Artigo de Carlos Amaro (Frei  Carlos) publicado na revista «Ilustração» de 1926
“… Um dia me contou que os carrascos chinas, os mais subtis doutores na complicada Sciênca da Tortura, sabiam conservar por largo tempo a vida aos condenados, e que, ao fim de muitas horas de minucioso e bem detalhado suplício, ainda conseguiam despertar uma dôr nova e mais aguda, arrancar a vítima algum inesperado grito. Após meio dia seguido do mais atroz e contínuo sofrimento, um Mandarim, que fôra crucificado, ainda fazia balouçar e trêmer toda a sua cruz, o corpo inteiro vibrando de dor sob os finos, habilíssimos golpes do cutelo de um notável Mestre inquisidor manejava com inexcedível arte. E sempre o senhor carrasco conservava numa das mãos o seu leque de sêda e sândalo, com que, ao mesmo tempo, se ia abanando e defendendo das gôtas de sangue que lhe pudessem saltar à face sorridente…”

Foto da Biblioteca Nacional