DESENHOS

Se medito no gozo que promete
A sua boca fresca e pequenina
E o seio mergulhado em renda fina,
Sob a curva ligeira do corpete;

Desejo, num transporte de gigante,
Estreitá-la de rijo entre meus braços,
Até quase esmagar nestes abraços
A sua carne branca e palpitante;

Como, da Ásia nos bosques tropicais,
Apertam, em espiral auriluzente,
Os músculos hercúleos da serpente
Aos troncos das palmeiras colossais. …
Camilo Pessanha (1)

Versão mais concentrada que substituiu ”Lúbrica” (primeira versão) (2)
(1) PESSANHA, Camilo – Clepsidra e Outros Poemas de Camilo Pessanha. Organização e Algumas Variantes por João de Castro Osório. Edições Ática, 6.ª edição, 1973, 210 p. p- 91.
(2)  “Ainda melhor posso agora situá-lo no grupo completo dos «Poemas Iniciais», porque surgiu uma versão nova, encurtada em mais de metade, com emendas por isto necessitadas, ou Já de melhor arte, que parece substituir, e foi, de acordo com a nova forma, intitulada, também mais própria e perfeitamente, « Desejos».
Está datada de 14 de Setembro de 1885, a mais antiga poesia de Camilo Pessanha, com o título “Lúbrica”, composta de catorze quadras e incluída na segunda edição de «Clepsidra». Quatro anos depois das quadras originais, introduziu algumas variantes e, modificando o título primitivo para “Desejos”, reescreveu essa poesia, de que se reproduz o manuscrito inédito e respectiva leitura” (João de Castro Osório – Breve esclarecimento sobre esta edição ) (1)