No dia 31 de Julho de 1768,  António José Pereira Soares de Azevedo foi provido no cargo de cirurgião da cidade de Macau, tendo apresentado cartas de exame de cirurgião, anatomia e sangria (1), por tempo de três anos, com o vencimento de 300 taeis, por ano, em quarteis. (2)
(1) O cirurgião da cidade era o médico contratado pela edilidade. Nessa época (final do barroco) a medicina ainda estava baseada no galenismo e as terapêuticas, além da técnica operatória galénica estavam limitadas aos medicamentos vegetais (aparecimento da farmácia conventual), clisteres, purgas e sangrias.
As sangrias eram efectuadas pelos cirurgiões e pelos chamados “barbeiros sangradores”. Estavam indicadas para eliminar as impurezas contidas no sangue no tratamento das inflamações, da febre e da dor. Utilizou-se muito também em casos de epidemia como medida preventiva.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
António Ribeiro Sanches (1699-1783)NOTA: É dessa época,  a acção do médico português António Nunes Ribeiro Sanches, (1699-1783), grande intelectual e enciclopedista (médico, filósofo, pedagogo, historiador, etc.). Formado em Direito pela Universidade de Coimbra e depois em Medicina pela Universidade de Salamanca (1724). Fugiu de Portugal por  causa da Inquisição. Esteve de 1731 a 1747, na Rússia como médico da czarina Ana Ivanovna.  De 1747 até à sua morte trabalhou em Paris. Colaborou na edição da “Encyclopédie” de Diderot: ” Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers” (1750-1772).
Na Medicina distinguiu-se como venereologista. Principais obras: “Dissertação da doença venérea” (1751);  “Cartas sobre a educação da mocidade”  (1760) e “Método para aprender a estudar a Medicina” (1763).