A 10 de Abril de 1586, o Vice-Rei D. Duarte de Menezes elevou a povoação de Macau à categoria de cidade, outorgando-lhe os privilégios da cidade de Évora (1)
Marques Pereira afirma que possuía o documento  “Treslado dos apontamentos que se mandão pedir a S. Mag. pelo D. Gil de Maltta pª. o bem  desta cidade, e bom governo delle no jan.º de 1592” e reproduziu-o (parte) no ” TA-SSI-YANG-KUO, vol II, p. 526″
«que vendo os moradores hir a povoação em grande crescimento sem nella haver nehum modo de Camera, nem governo no an.º de 1585 se ajuntarão e com o parecer do B.º e Capitão da terra ordenarão que Macao se pozesse em ordem de governo , como as cid.es do Reino, e do Estado d Índia, e conforme a ordenação elegerão juízes e vereadores, Procurador de Cidade e Escrivão de camera, e tomarão por nome Cid.e do nome de D.s com que até então correrrão.
A Eleição da Cid.e e Vereação foi aprovada pelos Viso-Reis da Índia , e o V. rei D. Duarte de Menezes lhe passou patente em nome de S. Mag.e  pelo qual lhe concedeo o nome de Cid.e e tendo respeito a ella se criar p.r  si e seos moradores concedeo a Camera, e officiaes d`ella que  pudessem eleger hum dos moradores para juiz dos Órfãos, e dar-lhe escrivão, que fosse vitalício, ou tribunal e o mesmo a respeito do Escrivão d´ant.e  os juízes ordinários»

Pormenor do atlas de Fernão Vaz Dourado 1571Pormenor (Reino da China – Camtam) do “Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado” de 1571

(1)  Foi esta Cidade contemplada por Carta desta data (10-04-1586) passada pelo Vice Rey D. Duarte de Menezes, com o título da Cidade de Nome de Deus na China, e com os privilégios, honras, liberdades e preeminências da Cidade de Évora, os quais privilégios foram confirmados por Alvará de S. M., de 18 de Abril de 1596 e o depois o foram igualmente por outro Alvará de 1709 (BRAGA, Jack – A Voz do Passado. 1987)
O Vice-Rei , D. Duarte de Meneses, conde de Tarouca, confirmou, em carta desta data, a denominação de «Cidade do Nome de Deus na China», concedendo-lhe os mesmos privilégios de Santa Cruz de Cochim, que eram os mesmos de Évora. Macau foi, portanto, elevada, nesta data, à categoria de cidade com as mesmas liberdades, honras e preeminências da cidade de Évora. Pediram, em seguida, os moradores, a  el-Rei Filipe,  todas as prerrogativas da cidade do Porto mas os alvarás de  Março de 1595 e 18 de Abril de 1586 ratificaram simplesmente a concessão  feita e bem assim o de 1709. Nesta mesma data o Vice-Rei Dom Duarte de Meneses passou a um alvará, dando poderes e faculdades à Câmara de Macau, para prover os seus oficiais por triénios.(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954).

Parte do atlas de Fernão Vaz Dourado 1571Parte do “Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado” de 1571

NOTA: para quem estiver interessado e viva na cidade do Porto (ou arredores), aconselho uma visita à exposição que está presente, de 7 de Abril a 1 de Maio, no Palácio da Bolsa, onde estão expostas as réplicas exactas e “quase originais” das principais jóias da cartografia portuguesas, incluindo o Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado, de 1571 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa) conhecido como o mapa dum cartógrafo português em que pela primeira vez está assinalado “Macau”.
Estão expostas três dezenas de obras destacando-se as quatro obras-mestras da cartografia portuguesa e universal: Atlas Miller (1519), Atlas Vallard (1547), Atlas Universal de Diogo Homem (1565) e Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado (1571). Além dos mapas, estão expostas o Breviário de Isabel I, o Livro de Horas de Henrique IV de França, o Livro de Horas de Carlos de Angulema, o Livro de Horas de Henrique VIII, Livro da Caça de Gaston Phébu, a Bíblia de São Luís, o Apocalipse Gulbenkian e o Livro da Felicidade pedido pelo Sultão Murad III.