http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2015/08/a-evolucao-dos-navios-da-armada-real.html
Em Novembro de 1869 a galera “Viajante” (1) embarcação mercante pertencente à firma «Bessone & Barbosa» que partiu de Lisboa para Macau (com antecedência de dois dias da corveta «Estephânia» que ia representar Portugal na inauguração do canal de Suez) (2) sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves (com vinte marinheiros) atravessou o canal de Suez, no dia 22 de Novembro (3) sendo o primeiro navio de bandeira portuguesa a fazer este. Esta nova via de navegação encurtava muito as viagens que se faziam ao Oriente pelo trajecto africano.

http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/viajante

(1) “Este navio de três mastros com casco em teca foi construído em 1850 nos estaleiros de Damão; os mesmos que já haviam realizado a fragata «D. Fernando e Glória». O «Viajante» era um navio de 377 toneladas, que media 35 metros de comprimento. Armou, sucessivamente, em galera e em barca. O seu primeiro proprietário foi a casa Bessone & Barbosa, que o utilizou no transporte de chá para a Europa. Em 1863 chegou a assegurar uma leva de tropas coloniais da metrópole para Moçambique, fazendo assim prova da sua versatilidade. Seis anos mais tarde, em Novembro de 1869, o «Viajante» (que se dirigia para Macau, sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves) foi o primeiro navio de bandeira portuguesa a franquear o canal de Suez, essa nova via de navegação que encurtava, de maneira significativa, as viagens para o Oriente. A 2 de Outubro de 1917, quando navegava de Lisboa para o Funchal com mercadoria diversa, o «Viajante» foi afundado por um submarino alemão não identificado. Apesar da zona de naufrágio do navio se situar a umas 180 milhas náuticas da terra firme mais próxima (a ilha de Porto Santo), todos os seus tripulantes (12 homens) se salvaram.”
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(2) “A 15 de Agosto de 1869 as águas do Mar Vermelho entraram nos lagos Amargos que já recebiam as águas do Mediterrâneo através do lago Timsah. A inauguração, que realizou-se no dia 17 de Novembro de 1869 no meio de grandes e exuberantes festejos, foi presenciada por Eça de Queiroz que publicou no Diário de Notícias o relato do acontecimento com o título “De Port-Said a Suez ou Carta sobre a inauguração do Canal de Suez” inserida nas Notas Contemporâneas. O Cairo sofreu profundas alterações como uma ligação rodoviária com Ismailia e a construção propositada de um teatro para que, durante a inauguração, pudesse ser representada a ópera Aida encomendada propositadamente a Verdi, que não chegou a acabá-la a tempo”.
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(3) A inauguração desta nova via de navegação foi a 17 de Novembro de 1869. Cinco dias após a inauguração a barca Viajante acabou por ser o primeiro barco português a atravessar o canal, embora esta data não seja consensual.
“Durante muitos anos tentou-se provar que a Viajante fora o único barco português presente nas cerimónias da inauguração. Estalaram polémicas e defensores vieram defender cada qual a sua dama até que, muito recentemente, já na década de 90, apareceu o diário de bordo da altura que confirmou a sua passagem pelo canal, mas 10 dias após da inauguração, ficando assim a Viajante apenas com o título do primeiro barco português a atravessar o canal.”
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“A corveta «Estefânia», o melhor vaso de guerra português na época, foi enviado ao Egipto de forma a representar Portugal na inauguração do canal de Suez (também presentes, em representação de Portugal, o escritor Eça de Queirós e o conde de Resende Luís de Castro Pamplona). Porém, em pleno Mar Mediterrâneo, numa zona denominada «gata», desencadeou-se uma daquelas tempestades que só acontecem aos «lusíadas». A deficiente acção dos marinheiros e a frustrante surpresa que a tempestade provocou, acrescidas de alguns pormenores técnicos, deve ter “inibido” bastante o vaso de guerra que, desconjuntado, não pode figurar a tempo nas cerimónias oficiais em Port Said. Tinha largado do Tejo, com a antecedência de dois dias da corveta «Estefânia», a galera «Viajante» embarcação mercante pertença da firma «Bessone & Barbosa», comandada pelo capitão José Sabino Gonçalves que, às suas ordens, tinha vinte marinheiros. A galera dirigia-se a Macau e, muito próxima do navio de guerra, sofreu o mesmo temporal, mas bem manobrada conseguiu entrar em Port Said galhardamente. Era o dia de inauguração do Canal de Suez…”
Ler este “episódio” em: “CARTA DE ÉVORA – O capitão José Gonçalves Sabino – O 1º piloto do Canal do Suez? – II – por Joaquim Palminha Silva” disponível em
https://aviagemdosargonautas.net/2015/08/11/carta-de-evora-o-capitao-jose-goncalves-sabino-o-1o-piloto-do-canal-do-suez-ii-por-joaquim-palminha-silva/
NOTA: Sobre o capitão José Sabino Gonçalves aquando da sua morte, escreveu (assinado Abrantes) a sua Necrologia no jornal, «O Occidente»  XXXII-n.º 1098 de 30 de Junho de 1909 p. 143.