Archives for category: Ligação Macau-Hong Kong

No dia 23 de Fevereiro de 1856, o vapor português «Queen», que saiu de Hong Kong para Macau, com 150 caixas de ópio, foi tomado por 20 passageiros chineses. Na ocasião, o capitão, os empregados e os passageiros lançaram-se ao mar, na esperança de serem salvos por três lorchas chinesas que seguiam o mesmo caminho. Uma das lorchas pôde salvar um senhor Cleverly que, apesar de gravemente ferido numa perna, conseguiu manter-se na água, numa cadeira, com a qual se lançara ao mar (1)

NOTA: As Guerras do Ópio, ou  Guerra Anglo-Chinesa foram conflitos armados ocorridos entre a  Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839-1842 e 1856-1860.
A Segunda Guerra do Ópio ou Segunda Guerra Anglo-Chinesa, também conhecida como a  «Guerra do Arrow» foi o conflito armado entre o Reino Unido e França contra a dinastia Qing, (2)  da China, teve início em 8 de Outubro de 1856. Esta guerra pode ser vista como uma extensão da Primeira Guerra do Ópio, daí o nome que lhe foi atribuído.
Em 8 de Outubro de 1856, oficiais chineses abordaram e revistaram o navio de bandeira britânica, Arrow, por suspeita de pirataria e contrabando. . Os franceses aliaram-se aos britânicos no ataque militar lançado em 1857. As forças aliadas operaram ao redor de Cantão, de onde o vice-rei prosseguia com uma política protecionista. Mais uma vez, a China saiu derrotada e, em 1858, as potências imperialistas ocidentais exigiram que a China aceitasse o Tratado de Tianjin.

A Segunda Guerra do ÓpioA Segunda Guerra do Ópio – Guangzhou (3)

No primeiro momento do conflito, forças britânicas tomaram Guangzhou e os Fortes de Dagu, no norte do país, que abria caminho para um ataque à Pequim.
O fim do conflito, após negociações em 1858, assinou-se o Tratado de Tianjin, que permitiu a abertura de uma embaixada permanente do Império Britânico em Pequim e a navegação estrangeira pelo Rio Yangtzé, abriu onze novos portos ao comércio com países ocidentais, além de garantir proteção aos chineses convertidos ao cristianismo e à atividade missionária (4)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau.
(2) pinyinQīng Cháo; jyutping: Ceng1 ziu1. A última dinastia imperial chinesa de 1644 a 1912 também designada a dinastia manchu.
(3) http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Second_Opium_War-guangzhou.jpg
(4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_do_%C3%93pio

Neste dia de 12 de Janeiro de 1938 aconteceu um estranho episódio entre o “hidroavião Osprey 71” pertencente ao aviso «Bartolomeu Dias», estacionado em Macau, com aviões japoneses.
Este episódio (creio que pouco conhecido) encontra-se bem relatado (recomendo a leitura) com o título «”Ataque” português a aviões japoneses», no blogue “Aterrem em Portugal de Carlos Guerreiro, de 14 de Fevereiro de 2013, donde retirei as informações que se seguem: (1).
O hidroavião Osprey 71, quando sobrevoava as águas de Macau num teste ao rádio do hidravião, foi “abordado” por seis hidroaviões japoneses, em dois grupos de três, que terão disparado uma rajada de metralhadora.
Este episódio foi presenciado e depois relatado pelo tenente Manuel Antunes Cardoso Barata que se encontrava a bordo do aviso «Bartolomeu Dias».
Inexplicavelmente, após o hidroavião português ter amarrado, quer o piloto, 2º tenente Rodrigo Henriques Silveirinha quer o co-piloto, o 2º tenente Cardoso Dias, disseram não terem apercebido da presença dos aviões japoneses e ainda menos da rajada de metralhadoras.
Dias depois do incidente o comandante Francisco Luiz Rebello era chamado pelo governador do território, Artur Tamagnini Barbosa, para dar satisfações sobre um telegrama que chegara do Ministério das Colónias e onde se dava nota de que o Ministro Japonês em Lisboa tinha apresentado “um protesto contra o facto de o nosso avião ter cometido um acto de hostilidade contra uma esquadrilha de aviões japoneses“.
(1) http://aterrememportugal.blogspot.pt/2013/02/ataque-portugues-avioes-japoneses.html

NOTAS DE OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONAS COM A GUERRA SINO-JAPONESA:
1937 – 1945 – 2.º Guerra Sino-Japonesa. Nos primeiros anos desta Guerra, a Cruz Vermelha americana e a Associação Geral Chinesa de Hong Kong, além de auxílio pecuniário, mandaram para Macau géneros (arroz, aveia, trigo, leite condensado) com que a Diocese de Macau acudia a mendigos não só de Macau como do distrito de Chong-Sán (só em Seak-Kei, capital deste distrito, eram sustentados diariamente 17 mil famintos. Fomes e epidemias criam situações de maior miséria. Afluxo desmedido de refugiados a Macau. Mas Macau é, na sua pequenez física e de recursos, terra de Missão e Misericórdia históricas, o oásis desses refugiados, a que somariam outros, empurrados pela presença japonesa em Hong Kong (II GG). A Comissão de Socorro para Chong-Sán, já em 1942, era composta pelos PP. Joaquim Monteiro, Mário Acquistapace, SDB, e Martinho Schneidtberg (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau Durante a Guerra in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)
26-01-1938 – As forças japonesas resolveram retirar-se da Ilha da Montanha (Tái-Uóng-Kám) entregando-a às autoridades chinesas. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
1-10-1938 – Ocupação de Cantão pelos japoneses
20-03-1940 – Em consequência da invasão da China pelo Japão foi ocupada a parte da Lapa por nós reivindicada por uma força da nossa polícia. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
20-03-1940 – A vertente oriental da Ilha da Lapa é ocupada por uma força portuguesa de 60 polícias em consequência da entrada de tropa japoneses na Lapa. Em litígio com a China e sendo Portugal (e Macau) neutrais, ninguém melhor do eu os portugueses para assegurar frente aos japoneses a posse da ilha. Os habitantes chineses vieram refugiar-se, por isso, na zona defendida pela polícia portuguesa (Cfr periódico A Voz de Macau, de 22 de Março de 1940 e o diário de Hong Kong – South China Morning Post, da mesma data in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

“Queremos ir a Macau.
Previnem-nos, porém, de que não poderemos fazer sem nos vacinarmos contra a cólera e quedarmos seis dias em Hong Kong, à espera dos resultados. O director geral da Sanidade, médico inglês, isenta-nos, amavelmente, do segundo dever. Êle próprio nos dá a injecção.

A VOLTA AO MUNDO - Vista parcial de MacauMACAU – Outra vista parcial desta colónia portuguesa no Extremo-Oriente

E, enquanto pica o nosso braço, vai contanto:
– A maioria dos chineses não gosta de tomar injecções. Por isso, quando se criou a vacina obrigatória, aqueles que tinham dinheiro pagavam aos mais pobres para se vacinar por eles e tirarem, em seu nome, um certificado. Na sua ignorância, alguns chegaram a tomar vinte e trinta injecções contra a cólera em menos de um mês e, naturalmente, morreram por esta nova e rendosa profissão. A morte acabava com os profissionais, mas deixava os amadores, que tomavam apenas duas ou três injecções, a trôco de outros tantos dólares. Entretanto, muitos dos que pagavam adquiriam a cólera e propagavam-na. Foi, por isso, que tornamos obrigatória uma fotografia em cada atestado …
O médico passa algodão com álcool sobre o nosso braço e pregunta:
– Gosta de saladas, dessas sas saladas frescas, que neste calor de inferno em que vivemos agradam tanto aos olhos  e ao paladar? Não as coma! Gosta de frutos, desses belos frutos que vêm da Califórnia e da própria China e que, comidos aqui, parecem mais saborosos do que em qualquer outra parte do Mundo? Não os coma também! Não coma nada cru enquanto andar no Oriente. Nessas atraentes formas e côres vegetais oculta-se a Morte. Faça como eu. Deixo tudo isso quando voltar à Europa … se conseguir voltar!
O médico introduz o certificado num sobrescrito de «His Majesty´Service» e entrega-no-lo:
– E o senhor não imagina como eu gosto de saladas e de frutas! (1)

(1) CASTRO, Ferreira de – A Volta ao Mundo. Emprêsa Nacional de Publicidade, 1942, 678 p.
Referência a este livro e ao escritor que esteve em Macau na sua viagem à volta ao mundo, em 1940, durante a Guerra do Pacífico.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-ferreira-de-castro/

Na noite de 3 de Janeiro de 1851 saiu a corveta D. João I para Hong Kong, a fim de esperar o novo governador de Macau (1); mas encalhou no lodo em frente da bateria de S. Francisco.
Foi necessário aliviá-la da artilharia, e só no fim de três dias pode seguir o seu destino, onde chegou a 7: ali o comandante e oficialidade receberam muitas distinções, e cumprimentos, bem como depois o novo governador à sua chegada no vapor Pequim.
Em 24 regressou a corveta a Macau conduzindo o novo governador Cardoso, que só desembarcou a 26, ao meio dia sendo recebido no cais chamado do Governador, pelo presidente e membros do Conselho do Governo, e com todas as honras do estilo. (2)
Francisco A. G. Cardoso 1851NOTA: O Governador esteve hospedado em Hong Kong em casa de Eduardo Pereira e só foi investido na posse do Governo no dia 3 de Fevereiro, pelas 5 horas da tarde, na porta principal da Fortaleza de S. Paulo do Monte, entregando-lhe o Conselho do Governo a chave da dita Fortaleza e o bastão e com eles a posse do Governo desta cidade com todas as artilharias e armas, apetrechos e munições de todas as fortalezas da guarnição. Depois da posse, o Governador dirigiu-se à Igreja da Sé onde depositou o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição e onde se cantou um solene Te-Deum, seguido de recepção no Palácio do Governo. (3)

(1) Francisco António Gonçalves Cardoso, Conselheiro Capitão de Mar-e-Guerra foi nomeado governador de Macau, por decreto de 17 de Outubro de 1850, para suceder a Pedro Alexandrino da Cunha que faleceu em Macau no dia 6 de Julho de 1850, após 39 dias de Governo, vítima de cólera que se manifestou apenas 8 horas antes, aos 49 anos de idade.
(2) CALDEIRA, Carlos José – Apontamentos d´uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa, 1.º Vol.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau.

Algumas fotografias do Porto Exterior do meu álbum, tiradas neste dia.
A primeira foto é o que está mais bem conservada, sem manchas de humidade. As restantes estão manchadas.

As duas primeiras foram tiradas do Miradouro de Nossa Senhora do Mar na Estrada de Cacilhas e vê-se o Hospital Central Conde de S. Januário, o Hotel Matsuya (1) e o edifício em construção (habitação) à direita, na foto. No sopé da colina, algumas vivendas entre elas, a Vila “Tai Yip” (2) e a Escola Pui Tou, na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues.

9DEZ1964 Hospital-Matsuya IA seguir a mesma foto apresentada já em (1) tirada do mesmo sítio, vendo-se melhor, no sopé da colina, as hortas e as barracas.

9DEZ1964 Hospital-Matsuya II

As duas fotografias que se seguem foram tiradas da parada do Quartel da Guia – a ponte cais do Porto Exterior com o navio “Macau” atracado, da carreira diária de ligação Macau – Hong Kong , e o arvoredo da colina.

9DEZ1964 Ponte Cais Porto Exterior

Nesta foto à esquerda o que restava do Hangar e as primeiras construções “modernas” nestes aterros.

9DEZ1964 Ponte Cais Hangar Porto Exterior

As duas seguintes foram tiradas na Avenida, à beira mar. A primeira, da bancada principal do Grande Prémio, visualizando a ponte cais do Porto Exterior.

9DEZ1964 Ponte Cais

Esta a seguir, já apresentada em (3), a colina da Guia, a estrada de Cacilhas e os aterros ainda com as barracas e as hortas.

9DEZ1964 PColina Guia Est Cacilhas(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/31/caixa-de-fosforos-hotel-matsuya/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/07/lugares-de-outrora-vila-tai-yip/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/10/estrada-de-cacilhas-i/

A equipa de honra do Hóquei Clube de Macau defrontou-se, deste dia, com uma forte selecção de Hong Kong, em encontro considerado de «Interport não oficial», tendo o produto das entradas revertido, a favor do fundo do «Natal dos Pobres de Macau»
O jogo, patrocinado pela Dra. D.ª Laurinda Marques Esparteiro, teve a assistência de mesma e do Governador de Macau, além de outras autoridades e dum numeroso público.

MACAU BI III - 56 Hóquei em campoAntes de iniciarem a partida, os jogadores foram apresentados à patrocinadora do encontro, que a todos agradeceu a contribuição que iam dar para a realização do jogo em benefício dos pobres desta terra.
Os primeiros minutos do jogo pertenceram à equipa de Hong Kong, que atacou severamente o campo de Macau… (…)
Com o jogo neste andamento, Macau sofreu o seu primeiro golo aos 13 minutos da abertura em consequência daquele começo infeliz.
Felizmente para a cores locais, este primeiro golo, longe de desanimar os jogadores, teve, pelo contrário, o condão de os despertar da «sonolência», impelindo-os para uma reacção bastante favorável.
E foi assim que, ainda não eram decorridos 4 minutos, já Macau tinha alcançado o seu primeiro tento, que veio a colocar o marcador em 1-1…(…)
Contudo aproveitando um falhanço dum dos elementos locais, perto da linha das 25 jardas, Hong Kong logrou marcar o seu segundo golo.
Macau voltou a igualar pouco depois, e um terceiro golo foi ainda alcançado pouco antes do intervalo. Este chegou com o marcador em 3-2, a favor dos locais…(…)
O marcador, em toda a segunda parte do jogo manteve-se sem alteração.” (1)

MACAU BI III - 63 Selecção de  Hóquei em campoMacau alinhou os seguintes jogadores:
Sentados na primeira fila da esquerda para a direita: Cristóvão dos Santos; Alfredo Néry e Armando Basto;
Na segunda fila: Herculano da Rocha (cap.), José V. do Rosário e Amadeu Cordeiro;
Na terceira fila: Luís da Cunha, Fernando Marques, Lourenço Ritchie, Augusto Jorge e Albertino Almeida.
Na foto, também Leonel dos Passos Borralho, dirigente (membro suplente da direcção do Hóquei Clube de Macau)

(1) Macau Boletim Informativo, 1955

A começar em 24 de Novembro de 1959, no Teatro Apollo, um espectáculo para maiores de 17 anos, nas três sessões habituais diárias, o filme

HONG KONG CONFIDENTIAL
“Hong Kong, Confidencialmente”

24NOV1959 HK Confidential

De Hong Kong só o título e a localização do enredo pois  foi todo filmado em estúdio, em Los Angeles.

HK ConfidentialTrata-se de um filme de 1958, de baixa orçamento (o chamado “Movie B”), com o tema espionagem/crime (relacionada com a guerra fria, América  versus comunismo),
Filme a preto e branco, dirigido por Edward L. Cahn com o actor Gene Barry (1919-2009.
Foi o último filme da actriz Beverly Tyler (pouca conhecida) que faleceria aos 78 anos. (1927-2005).
24NOV1959 HK Confidential versoVi o filme em TV, há alguns anos,  não é um bom filme mas vê-se bem como entretimento.

Pode-se  ver um trailer do filme em:
https://www.youtube.com/channel/UCTkkru8yfmsDbVQhtR4ZYYg  
Dois filmes referenciados um na “PRÓXIMA MUDANÇA” e outro “BREVEMENTE

Yersteday´s EnemyYesterday´s  Enemy” (Inimigos de ontem)  é um filme inglês, de 1959, dirigido por Val Guest com os actores, Stanley Baker, Gordon Jackson e Leo Mckern.  Filme sobre a 2.ª Guerra Mundial, mais precisamente, a campanha britânica na selva de Burma (Birmânia).
Ver “trailer”
https://www.youtube.com/watch?v=mX0SN2Ozyzs

DestryDestry” (em Portugal: “Antro da Perdição”) filme de 1954, realizado por George Marshall, “western” em tom de comédia com o popular actor (nessa época) Audie Murphy, conhecido pelos filmes de “cowboys a sério”. Produção da U. I. (Universal-International).
Ver “trailer” em:
https://www.youtube.com/watch?v=T-Fhgzypv0w

Os posters foram retirados de
http://wheredangerlives.blogspot.pt/2010/11/hong-kong-confidential-1958.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Yesterday%27s_Enemy#mediaviewer/File:Yesenpos.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/Destry_%28film%29

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 29 outros seguidores