Com a minha bengala passeio pela margem da Praia Grande
A rua ziguezagueante estende entre salgueiros verdejantes
Contemplo uma parte do céu através da folhagem do arvoredo
Respiro o ar puro da madrugada na colina da Guia

As gaivotas voam sobre o mar que parece um espelho
Os barcos à vela voltam em ondas calmas
De manhã, compra-se peixe fresco no mercado
Esqueço os perigos da navegação

Aprendo a plantar flores nos vãos da varanda
Orquídeas e crisântemos brotam dia a dia
Aconselho a brisa primaveril que vem à janela:
Não arranques as flores para pintar os arrebóis do crepúsculo.

Versos de Liang Beiyun – 梁北云 (1907 – 2001) de 1968
Tradução de Wei Ling / Luís Rebelo in (1)

Postal (20 cm x 13,3 cm) – Fotografia de Lei Chiu Vang (2)
A Praia Grande, o hotel Lisboa, a estátua Ferreira do Amaral e a Penha
Século XX, anos 80

Liang Beiyun nasceu na província de Fujian. Estudou em Wuhan, Xangai e no Japão. Activista cultural, dedicou grande parte da sua vida à criação de escolas na China e entre as comunidades chinesas do sudeste asiático. Calígrafo, pedagogo, poeta viveu em Macau nos últimos anos da sua vida (1)
梁北云  – mandarim pīnyīn: liáng  běi yún; cantonense jyutping:  loeng4bak1 wan4
(1) ABREU, António Graça de; JOSÉ, Carlos Morais (coordenadores) – Quinhentos Poemas Chineses. Nova Veja, 2014, 390 p.
(2) Postal da Colecção “Memória Colectiva dos Residentes de Macau – Imagens Antigas de Macau, n.º 2”