No dia 11 de Setembro de 1509, chegou Diogo Lopes de Sequeira (1) a Malaca com instruções de D. Manuel, para colher com minúcia quantas informações pudesse sobre os chineses que apareciam a negociar em Malaca e de tudo quanto que a respeito deles fosse de interesse. Sequeira encontrou quatro juncos chineses mas não conseguiu cumprir plenamente a missão de que ia incumbido, devido à hostilidade dos malaios. (2) (3)

Mapa de Fernão Vaz Dourado ca 1576Atlas atribuído a Fernão Vaz Dourado, ca 1576 (9)

Em 1509, Ruy d´Araújo, escreveu da prisão, em Malaca, a Afonso de Albuquerque, fazendo descrições do local e referindo-se aos «chins». Envolvido num traiçoeiro ataque contra o primeiro português que pisou as ilhas Léquias (Liu-Kiu), (4) deu ainda notícias dessas ilhas cujos habitantes eram chamados gores ou gaores sendo esta a primeira referência europeia a tais nomes.
Em 1510, Afonso de Albuquerque conquista Goa e em 1 de Julho de 1511, ancorou em Malaca (5) para conquistar a cidade. Afonso de Albuquerque requereu  que lhe fossem entregues os prisioneiros portugueses. Devido ao insucesso do pedido, tomou a cidade a 15 de Agosto de 1511).(6)
Os chineses de 5 juncos, que foram detidos pelo Rei de Malaca com o fim de se servir deles contra o Rei de Daru, indignados, ofereceram-se para auxiliar os portugueses na conquista de Malaca, oferta que Albuquerque recusou, por motivos políticos e porque desejava que os chineses fossem testemunhas do valor português no ataque à cidade. Aceitou porém os juncos, para desembarque dos seus homens. Os chineses encantados com Albuquerque (7) ofereceram-se para transportar até ao Sião, nos juncos de regresso à China, os seus embaixadores; e tão boas informações prestaram a respeito dos portugueses que o Imperador da China fez-se surdo ao pedido do embaixador de Malaca, de auxílio contra os portugueses.(2)
(1) O Rei D. Manuel de Portugal mandou Diogo Lopes de Sequeira, em 1508, «descobrir» Malaca e «perguntar pelos chins»” (8)
(2) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) Para evitar a sua captura, teve de fugir apressadamente, regressando a Portugal em 1510.  Alguns portugueses, contudo, ficaram realmente presos em Malaca. (8)
(4) “A forma Lequios (do chinês Liu-Kiu, equivalente ao japonês Ryukyu, não é só plural do gentílico mas também usada como topónimo para se referir a uma ilha e um arquipélago. Por “léquios” Jaime Cortesão reconhece a Formosa e Riukiu. Os léquios eram referidos também pelo termo “gores” para designar os habitantes do arquipélago Riukiu com a Formosa” (RODRIGUES, Afonso X. C. – As Viagens de Mendes Pinto: guia para um mapa.
https://books.google.pt/books?id=1b-riejt4pAC&pg=PA65&lpg=PA65&dq=ilhas+l%C3%A9quias+liu+kiu&source
(5) A importância de Malaca fora reconhecida nas instruções que D. Manuel dera aos comandantes das frotas que largaram de Lisboa em 1509 e 1510, embota tivesse cabido a Albuquerque realizar a conquista”. (BOXER, C. R. – O Império Marítimo Português 1415-1825. Edições 70.
(6) Entre os oficiais de Albuquerque encontrava-se Jorge Álvares, capitão do «San Juan Rumessa».(8)
(7) Afonso de Albuquerque escreveu ao Rei de Portugal em 1 de Abril de 1513, mencionando, entre outras coisas, que «Malaca é o terminal dos comerciantes da China»“(8)
(8) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 1997
(9) Sobre Fernão Vaz Dourado ( 1520-1580) e mapas a ele atribuídos ver em:
http://purl.pt/369/1/ficha-obra-vazdourado.html
e referência anterior neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/10/noticia-de-10-de-abril-de-1586-macau-elevacao-a-cidade/