Archives for category: Monarcas e Presidentes da República

Luís Gonzaga Gomes (1) apresenta a sua tradução dos 18 exemplos da Piedade Filial do “Clássico da Piedade Filial” (2) e dos “24 Exemplos da Piedade Filial” (3)
A cada exemplo o autor acrescentou a tradução de uma quadra pentâmetra de desconhecido autor e tal como aparece em certas edições chinesas.
PREFÁCIO
“Na China antiga, poucas eram as obras que podiam rivalizar em popularidade com o “Clássico da Piedade Filial” e, não gozava de menos estima dos leitores nativos, uma outra obra referente ao mesmo assunto, intitulada os “Vinte e Quatro Exemplos da Piedade Filial”.
Assim como se não é possível encontrar nas outras línguas têrmo que exprima o exacto significado da nossa palavra saudade também se não é possível abranger, em língua europeia, numa só palavra, a idea de todos os sentimentos e obrigações inerentes ao vocábulo háu (4) que os mais autorizados sinólogos convieram em traduzir por piedade filial.
Esta piedade não exprime nem dó, nem pena, nem tão pouco o amor às cousas religiosas, mas a devoção do filho para com os seus progenitores no sentido de veneração, à qual estão ligados os sentimentos de profundo respeito, de íntima dedicação, de acendrado afecto, de cega obediência, de completa submissão e de um amor capaz de o levar a sacrifícios dos mais estoicos como o de se oferecer para ser executado no lugar dum pai condenado à pena capital, ou o de talhar pedaços da carne do seu próprio corpo para, depois de cozinhados, serem ingeridos por um pai ou uma mai que se encontre doente e em perigo de vida.”

Exemplar que acusa algum uso, com rasgões (com fita-cola) e perda de papel  na capa

(1) GOMES, L. G. – A Piedade Filial. Macau 1944,39 p., 25,8 cm x 18,5 cm.
Sobre Luís G. Gomes há muita informação disponível na net. No meu blogue ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-gomes/
(2) “Atribuído a Tchâng Tch´ám曾参 (505-437 A. C.) (5) um dos mais célebres discípulos de Confúcio. Julga-se também ter sido ele quem redigiu o Tái – Hók 大學 (O Grande Estudo), o segundo da mais importante obra da literatura chinesa conhecida por Si-Su 四書 (Os Quatro Livros). O texto do “Clássico da Piedade Filial” conseguiu chegar até aos nossos dias, graças ao imperador Mêng Uóng 明 皇 (685-762 A. D.) (6) que curou de o mandar gravar em lápides de pedra, na sua capital, em Tch´eong-On, 長 安 situada na actual província de Sán-Sâi 山西 (Shansi), (7) conjuntamente com um comentário da sua autoria, bem como mais onze escritos atribuídos a Confúcio. É desse valioso comentário que os parafrastes posteriores se têm socorrido para elaborarem os seus estudos sobre as passagens mais obscuras.
O preclaro imperador Hóng Hêi (1662-1723 A. D.) (8), dinastia Tch´êng, considerava tão importante a doutrina expendida no “Clássico da Piedade Filial” que fêz publicar um comentário seu à obra. (Prefácio do livro) (1)
(3) “Vinte e Quatro Exemplos da Piedade Filial”  é obra anónima, talvez escrita  durante a dinastia Mêng 明 (1368-1644 A. D.). (9) “Não é destituída de interesse, pois prende pela sua concisa exposição derivada da própria índole do terso estilo arcaico em que se encontra escrito e pela ingenuidade dos exemplos escolhidos. Esta obra é constituída por uma colecção de modelares actos de piedade filial praticados +pelas grandes celebridades que viveram nas remotas dinastias de Tch´âu, Tchân, Hón, T´õng e Sông.“ (Prefácio do livro) (1)
(4)  mandarim pīnyīn: xiào; cantonense jyutping: haau3
Zeng Shen , também conhecido como Zengzi, Mestre Zeng Tsang, Tsengtzu,, Tseng Tsu,

(5) Nascido Zeng Shen – 曾参 depois conhecido como Zengzi (Tsang) 曾子 (505-437 ou 436 A. C). Filósofo e um dos discípulos de Confúcio

 

 

Tang Xuanzong  – 唐玄宗 – Imperador da dinastia Tang

(6) Imperador Xuanzong de Tang (685- 762), também conhecido como Imperador Ming    明 皇. Reinado: Setembro de 713 – 756.
明 皇 – mandarim pīnyīn: míng huáng; cantonense jyutping: ming4 wong4
(7) Shanxi  – 山西; Hoje com a romanização em piyin Shānxī 陝西, 陕西
長 安 – mandarim pīnyīn: cháng ān; cantonense jyutping: coeng4 on1
Changan foi a capital de mais de dez dinastias na China, tendo sido uma das cidades mais populosas do mundo. Na dinastia Ming, o nome da cidade foi mudado para Xian, nome actual da cidad., capital da Província de Shaanxi/ Shānxī 陝西 – mandarim pīnyīn: shǎn xī; cantonense jyutping: sim2 sai1
(8) 康熙皇帝 Imperador Kangxi (1654 – 1722). Reinado: 1661 a 1722, 4.º imperador da dinastia Qing.
康熙皇帝 – mandarim pīnyīn: kāng xī huáng dì; cantonense jyutping: hong1 hei1 wong4 dai3
(9) 明朝, – Dinastia Mingmandarim pīnyīn: míng cháo; cantonense jyutping: ming4 ciu4
Sobre Luís Gonzaga Gomes e este seu trabalho, retiro do prefácio do trabalho académico de Maria Antónia Espadinha, o seguinte:
“Este é um dos mais importantes princípios de acordo com os quais os chineses orientam as suas vidas. Luís Gonzaga Gomes menciona pormenorizadamente a fundamentação destes preceitos no Lai Kei, código da pragmática chinesa, do qual cita: ‘há três mil faltas sobre as quais se podem aplicar as cinco penas capitais, porém, nenhuma excede em gravidade a da ausência do amor filial”. A prática destes deveres é também recomendada expressamente por Confúcio, e a leitura do Clássico da Piedade Filial9 é recorrente na formação dos jovens chineses. O culto dos antepassados, que os chineses prezam e observam, é também uma prática ligada à Piedade Filial. Luís Gonzaga Gomes cita, a propósito Mêncio, que dizia: ”se todos os homens estimassem os seus progenitores e respeitassem os seus superiores, o mundo viveria em sossego” e cita, do Lai Kei: “o nosso corpo foi-nos legado pelos nossos pais, atrever-se-á, portanto, alguém a ser irreverente no emprego de uma dádiva tão preciosa?”. Neste capítulo, Luís Gonzaga Gomes apresenta uma profunda reflexão sobre os vários aspectos da Piedade Filial.”
ESPADINHA, Maria Antónia – Tradições, mitos e costumes chineses na literatura de Macau em Língua portuguesa in DE Portugal a Macau – Filosofia e Literatura no Diálogo das Culturas. Universidade do Porto, 2017. ISBN: 978‐989‐99966‐9‐4
https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15990.pdf
NOTA. Sugiro visualização duma anterior postagem sobre este tema:
Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzhzeng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
Imperador Yongzheng  雍正帝 (1678-1735) Reinado: 1723 a 1735 –  mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/02/19/leitura-amplifica-cao-do-santo-decreto/

 O Imperador Kangxi (1) mandou como seu embaixador a D. João V, o Padre António de Magalhães, S. J., (2) com um rico presente e outro para o Papa Clemente XI. (3). A embaixada saiu da China a 3 de Março de 1721. Essa embaixada trazia presentes para o rei contidas em 60 caixas cuja avaliação foi de 300.000 cruzados. Só as 7 pérolas foram estimadas cada uma em 14.000 cruzados e entre outras coisas contavam-se flores artificiais feitas pelo próprio Imperador. A recepção à embaixada teve lugar no dia 22 de Dezembro.
(1) Imperador Kangxi – 康熙, (mandarim pinyin: Kāngxī, cantonense jyutping: Hong1 Hei1) (1654 — 1722; reinou de 1661 a 1722)) foi o terceiro imperador da dinastia Qing, a última dinastia imperial chinesa, de origem manchu e o segundo que reinou sobre a China toda.
Em 1692 decretou o Édito da Tolerância como prova de abertura e benevolência mas o as lutas intestinais entre ordens religiosas católicas apressaram o endurecimento da dinastia Qing já que “ a questão dos ritos” punha em causa o culto dos antepassados e a veneração a Confúcio.
(2) António de Magalhães – 張安多 (1677 – 1735),  missionário em Macau desde 1696 e em Pequim a partir de 1716. O Padre Magalhães foi depois embaixador de Portugal à China (1725); reentrou em Pequim a 19-11-1726 para preparar a embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses e foi recebido em audiência no dia 24 desse mês pelo Imperador Yongzheng – 雍親 (mandarim pinyin: yōng qīn, cantonense jyutping: jung1 can1); (1678-1735: reinou de 1722-1735), filho do imperador Kangxi) que era menos flexível que o pai e logo revogou o Édito da Tolerância. António de Magalhães morreu em Pequim a 24 de Março de 1735. (4)
(3) “Visando aclarar a situação real, em 1701 Clemente XI tomou a decisão de enviar a Pequim uma delegação em representação da Santa Sé, que chegou a Pequim em Dezembro de 1705. Ali, os enviados do Papa chegaram a entrevistar-se com o próprio Imperador Kangxi, e discutiram com os jesuítas sobre as práticas litúrgicas seguidas pelos católicos chineses. A visão que se impôs finalmente em Roma foi contrária às teses defendidas pelos jesuítas. Clemente XI em 1712 publicou um documento no que proibia aos cristãos chineses, sob pena de excomunhão, a participação em rituais de culto aos antepassados e em muitas das formas rituais confucianas, bem como o uso do nome Shàngdì para se referir a Deus.
Kangxi mostrou-se escandalizado ao conhecer o documento, cuja linguagem considerou arrogante e irrespeitosa para a sua autoridade como imperador.Em 1721, Kangxi publicava o seu famoso decreto pelo qual se proibiam as missões cristãs na China.”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kangxi
(4) “1721/1726. – O Imperador K´ang-hsi mandou como seu embaixador a D. João V o Padre António de Magalhães, S. J., com um rico presente e outro para o Papa. O Padre Magalhães foi depois embaixador de Portugal à China (1725); reentrou em Pequim a 19-11-1726 para preparar a embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses e foi recebido em audiência do Imperador Yung Cheng a 24 desse mês. Morreu em Pequim a  24 de Março de 1735”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997
NOTA: sobre a embaixada de Alexandre Metelo d Sousa e Meneses, aconselho a  leitura de “ A embaixada de Alexandre Metelo d Sousa e Meneses: Negociações com a China do século XVII” de João de Deus Ramos , disponível em:
http://www.ipris.org/files/2/10_A_embaixada_de_Alexandre.pdf

“Siu vice-rei de Cantão e Kuangsi, em resposta passo a comunicar que recebi uma participação do Mandarim Y se Kuang-Chou, dizendo, que, um guia lhe dera parte em segredo em como alguns dos cúmplices no assassino do Governador Portuguez Amaral fugiram para Hu-Nan; que elle se oferecia a ir com gente prende-los. Em consequência escolheram-se logo às escondidas, soldados hábeis e com eles foi persegui-los até a villa de Ló-Chang na cidade de Xan-Chou (1); onde o guia indicou uma embarcação pequena, dizendo ser dos cúmplices em questão, e que estavam realmente nella uma chamado Ko-Ahon, e outro Li-Apao. A vista disto cahiram os soldados sobre a dita embarcação, e como della mostrassem resistência fazendo fogo, os soldados o fizeram também sobre eles; de que resultou cahir ferido no mar o LI-Apao, e morreo afogado. E tendo andado os soldados em busca do corpo não o puderam encontrar. O Ko-Ahon foi apanhado e levado para Cantão para ser examinado; e como se achava gravemente ferido com arma cortante, foi mandado curar-se. A copia junta é a confissão do Ko-Ahon.Eis o que tenho a comunicar em resposta ao Conselho do Governo Portuguez, 29 da 8.ª Lua do anno 29 de Taukuang, (2) 14 de Outubro de 1849 – Traduzido por mim – João Rodrigues Gonsalves” (3)
(1)Na cidade da província de Cantão (Guangdong) – Chaozhou潮州, referenciado em textos romanizados  como Siu Chao , ChiuChow  ou Teochew.
(2) Imperador Daoguang – 道光帝 (1782-1850); reinado 1820-1850
(3)Ta Ssi Yang Kuo Série I – Vols I e II, 1899,1900, pp. 365.
Sobre o Governador Ferreira do Amaral ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/

“O provérbio diz: “Soffrei por um momento e conservareis o vosso corpo”.
É por isso que deveis aplacar a cólera e o odio para conservar o corpo e proteger a família.
Cultivae a brandura e evitae a violência, e não tereis precisão de esperar por mediadores para aplanar difficuldades e para desfiar a meada;o habito de insultar e de fazer questões há de desaparecer naturalmente.
Quão puros não serão então os costumes. 

Parte da à 16.ª MÁXIMA do Imperador Kangxi, –康熙帝 (1654-1722) (1) (2)
(1) Esta máxima encontra-se na p. 138, com tradução na p.142 da Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” do Imperador Yongzheng, Versão Portuguesa e Organização de Pedro Nolasco da Silva publicada por Fundação Macau em 1995, 145 p.
(2) Imperador Kangxi, –康熙帝  (mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense Jyutping: hong1 hei1 dai3)  é considerado um dos maiores imperadores da China. Ele suprimiu a revolta dos Três Feudos, forçou o Reino de Tungning em Taiwan para submeter-se aos Qing, bloqueou a Rússia czarista no rio Amur e expandiu o império no noroeste. O reinado Kangxi foi um período de esplendor no âmbito da cultura chinesa, graças em grande medida ao intenso trabalho de mecenato artístico desenvolvido pelo próprio imperador (compilação do Dicionário Kangxi). O seu reinado trouxe estabilidade a longo prazo e riqueza relativa depois de anos de guerra e caos. Ele iniciou o período conhecido como a “Era Próspera de Kangxi e Qianlong”, que durou gerações depois de sua própria vida. Até o final de seu reinado, a dinastia Qing controlava toda a China propriamente dita, Taiwan, Manchúria, parte do actual Extremo Oriente russo, ambos Mongólia Interior e Exterior, e Tibete.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kangxi

Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

No dia 14 de Dezembro de 1918, o Presidente da República Portuguesa, Dr. Sidónio Pais, foi assassinado quando embarcava para o Porto na Estação do Rossio (Lisboa) por José Júlio da Costa, que veio a falecer num  manicómio.
O seu nome foi dado a uma Avenida principal em Macau, por resolução tomada pelo Governador em 8 de Janeiro de 1919. Assim, a antiga «Estrada da Flora» passou a ser denominada «Avenida Sidónio Pais» conquanto em chinês a mesma Avenida ainda é conhecida pela fonte «I LON HAO», (1) de generoso caudal, que ali se encontra (2).
A Avenida de Sidónio Pais começa na Rua de Ferreira do Amaral, junto da Rua da Caixa Escolar e termina entre a Avenida do Coronel Mesquita e a Estrada de Cacilhas, em frente da Estrada de Ferreira do Amaral.
sidonio-pais-1872-1918Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais (1872-1918). Tirou o curso de Artilharia, foi promovido a alferes em 1892, a tenente em 1895 e a capitão em 1906. Em 1898, formou-se em Matemática pela Universidade de Coimbra, sendo nomeado Professor Catedrático de Cálculo Diferencial e Integral da Universidade e professor da Escola Industrial de Brotero, de que foi diretor em 1911.
Exerceu os cargos de deputado à Assembleia Constituinte após a implantação da República, de ministro do Fomento (ministério de João Chagas em 1911), de ministro das Finanças (ministério de Dr. Augusto de Vasconcelos Correia em 1911-1912), de ministro plenipotenciário de Portugal (embaixador) em Berlim (1912- até 1916, data em que a Alemanha declarou a guerra a Portugal).
Derrubou num golpe militar (5 a 8) o governo de Bernardino Machado em 1917 assumindo a chefia do país – presidente da Junta Revolucionária de 1917 – destituindo Bernardino Machado do cargo de Presidente da República e forçando o seu exílio. Nesse processo, a 11 de Dezembro de 1917, Sidónio Pais tomou posse como presidente do Ministério (atual primeiro-ministro), acumulando as pastas de Ministro da Guerra e de Ministro dos Negócios Estrangeiros e, já em profunda ruptura com a Constituição de 1911, que ajudara a redigir, a 27 de Dezembro do mesmo ano, assumiu as funções de Presidente da República, até nova eleição.
Enquanto presidente da República, exerceu o cargo de forma ditatorial, suspendendo e alterando por decreto normas essenciais da Constituição Portuguesa de 1911. Fernando Pessoa chamou-lhe Presidente-Rei.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sid%C3%B3nio_Pais
http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=34
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/sidonio.html
(1) I Long Hau Fa Un – Jardim das duas torneiras também conhecida por Ho Tung Fa Un – Jardim de Ho Tung (nome do antigo proprietário Sir Robert Ho Tung) ou Jardim da Flora.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

Envelope+selo 15-11-1970 Centenário CarmonaSobrescrito (16 cm x 10,5 cm ) de 1.º. dia de circulação com o seu motivo, selo de 5 avos e da obliteração de 1.º dia comemorativo do centenário do nascimento do Marechal A. Óscar Carmona (1869 -1969), emitido pelos C. T. T. de Macau, no dia 15 de Novembro de 1970.
Portaria n.º 567/70 de 11 de Novembro
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, que, nos termos do artigo 2.º do Decreto n.º 37050, de 8 de Setembro de 1948, sejam emitidos e postos em circulação nas províncias ultramarinas selos postais comemorativos do 1.º centenário do nascimento do marechal António Óscar de Fragoso Carmona, com as dimensões de 35 mm x 25 mm, tendo como motivos a efígie do mesmo marechal, as suas armas e as das citadas províncias, nas quantidades, taxas e cores seguintes:
Selo 15-11-1970 Centenário CarmonaMacau:
3000000 da taxa de 5 avos – amarelo-ouro, preto, sépia, vermelho, verde, cinzento-prata, azul-da-prússia e verde-amelado-claro.
                         O Ministro do Ultramar, Joaquim Moreira da Silva Cunha.
Marechal Carmona

 

 

 

António Óscar Fragoso Carmona
CARREIRA
Profissão: oficial de Cavalaria – aspirante (1892), alferes (1894), capitão (1910), major (1910), tenente-coronel (1916), coronel (1919), general (1922); marechal (1947).
Cargos: membro da Comissão de Reforma do Exército (1911); instrutor da Escola Central de Oficiais (1913-1914); director da Escola Prática de Cavalaria de Torres Novas (1918-1922); comandante da IVª Divisão – Évora (1922-1925); ministro da Guerra (1923); presidente do Ministério (1926-1928); ministro dos Negócios Estrangeiros (1926).
ELEIÇÕES E PERÍODO PRESIDENCIAL
Era-o, implicitamente, como presidente do Ministério, desde 9.7.1926, já que não existia presidente; foi nomeado, interinamente, por decreto, para o cargo a 16.11.1926; foi eleito, por sufrágio directo, presidente (25.3.1928); e sucessivamente reeleito sem opositor (17.2.1935, 8.2.1942, 13.2.1949), no entanto nesta última data, a oposição chegou a apresentar a candidatura do general Norton de Matos, que se retirou antes da votação. Foi portanto Presidente de 16.11.1926 a 18.4.1951.
http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=28

Em 2 de Janeiro de 1706, o Imperador Hóng-Hei (Kang-hi) (1) que recebera pela primeira vez, em audiência o Patriarca de Antióquia, Carlos Tomás Maillard de Tournon, (2) em 31 de Dezembro de 1705, resolveu enviar o jesuíta Bouvet, como portador dum presente imperial para o Papa, o qual constava do seguinte:

  • dez formosas pérolas;
  • cinquenta peles zibelinas de côr preta;
  • dez colchas ou cobertores admiravelmente bordados em ambos os lados; e
  • trinta peças de seda da melhor da China de diversas cores e lavor.

O Imperador da China recomendou ao padre Bouvet (3) que pedisse ao papa o envio de matemáticos, músicos, médicos, cirurgiões e religiosos. O patriarca, que chegara ao porto de Macau, em 4 de Abril de 1705, hospedou-se, na Ilha Verde, recusando-se a entrar na cidade, não obstante os «singulares obséquios e oferecimentos» feitos pelo Bispo e pelo Capitão-Geral de Macau que o foram visitar, nesse mesmo dia, e, logo no dia seguinte, seguiu para Cantão.” (4)
(1) O Imperador Kangxi ( 康熙mandarim pinyin: Kāngxī, cantonense jyutping: Hong1 hei1) (1654 — 1722) foi o terceiro imperador da dinastia Qing, a última dinastia imperial chinesa, de origem manchu, e o segundo que reinou sobre a China toda, consolidando a conquista do território que estivera sob a soberania da anterior dinastia Ming.
(2) Charles-Thomas (Carlo Tommaso) Maillard de Tournon (1668 – 1710)  多樂 (Duō lè)  foi nomeado legado “a latere” do Padroado para a índia e China em 1701 e faleceu prisioneiro em Macau a 8 de Junho de 1710, envolvido na “Questão dos ritos” .
O patriarca chegou a Macau em 1707 e aqui veio a falecer, três anos mais tarde. Os Franceses e estrangeiros são unânimes em condenar os Portugueses, acusando-os de ter lançado o patriarca numa masmorra, onde veio a falecer “mártir” às mãos dos Portugueses. Mas a história verdadeira do que se passou em Macau é bastante diferente. Devido ao carácter ríspido e à atitude intransigente de Carlos Tomás Maillard de Tournon, Macau, sem culpa alguma na questão dos ritos chineses, sofreu grandes perturbações de 1707 a 1710. Acresce que esta cidade possuía nessa altura um prelado de antes quebrar que torcer, D. João do Casal.
Aos 17 de Junho de 1707, o patriarca entrava em Cantão, vindo de Pequim; chegaram também de Pequim dois mandarins com ordem de o remeterem com a sua comitiva, sob custódia, para Macau, e deram-lhes três dias para se preparar. Aos 30 de Junho entravam em Macau esses dois mandarins, e em nome do imperador Kang-Hsi, fizeram entrega do patriarca ao Senado, exigindo-lhe um recibo da entrega juntamente com os padres da sua comitiva, “athe chegarem os dous Padres Barros e Bouvallier que como seus enviados (o imperador) tinha mandado ao Papa, para concluzao destas teimas e contendas.
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP280/PP280286.HTM
(3) Joachim Bouvet白晋 (mandarim pinyin: Bái jin: cantonense jyutping: Baak6 zeon3, ou (mandarim pinyin: Míng yuàn; cantonense jyutping: Ming4 jyun5) (1656 – 1730) foi um dos seis primeiros padres jesuítas franceses (preparados na Academia Francesa das Ciências) que foram para a China em 1687. Ficou em Pequim ensinando matemática e astronomia. Como sinólogo, focou o seu estudo no “I Ching” tentando encontrar uma ligação entre os clássicos chineses e a Bíblia. O imperador Kangxi esperava que o padre Bouvet esclarecesse em Roma a “questão dos ritos” mas este voltou à China sem uma resposta do Vaticano.
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.

“O que se aprende em pequeno enraíza-se como um dom da natureza. O que se adquire por exercício e por hábito torna-se fácil como uma qualidade natural”

Comentário do Imperador Yongzheng (雍正帝 – pinyin: yōngzhèngdì; cantonense Jyutping jung1 zeng3 dai3; 1678-1735) (1) à 11.ª MÁXIMA do Imperador Kangxi, seu pai (康熙帝 – pinyin: Kāngxīdì; cantonense Jyutping: hong1 hei1 dai3 ; 1654-1722) (2):
As virtudes e os vícios, a perversidade e a rectidão de cada um, começam desde os dias da sua adolescência”
” Acontece que as práticas nocivas se infiltram pouco a pouco no povo tornando-se costumes com o tempo“.

Este provérbio e seu comentário encontram-se na p. 101 da Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” do Imperador Yongzheng, versão portuguesa de  Pedro Nolasco da Silva(3)

(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Yongzheng_Emperor
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Kangxi_Emperor
(3) Amplificação do Santo Ofício  do Imperador Yongzheng. Versão Portuguesa e Organização de Pedro Nolasco da Silva. Edição Fac-similada. Fundação Macau, 1995, 145 p.

“Se alguém tiver cometido alguma falta, desculpai-lhe com bondade; e se alguém ofender sem intenção. releve segundo a boa razão”(1)

Comentário à 3.ª MÁXIMA  dos 16 constantes no  “Santo Decreto” promulgado pelo Imperador Kangxi, (康熙帝 – pinyin: Kāngxīdì; Wade–Giles: K’ang-hsi-ti ; 1654-1722)  (2), na forma de 16 máximas, sempre com a utilização de 7 caracteres chineses, feito pelo seu filho Yongzheng (雍正帝 – pinyin: yōngzhèngdì; Wade–Giles: Yung Cheng Ti; 1678-1735, com comentários e explicações.(3)
O Santo Decreto é uma compilação de instruções governamentais e morais promulgados pelo imperador para ser usado nos locais lido em todo o Império Qing.
O Santo Decreto era recitado regularmente nas aldeias como forma de instrução moral iniciado no reinado Ming.
(1) Amplificação do Santo Decreto  do Imperador Yongzheng. Versão Portuguesa e Organização de Pedro Nolasco da Silva. Edição Fac-similada. Fundação Macau, 1995, 145 p.
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Kangxi_Emperor
(3) http://en.wikipedia.org/wiki/Yongzheng_Emperor