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Extraído de «Boletim do Governo de Macau», VI- 17 de 31 de Março de 1860, p. 68

ANTÓNIO Feliciano MARQUES PEREIRA (1839-1881), jornalista e de folhetinista, veio para Macau em 1859. Casou em Macau (na igreja de S. Lourenço), no dia 8 de Janeiro de 1861, com Belarmina Inocência de Miranda, filha de António José Maria de Miranda, nome marcante na governação do Território neste período. É autor de uma série de “romances de acção contemporânea” publicados em vários números do Boletim do Governo de Macau (e depois publicados em separado com a denominação geral de “Esboços e Perfis”), e das “Efemérides Comemorativas a História de Macau” que foram apresentadas ao longo de vários números do Boletim e depois reunidas e publicadas em livro “Ephemerides commemorativas da história de Macau e das relações da China com os povos christãos”. (1) Ligado à publicação do semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo (Daxiyangguo 大西洋國)», de 1863 a 1866.

Além de outros cargos públicos foi Superintendente da Emigração Chinesa (1860-1865) (2); Procurador dos Negócios Sínicos, (1865 – 1868) (3); capitão da 1.ª Companhia do Batalhão Nacional de Macau (4); secretário da Missão Diplomática à Corte de Pekim nomeado pela Portaria de 15 de Abril de 1862 e exonerado a 11 de Setembro de 1862 (ordem n.º 34) de «BGMVIII», n.º 41 de 13 de Setembro de 1862, p. 164.

Depois da sua saída de Macau, António Feliciano Marques Pereira ocupou o posto de cônsul de Portugal no Sião (Janeiro de 1875) e Singapura (1876). Em Abril de 1881 embarcou para Bombaim, a fim de exercer as funções de cônsul-geral de Portugal na Índia Britânica, onde faleceu no dia 11 de Setembro desse ano.

NOTA: Sugiro a leitura da biografia mais pormenorizada de António Marques Pereira, publicado por António Aresta, recentemente na página 13 do «Jornal Tribuna de Macau», de 24 de Março, a evocação de «António Marques Pereira, o fundador da macaulogia» – https://jtm.com.mo/record/2021/03Mar/24-03-2021.pdf

(1) Acção filantrópica: 14-08-1868 – Doou a quantia de 104 patacas produto da publicação do livro “Ephemerides commemorativas da história de Macau e das relações da China com os povos christãos” à Santa Casa da Misericórdia

(2) Elaborou um relatório sobre a emigração chinesa a partir do porto de Macau. “Relatório da Emigração Chinesa em Macau”, que entregou ao governador em 31 de Julho de 1861 e é hoje considerado um texto fundamental no estudo da questão dos cules. Tem outro livro de interesse “As Alfândegas Chinesas de Macau. Análise do Parecer da Junta Consultiva do Ultramar Sobre Este Objecto” publicado em 1870.

(3) Elaborou o “Relatório acerca das atribuições da Procuratura dos Negócios Sínicos da Cidade de Macau”, dirigido ao Governador. Depois publicado em 1867 pela Typografia de J. da Silva.

(4) 9-01-1869 – Ordem n.º 16 – Nomeado capitão da 1.ª companhia do Batalhão Nacional de Macau («BPMT»,  XV n.º2 de 11 de Janeiro de 1869, p. 6

Anteriores referências neste blogue, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-feliciano-marques-pereira/

MACAO

An alien city rimmed by shallow seas
And purple islands, as the world extreme;
A siren of indolence and ease
Where men live at peace and poets dream
 
Clouds pass, men come and go, the seasons change,
But time moves on, although the clocks pretend,
Her beauty is familiar and strange …
Who, knowing her, shall not proclaim her friend?
 
I shall remember many of her way:
The signbords swingind in the autumn gales,
And on her inlets and tourquoise bays
The idle junks with safron coloured sails.

The yellow hour of twilight that recedes
The darkness burning with unnumbered stars
Dice rolling and men counting little beads,
The show sad songs girls sing to their  guitars.
 
A child cuts firewood in a coblet street
A crowd collects to watch two cricketsfight,
A city sonolent with nooday heat,
Transformed and shadowed with romance by night.
 
These memories and many others such
I shall retain; and underneath their charm
One of a woman I loved too much
And pray  that none may ever come to harm.
                                          Gerald Jollye
 

A baía da Praia Grande, a Igreja da Penha e o Hotel “Boa Vista”
 

Gerard Humphrey Jollye (1921-1950) Como militar britânico, no 1.º Batalhão no Norte de África foi ferido e como membro do Serviço Civil Malaio, morto aos 29 anos de idade, pelos comunistas na insurreição comunista na Malásia, numa emboscada perto de Malaca em 13 de Dezembro de 1950. Esteve em Macau (década de trinta- século XX) como cadete militar, a estudar chinês, hospedado no hotel «Boa Vista»
O Hotel «Boa Vista» que foi comprado em 1932 por Ieong Pat por 55 mil patacas, mas pouco durou como hotel pois em 1934, com um contrato de três anos (1934-1937) esteve alugado ao governo inglês para alojamento dos cadetes dos Serviços de Administração Civil Britânica, que vinham estudar chinês em Macau antes de entrarem no serviço administrativo. Com a invasão da China pelos japoneses, os cadetes regressaram a Hong Kong em 1936.
Segundo Padre Teixeira, «ouve vários romances entre os jovens cadetes e as jovens de Macau mas, como era vedado o casamento, vários corações ficaram partidos na hora da despedida» (1)
Relação dos funcionários ingleses pelo “Indian Office”, publicada no “The London Gazette”, Issue 35279,  19-09-1941 onde consta o nome de “Pte Gerard Humphrey Jollye”

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997