Nesta data, 9 de Junho de 1984, José Augusto Seabra dedicou esta poesia ao poeta Camilo Pessanha com a Glosa

«Só, incessante, um som de flauta chora»
 
Gemido de água,
Sombra dorida
De tempo ou mágoa
Esmaecida
– flauta esquecida
No som que cala
Quando se exila
A gotejar
Na clepsidra

José Augusto Seabra
Macau, 9 de Junho de 1984
Oriente, 16 de Junho de 1984 (1)

José Augusto Baptista Lopes e Seabra (1937 — 2004), licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, exilou-se em França., onde se doutorou em Letras pela Sorbonne. Em 1974, regressou a Portugal, onde é professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Deputado à Assembleia Constituinte e depois à Assembleia da República, exerceu as funções de Ministro de Educação entre 1983 e 1985, embaixador na UNESCO (contribuiu neste cargo o reconhecimento de Macau como Património Cultural da Humanidade), e depois em Nova Deli, Bucareste e Buenos Aires).
Poeta e ensaísta, dos livros de poesia publicados, um está relacionado com Macau. Poemas do Nome de Deus (edição bilingue traduzida por Lu Ping Yi). Instituto Cultural de Macau, 1990 (2). A “Revista de Cultura” (Nº 11-12, 1990) publicou  um ensaio de José Augusto Seabra abordando “Camilo Pessanha e as Margens do Texto”.
(1) In p. 174 – Homenagem a Camilo Pessanha (organização, prefácio e notas de Daniel Pires), IPOR, ICM, 1990,.201 p.
(2) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/16/macau-e-o-dragao-iii/