O semanário «Gazeta das Colónias», n.º 13 do dia 6 de Novembro de 1924 (1) noticiava num artigo “Macau – O exclusivo do ópio” :
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-i“Do nosso presado colega «O Combate» recortamos o seguinte:
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-iiDas indegações que temos feito ácêrca do exclusivo do ópio em Macau, alguma coisa colhemos já, que muito hade interessar aos nossos leitores e que merece a mais série atenção do Governo da Metrópole.
Sabe-se por, exemplo, que segundo o contrato celebrado pouco antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues, (2) e que até hoje se conserva oculto, esse obrigam o concessionário a pagar no governo a taxa de 8 7000 por cada caixa de opio crú importado da Índia, onde o preço de cada caixa é fixado em 8 3000, mas que, não sendo o opio importado da Índia, o concessionário pagaria a taxa na razão inversa do preço que cada caixa lhe viesse a custar … conforme a simples declaração por ele feita!
Assim pois, segundo nos consta, o concessionário, ainda antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues, importou de fóra da Índia uns 13.000 taeis de opio crú, correspondentes a 7 caixas, e apenas pagou ao Governo a taxa de $ 2500 por caixa, simplesmente por ter declarado que cada caixa desse opio lhe custára $ 7500 !!
Mas o que se afigura muito extraordinario esse tem prestado a comentários pouco agradáveis, é que a esse mesmo tempo – antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues -, conforme nos afirmam, importou o concessionário mais uns 4700 taeis de opio já preparado, correspondentes a 4 caixas e meia, ou pouco mais, e foi-lhe permitido pagar apenas a taxa equivalente ao conteúdo de uma só caixa !!!
Comentava  o mesmo semanário:
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-iii“A ser assim, é na verdade caso que merece toda a atenção do sr. Ministro das Colónias, pois não se compreende que, como refere o nosso colega, se deixe ao arbítrio do concessionário, a fixação da taxa a pagara ao Estado.
Tal regime, podendo conduzir a sérios prejuízos para a Província, presta-se pelo menos a graves suspeições que convem evitar.”
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-obras-do-portoOutra informação, também referente ao território, visava as “Obras do Porto
“ Tivemos informação de que se pretender dar a quantias tiradas dos fundos das obras do Porto de Macau, aplicação diferente daquela a que estão destinadas.
Sem mesmo procurar indagar qual seja essa aplicação, opomos desde já o mais formal protesto a tal procedimento, por ser contrario á doutrina do decreto da organização do Conselho de Administração das Obras do Porto, o qual ao mesmo tempo que torna essa administração autonoma, proíbe expressamente que os seus fundos tenham qualquer utilização fora das obras para que foram votados.”
(1)  Ver anteriores referências a este semanário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gazeta-das-colonias/
dr-rodrigo-jose-rodrigues-1879-1963(2) Dr. Rodrigo José Rodrigues (1879-1963), médico formado em 1902 iniciando neste ano, a sua carreira médica no exército (em Cabo-Verde e Goa) atingindo o posto de capitão-médico, político da Primeira República, Ministro do Interior do governo de Afonso Costa (1913-1914), governador civil do Distrito de Aveiro (1910) e do Distrito do Porto (1911), deputado (1913; 1918-1922), director da penitenciária de Lisboa e inspector de prisões (1919) vogal do Conselho Colonial, primeiro governador civil de Macau (de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924) e adido da legação de Portugal na Sociedade das Nações (1924-1927).
Anteriores referências a este governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rodrigo-jose-rodrigues/