“A indústria do fabrico de panchões (1) era antiquíssima neste território, sendo segundo cremos, uma das que mais longe levou o nome de Macau, particularmente para as regiões onde se fixaram os maiores núcleos de emigrantes de origem chinesa.
Trata-se duma actividade que, antes de a indústria fabril se alargar à escala em desde há anos se encontra e com tendências para progredir ainda mais, ocupava mais braços, pelas variadas operações que exige.
Era o artesanato, por excelência, da população chinesa de Macau, que não impõe, praticamente, nenhuma técnica especial, obrigando apenas a uma paciência inalterável, em que se empregava gente de toda a idade, incluindo velhos de avançada idade e crianças ainda nos verdes anos de vida. Executava-se em casa, tantas vezes nos pátios ou à porta da rua.

MACAU B.I.T. XI - 1-2, MAR-ABR 1976 PANCHÕES IPrimeira fase da preparação dos panchões
初炮加 (2)

Com ele se conseguia um suprimento ao magro orçamento doméstico, aproveitando-se todo o tempo quer chovesse quer fizesse frio, porque aquele em nada impedia o desenvolvimento da tarefa. E os instrumentos, nas fases da preparação em que eram usados, caracterizavam-se pelo seu aspecto rudimentar e inteiramente primitivo, sendo notável o que é conhecido pela designação chinesa de «chó pau ká»,  (2) que serve para enrolar os invólucros dos panchões.
Quem vive nos bairros mais pobres da população chinesa conhece muito bem o monótono e cadenciado ruído que este instrumento produz no seu infatigável trabalho que, este instrumento produz no sei infatigável trabalho que, por vezes, não pára senão altas horas da noite. e quando as encomendas urgiam só de madrugada os braços se deixavam cair de cansados de tanto vaivém que imprimiam ao enrolador. ..(…) “(3)
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(1) Panchão (conhecido no Ocidente pela descrição dos primeiros europeus viajantes como “estalos da China”) – foguete chinês, pequeno pacotinho de pólvora que rebenta sem subir ao ar.
Étimo – Chinês p´au cheong, 炮 仗 (mandarim pinyin: bào zhàng; cantonense jyutping: paau3 zoeng3) ; com o mesmo sentido:  embrulho de pólvora.
(2) 初炮加mandarim pinyin: chū bào jiā; cantonense jyutping: co1 paau3 gaa1 – Começo (primeira parte) acrescentar pólvora.
(3) 1.ª parte do artigo, não assinado, em “MACAU B. I. T.” , 1976.
Anteriores referências aos panchões,  ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/panchoes/