Visconde de Arneiro IA 22 de Novembro de 1838 nasceu em Macau, José Augusto Ferreira da Veiga , (1) filho varão de Joaquim José Ferreira Veiga, natural de Braga e de D. Joana Ulman Veiga, filha de súbditos holandeses.
Descendente de famílias nobres e titulares (Viscondesn dos Olivais, Viscondes de Oleiros, Condes de Bolhão, Viscondes de Ottolini), nos seus verdes anos mostrou logo possuir de uma invulgar inteligência e de uma tenaz vocação para a música.
Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1855 e seguiu o curso de Direito, saindo bacharel em 1859. No tempo de estudante, já se apresentava como distinto músico, sendo-lhe confiada a direcção do Teatro Académico de Coimbra (a sua opereta «A Questão do Oriente» foi estreada neste Teatro em 1859).  Acabado a sua formatura, era já um distinto pianista, colhendo honrosos louros por bastantes composições suas, especialmente operetas.
Entrou também na política tendo sido eleito deputado por Sabugal, na legislatura de 1861 a 1864.
O ” ballet”  de 1866 «Ginn» foi executado em Lisboa com grande sucesso. e em 1871 «Te Deum»
A sua ópera-ballet «O prodígio ou o elixir da mocidade» («L’elisir di giovinezza»), opereta escrita em italiano pelo poeta francês Jean Jacques Magne teve estreia no Real Teatro de São Carlos, do dia 31 de Março de 1876. Na noite em que se estreou em Lisboa, el-rei D. Luís, que assistiu à audição, mandou-o chamar o maestro e compositor ao seu camarote e declarou-lhe que desejava agraciá-lo com o hábito da Ordem de S. Tiago. No entanto não foi bem acolhido pelo público por isso decidiu deslocar-se para Itália onde aprofundou os seus conhecimentos e e depois em Paris, onde apresentou algumas composições suas.
Em Itália apresentou o melodrama «Dina la Derelitta»  (versão/revisão  melhorada da ópera-ballet «L’elisir di giovinezza») que obteve o 1.º prémio num torneio internacional em Milão (Teatro Dal Verme)  recebendo a medalha  de ouro.  Esta peça estreou-se em Lisboa no Teatro S. Carlos em 14 de Março de 1885.
Desde 1885, fixou residência em Itália onde adoptou uma filha, Mary de Arneiro, (2)
Visconde de Arneiro II

Em 1876 do Fotógrafo Alfred Fillon
Centro Português de Fotografia
http://digitarq.cpf.dgarq.gov.pt/details?id=88288

A  sua última ópera, «Don Bibas», baseado na novela “O Bobo” de Alexandre Herculano não chegou a ser estreada, mas evidenciava a tendência nacionalista que se começava então a sentir-se no meio musical português.
Faleceu em San Remo, Itália aos 7 de Julho de 1903.
Algumas das composições mais consagradas ( obras sob a influência italiana). em Lisboa ( Teatro S. Carlos) e no estrangeiro:
«Polonaise de concert» 1872
«Refrains du printemps»
«Symphonie Cantate»
«Ginn»,ballet, 1866, (Lisboa)
 «Te Deum»,  1871 (Lisboa)
Ópera ballet «O prodígio ou o elixir da mocidade» («L’elisir di giovinezza») 1876
Melodrama «Dina,  La Derelitta» 1885
NOTA I:  Existe no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, (3) uma carta do Visconde do Arneiro de 02-06-1897:
O Visconde do Arneiro dirige-se ao conselheiro Ferreira do Amaral, embora não o conhecendo pessoalmente, mas “sem embargo, a ninguém é desconhecido o seu caráter obsequioso“, pede para o seu filho José Augusto Ferreira da Veiga a residir em Itália academicamente, com modesta mesada, possa viajar no navio “Adamastor” ou em outro da marinha, com destino a Lisboa, a fim de resolver questões familiares, e ele próprio também “não estando preparado para qualquer desembolso extraordinário” (carta com brasão, remetida da Província de Génova, Quarto al mare – Villa de Ferrari).
NOTA IINo seu artigo, de 1896, dedicado ao estado da música em Portugal e redigido para ser publicado em França, Miguel Ângelo Lambertini  enumera três compositores, como sendo os mais representativos da criação musical portuguesa: o Visconde de Arneiro, Alfredo Keil e Augusto Machado. Curiosamente, a mais importante, ou, pelo menos, a mais significativa parte da produção dos três foi destinada aos teatros de ópera, como, de resto, o próprio Lambertini salienta na sua exposição…(…)…
… De facto, em 1896, a Amphion (4) voltou a informar sobre o mesmo assunto aos seus leitores, anunciando a preparação de uma nova ópera sobre o mesmo tema, desta vez, (5)  da autoria do Visconde do Arneiro … (6)
NOTA III – O visconde do Arneiro em 1870 herdou a propriedade «O  Palacete Castilho» na Rua da Escola Politécnica do n.º 38 a 48
http://aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt/2015/10/rua-da-escola-politecnica-iv.html
(1) O título de Visconde do Arneiro foi-lhe conferido pelo el-rei D. Luís, por Decreto de 17 de Julho de 1870. O Visconde casou em 1859 com D. Virgínia Francisca da Silva, filha de Manuel Gonçalves da Silva, abastado capitalista e comerciante em Macau e em Lisboa e de Da. Francisca Josefa da Castro Silva, natural de Macau.
Informações recolhidas de MACAU Bol. Inf, 1954,  e GOMES, Luís G.- Efemérides da História de Macau, 1954.
Mary de Arneiro- Mary Gigli(2) Mary de Arneiro, de nome Maria Clotilde Gigli – futura estrela do canto com estreia em S. Carlos, em 10 de Dezembro de 1891 como Margarita no Fausto de Gounod e depois percorrendo os melhores palcos de ópera da Europa, até 1911. Passou os últimos anos na vila de Loano e está enterrada no velho cemitério de Sanremo ao lado do pai.
http://www.lavoceantica.it/Soprano/D’Arneiro%20Mary.htm

Retrato da cantora lírica Mary de Arneiro (190?)
Foto Guedes 1885-1932
http://gisaweb.cm-porto.pt/creators/12/documents/?page=39

(3) http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=4716477
(4) «Amphion»:  publicação quinzenal de música, teatro e belas artes, 1881-1898
(5) «Centenário da Índia. Uma ópera do Visconde do Arneiro», «Amphion» de 14, 31-VII-1896.
(6) CASCUDO, Teresa  –  A década da invenção de Portugal na música erudita (1890-1899) in Revista Portuguesa de Musicologia n.º 10, Lisboa 2000, pp. 181-226.
http://rpm-ns.pt/index.php/rpm/article/viewFile/96/103