No dia 2 de Julho de 1956, celebrou-se na Sé Catedral, a festa de Nossa Senhora da Visitação, orago da Santa Casa da Misericórdia (1) a que assistiram mesários, irmãos, funcionários da Santa Casa e pobres protegidos por esta secular instituição de beneficência, fundada nesta cidade, em 1569, pelo primeiro bispo de Macau, D Melchior Carneiro, chegado a esta cidade em Junho de 1568. (2)

Quadro de Francesco Crivelli séc. XV
Santuário Santa Maria Alla Noce – Inverigo

“A devoção a Nossa Senhora da Visitação originou-se entre os primeiros franciscanos. Trata-se de uma devoção totalmente inspirada no Novo Testamento, mais precisamente no Evangelho de São Lucas 1, 39-56. Quando o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador, ele disse que Isabel, prima de Maria, já idosa, estava no sexto mês de gravidez por um milagre de Deus. Por isso, Maria foi às pressas até a região montanhosa da Judeia, à cidade de Ain Karnm, para visitar Isabel. Daí o nome de Nossa Senhora da “Visitação”. Porém somente com o Papa Pio V (papado 1566 – 1572) ela tornou-se obrigatória para toda a Igreja Latina e inserida no calendário geral das festas e no Missal romano, transferindo a data de 2 de Julho, na qual era antes comemorada, para 31 de Maio.”(3)

Santa Casa da Misericórdia
George Chinnery
Tinta e lápis em papel (sem data)

(1)Logo de início, a Santa Casa de Misericórdia tinha uma igreja (4) ao lado da sede, no Largo do Senado, consagrada à Nossa Senhora da Visitação.
(2) «MACAU B. I.» 1956.
(3) http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-nossa-senhora-da-visitacao/202/102/
(4) Embora haja dúvidas quanto às fases de construção, século XVI (?), o Provedor Luís Coelho fez obras no edifício em 1747. (5) A Igreja que foi demolida em 1883 (devido ao seu estado de ruínas) “tinha mestre de capela, organista e ‘meninos cantores’, mas estes eram mal pagos” na segunda metade do século XVIII. (6)
O actual edifício da Santa Casa foi construído no séc. XVIII, embora a frontaria de aspecto neoclássico (falsa fachada justaposta ao edifício) seja de 1905.
(5) PIRES, Benjamim Videira – A vida marítima de Macau no século XVIII, 1993.
(6) DIAS, Pedro – A Urbanização e a Arquitectura dos portugueses em Macau 1557-1911, 2005