“Macau presenciou, nos dias 3 e 4 de Novembro de 1956, um grandioso espectáculo desportivo com a realização do III Grande Prémio de Macau que constituiu um acontecimento invulgar na vida desta Província.
Devem-se parabéns ao Automóvel Clube de Portugal e à sua Delegação de Macau assim como à Comissão Organizadora do grande festival desportivo e a todos aqueles que contribuíram para a realização de tão magnífica prova de automobilismo.
Cerca de vinte mil pessoas presenciaram, em cada dia, as várias provas constantes do elaborado programa, enchendo as bancadas e todas as varandas, janelas e terraços dos prédios circunvizinhos.
Calcula-se em quinze mil as pessoas que de Hong Kong e outras cidades do extremo Oriente se deslocaram a Macau a fim de assistirem à grande prova desportiva. Uma verdadeira legião de jornalistas, de correspondentes de agências noticiosas estrangeiras e de fotógrafos invadiu Macau com o fim de pôr o Mundo inteiro ao corrente do grande acontecimento que não só torna esta cidade mais conhecida mas influiu de maneira decisiva na sua economia. Calcula-se em mais de um milhão de patacas o dinheiro que entrou em Macau por ocasião da realização do III Grande Prémio.
Estiveram completamente cheios todos os hotéis e pensões da cidade, sendo enorme o movimento nos restaurantes, cafés e outros centros de diversão.
Os barcos da carreira Macau-Hong Kong tiveram de fazer várias viagens extraordinárias e fim de poderem trazer da vizinha cidade inglesa todos os que desejavam assistir ao grande festival desportivo.
Nem os recentes distúrbios em Kowloon nem as notícias alarmantes que nos chegam do Médio Oriente e da Europa Central conseguiram diminuir o interesse e o entusiasmo pelo III Grande prémio de Macau.

A Bancada principal que era feita de bambu, passou a ser de cimento nesse ano

A Avenida Oliveira Salazar, onde foram construídas novas bancadas para espectadores, cabines especiais para as estações de rádio, bancadas para a imprensa e cabine para os cronometrista, além de várias tendas de comidas e bebidas, apresentava um aspecto de festa em que as cores da natureza de mistura com os vestidos das senhoras e os anúncios berrantes das diversas casas produtoras de automóveis e de venda de gasolina e lubrificantes davam ao local um conjunto de cor e luz que contribuiu em grande parte para o sucesso do grande Prémio de Macau.” (1)
As provas do dia 3 começou com o interessante corrida dos participantes, reservada a condutores que nunca participaram numa corrida de velocidade. A corrida consistia em 10 voltas ao Circuito da Guia, ou sejam, 62,750 quilómetros, sendo permitido apenas um condutor para cada carro. Dos 13 carros inscritos, apenas 10 entraram na pista para a partida no sistema das corridas de «Le Mans» (apenas um português, capitão Castela Jacques num «Citroen»). Apenas 7 carros completaram o percurso total. Ganhou o «MG A» conduzido por Paul Molyneux.
Seguiu-se a corrida reservada a carros fechados de produção corrente, com «handicap», num percurso total de 25 voltas ao Circuito, ou seja 156,875 quilómetros. Participaram 20 carros. Ganhou o carro «Fiat 1100Tv» conduzido por Robert Richie (vencedor do II Grande Prémio – 1955)
Finda a prova de carros fechados, deu-se a partida para a corrida de senhoras. Na pista alinharam 3 carros.

Triunfou a macaense Maria Fernanda Nolasco Ribeiro num «Fiat 1100TV»

A corrida por equipas realizou-se em seguida num percurso total de 15 voltas, ou seja, 94,125 quilómetros. Das 7 equipas inscritas apenas 5 participaram na prova. Cada equipa era constituída por 3 carros, de classes diferentes entre si, sendo obrigatória o mínimo de 4 voltas para cada carro. Pelo menos um carro de cada equipa tinha de ser de produção corrente. A prova foi ganha pela equipa «E» constituída pelos carros «jaguar XK140», «MGZA» e «Austin Healey», conduzidos pelos volantes britânicos respectivamente Freddie Pope, I. Granger e A.J. Winder.
O programa do dia 3 fechou com treino oficial dos carros inscritos no III Grande Prémio.
(1) Retirado de «MBI» IV-79, 1956.