O Conde Dom Luís de Meneses, Vice-Rei da Índia, (1) perante a falta de moradores na cidade, providenciou, proibindo o convento de receber mulheres para religiosas e ordenando às mesmas que casassem com os portugueses que se achavam na cidade.(2)(3)
Outra notícia de 26 de Dezembro de 1718 : “O Senado regozija-se ao fazer o balanço do ano: «… com os rendimentos se ve esta Cidadde dezempenhada das maiores dividas, como são a da Caza da Misericordia em maioria de dez mil taeis, e a do rei de Siam em três, e a de hum Armenio, o Cabbido, e alguns Moradores
Manuel Favacho (4) faleceu, deixando dote de casamento para 20 órfãs. Deixou ainda 400 pardaus para se  celebrar na Igreja da Madre de Deus a novena e festa do Espírito Santo; e legou  aos jesuítas a administração da viagem à Cochinchina durante alguns anos. É provável que a doação às meninas órfãs levasse o Senado a fundar o Recolhimento da Santa Casa, de que nos fala Frei José de Jesus Maria. De facto, a 26-12-1718, o Senado determinou que se destinasse meio por cento para a sustentação das «meninas órfãs, filhas de Portugueses, que com o beneplacito  do Procurador, e mais Irmãos da santa casa, se fara nela um recolhimento  com mais uma Senhora  grave para Mestra das ditas Órfãs e duas servideiras, dando a cada uma três pardaus para seu subsídio , do dito por cento, e o que restar ficasse em um cofre depositado na mesma Casa da Misericordia para dote das órfãs.»
As vocações religiosas femininas eram numerosas; em 1678 , o V.R.D. Rodrigo da Costa (1686-1690) ordenara ao Senado que  proibisse, sob pena de 500 pardaus, que qualquer rapariga ingressasse no  Mosteiro de St.ª Clara.
A 7 de Maio de 1718, o Conde de Ericeira D. Luís de Meneses V. R. da Índia (1717-1720), dá as seguintes providências sobre as freiras de St.ª Clara: «Porque sou informado que uma das causas da decadencia da Cidade de Macau é a falta de moradores portugueses, e que esta procede da quantidade de mulheres que, tendo dotes com que poder  casar, se meteram a maior parte freiras; e , para evitar este prejuizo, ordeno e mando que, estando completo o numero de Religiosos do Convento daquela Cidade, se não recebam mais mulheres para religiosas, e se casem com os dotes que tiverem com os portugueses que se acharem na dita Cidade, para assim  se remediar a falta que esta experimenta de moradores e se frequente o comercio e se aumente a terra; e o Governador da Cidade de Macau  e o Senado da Camara dela darão inviolavel desta minha ordem».
É claro que esta ordem ficou letra morta; e o número máximo de freiras, que era de 33, foi elevado para 40 pelo bispo D. João do Casal em 17 de Janeiro de 1713.(3)
Luís Carlos Meneses 5.º Conde Ericeira(1) Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses, 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (1689 — Goa, 1742), homem com grandes conhecimentos literários e artísticos e um bom estratega militar, foi vice-rei e capitão-general da índia portuguesa entre 1717 e 1720 e entre 1740 e 1742. Considerado como um dos bons governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga. Efemérides da História de Macau, Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(4) Manuel Favacho foi vereador, grande mercador (proprietário de barcos de mercadorias) de Macau, no século XVIII.
25-10-1713 – O Senado precisava de mais de 6 000 taíes para as despesas dum ano, mas nada possuía, antes devia dinheiro. Os religiosos e o clero declararam que só podiam emprestar pouco mais de 1 000 taíes; ora o povo não podia dar as restantes 5 000. Resolveu que a vereação do ano seguinte pagasse primeiro as dívidas: 300 e tantos taéis a Manuel Favacho, 700 e tantos à Ouvidoria; 1 000 a Misericórdia. Para isso, aumentava-se um e meio por cento dos direitos.
1713 -Manuel Favacho deixa à Santa Casa 2 000 pardaus; um quarto para viúvas e órfãos; um quarto para missas por sua alma; e o resto para desempenhar a prata da Santa Casa e da Igreja de S. Lázaro. Deixa mais 1000 pardaus para dote anual de casamento duma órfã , filha de portugueses e ou de irmão de St.ª Casa.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol.2, 1997)