Esta lenga – lenga tem a particularidade de se referir às velhas amas africanas – Chacha di Congo – que eram levadas para Macau no séquito de seus senhores portugueses e as relações, que se diz nunca terem sido muito boas, entre africanos e chineses em Macau:

Chacha di Congo, de melmissó
Vai botica comprá missó
China dá pôco,
Chacha querê tanto
China dá-le-chacha
Chacha berá: Aió

A velha do Congo vai à loja comprar misso (molho de feijão), o china da loja dá pouco, ela exige mais (pelo mesmo dinheiro), o china bate-lhe (dá-le) e a velha berra: Aió .
 
Chacha – avó; mulher velha (actualmente a palavra é usada em sentido jocoso)
Conversa de chacha – conversa de velhas, conversa sem interesse (1)
No livro OU-MUN-KEI-LEOK (Monografia de Macau), (2) o tradutor Luís Gonzaga Gomes, apresenta uma pequeno vocabulário com transcrição fonética dos termos portugueses/macaenses para a pronúncia chinesa e a respectiva tradução em chinês.
Assim para o termo «chacha»

Xá-Xá (avó)  ———Tchi –tchá 自茶 —–em chinês A-pó

(1) Retirado de BATALHA, Graciete – Os Poetas Populares Macaenses.
Trabalho apresentado no III Encontro de Poesia realizado em Vila Viçosa, de 6 a 10 de Junho de 1987, iniciativa de «Património XXI», com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Viçosa.
(2) OU-MUN KEI-LEOK (Monografia de Macau) por Tcheong-U-Lâm e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do Chinês por Luís G. Gomes, 1950.
mandarin pīnyīn: yà pó; cantonense jyutping: aa3po4
自茶mandarin pīnyīn: zì chá; cantonense jyutping: zi6 caa4