A propósito da celebração, hoje, da Festa do «Bolo Lunar» “Ut Peang” (月饼) – 15.º dia da 8.ª lua do calendário lunar chinês, quando a lua está no seu apogeu, mais redonda, clara e brilhante, retiro do artigo “A Festa da Lua em Macau” o seguinte: (1)

Bolo Lunar – 2018

“Segundo uma lenda milenária, a Lua, YIN (陰), princípio feminino, submete-se ao princípio masculino, o Sol, YANG (陽) neste dia. Por isso, não há noite nesta data memorável da criação. A Lua, símbolo da passividade, da submissão e da feminilidade, é adorada pelas mulheres só elas batem cabeça diante do seu altar, onde ardem duas velas (todos os símbolos têm de ser representados aos pares, para assim significarem os dois elementos).

Embalagem do Bolo – 2018

Quando no seu esplendor, o astro da noite aparece por sobre as copas das árvores e dos cimos das montanhas não há canto da terra que esteja em sombra. O YANG alcançou, enfim, o YIN e juntou-se-lhe. Apagam-se todas as lanternas e lampiões, até aí acesos, e fazem-se fogueiras. As mulheres novamente vão bater cabeça em frente do altar, decorado com velas e bolos da Lua, recheados de galinha, presunto e sementes de loto. Estes bolos têm desenhados imagens de lebres e sapos – os legendários animais que habitam a Lua. Em todas as casas existe uma figura de lebre, a habitante da Lua que pisa num almofariz a pérola da imortalidade, e que, nesta noite, ´e queimada com cerimonial. A festa termina com partidas em que os pares devaneiam amorosamente.”
(1) Assinado por “M.R.C” (muito possivelmente de Maria Roque Casimiro), nas pp. 199-200 de “Mosaico” Vol. I-2 , 1950.