MOSAICO I-6 FEV 1951 SALVE MACAU (IV) Jaime Robarts

A Jaime Robarts (1)
e
Luís G. Gomes (2)

Ao sol do estio, adusto e irisado,
É vê-las tão soberbas de elegância –
Polícromas cabaias que, à distância,
Sugerem-me um jardim jamais sonhado.

Depois, mais perto, aspira-se a fragrância
Da flor-mulher – oh cândido pecado !
E aí começa. aí esse endoidado
Desejo de a colher, inútil ânsia ….

A flor é esquiva, tímida, mimosa,
Bela, desdenha até a própria rosa,
E entre os lótus reais refulge ainda ….

Flor tornada mulher – obra divina ! –
Mulher tornada flor, áurea neblina
Que doira os céus do amor e é sempre linda!

Hernâni Anjos

Ver anteriores sonetos em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hernani-anjos/

(1) Jaime Robarts  entrou para a Imprensa Nacional como compositor de terceira classe do Quadro a 19 de Julho de 1922, subindo na carreira até chegar a Administrador em 1954, aquando da inauguração do novo edifício a 28 de Janeiro de 1954.
Ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/28/noticias-de-28-de-janeiro-de-1954-inuagura-cao-do-edificio-da-imprensa-nacional/)
(2) Referências anteriores a Luís Gonzaga Gomes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-gomes/