Fotografia de um funeral chinês (Avenida Almeida Ribeiro ?) na década de 50 (Século XX).
Uma foto da Agência Geral do Ultramar

Constitui desgraça sem par para um chinês, porventura a maior com que a Providência o pode castigar, morrer sem ter um filho verdadeiro ou adoptivo que o chore, que lhe preste culto e lhe trate da sepultura, organizando o cortejo simbólico para que nada lhe falte no outro mundo. Para evitar tal transe, o chinês, favorecido pelos próprios costumes e tradições, quando não possuiu um filho verdadeiro e adquiriu a convicção de que a sua companheira não lhe dará tal alegria, estabelece negociações com outro das sua raça, nesse sentido mais afortunado, e compra um rapaz que possa mais tarde vir a ser o continuador da sua família. Essas compras recaem sobre garotos que ainda não possuem a noção de existência e são rodeadas de segredo para que o petiz, homem mais tarde, nem por sombras duvide da paternidade do indivíduo a quem tem chamado pai. As meninas chinesas, não podem ser utilizadas para tão importante finalidade; não perpetuando o agregado familiar onde nasceram, pelo facto de deixarem de pertencer aos seus, estando sujeitas à família do marido apenas casem, têm por isso, um valor muito relativo. Ainda hoje em que a mulher, mercê da influência dos povos ocidentais, já disputa de certo coeficiente de importância , alguns chineses omitem as filhas as enumerar a um europeu a prole que possuem . Em respeito aos costumes ancestrais, é tão natural ver-se um chinês procurando comprar um garoto não tem filho varão, como natural é encontrar.se um indivíduo que se prontifique a vender um dos seus filhos de sexo masculino, desde que não seja o primogénito. Morre, pois, tranquilo o chinês quando tem em casa quem possa executar o ritual das cerimónias fúnebres da sua raça. “
Um artigo não assinado de 1956, publicado no «Macau B. I.» III-66, 1956.