Conta D. Madalena da Paixão (porque veio ao mundo numa sexta-feira Santa), irmã do poeta Camilo Pessanha numa entrevista que deu a Germano Silva (1), contou um episódio curioso de Camilo Pessanha:
O meu irmão Manuel era advogado em Braga. Um dia chegou a casa e disse a Camilo que o Paiva da farmácia (homem muito conhecido e estimado naquela cidade) lhe tinha pedido a ele Manuel, para defender um pobre diabo que um outro homem sem escrúpulos levara ao tribunal. E o Manuel contou ao Camilo o que acontecera. Uma injustiça que queriam fazer ao pobre homem. E com uma expressão indignada, revoltado contra o que levara o outro a tribunal, Camilo pegou num lápis e num papel e escreveu, escreveu. No fim deu-o ao Manuel e disse-lhe «aqui tens a defesa desse pobre homem». E O Manuel leu aquilo que Camilo escrevera, decorou tudo e no tribunal reproduziu-o de cor e o homem foi absolvido.
(1) Publicado no «Jornal de Notícias», de 14 de Setembro de 1967.