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Extraído de «TSYK»,  III-22 de 1 de Março de 1866, p. 96.

NOTA 1: O 2.º tenente da armada (cavaleiro da Torre e Espada) António José Caminha era, nesse ano, o comandante da Lorcha Amazona.

NOTA 2: Ilha de Machau – 孖洲, está localizada a sul da Ilha de Lantau, pertencendo ao  denominado “Soko Islands”, administrada pela R.A.E. de Hong Kong e  é inabitada.

Pormenor de mapa de Hong Kong, retirada de http://www.chinatouradvisors.com/maps/Hong-Kong-Lantau-Island-Map.

Extraído de «O MACAENSE»,  I-1, 28FEV1882 p .4

Sapatião (chinês: siáu-tíng) – barco pequeno e ligeiro da China (DALGADO, Sebastião Rodolpho- Glossário luso-asiático)

Tancá – pequena embarcação chinesa a remos, geralmente tripuladas por mulheres (tancareiras) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tancares

Notícia da noite de 25 para 26 de Outubro de 1872, publicada na «Gazeta de Macau e Timor» (1)

“PIRATAS – Na noite de 25 para 26, foi assaltada pelos piratas uma botica de opo cozido na ilha da Lapa; roubaram opio e outros objectos no valor aproximadamente de $400. Accudiu aos gritos de socorro, uma força de escuna Príncipe D. Carlos, commandada pelo zeloso guarda marinha Fonseca Regala, a qual não conseguiu prender os piratas, pois que, como é costume entre os chinas, os gritos de socorro são dados, sempre depois da retirada d´aquelles.”

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I-6 de 29 de Outubro de 1872, p. 3

Notícia extraída de «Gazeta de Macau e Timor» (1) sobre mais uma expedição do comandante Tassara contra os piratas.

PIRATAS. – A requisição do capitão Tassara, comandante militar da Taipa e Colovam, marchou na madrugada de 10 de corrente, uma força do batalhão de linha, da corveta Duque de Palmella e da canhoneira Camões, em perseguição de três sapatiões tripulados por perto de cem piratas, que na tarde de 9 tinham vindo acoutar-se na Ribeira da Prata. (2) Parece que fugindo da costa d´oeste, onde foram ocupados por tropas mandarinas ás quaes resistiram causando-lhe algumas perdas, vinham procurar nas proximidades de Macau, novo teatro para as suas proesas. A força, comandada pelo capitão Tassara desembarcou ao sul da ilha Montanha não encontrando vestígio algum de pirata. Sobe-se ali que na véspera á noite, eles se tinham retirado, e que provavelmente estariam ou em “Apomi” ou em Von-came.(3)  O estado da maré e a difficuldade da marcha por terra, não permitiam a ida a Von-came, em vista do que a força se dirigiu a “Apomi”, onde igualmente não teve noticias dos criminosos. Ás 7 horas da tarde recolheu a Macau depois de um dia de improbo trabalho sem resultado aparente. Nós julgamos que embora estas expedições não cheguem em geral a conseguir o seu fim tem comtudo a vantagem de afastar das proximidades de Macau, os malfeitores. Seria útil que as lanchas a vapor fizessem cruzeiros uma ou duas vezes por semana, o que talvez viesse a dispensar expedições como a ultima.”

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I-4 de 15 de Outubro de 1872, p. 4

(2) Ribeira da Prata na Ilha de D. João.

(3) llha da Montanha ou Tai Vong Cam

Episódio relatado no «Boletim do Governo de Macau», já postado em 6 de Maio de 2018, (1) , agora segundo o jornal australiano “The Mercury” (2)

PIRATICAL ATTEMPT TO CAPTURE THE STEAMER IRON PRINCE. We extract from the “China Mail,” of 8th May, the ‘ ‘following account of a desperate piratical attempt to capture “the Iron Prince”, a screw steamer, formerly employed in the colonial trade. “The Iron Prince”, screw passenger steamer, of 203 tons, and 35-horse-power, with a crew of fifteen and thirty-one passengers, carrying also in addition to two boxes of specie, sixty eases of opium, the latter being worth over 40,000 dollars, left Hong Kong as usual on the 6th May, for Macao, a distance of over forty miles. After starting, the captain, remarking  that some of the Chinese passengers had come with him on the steamer’s previous voyage from Macao, took the fire caution of taking six of the twelve muskets that were in his cabin in the centre of the ship to the small after cabin on the starboard side, and mentioned his suspicion that all was not right to the mate. In this after-cabin, where there were previously six muskets, he loaded the six which he had taken from his own cabin. There was also in the cabin a loaded five-barrelled Deane’s revolver and he had about his person a small five-barrelled loaded revolver. He had the sense to take all ammunition and caps out of his own cabin. Of 31 passengers 26 were Chinese, including  1 woman ; tlie rest, consisting of a French doctor, a Mr. Hyeem, one Parsee, one Jew, and one Irish lady (a Mrs Dunn), who arrived at Hong Kong from Singapore on Tuesday, and was going to join her husband at Macao. Of the crew of 16, including the captain, 8 were Chinese, the rest being the captain, (na Englishman), the mate (Portuguese), and the engineer (Moorman), I Lascar, 1 Malay, 1 Moorman, and 2 Munilmen.  After passing the ” Brothers,” nearly midway to Macao, the captain finding some of the passengers required luncheon, sat down about two o’clock by himself – in the small saloon in front of his cabin. Just as he was the act of commenoing his tiffin, ,he noticed some of the Chinese passengers looking in at each of the two  doors. He immediately jumped up, and told his boy to bring his lunch after, and drew the attention of the mate to two Chinese junks near at hand, which apparently had  no decided course, and were crowded. In about a quarter, of an hour a third junk appeared, when suddenly a yell was given, stinkpots wore thrown Into the captain’s cabin and engine house, and the attack commenced. The first thing the captain did was to call all the crew and passengers aft. In less than a minute the engineer was shot through the right arm, the mate stabbed near the captain’s cabin door and disabled, one of the Manila crew killed and thrown overboard by the pirates. Mrs. Dunn, while rushing from the captain’s cabin aft, was wounded about the neck and shoulders, and the Lascar was killed when in the act of getting a musket from the cabin. The captain, while in the act of preparing for defence, In the after-cabin, received likewise a slight sword cut across the forehead and fingers. At this stage, the captain shot dead the man who struck him, and likewise in the buck the two men whom the pirates lind plnceil, one after the other at the wheel, to clinnge the steamer’s course. ………………………Continued

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1862-assalto-ao-vapor-ingles-iron-prince/

(2) “The Mercury” (2) (Hobart, Tasmania 1860-1954) no dia 29 Julho de 1862 p. 4

https://trove.nla.gov.au/newspaper/article/8809139

NOTA: este mesmo episódio “PIRATICAL ATTEMPT TO CAPTURE THE STEAMER IRON PRINCE” também está relatado em «The Sydney Morning Herald» (NSW : 1842 – 1954), 18 de Julho de 1862,  p. 5, consultável (com melhor grafia)  em: https://trove.nla.gov.au/newspaper/article/13231534

Extraído do «Boletim da Província de Macau e Timor», XIV-13 de 20 de Janeiro de 1868
Anteriores referências à Canhoneira Camões em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-camoes/

Extraído de “A Aurora Macaense” I-1, 14 de Janeiro de 1843.

Logo que chegou a Hong Kong a notícia da Escuna Portugueza Aurora ter-se naufragado na vizinhança de Ping-hoy, e sido roubada por piratas, S. Exa. o Vice-Almirante Austen despachou na mesma noite o Vapor de Guerra Sphinx, Capitão Shadwell, para salvar a Escuna e restaurar alguma propriedade, o Vapor chegou ao lugar do desastre na manhã do dia Sábbado, e encontrou a Escuna tão encalhada e roubada, com falta já de algum madeiramento, que a despeza para o desencalhar seria maior que ao seu valor; o Mandarim do Districto ofereceu todos os meios de poder descobrir os ladrões, entregando três peças que lhe pertenciam, nada mais se pôde conseguiu, e o Vapor voltou na manhã de 28. Consta que as Authoridades do Districto tratarão com bondade os náufragos e lhes offerecerão meios de transportarem-se  para Hong Kong,
Extraído de «BGPMTS», VII-2 de 10 de Janeiro de 1852.

Publicado na imprensa estrangeira no dia 20 de Novembro de 1916, um artigo intitulado «MACAO – MONTE CARLO OF THE ORIENT» (1) 

MACAO – «MONTE CARLO OF THE I ORIENT»
FLOURISHING FANTAN MONOPOLY
AMONGST THE CELESTIAL ADVENTURERS.

“In my China paper the following brief telegram, headed “Macao,” takes the eye:
Eleven lenders have been received for the fantan gambling monopoly for a period of five years, dating from the expiry of the present monopoly on June 30, 1917, of which six are for over 1,000,000 a year. The highjest is $1,266.660, and the lowest $610,000 a year, as compared with the present payment of $603,000 per annum.
Evidently the fantan business flourishes at Macao. But what is Macao, and what is fantan? Those who love a resounding label speak of Macao as the Monte Carlo of the Orient. M. Blanc will not he flattered, and he who has not set eyes upon Macao will not be illuminated.
Macao is to Hong Kong as Margate to London, says H. Sachen in the “Manchester Guardian.” It is some forty miles away, and a trifle further from Canton. On Sundays you may make the return trip in a day.
The river steamers are capacious and comfortable. You can eat as well aboard them as ashore, with the same excellent service of Chinese “boys”— surely the best in the world except the almost extinct old-fashioned English waiter, — and if you travel by night you may get a cabin which the P. and O. would not despise. And there are suggestions of romance. On the top deck the pilot’s quarters are walled off with steel bars, and two armed sentries tramp up and down.
The West River and the Canton River swarm with pirates—there are those who say that every dweller jby the river is a pirate when his other business is slack—and one of their pleasant devices is to come aboard as passengers and seize the ship.
I have heard British skippers —most of the ships in Chinese waters are officered by Britons —prefer the room of the armed guards imposed upon them by the Hongkong Government to their company. Down below, where the Chinese are gatherled, there are more sentries. Here .the Chinese lie with their copious belongings, packed, odorous, but well mannered. It is not odours alone you may find there. In Chinese towns there is usually some epidemic  disease. When I came back from Canton we had smallpox aboard, and I in the season you may have plague. The Chinese take such things calmly. They will use as a pillow the body of a fellow-passenger dead of plague…”          (continua…)
(1) « The Sun» Volume III, Issue 867
https://paperspast.natlib.govt.nz/newspapers/SUNCH19161120.2.45
«The Sun» jornal neozelandês sediado em Christchurch, iniciou-se em Fevereiro de 1914 e terminou em 1935 – fusão com outro jornal da mesma cidade e depois em Auckland de 1927 a 1930.
https://paperspast.natlib.govt.nz/newspapers/sun

DIÁLOGO ENTRE JOSÉ FAGOTE E PANCHA GUDUM, AMBOS VELHOS

FAGOTE
Bons dias senhora Pancha!
Minha musa encantadora!
Quer bocê casar comigo?
Diga já, já, sem demora!

PANCHA
Cusa? Sium na sium sua terra
Sã assim pidi cazá?
Ung-a ome assim vêlo
Inda num sabe falá.

FAGOTE
Oh2 Minha querida flôr,
Não se zangue por tão pouco!
Dê-me essa mão de esposa,
Quando não eu mouro louco!

PANCHA
Tirá mão daqui galego!
Vai casá cô moça, moça!
Nom basta vêlo franzido
E sem sápeca na borça.

FAGOTE
Eu já sei que não és moça,
És uma velha coruja!
Com os cabelos já brancos,
E com a bôca toda suja!

PANCHA
Sai! Lagarto sem vergonha!
Já depressa vai s´imbora!
Si non quero eu logo
Fazê corê com vaçora!.

FAGOTE
Boça mercê não me insulte!
Tome cuidado comigo!
Nunca vi uma pantera
Com tanta sanha consigo!

PANCHA
Azinha trezé vaçóra!
Dáli, pinchá na rua
Para este porco sem vergonha,
Déçá ele mulá com chúa!

FAGOTE
Oh! Não, não, eu já me vou!
Nada faço com esta gente.
Que um raio abraza esta casa
Junto com esta serpente!.

José Baptista de Miranda e Lima (1)

(1) José Baptista de Miranda e Lima (Macau, na rua hoje chamada Central, 10-11-1782- Macau na mesma casa, 22-01.1848; sepultado no Cemitério de S. Paulo), benemérito da instrução e hábil educador, se não foi o primeiro, tornou-se seguramente o mais importante poeta macaense (compunha em português e em patuá num estilo marcado pela literatura neoclássica). Professor régio desde 1804, até a sua morte da cadeira de Gramática Latina e de Português no Real Colégio de S. José, de Macau. José Baptista de Miranda e Lima era grande adepto de Miguel de Arriaga Brum da Silveira (a quem dedicou em 1810 uma poesia cantando as virtudes deste ao vencer o pirata Cam Pau Sai), e em 1822, dirigiu em nome dos constitucionais de Macau uma representação ao Rei e à Cortes, declarou-se a favor do novo rei D. Miguel, em 1829 e por isso foi suspenso do seu lugar de professor. Foi reintegrado, anos mais tarde.
Filho de José dos Santos Baptista e Lima, (natural de Lila de Alpedriz-Leiria, veio para Macau onde casou em 23 de Janeiro de 1782, grande educador e professor régio das línguas portuguesa e latina em 1775 – primeira cadeira de Instrucção publica criada em Macau depois da reforma de Estudos pelo Ministério Pombalino.
Família de beneméritos da instrução já que a sua irmã Maria Izabel Baptista de Miranda e Lima (1785-????) foi Mestra de Escola Publica de Caridade desta cidade-para os Bairros da Sé e Santo António.(2)
(1) Poéma retirado de REIS, João C. – Trovas Macaenses. Mar-Oceano Editora, Macau, 1992, 485 p.
(2) «MBI» I.6 de 31 de Outubro de 1950.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-baptista-de-miranda-e-lima/