GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa IUm artigo do Governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa, (1) publicada na Gazeta das Colónias em 1926, em 5 páginas , “História e Lei Económica de Macau (1516-1833)”
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa IIIlhota montanhosa onde a rocha granítica, aflorando, represa a aluvião do estuário imenso de três grandes rios confluentes, liga-se na direcção N. S. por uma restinga de areia com outra ilha maior que se estende, como continente, para as bandas da grande cidade de Kuantung (Cantão lhe chamamos nós).
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa IVEntre a pequena península assim constituída e uma ilha fronteira da mesma natureza – como são tantas outras daquele imenso estuário, dos maiores, dos mais ricos e dos mais povoados do mundo – fica uma estreita passagem onde se juntam comas do mar as aguas dos rios, sempre barrentas e carregados de aluvião, como todos os grande pais dos Tsins (dos Xins, diziam os nossos governadores, e assim foi que nós, portugueses, fizemos o nome de China que todos adoptaram e a própria China só usou pela primeira vez oficialmente, em 1912, quando da proclamação da sua Republica). …(…)
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa III(1809)
Agora são tambem os ingleses que com uma forte esquadra veem a Macau para a ocuparem (a titulo de nos defenderem contra o nosso inimigo comum da época – os franceses. Desembarcaram e querem apossar-se da cidade; mas o patriotismo de Miguel de Arriaga triunfa do lôgro com outro lôgro, fazendo ver ao almirante que os chins, amigos de Portugal, só a este cederam o direiTo de ocupar e não a outros. E de novo embarcaram… (…)
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa V1833-1848
Dominavam no Oriente nessa ocasião, as grandes companhias soberanas: a inglesa das Índias Orientais, a francesa e a holandesa, etc. Com a China, porém, não há outra porta de comércio: – é Macau. Mais tarde conseguem elas também feitoria em Cantão; mas continuam fazendo de Macau o seu interposto de segurança… (…)
Foi nessa altura que na China apareceu, introduzida pelos holandeses, o maior de todos os negocios da China, o maior de todos os seus flagelos politicos – o ópio para fumar… (…)
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa VI1910
Nos nossos dias:
Um sopro de reacção agita o organismo nacional. A nação tenta chamar os valores da sua grel à direcção das suas actividades.
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa VIIVejamos o seu reflexo em Macau: desde 1876 que em Macau já não partem, navios armadores locais para a Índia, África e Lisboa. As relações directas essenciais à vida como a de todas as partes do organismo com o coração e o cerebro, pelo sangue e pelos nervos, interrompe-se de vez. Como viver assim? Macau queda-se por isso na vida duma cidade chinesa, mais policiada apenas. Não ha comercio; não ha industria propria. Pesca … jogo … pouco mais, apesar da complacencia sempre grande da gente que ali fluiu do populoso pais em que a cidade esta… (...)
GAZETA DAS COLÓNIAS 34-36 30OUT1926 Artigo de Tamagnini Barbosa VIIIO problema de Macau não é local, mas nacional, e que não é ocupação politica, mas economica, mostra-o sempre a sua vida e a sua historia desde a origem. É essencialmente uma cooperação de forças sociais de países distantes cujos interêsses economicos, de produção e trabalho e até políticos, se harmonizam e completam. Trabalhemos pois a e este sentido: o futuro falará por si.”
(1) Anteriores referências a este governador:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/