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Continuação da história da Deusa da Ma Chou (A MÁ), iniciada nas postagens anteriores (1) e na sequência da  emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”.

O NASCIMENTO DE MO NIANG

“Antes do seu nascimento, na Era de Jian Long Yuan da Dinastia Song (ano de 960), consta que a sua mãe sonhou uma vez que Bodhisattva Guanyin lhe tinha dado uma pílula e que, logo depois de a ter tomado, um relâmpago vermelho vindo fo Noroeste entrou em casa, produzindo uma luz muito brilhante e deixando no ar um perfume especial. Em breve, a mãe deu à luz um bebé do sexo feminino e, porque este não havia chorado, deu-lhe o nome de Mo Niang.” (2)

O AMULETO DE COBRE OFERECIDO PELO GÉNIO

“Mo Niang, desde muito pequena mostrou ser muito inteligente. Na escola, com apenas oito anos, bastava-lhe uma leitura para nunca mais se esquecer do que tinha lido. Um dia, Mo Niang e uma companheira foram passear por um jardim. Quando estavam a apreciar um poço de água tão cristalina como um espelho, subiu de repente um génio do fundo do poço e entregou um amuleto de cobre a Mo Niang, desaparecendo rapidamente nas nuvens. É esta a lenda muito conhecida “ O amuleto de Cobre oferecido pelo génio” (2)

A ASCENSÃO DA DEUSA

Do amuleto de cobre dado pelo génio, Mo Niang aprendeu a fazer magia e tornou-se uma figura muito amada e respeitada pelos seus conterrâneos, visto que auxiliava os aldeões a afastar o mal e a eliminar os desastres. No ano em que Mo Niang completou vinte e oito anos de idade, subiu a uma montanha no dia do Culto dos Antepassados e ascendeu ao céu.” (2)

A PRESENÇA DA RAINHA DO CÉU

De ali em diante, Mo Niang faz sentir a sua presença, de vez em quando, sobre o mar, salvando pessoas em perigo e servindo de guia na navegação dos barcos.” (2)

(1) nenotavaiconta

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT,1998

Na sequência das postagens anteriores (1) – emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”, apresento os quatro selos em offset e de prata (primeiro conjunto de selos de Macau, em prata).

O design desta emissão, composta por quatros selos, representa «O nascimento de Mo Niang»; «O amuleto de cobre oferecido pelo génio»; «A ascensão da deusa» bem como «A presença da rainha do céu». Os desenhos representam Ma Chou como uma jovem, linna, elegante e distinta, no estilo dominante das Dinastias Tang e Song” (2)

Exemplar n.º API2947 – Autorizado pelos CTT
Quatro selos no valor (cada) de 4 patacas; dimensão: 30 mm x 40 mm Desenho: Poon Kam Ling
Quatro selos de prata (qualidade Ag 999); dimensão: 30 mm x 40 mm; peso: 8 g (quatro selos) Desenho: Poon Kam Ling

Deusa da MA CHOU (A MÁ)

“Na mitologia milenária chinesa Ma Chou (A MÁ) ou Tin Hau (Rainha do Céu, é a Deusa protectora do mar, estando a sua figura consagrada no Templo A MÁ e nos mais de vinte templos existentes em Macau. É igualmente venerada pelas comunidades chinesas espalhadas em vinte países e regiões do mundo, designadamente em Taiwan, onde existem mais de 800 templos do género. O templo original dedicado a Ma Chou fica situado em Meizhou no Distrito de Putian, na Província de Fujian, onde esta deusa nasceu e ascendeu ao céu… (…)”………………………continua (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/23/noticia-de-23-de-abril-de-1998-filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/24/filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-ii/

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT,1998

Na sequência da postagem anterior – emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”, (1) apresento o Bloco Filatélico n.º 0480007, com um selo de $ 10,00 (dez patacas) em que foram emitidos 1 800 000 exemplares.

Bloco filatélico – Desenho de Poon Kam Ling

Ao longo dos tempos, o nome da Deusa A MÁ e o nome da Cidade de Macau têm sido conhecidos simultâneamente e, por sua vez, MACAU é o nome português da Cidade a que chamamos em chinês «Porto da Deusa A MÁ». Há mais de 5 séculos que a figura da Deusa A MÁ têm sido venerada pelos numerosos pescadores que construíram o Templo A MÁ para o seu culto, continuando ainda hoje, a manter em permanente queima, incenso e pivetes, em sua homenagem.” (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/23/noticia-de-23-de-abril-de-1998-filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-i/

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT, 1998

No dia 23 de Abril de 1998, (1) os “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau” emitiram uma colecção de quatro selos (cada um no valor de 4 patacas), outros quatro selos, idênticos aos anteriores, mas em prata (o primeiro conjunto de selos de Macau, em prata) e um Bloco Filatélico (contendo um selo de $ 10,00), intitulada “Deuses da Ma Chou”, o 5.º da temática “Lendas e Mitos” (2)

Também nesta data, foi posto à venda, o livro filatélico com as explicações históricas e técnicas dos selos da Deusa A MÁ. Apresento hoje, o invólucro exterior, a capa e contracapa do livro. (3)

Invólucro exterior
Invólucro exterior

Não se sabe ao certo a origem do nome de Macau mas muito provavelmente provém dos nomes da Deusa A MÁ. Para assinalar o grande acontecimento histórico da assumpção da Administração de Maca para a República Popular da China, produzimos o 1.º conjunto de selos em prata com os Deuses da Ma Chou que consagram a Deusa A Má e o templo com o mesmo nome. É uma colecção de muito interesse que perdurará para sempre.” (3)

Capa do livro
Contracapa
Contracapa
Autora dos selos e da ilustração da capa: Poon Kam Ling. Ilustrações de: Ng Wai Kin

(1) Portaria n.º 84/98/M de 13 de Abril

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/09/noticia-de-9-de-maio-de-1994-filatelia-lendas-e-mitos/

(3) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT,1998. Tiragem autorizada: 7 000; Preço de venda ao público: MOP $ 199,00

Emissão / 1.º dia de circulação dos selos dos Correios de Macau / CTT MACAU, referente à colecção “Lenda e Mitos”, (1) este o VII, (2) dedicado a “Deus de Guan DI”, (3) no dia 30 de Junho de 2004. (4) Os desenhos são da autoria de Ng Wai Kin.
São quatro selos (30 mm x 40 mm) nos valores de 1,50 ptcs; 2.50 ptcs; 3,50 ptcs e 4.50 ptcs.
Também foi lançado nesse dia, um Bloco Filatélico (138 mm x 90 mm) (este exemplar: n.º 053617) contendo um selo (40 mm x 30 mm) de 9.00 patacas.
(1) Ver anteriores já publicados em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/filatelia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/09/noticia-de-9-de-maio-de-1994-filatelia-lendas-e-mitos/
(2) Desde a primeira emissão da série “Lendas e Mitos”, lançada em 1994 pela Direcção dos Serviços de Correios, foram lançadas 10 emissões da mesma série até 2012, cujos temas se baseiam em conhecidas lendas e mitos ocidentais e orientais.
Para a carteira temática agora apresentada, foram seleccionadas 4 emissões desta série, lançadas entre 2003 e 2012, incluindo a emissão “Liang Shanbo e Zhu Yingtai”, de 2003, “Deus de Guan Di”, de 2004, “Lenda da Cobra Branca”, de 2011 e “O Pastor e a Tecelã” de 2012, com o objectivo transmitir às gerações futuras o conhecimento dos contos chineses.
https://philately.ctt.gov.mo/XVersion/News.aspx?lang=pt-pt&pm=783
(3) Guan Di /Kuan Ti / 關帝, nome histórico Guan Yu  關羽  também chamado Guan Gong ou Wudi, deus chinês da guerra cuja imensa popularidade com o povo comum repousa na firme crença de que seu controle sobre os espíritos malignos é tão grande que até actores faça sua parte em dramas compartilhar seu poder sobre os demônios. Guandi não é apenas um favorito natural dos soldados, mas foi escolhido patrono de numerosos ofícios e profissões. Isso porque Guan Yu, o mortal que se tornou Guandi após a morte, é considerado por tradição ter sido um vendedor ambulante de feijão no início da vida. Guan Yu viveu durante a época cavalheiresca dos Três Reinos (século III dC) e foi romantizado no folclore popular, no drama e especialmente no romance da dinastia Ming Sanguo Yanyi (“ Romance dos Três Reinos ”), como uma espécie de Robin Hood chinês.
Uma das histórias mais conhecidas da China conta como ele se tornou um dos Três Irmãos do Peach Orchard. Liu Bei , fabricante de sandálias de palha, interveio em uma briga que se desenrolava entre Guan Yu e um próspero açougueiro chamado Zhang Fei. Os três se tornaram amigos e fizeram juramentos de lealdade eterna que eles observaram fielmente até a morte.
Guan Yu foi capturado e executado em 219 DC, mas sua fama continuou a crescer à medida que os governantes conferiam títulos sucessivamente maiores a ele. Finalmente, em 1594, um imperador da dinastia Ming canonizou-o como deus da guerra – protetor da China e de todos os seus cidadãos. Milhares e milhares de templos foram construídos, cada um com o título Wu Miao (Templo Guerreiro) ou Wu Sheng Miao (Templo do Guerreiro Sagrado). Muitos foram construídos às custas do governo para que sacrifícios prescritos pudessem ser oferecidos no 15º dia da segunda lua e no 13º dia da quinta lua.
https://www.britannica.com/topic/Guandi
(4)  Despacho do Chefe do Executivo n.º 96/2004
Usando da faculdade conferida pelo artigo 50.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau, e nos termos do n.º 2 do artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 88/99/M, de 29 de Novembro, o Chefe do Executivo manda:
1. Considerando o proposto pela Direcção dos Serviços de Correios, é emitida e posta em circulação, a partir do dia 30 de Junho de 2004, cumulativamente com as que estão em vigor, uma emissão extraordinária de selos designada «Lendas e Mitos VII — Deus de Guan Di», nas taxas e quantidades seguintes:
1,50 patacas   325 000
2,50 patacas   325 000
3,50 patacas   325 000
4,50 patacas   325 000
Bloco com selo de 9,00 patacas 325 000
2. Os selos são impressos em 108 333 folhas miniatura, das quais 27 083 serão mantidas completas para fins filatélicos.
3. O presente despacho entra em vigor no dia da sua publicação.
26 de Abril de 2004.
A Chefe do Executivo, Interina, Florinda da Rosa Silva Chan.

與神話七mandarim pīnyīn: chuán shuō yǔ shén huà qī ; cantonense jyutping: cyun4 seoi3 jyu1 san1 waa2 cat1

A Pedra de T’ai-Ut

Lái-Pou-I

amansou as águas
rasgando as redes
da desgraça

T’ai-ut
a vermelho

A causa primordial

Para onde estará virada
a Espada
enterrada sob o penhasco?

Para onde apontará
hoje
o seu gume?
         Fernando Sales Lopes. (1)

(1) LOPES, Fernando Sales – Pescador de Margem. Livros do Oriente, 1997
Sobre o geomante Lái Pôu I e a rocha Tái Ut / 太乙”, existente nos jardins do Templo da Barra/ Á Má, ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/11/leitura-a-rocha-tai-ut-do-templo-da-barra/

Neste dia, 29 de Maio de 1987, o Correio de Macau / CTT pôs em circulação o sobrescrito, obliteração de 1.º dia de circulação e dois selos com o motivo “Festividade do Barco Dragão”
Os selos têm o valor de 50 avos e 5 patacas.
O desenho é de Ng Wai Kin.
FESTIVIDADE DO BARCO-DRAGÃO
A Festividade do Barco-Dragão é uma das mais populares festas chinesas, celebrando-se todos os anos no dia cinco da quinta Lua. (1)
Esta tradição tem a sua origem num facto ocorrido numa época agitada da vida política chinesa, entre os anos de 402 a 201 A.C.. Por esta altura, os conselheiros do imperador Uái (2) queriam convencê-lo a fazer guerra, para assim adquirir mais riquezas e poder. Esta atitude dos conselheiros tinha, porem, a desaprovação do ministro Uat Hun que, em vão, tentou dissuadir o imperador daquela ideia. Uat Hun (3) admitiu, então, a hipótese de pôr fim à sua própria vida, em sinal de protesto. Permeável à nefasta influência dos seus conselheiros e inamovível na sua intenção de fazer a guerra, o imperador continuava a preparar a ofensiva, procedimento que desgostou profundamente a Uat Hun que, perante tal atitude, se lançou ao rio Mek Lo.
Sensibilizado com o sucedido, o imperador caiu em si e apercebeu-se que acabara de perder o seu mais competente ministro. Ordenou, então, que todos os barcos procurassem o cadáver de Uat Hun, para que fosse recolhido e levado para o palácio Imperial. No entanto, as longas buscas levadas a cabo pelos barcos revelaram-se infrutíferas, pois o corpo do ministro sumiu-se nas águas agitadas do grande rio.
Durante a noite, encontrando-se o imperador amarguradamente triste, recebeu a visita do espírito de Uat Hun, lamentando-se que andava com fome. Logo o monarca deu ordem para que os barcos lançassem arroz cozido nas águas do rio. No entanto, o espírito do seu ministro voltou a procurá-lo para lhe dizer que um mostro aquático devorara toda a comida do rio e que brevemente iria também engolir o seu corpo. Pediu, então, ao rei que mandasse embrulhar a comida num tecido de seda atado com fios de cinco cores visto ser esta a única forma de a preservar contra a voracidade do monstro. E foi assim que sobreviveu, até hoje, o costume de lançar todos os anos, na época da Festividade, às águas dos rios, arroz glutinoso, cozinhado com vários recheios, envolvido em folhas de bambu, aos quais se dá o nome de tchông.(4)
Em Macau, durante as celebrações da Festividade do Barco-Dragão, vêem-se em quase todas as lojas compridas canas de bambu, tendo pendentes estes tchông que são saboreados por todos os chineses.
Actualmente, o mito de Uat Hun dá lugar ao desporto. As regatas de barcos em forma de dragões são organizadas com o fim de simular a procura do cadáver do estadista deificado. Assim, têm-se realizado em Macau, coma presença de equipas da Austrália, Hong Kong, Japão, Malásia, Singapura, China e Macau, as Regatas Internacionais de Barcos-Dragão, integradas nas Festividades do dia cinco da quinta Lua.
O tambor usado nos barcos das regatas, será para coordenar os movimentos dos remadores, mas também para assustar o monstro e evitar assim que devore o cadáver de Uat Hun!”
                   Dr. Jorge Cavalheiro (Instituto Cultural de Macau)
(Retirado da Brochura/lembrança distribuído aquando do lançamento do envelope com bloco de selos.)
(1) Festival do Barco Dragão, ou Festa de Duan Wu (端午节/端午節). Este ano, 2017, a festividade é celebrada a 30 de Maio.
(2) Rei Huai (楚懷王- Chǔ Huái Wáng) do estado de Chu de 328 a 299 aC., no período dos Estados Guerreiros.
(3)

Pintura de Qu Yuan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Qu_Yuan

Qu Yuan (屈原- Qū Yuán) vivia no reino de Chu (c. 340 -278 a.C.) no Período dos Estados Guerreiros (476 A.C. – 221 A.C.) estadista, poeta, diplomata, ideólogo e reformador. A sua obra está principalmente compilada numa antologia poética denominada «Elegias de Chu». Considerado o primeiro poeta chinês importante na história da literatura da China.
(4) Zongzi (粽子) ou zong (粽) – tradicional bolo chinês feito com arroz glutinoso (com recheio variado) embrulhado por uma folha de bambu, cozinhado a vapor.

BLOCO FILATÉLICO LENDAS E MITOS 9MAIO1994Bloco filatélico ($9 patacas) com o tema “LENDAS E MITOS” : envelope grande (23 cm x 16 cm) lançado pelos Correios e Telecomunicações de Macau no dia 9 de Maio de 1994, (1) com carimbo e  três selos de 3 patacas cada um com um desenho simbolizando Felicidade 福, Prosperidade 祿 e Longevidade 壽.
BLOCO FILATÉLICO LENDAS E MITOS 9MAIO1994 (II)Foi a primeira emissão da série “Lendas e Mitos” (lendas e mitos orientais muito conhecidas pela população chinesa)  lançada em 1994 pela Direcção dos Serviços dos Correios , num total de 10 emissões (até 2012).
BLOCO FILATÉLICO LENDAS E MITOS 9MAIO1994 (III)福祿壽mandarim pinyin: fú  lù shòu; cantonense jyutping: fuk1 luk6 sau6 – felicidade, prosperidade e longevidade.
BLOCO FILATÉLICO LENDAS E MITOS 9MAIO1994 (IV)(1) Portaria n.º 101/94/M: emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária “Lendas e Mitos”.

“Os principais pagodes de Macau são o da Barra e o da Porta do Cerco e o de Matapan.
A religião budista é a que principalmente domina na China, apesar de ter sido primitivamente muito perseguida como contrária às leis estabelecidas. É muito grande o número dos seus deuses. Existe um céu, um purgatório e um inferno. Conforme os presentes que se fazem aos deuses e a prática das virtudes, assim se tem a certeza de ir para um ou outro deste lugares. Acreditam na metempsicose, e, assim, há casos de fanáticos que se matam para voltar à terra transformados em mandarins. Como exemplo, e bem frisante, bastará, sem mais comentários, traduzir literalmente do Chinese Times, excelente jornal inglês que se publica em Tien-Tsin, a seguinte notícia que lemos na sua curiosa secção «Local and General from Sih-Pao» (jornal china):«A mulher de um homem chamado Liu, empregado nas Obras Públicas e que vivia dentro da porta de Hsuan-Wu-Men deu à luz um filho em condições verdadeiramente maravilhosas. Logo que nasceu principiou a falar inteligivelmente dizendo: «Sou Wang-Erb da aldeia de Yen-Chia-Chuang, fora da porta de Hoi-Pien-Men». Extraordinariamente espantado Liu dirigiu-se à aldeia designada para fazer pesquisas e, surpreendido, foi informado que aí tinha havido uma pessoa com esse nome que, por vocação, fora lavrador; mas que nos últimos anos enfraquecera com a idade morrendo no próprio dia em que o filho de Liu nascera, não estando ainda o seu corpo enterrado. Liu, disfarçado em carpidor, dirigiu-se à casa mortuária onde encontrou toda a família chorando sobre o corpo do morto e aí contou o que passara em sua casa. Liu, depois de ter dado dez taéis (10$000 réis) como contribuição do sacrifício ao morto Wang, levou o filho deste a ver o recém-nascido. O baby disse então: «Por causa de afinidades na minha vida anterior vim para debaixo deste tecto!».
Os mais virtuosos vão directamente para o céu gozar da eterna bem-aventurança: os duma virtude média voltam à terra em corpos de ricos mandarins; os celerados, como é natural,  para as Profundas do inferno.” (1)
Conde de Arnoso(1) Bernardo Pinheiro Correia de Melo (1855-1911), 1º conde de Arnoso (título em 1895) também conhecido pelo pseudónimo literário Bernardo Pindela (do grupo “Vencidos da Vida”; entre outros membros, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro)  foi um escritor português (secretário particular do rei D. Carlos). Esteve em Beijing entre Outubro e Dezembro de 1887, acompanhando o embaixador Tomás de Sousa Rosa. As impressões da viagem, editou-as em 1885, nas “Jornadas pelo Mundo” onde descreve detalhadamente o sistema do governo imperial chinês.
ARNOSO, Conde de – Jornadas pelo Mundo , 2 tomos (I – Em caminho de Pekin II em Pekin) de 1895, 440 p.,
Anteriores referência s ao Conde de Arnoso
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/conde-de-arnoso/

Conta-se sobre um pescador que, farto de andar pelos mares, certo dia, resolveu ficar em terra e deitar-se em cima de uma rocha onde acabou por adormecer. Era noite quando acordou e, ao olhar em seu redor, nada conseguiu ver no meio da espessa escuridão.
De repente, ouviu vozes estranhas, vindas do lado do mar, que o atemorizaram, pois julgou tratar-se de almas do outro mundo. Foi então que percebeu que as vozes retratavam uma “discussão” entre a água do rio e uma rocha coberta de ostras, para ver qual delas era mais resistente.
Tudo indica que ambas terão resistido, pois nas águas de Macau continua a haver grande quantidade de ostras….” (1)
O vocábulo «manduco» é designada a râ de Macau.
A Monografia de Macau (Ou-Mun Kei-Leok, 1950, p. 39), diz que: “em Macau havia três rochas estranhas: a Ieong-Sun-Seak, (Rocha de Barco Oceânico) no Pagode da Barra, (é sobre a superfície desta rocha que se encontra presentemente em frente do pagode da barra gravaram o desenho de um barco e quatro caracteres.

MACAU B. I. T. XII-9-10 Nov-Dez 1977 CAPA Templo da BarraTemplo de Á Má ou da Barra / Foto de 1977

a outra era a Hói-K´ók-Seak, (Rocha da Percepção do Mar) no Promontório de Neong-Má (Neong Má Kók) no mesmo Templo da Barra  e uma outra a Há-Má-Seak (Rocha da Rã)  « é arredondada e de cor verde-macia. Sempre que venta e chove e, pela tarde, quando a maré principia a subir, ouve-se produzir nela o som Kók-Kok».
A Rocha de Rã ficava na Praia do Manduco. Quando houve a necessidade de a destruir para a abertura de novos arruamentos, levantaram-se protestos da parte dos chineses. (2).
Era nesta Praia de Manduco onde,  após a fixação dos portugueses,  se realizavam as trocas comerciais  e onde atracavam no cais da praia, os barcos de pesca (quando a indústria da pesca era próspera no território). Vários comerciantes de Macau tinham nela cais privativo (3). Fica para recordação presente,  a Rua da Praia de Manduco uma das mais antigas ruas de Macau.  Começa na Rua de João Lecaros, ao fundo da Calçada do Januário e termina na Rua do Almirante Sérgio, ao lado do prédio n.º 255-F.
 
(1) BARROS, Leonel – Tradições Populares, Macau, Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), 2004.
(2) Já em 9 de Abril de 1829, «o Mandarim de Hian-Chan por appelido Liu faz saber ao sr. procurador de  Macau que recebeu, um offício do vice-rei de Cantão, em que, attendendo sua ex.ª às representações de Sung-Ku-Chi e outros contra o portugez Bemvindo o qual se apossou  de um baldio marginal sito na praia onde está a pedra chamada Manduco  fazendo um aterro, e destruindo um pagode, que ali existia… (…)… attendendo a que a mencionada pedra do Manduco, sendo memorável na história de Cantão, não devia ser assim coberta de entulho, o que constitue desobediência às leis; ordena a ele mandarim que mande affixar editaes e officie ao sr. procurador e ao sr. ouvidor, para que obriguem o Bemvindo a demolir immediatamente o caes já fabricado e a restituir o terreno ao seu estaddo primitivo…»
PEREIRA, A. F. Marques – Efemérides Comemorativas da História de Macau in TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(3) Dezembro de 1797 «dis Manuelde Oliveira Reys cazado, e morador nesta Cidade, que elle Sup. e comprara em publico Çeilão duas moradas de cazas citas na praya de Manduco, q. forão do Def.to Ant.º Ribro, as quais tem seus caes, e perto delle ao mar hua Caldr.ª, mas sem muros, e como o Sup.e quer  fabricar as d.as cazas puxando-as m.s (mais) fora p.ª endireitar a rua, formar hua Caldr.ª na porta do Caes e mover p.ª fazer lugar p. guardar os pertences do seo Navio: e como não pode fazer sem liçenca», pede-o ao Senado. O Senado despachou favoravelmente o requerimento em 30 de Dezembro de 1797.
TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997
11-11-1829 – Nesta mesma data, este mesmo mandarim proibiu, por edital, as lorchas chinesas de aceitarem, na Praia do Manduco, (praia da ) Feitoria e outros lugares, mercadorias estrangeiras, para as transportarem, clandestinamente, para Franquia, Nove Ilhas, Leng-Teng e outros lugares (GOMES, LG – Efemérides da História de Macau, 1954)