre a intrujar os outros, para que o convidem a comer de graça. A massa que envolve os peixes destes revióis é um tanto rija. Por isso este termo emprega-se também para se referir a um indivíduo difícil de ser burlado.(2)

Ü T´OU魚肚 (3) – Barriga de peixe

Significa literalmente “barriga ou buxo de peixe” e em calão quer dizer um edredão (2)

UÂN UÓNG Ü搵黃魚 (4) – Buscar peixe amarelo

Literalmente, significa “buscar peixe amarelo”, mas na gíria, quer dizer, tomar um indivíduo por parvo, logrando-o ou burlando-o. (2)

(1) –雲吞mandarim pīnyīn: yú pí yún tūn; cantonense jyutping: jyu4  pei4  wan4 tan1

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p.149.

(3) mandarim pīnyīn: yú dù; cantonense jyutping: jyu4 tou5

(4) 搵 mandarim pīnyīn: wèn huáng yú ; cantonense jyutping: wan2 wong4 jyu4

T´ÜN K´ÜT UÓ TCH´ÔNG斷橛禾虫 (1) – Bocados de larvas dos arrozais

Uma donzela formosa na expressão do seu rosto mas de físico mal conformado e achaparrado é comparada a um bocado de uma larva dos arrozais porque sendo este bicho já pequeno, quando o seu corpo fica dividido embocados, estes serão forçosamente de tamanho insignificante.

Estas larvas de arroz, parecidas com minhocas, depois de preparadas com vários condimentos, são comidas pelos chineses na época da recolha; isto é, na estação da ceifa. Quando partidas ao meio é impossível juntar-se as duas partes em consequência da extrema vitalidade que possuem esses bichos e também pelo facto de serem extremamente escorregadios. Por isso, ao indivíduo que fale ou escreva, desorientadamente, coisas sem pés nem cabeça, isto é, sem nexo nem ligação entre si, se pode aplicar esta frase.(2)

禾虫He Chong, Fujian Fuzhou called flow trilobata, scientific name warts kiss Nereis, is annelids , polychaetes , are aquatic animals , shaped like a long centipede. The mid-autumn festival is the breeding season for the insects. The insects will emerge from the mud in the middle of the night. At this time, the insects (lime) are mature and very plump. The protein content of grass insects is very rich.”

https://baike.baidu.com/item/%E7%A6%BE%E8%99%AB/5874111

TCHÔK TCHEK ÁP竹織鴨 (3) – Pato tecido com bambu

Para os chineses a sede do pensamento encontra-se no coração. Como os patos que se fazem com hastilhas de bambu tecidas e se destinam a servir de brinquedos às crianças não têm coração, este termo é empregado para se referir a um indivíduo desmemoriado que anda sempre com a cabeça no ar. O tchôk-tchek-áp é também o nome dum petisco chinês constituído por um pato com recheio. Para se rechear o pato, desventra-se, completamente, o animal e, para que não perca a forma natural, pois são-lhe extraídos todos os ossos, introduz-se-lhe no interior um esqueleto artificial tecido com hastilhas de bambu.(2)

(1) –斷橛禾虫 mandarim pīnyīn: duàn jué hé chóng,; cantonense jyutping: dyun3 kyut3 wo4 cung4

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 144 e 148

(3) 竹織 mandarim pīnyīn: zhú  zhī yā; cantonense jyutping: zuk1 zik1 aap3

T´ÓNG PÁK LÂT糖不甩 (1) – Doce que não descola

É o nome dum rebuçado feto com melaço e amendoim torrado e revestido de gergelim. As pessoas que se tornam imediatamente íntimas dos indivíduos que lhes são pela primeira vez apresentados, dando-se ares de grande familiaridade, são comparadas a estes rebuçados que têm por característica principal o serem muito pegajosos.

T´ÓNG TCH´I TÂU糖黏豆 (2) – Feijão com açúcar pegajoso

Emprega-separa se referir a dois amigos muito íntimos.

T´ÓNG TCH´Í TÂU  糖黐豆 (3) – Tortas pegajosas de feijão e melaço

É o termo empregado para se referir aqueles que se tornam muito íntimos das pessoas que mal acabam de conhecer.

(1) –糖不甩mandarim pīnyīn: táng bù shuǎi;  cantonense jyutping: tong2 bat1 lat1

(2) – 糖黏豆 – mandarim pīnyīn:  táng  nián   dòu; cantonense jyutping: tong2 nim2 dau2

(3) – 糖黐豆mandarim pīnyīn: táng chī  dòucantonense jyutping: tong2 ci1 dau2

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 147-148.

TIN TÂNG TÁM電燈胆 (1) – Lâmpada eléctrica

Na gíria cantonense diz-se que um indivíduo é t´ông-hei (que deixa passar o ar), quando o mesmo for condescendente e oportunamente discreto. Porém, como o interior duma lâmpada eléctrica é um vácuo não tendo, por isso, ar, o nome de tin-tâng-tám costuma ser aplicado ao indivíduo indiscreto ou ao importuno que estorva um par de apaixonados que se encontra entretido no seu idílio amoroso. Pode também ser usado para significar um indivíduo indolente e sem vitalidade ou energia, que brilha no entanto, neste mundo, não obstante a sua insignificância e mediocridade, devido à protecção que lhe dispensam os seus padrinhos.

TÔNG-SÂN TCH´ÁU NGÂU-IÔK冬笱炒牛肉 (2) – Carne de vaca com rebentos de bambu

É um prato de carne de vaca, preparada com rebentos de bambu. Este termo é empregado para se referir à conquista de criadas de servir ainda não casadas.

TCHU HUT T´ONG豬血湯 (3) – Caldo de sangue de porco

Este termo figura na frase sek chu- ó hut -hâk-si 食豬血疴黑屎 (quem come sangue de porco  dejecta excremento negro) (3) que é empregada para dizer que uma obra foi imediatamente realizada , quando ainda mal planeada.

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

(1)電燈胆mandarim pīnyīn: diàn deng dǎn; cantonense jyutping: din6 dang1 daam2

(2) 冬笱炒牛肉mandarim pīnyīn: dōng gǒu chǎo niú ròu; cantonense jyutping: dung1 gau2 caau2 ngau4 juk6

(3) 豬血湯mandarim pīnyīn: zhū xiě tāng; cantonense jyutping: zyu1 hyut3 tong 1

(4) 食豬血疴黑屎mandarim pīnyīn: shí zhū xiě  kē hēi, xī; cantonense jyutping: sik6 zyu1 hyut3 o1 haak1 si2

TCHÔNG UÀN KÂI春瘟鷄 (1) – Galinha empestada

As galinhas que se encontram neste estado andam sem tino, tropeçando e indo de encontro aos objectos como se não pudessem ver. Este termo aplica-se, geralmente, às pessoas que fazem as coisas com hesitação ou que tentam vários expedientes para poderem conseguir o seu fim

TCH`UN AP全鴨 (2) – Pato inteiro

É um prato que se serve nos grandes banquetes chineses, em que este palmípede é apresentado inteirinho, sendo recheado com cevada, ginçó e sementes de loto. Este termo é empregado para dizer que não há negócio.

TENG TCHI HÁI頂趾鞋 (3) – Calçado que aperta os dedos do pé

Os chineses comparam a desgraça de terem de aturar um mau filho ou uma má mulher a um calçado que magoa os pés, pois, assim como um indivíduo se vai acostumando a um calçado apertado também vai habituando a aturar um mau filho ou uma má mulher

(1) 春瘟鷄mandarim pīnyīn: chūn wēn jī ; cantonense jyutping: ceon1 wan1  gai1

(2) 全鴨mandarim pīnyīn: quán yā; cantonense jyutping: cyun4 aap3,

(3) 頂趾鞋mandarim pīnyīn: dǐng  zhǐ  xié; cantonense jyutping: deng2  zi2   haai4

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 144-145.

TCHÜ IÀU PÁU猪 油 飽 (1) – Bolos de banha de porco

São os bolos feitos com uma massa de farinha branca recheados com carne e passados com banha de porco, sendo por este motivo muito lustrosos Esses bolos são servidos nos tch´á lâu 茶樓   (2) (casas de chá) constituindo uma verdadeira tentação para os glutões nativos. É por este motivo que tal termo é empregado para se referir às exageradas saliências do peito das raparigas que, no verão, andam pelas ruas , envergando apenas uma fina e lustrosa cabaia preta.

TCHÜ NÁ MEI猪 乸 尾 (3) – Rabo de porco

Existe na cozinha chinesa um petisco feito com rabo de porco e amendoim. Este termo é, porém, empregado para se referir a um indivíduo que anda sempre apegado à mulher.

TCHÜ T´AU KUÂT猪 頭 頭 (4) – Ossos da cabeça de porco

Roer os ossos duma cabeça de porco é frase que os chineses empregam para dizer que um indivíduo, não obstante o pequeno salário que recebe, é obrigado a trabalhar que nem um escravo.

TCHÜ TCHÔI猪 咀 (5) – Focinho de porco

Este termo é empregado para se referir, depreciativamente, aos lábios mal conformados e afilados de um indivíduo.

(1) 猪油飽 mandarim pīnyīn: zhū yóu bǎo; cantonense jyutping: zyu1 jau4 baau2

(2) mandarim pīnyīn: chá lóu; cantonense jyutping: caa4 lau4

(3) 猪乸尾 mandarim pīnyīn: zhū nǎ wěi; cantonense jyutping: zyu1 naa2 mei5

(4) 猪頭頭 mandarim pīnyīn: zhū tóu gǔ,; cantonense jyutping: zyu1 tau4 gwat1

(5) 猪咀 – mandarim pīnyīn: zhū jǔ; cantonense jyutping: zyu1 zeoi2

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

TCH´OU KU LÂM䓍菰冧  (1)  –   Cogumelo

É um termo vulgar que se emprega para designar o órgão genital das criancinhas do sexo masculino

TCH´OU P´ENG醋瓶 (2) – Frasco de vinagre

É termo que se emprega para se referir a um indivíduo invejoso e ciumento, pois o seu corpo é comparado a um frasco de vinagre, supondo-se que nele circula este líquido ácido em vez de sangue.

TCH´OU TCHÜ 槽猪 (3) – Porco alimentado a farelo

Este termo é usado para se referir a um dorminhoco.

(1)    –  mandarim pīnyīn: hǎn gū lin ; cantonense jyutping:  ?   gu1 lam1

(2) 醋瓶 mandarim pīnyīn: cù píng; cantonense jyutping cou3 peng4

(3) 槽猪mandarim pīnyīn: cáo zhū; – cantonense jyutping: cou4 zyu1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

TÁN FÁ T´ÓNG – 蛋花湯 (1) – Calda de ovos

Pelo facto deste caldo não conter pedaços de carne, o termo tán fá t´ông é empregado para se referir a um indivíduo balofo que não tem cultura nem conhecimentos

TÁN TÁT – 蛋撻 (2) – Pasteis de nata

Os janotas que se vestem à europeia e no rigor da moda mas exageradamente são comparados aos pastéis de nata.

TÁN LIU T´ÔNG POU – 單料銅㷛 (3) – Caçarola de cobre de uma só chapa

As caçarolas feitas com uma chapa de cobre delgada embora fervam rapidamente a água são no entanto mais frágeis que as de chapa reforçada, isto é, as séong liu t´ông pou 雙料銅㷛. (4) Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que facilmente se torna íntimo dos outros mas cuja amizade não é resistente, estalando logo que surja a mais pequena contrariedade.

(1) 蛋花湯 mandarim pīnyīn: dàn huā tāng  ;  cantonense jyutping: daan2 faa1 tong1 (2) 蛋撻 – mandarim pīnyīn: dàn tà;  cantonense jyutping: daan2 taat3 (3) 單料銅㷛mandarim pīnyīn: dān liào tóng bou ;  cantonense jyutping: daan1 liu2 tung4 bou1 (4) 雙料銅㷛 – mandarim pīnyīn: shuāng liào tóng bou ;  cantonense jyutping: soeng1liu2 tung4 bou1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 136