Archives for category: Ligação Macau-Hong Kong

O jornal «O Independente» de 5 de Novembro de 1892, anunciava a demonstração aeronáutica do Sr. Leo Hernandez, que já tinha actuado em Hong Kong (1) e de lá viria  até Macau para em Dezembro realizar uma ascensão às 9 horas da noite, elevando-se à altura de sete mil pés. O aeróstato (2) que se denominava Telegraph, tinha de largura 150 pés e de altura 75 pés e era iluminado por 500 luzes.
O mesmo jornal, de 24 de Dezembro, noticiava o seguinte: “Realizou-se na tarde de segunda -feira última a ascensão aeronáutica do sr. Leo Hernandez, partindo do campo do Lawn Tennis. (3) O aerostato elevou-se a uma altura considerável e tinha percorrido no sentido horizontal uma grande distância quando se viu desprender-se dele o pára-quedas com o auxílio do qual desceu o aeronauto, vindo a cair no mar em frente da vertente sueste da montanha da Guia, com espanto dos que presenciavam a queda. Leo Hernandez dirigiu-se em seguida a nado até uma das lanchas que estavam naquele sítio e que o recolheram, tanto a ele como ao pára-quedas e ao balão.
Foi escassa a concorrência dos espectadores no local da ascensão; mas os montes vizinhos viam-se apinhados de curiosos, que não se arrependeram de ali terem ido assistir ao espectáculo.
O mesmo jornal voltava a noticiar no dia 31 de Dezembro:
Fez no último sábado a sua ascensão; mas desta vez não lhe foi possível abrir de todo o pára-quedas, vendo-se obrigado a descer com o balão.
O pior é que o sr. Hernandez por duas vezes expôs em Macau a sua vida sem que levasse consigo um avo, tendo gasto nesta cidade todo o produto dos espectáculos.
Comenta Beatriz Basto da Silva: “Não se pode dizer que foi um sucesso, nem pelo que o aeronauto ofereceu, nem pelo produto  do espectáculo que esperava receber” (4)
NOTA: «O Independente» foi fundado em Agosto de 1868 por José da Silva (redactor, proprietário e responsável)  com uma periodicidade quinzenal, até 30-04-1874,  passando a semanal a 7 de Maio de 1878. Este periódico foi suspenso por diversas vezes, o que aconteceu em Julho de 1890 e em Novembro (17) de 1894, sendo retomada a sua edição em Julho (18) de 1891 e em Setembro (12) de 1897, respectivamente. O Padre Manuel Teixeira indica 24 de Julho de 1898 como a data do final desta publicação.
A 17 de Janeiro de 1889, por motivos de saúde, José da Silva passa o jornal a seu filho, Constâncio José da Silva (nº1, vol. 1) A 18 de Julho de 1891, José da Silva volta a aparecer como redactor principal. O seu redactor foi diversas ocasiões espancado, multado e preso por artigos publicados no seu jornal. Frequentemente criticava actos da administração pública e inseria diatribes contra pessoas particulares e contra os Jesuítas. (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25639/2/tesemestculturaesociabilidades000103700.pdf)
(1) O jornal “The Hongkong Telegraph de 10 de Novembro de 1892  anunciava o espectáculo aéreo do mexicano Leo Bill Hernandez, em Hong Kong..
ANÚNCIO da exibição de Leo Hernandez“Leo Mexican Bill Hernandez, acrobat and aeronaut, would ascend from the West Point Praya. Then from the trapeze platform of his brilliantly illuminated balloon Mexican Bill would fire signal rockets from amid the clouds. The climax of his show had him floating to the ground on a fiery parachute – advertised as a stunt never done before.
The cost to the Inner Enclosure was $HK1; Outer Enclosure .50 cents; soldiers, sailors and children half price. With the 9pm deadline approaching gate receipts exceeded $HK100 – a considerable amount for the time!”
Informação retirado de Chic´s Webs: “Kai Tak -The Prior Years”
http://www.chingchic.com/kai-tak—the-prior-years.html
ANÚNCIO Balão von Charles
O aérostato apresentado no anúncio é do tipo “Balão von Charles” também conhecido como “Charlière”,  desenhado (1783) pelo físico Jacques Charles (1746-1823)
(2) Aeróstato – balão que se enche de ar aquecido ou de gás mais leve que o ar atmosférico e que por isso se eleva e se sustém na atmosfera. (http://www.priberam.pt/dlpo/aer%C3%B3stato)
Podem existir balões de voo livre, em que a deslocação é feita através da impulsão externa das correntes atmosféricas, e balões cativos, que não se deslocam, estando permanentemente presos ao solo.
(3) Clube de Ténis Civil de Macau localizado na Avenida da República n.º
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Nos dias 10 e 11 de Outubro realizaram-se em Macau os jogos de ténis e hóquei em campo integrados no programa do «Interport» lusitano.
O «Interport» lusitano era o intercâmbio desportivo que anualmente se realizava para a disputa entre os desportistas portugueses de Macau e Hong Kong. As duas modalidades em disputa eram o hóquei em campo e o ténis. Por vezes juntando a estas duas modalidades, disputavam-se as partidas de «bridge» e canasta, como aconteceu nesse ano-
A representação de Hong Kong era sempre confiada aos elementos das duas únicas agremiações portuguesas de Hong Kong que eram o Clube de Recreio e o Clube Lusitano. Macau era sempre representada pelo Hóquei Clube de Macau e Ténis Civil. No «bridge» e canasta a representação de Macau cabia ao Clube de Macau.
Nesse ano de 1953, além do apoio material e moral à organização do «Interport» que teve lugar em Macau, o Governador Marques Esparteiro ofereceu,  para ser disputada pelos hoquistas, uma taça de prata a qual entraria  na posse definitiva da equipa que ganhar por três vezes consecutivas  ou seis alternadas.

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IO Governador cumprimentando os jogadores do Clube de Recreio de Hong Kong

O Governador esteve presente no encontro de hóquei tendo entregue no final do encontro ao capitão da equipa local, Frederico Nolasco, a Taça «Governador Joaquim Marques Esparteiro. A equipa local saiu vencedora por 6 a 3.

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IIOs tenistas de Macau e Hong Kong que participaram no intercâmbio desportivo

No ténis registaram-se 9 vitórias contra 0 dos visitantes.
Foi de 20 000 pontos de diferença a vitória de Macau na canasta e de 7 450 pontos a vitória em bridge».

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IIIA mesa da presidência no jantar realizado no Clube de Macau.

Os desportistas e dirigentes tanto de Macau como de Hong Kong reuniram-se na noite  do dia  11, nas salas do Clube de Macau para um jantar de confraternização, seguido de baile.
Informação e fotos recolhidas de MACAU B. I.,953.

Notícia do dia 7 de Agosto de 1910 : O cruzador S Gabriel de 1.838 toneladas chegou a Macau, na viagem de circum-navegação que estava efectuando sob o comando do Capitão António Aluízio Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto (1)
Do relato desta viagem de circum-navegação feito pelo comandante do cruzador,  reproduzo parte do capítulo (XXVI) dedicado a Macau (pp. 267 a 282): (2)
Cruzador S. Gabriel Viagem de Circumnavegação desenho RadaCAP. XXVI: De Fuchau a Macau e Hong Kong:
“Na manhã do dia 5 de agosto saímos de Fuchau e continuámos ao longo da costa da China  com mar plano e monção fraca. (…)
Ao amanhecer do dia 7 passámos o semaphorico de Waglan, para onde içámos o signal do nome do navio, e continuando entre as ilhas fundeámos em Macau, pelas 10h da manhã.
Vieram cumprimentar-nos o ajudante do governador, e o comandante da canhoneira Patria, capitão-tenente Salazar Moscoso, e visitei o governador Eduardo Marques, o Bispo e o Patria.. No dia seguinte assistimos a um jantar offerecido pelo governador aos officiaes do S. Gabriel, onde concorreram as principaes auctoridades civis e militares, e quinze officiaes e guardas-marinhas do cruzador, ao todo umas cincoenta pessoas. Pelo telegrapho sem fios informámos para Hong Kong que chegaríamos no dia seguinte pelas 9h30m.
Cruzador S. Gabriel Viagem de Circumnavegação CRUZADORES HKEm Hong Kong não ha estação publica de telegraphia sem fios, mas o nosso despacho foi recebido pelo paquete americano Manchuria, ali amarrado, cujo comandante muito amavelmente o mandou communicar ao cruzador Rainha D. Amélia.
Pelas 6 horas da manhã do dia 10 suspendemos da rada e seguindo pelo sul de Lantao, amarrámos em Hong Kong pelas 9h30m à boia n.º4, depois de pedir licença ao navio chefe Vasco da Gama e de salvar à terra com 21 tiros e ao commodoro inglez a bordo do Tamar com  11.”
(1) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) BASTO, A. J. Pinto – Cruzador S. Gabriel. Viagem de Circumnavegação. Lisboa, Livraria Ferreira, 1912 , 444 p.
NOTA: Os desenhos são do autor do livro, A. J.Pinto Basto
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/

No dia 10 de Março de 1865, o Comendador Lourenço Marques, em nome dos cidadãos portugueses residentes em Xangai (Shanghai), ofereceu ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (1) um bastão feito na Inglaterra, para comemorar a sua passagem por esta cidade em Junho de 1864. (2)

Foi um governador com grande iniciativa e de extraordinário dinamismo.
“ … Foi Isidoro Francisco Guimarães que pela sua grande obra que em Macau realizou (agraciado com o título de visconde de Praia Grande) vertebrando a economia de Macau com sólidas e oportunas medidas, que proporcionou ao seu sucessor, o conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral os meios necessários para as notáveis obras de fomento que este realizou em Macau, pelo que o seu nome se encontra perpetuado na estrada que mandou abrir, distinguindo-o a edilidade com o título de Cidadão Benemérito.
…. Aproveitando bem o numerário que o seu antecessor lhe havia deixado nos cofres públicos, e os rendimentos já superiores que então recebia a fazenda, fez desapparecer as portas da cidade; ligou por bons caminhos o bairro christão com o china e os diferentes bairros entre si; alargou os limites da cidade; alterou todo o systema de viação; construiu pontes; abriu novas ruas; e, começando a rua «Marginal», que deixou adiantada, estabeleceu uma das principais artérias de circulação da cidade.” (3)

Em 24 de Junho de 1866, seria o corpo de Voluntários de Hong Kong a oferecer em Macau uma espada ao mesmo governador Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que teve nesta cidade, na sua visita, em 19 de Novembro de 1864. (4)
Em vésperas de regresso à Metrópole, foi alvo duma imponente manifestação de despedida, oferecendo-lhe a província de Macau um brilhante baile nas salas do Teatro D. Pedro V, em 15 de Outubro de 1866, ao qual assistiu o enérgico e insigne Governador de Hong Kong, sir Richard Graves Macdonell (e esposa) que no seu extenso e eloquente brinde, se referiu à «amizade de bom irmão» vindo assistir (4)
Tem uma Estrada, uma Rua e uma Travessa com o seu nome: Coelho do Amaral.
A Estrada de Coelho do Amaral começa na Estrada do Repouso, em frente da Rua Coelho do Amaral, e termina na Av. do Coronel Mesquita, entre os prédios n.ºs 73 e 75.O troço desta estrada que vai desde a Avenida de Horta e Costa até à Avenida do Coronel Mesquita teve, primitivamente a designação de Estrada de Mong Há.

José Coelho do AmaralO Governador José Rodrigues Coelho do Amaral com o bastão
(Galeria dos Retratos do Leal Senado)

(1) José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1878) assentou praça na Armada com 17 anos de idade e passou depois para o exército (Corpo de Engenharia) em 1834. Foi um dos primeiros professores da Escola do Exército em 1837. Governador de Macau, nomeado a 7 de Abril de 1863, tomou posse a 22 de Junho; era simultaneamente ministro plenipotenciário de Portugal nos reinos de China, Japão e Sião. Governou Macau até 26 de Outubro de 1866). Em 17 de Julho de 1865, o coronel de engenharia José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau foi promovido ao posto de general de brigada. (4)
Foi posteriormente, ministro da Marinha (1868), Governador de Angola, Moçambique (1870) onde faleceu em 1878 estando sepultado na ilha de Moçambique.
(2) Revista «Mosaico». n.º 7,  indica a data de 09-03-1865,  mas o próprio Luís G. Gomes na sua “ Efemérides da História de Macau” corrige e refere 10 de Março de 1865.
(3) GOMES, Luís G. – Notícias de Macau, em 19-09-1965.
(4)(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).

No dia 23 de Fevereiro de 1856, o vapor português «Queen», que saiu de Hong Kong para Macau, com 150 caixas de ópio, foi tomado por 20 passageiros chineses. Na ocasião, o capitão, os empregados e os passageiros lançaram-se ao mar, na esperança de serem salvos por três lorchas chinesas que seguiam o mesmo caminho. Uma das lorchas pôde salvar um senhor Cleverly que, apesar de gravemente ferido numa perna, conseguiu manter-se na água, numa cadeira, com a qual se lançara ao mar (1)

NOTA: As Guerras do Ópio, ou  Guerra Anglo-Chinesa foram conflitos armados ocorridos entre a  Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839-1842 e 1856-1860.
A Segunda Guerra do Ópio ou Segunda Guerra Anglo-Chinesa, também conhecida como a  «Guerra do Arrow» foi o conflito armado entre o Reino Unido e França contra a dinastia Qing, (2)  da China, teve início em 8 de Outubro de 1856. Esta guerra pode ser vista como uma extensão da Primeira Guerra do Ópio, daí o nome que lhe foi atribuído.
Em 8 de Outubro de 1856, oficiais chineses abordaram e revistaram o navio de bandeira britânica, Arrow, por suspeita de pirataria e contrabando. . Os franceses aliaram-se aos britânicos no ataque militar lançado em 1857. As forças aliadas operaram ao redor de Cantão, de onde o vice-rei prosseguia com uma política protecionista. Mais uma vez, a China saiu derrotada e, em 1858, as potências imperialistas ocidentais exigiram que a China aceitasse o Tratado de Tianjin.

A Segunda Guerra do ÓpioA Segunda Guerra do Ópio – Guangzhou (3)

No primeiro momento do conflito, forças britânicas tomaram Guangzhou e os Fortes de Dagu, no norte do país, que abria caminho para um ataque à Pequim.
O fim do conflito, após negociações em 1858, assinou-se o Tratado de Tianjin, que permitiu a abertura de uma embaixada permanente do Império Britânico em Pequim e a navegação estrangeira pelo Rio Yangtzé, abriu onze novos portos ao comércio com países ocidentais, além de garantir proteção aos chineses convertidos ao cristianismo e à atividade missionária (4)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau.
(2) pinyinQīng Cháo; jyutping: Ceng1 ziu1. A última dinastia imperial chinesa de 1644 a 1912 também designada a dinastia manchu.
(3) http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Second_Opium_War-guangzhou.jpg
(4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_do_%C3%93pio

Neste dia de 12 de Janeiro de 1938 aconteceu um estranho episódio entre o “hidroavião Osprey 71” pertencente ao aviso «Bartolomeu Dias», estacionado em Macau, com aviões japoneses.
Este episódio (creio que pouco conhecido) encontra-se bem relatado (recomendo a leitura) com o título «”Ataque” português a aviões japoneses», no blogue “Aterrem em Portugal de Carlos Guerreiro, de 14 de Fevereiro de 2013, donde retirei as informações que se seguem: (1).
O hidroavião Osprey 71, quando sobrevoava as águas de Macau num teste ao rádio do hidravião, foi “abordado” por seis hidroaviões japoneses, em dois grupos de três, que terão disparado uma rajada de metralhadora.
Este episódio foi presenciado e depois relatado pelo tenente Manuel Antunes Cardoso Barata que se encontrava a bordo do aviso «Bartolomeu Dias».
Inexplicavelmente, após o hidroavião português ter amarrado, quer o piloto, 2º tenente Rodrigo Henriques Silveirinha quer o co-piloto, o 2º tenente Cardoso Dias, disseram não terem apercebido da presença dos aviões japoneses e ainda menos da rajada de metralhadoras.
Dias depois do incidente o comandante Francisco Luiz Rebello era chamado pelo governador do território, Artur Tamagnini Barbosa, para dar satisfações sobre um telegrama que chegara do Ministério das Colónias e onde se dava nota de que o Ministro Japonês em Lisboa tinha apresentado “um protesto contra o facto de o nosso avião ter cometido um acto de hostilidade contra uma esquadrilha de aviões japoneses“.
(1) http://aterrememportugal.blogspot.pt/2013/02/ataque-portugues-avioes-japoneses.html

NOTAS DE OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONAS COM A GUERRA SINO-JAPONESA:
1937 – 1945 – 2.º Guerra Sino-Japonesa. Nos primeiros anos desta Guerra, a Cruz Vermelha americana e a Associação Geral Chinesa de Hong Kong, além de auxílio pecuniário, mandaram para Macau géneros (arroz, aveia, trigo, leite condensado) com que a Diocese de Macau acudia a mendigos não só de Macau como do distrito de Chong-Sán (só em Seak-Kei, capital deste distrito, eram sustentados diariamente 17 mil famintos. Fomes e epidemias criam situações de maior miséria. Afluxo desmedido de refugiados a Macau. Mas Macau é, na sua pequenez física e de recursos, terra de Missão e Misericórdia históricas, o oásis desses refugiados, a que somariam outros, empurrados pela presença japonesa em Hong Kong (II GG). A Comissão de Socorro para Chong-Sán, já em 1942, era composta pelos PP. Joaquim Monteiro, Mário Acquistapace, SDB, e Martinho Schneidtberg (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau Durante a Guerra in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)
26-01-1938 – As forças japonesas resolveram retirar-se da Ilha da Montanha (Tái-Uóng-Kám) entregando-a às autoridades chinesas. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
1-10-1938 – Ocupação de Cantão pelos japoneses
20-03-1940 – Em consequência da invasão da China pelo Japão foi ocupada a parte da Lapa por nós reivindicada por uma força da nossa polícia. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
20-03-1940 – A vertente oriental da Ilha da Lapa é ocupada por uma força portuguesa de 60 polícias em consequência da entrada de tropa japoneses na Lapa. Em litígio com a China e sendo Portugal (e Macau) neutrais, ninguém melhor do eu os portugueses para assegurar frente aos japoneses a posse da ilha. Os habitantes chineses vieram refugiar-se, por isso, na zona defendida pela polícia portuguesa (Cfr periódico A Voz de Macau, de 22 de Março de 1940 e o diário de Hong Kong – South China Morning Post, da mesma data in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

“Queremos ir a Macau.
Previnem-nos, porém, de que não poderemos fazer sem nos vacinarmos contra a cólera e quedarmos seis dias em Hong Kong, à espera dos resultados. O director geral da Sanidade, médico inglês, isenta-nos, amavelmente, do segundo dever. Êle próprio nos dá a injecção.

A VOLTA AO MUNDO - Vista parcial de MacauMACAU – Outra vista parcial desta colónia portuguesa no Extremo-Oriente

E, enquanto pica o nosso braço, vai contanto:
– A maioria dos chineses não gosta de tomar injecções. Por isso, quando se criou a vacina obrigatória, aqueles que tinham dinheiro pagavam aos mais pobres para se vacinar por eles e tirarem, em seu nome, um certificado. Na sua ignorância, alguns chegaram a tomar vinte e trinta injecções contra a cólera em menos de um mês e, naturalmente, morreram por esta nova e rendosa profissão. A morte acabava com os profissionais, mas deixava os amadores, que tomavam apenas duas ou três injecções, a trôco de outros tantos dólares. Entretanto, muitos dos que pagavam adquiriam a cólera e propagavam-na. Foi, por isso, que tornamos obrigatória uma fotografia em cada atestado …
O médico passa algodão com álcool sobre o nosso braço e pregunta:
– Gosta de saladas, dessas sas saladas frescas, que neste calor de inferno em que vivemos agradam tanto aos olhos  e ao paladar? Não as coma! Gosta de frutos, desses belos frutos que vêm da Califórnia e da própria China e que, comidos aqui, parecem mais saborosos do que em qualquer outra parte do Mundo? Não os coma também! Não coma nada cru enquanto andar no Oriente. Nessas atraentes formas e côres vegetais oculta-se a Morte. Faça como eu. Deixo tudo isso quando voltar à Europa … se conseguir voltar!
O médico introduz o certificado num sobrescrito de «His Majesty´Service» e entrega-no-lo:
– E o senhor não imagina como eu gosto de saladas e de frutas! (1)

(1) CASTRO, Ferreira de – A Volta ao Mundo. Emprêsa Nacional de Publicidade, 1942, 678 p.
Referência a este livro e ao escritor que esteve em Macau na sua viagem à volta ao mundo, em 1940, durante a Guerra do Pacífico.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-ferreira-de-castro/

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