Anualmente, no dia 23.º dia da 2.ª lua, celebra.se um pouco por todo o mundo chinês o festival de Cheng Meng (Pura Claridade).

Este culto ancestral está ligado à chegada da Primavera. Antigamente, nas grandes cidades da China, a florida estação do ano era celebrada com um ricamente cortejo pelas ruas em que se destacava a imagem de um boi, em barro, ricamente enfeitado com flores e ramos de salgueiro. Durante o cortejo as mulheres e crianças traziam nas mãos um pequeno ramo de salgueiro com a finalidade de não serem vítimas de picadas de insectos nocivos, como o mosquito, a centopeia, o escorpião, etc. Acreditava-se que, se tal precaução não fosse tomada, as pessoas estavam sujeitas a reencarnar num animal quadrúpede., como é o caso do boi, por ocasião da transmigração das almas.

A tradição do ramo de salgueiro vem do tempo do Imperador Kao Sung, (1)da dinastia Tang, que reinou de 650 a 683 A. C. Os chineses do antigamente tinham também o costume de prender, na véspera desta festividade, um ramo de pessegueiro no umbral da porta principal das suas habitações, com o propósito de se protegerem de todos os males.

É durante a celebração de Cheng Meng que as famílias chinesas vão depositar pivetes e velas aromáticas em frente das campas dos seus antepassados, onde são colocadas também pequenas malgas de arroz e pratinhos com guloseimas várias. Sobre o túmulo dos defuntos queimam-se diversos objectos de papel, incluindo o tradicional “Dinheiro do Inferno”

Em vésperas da data do ritual as famílias retiram das sepulturas as ervas daninhas que crescem durante o ano e mandam pintar de novo as inscrições que nelas figuram. No final das cerimónias em honra dos mortos, os familiares realizam uma espécie de piquenique em pleno cemitério, junto à campa dos seus entes desaparecidos, regressando a casa ao final da tarde.

Manda ainda esta tradição que, durante o período em que decorre o festival, as mulheres são utilizem agulhas de costura nem lavem os cabelos”

Retirado de BARROS, Leonel – Templos e Lendas e Rituais – Macau. APIM, 2003.

Ver anteriores referências a esta festividade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cheng-mengqingming/

(1) O Imperador Gaozong (唐高宗 – pinyin: Táng Gāozōng;cantonense jyutping: gou1 zung1) (628—683, nascido Li Zhi – 李治), foi o terceiro imperador da Dinastia Tang (618 a 906, considerado o período dourado para as artes e cultura  na China).

Gaozong governou entre 649/650 e 683. embora incapacitado em 665, por ter tido em um acidente vascular cerebral,  o governo ficou praticamente entregue  à  sua segunda esposa, a imperatriz Wu Zetian (武則天 – pinyin: Wǔ Zétiān;cantonense jyutping: mou5 zak1 tin1) (624- 705) e que fora anteriormente uma das concubinas do pai de Gaozong, o imperador  Taizong.

Gaozong faleceu em 683 e embora tivesse dois filhos, Wu Zétian manteve o controle do governo e em 690. proclamou-se Imperatriz (a única mulher na história da China que ocupou o trono imperial) e iniciou uma nova dinastia, Zhōu – 周 – que somente durou até 705., ano em que foi restaurada a dinastia Tang.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_Gaozong_de_Tang https://pt.wikipedia.org/wiki/Wu_Zetian