VISTA FRONTAL DO TEMPLO DE A MA
George Chinnery ca 1833
Tinta em papel (sem data)

Do Diário de Rebecca Chase Kinsman: (1)
Outro dia fomos visitar a “Jos House” ou templo (Pagode da Barra) no outro lado da cidade, cerca de ¾ de milha da nossa casa (2). É um lugar muito notável – jaz ali uma enorme aglomeração de rochas tombadas, como que atiradas por alguma terrível convulsão da natureza – ficando a mais alta a 130 ou 150 metros do mar. Confronta com o porto interior de Macau. O templo fica entre rochas e é dedicado à “Rainha do Céu”, a quem eles chamam a “Santa Mãe”. O templo é feito de sólidas rochas com pequenos templos ou oratórios um por cima do outro, sendo as escadas talhadas ou cortadas na rocha. Entre as fendas crescem árvores, e as videiras e flores rebentam onde quer que encontrem terra.

VISTA COM TERRAÇO DO TEMPLO DE A-MA
George Chinnery ca 1833-36
Aguarela sobre papel (sem data)

No oratório que fica mais acima estava um padre com a cabeça rapada, vestido de cabaia larga e negra chin chinning jos, ou seja, rezando.
Estava sentado num banquinho com uma espécie de mesa diante dele sobre a qual se via um vaso de cobre côncavo e outro mais pequeno aparentemente de madeira – ele tinha duas espécies de varetas de bombo na mão com que batia nele alternadamente, rezando ao mesmo tempo numa monótona espécie de canto – as únicas palavras que podíamos distinguir eram ah! Ma (4) – frequentemente repetidas – a palavra chinesa para Mãe é Má. Provavelmente, o bonzo estava rezando à “Santa Mãe” por vento favorável por alguns juncos ou barcos chineses prontos a partir para qualquer viagem. Parecia muito solene … (3)
(1) Sobre Rebecca Chase Kinsman , ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/10/13/noticia-de-13-de-outubro-de-1843-cartas-de-rebecca-chase-kinsman-chegada-a-macau-i/
(2) A família estava hospedado em casa de R. Lejee (membro da casa de Wetmore & Co.) que ficava na Praia Grande, de dois andares (o primeiro para os criados e o segundo para a família) com um jardim ladeado dum alto muro.
(3) Extraído de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana, pp. 56/57.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/17/leitura-macau-no-sec-xix-visto-por-uma-jovem-americana/
(4) “Não repetia ah! Má, mas O Mi To Fo, isto é, AMITHABA, buda invocado por eles” (3)