Quando se erguerão as setteiras,
Outra vez, do castello em ruína ?
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?
 
Se ouvirá tocar a rebate
– Sobre a planície abandonada?
E sairemos ao combate
De cota e elmo, e a longa espada?
 
Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Soltando juras, impropérios,
Pelas divisas e legendas?
 
E voltaremos, os antigos,
Os purissimos lidadores,
(Quantos trabalhos e perigos!)
Quasi mortos e vencedores?
 
E quando, ó Doce Infanta Real,
Nos sorrirás do belveder?
— Magra figura de vitral,
Por quem nós fomos combater.

Camilo Pessanha, Macau – 1895