O secretário da embaixada de Lord Macartney à China, Sir George Staunton, (1) traduz o seguinte documento chinês sobre os inícios de Macau:
No distrito de Heang-shan-hien, (2) a uma distância de cem li (3) da cidade do mesmo nome, há um promontório que dá para o mar e está ligado à terra firme por um estreito istmo (4) como a folha do lírio da água (lótus), se apoia na sua haste.
A cidade é construída sobre este promontório e é totalmente habitada só por estrangeiros, sem nenhuns chineses entre eles: mas no limite (5)  está estabelecida uma alfândega para examinar todas as pessoas e mercadorias que passam dum lado para o outro.
O solo não produz arroz, sal ou vegetais, sendo isto enviado do interior para lá.
Dentro da cidade um oficial europeu preside com a categoria semelhante à dos governadores de províncias. Todos os éditos e comunicações governamentais lhe são explicados por meio de intérprete.
Um dos seus costumes peculiares é saudar tirando o chapéu.
Nós recebemos deles pelo comércio artigos de marfim, âmbar, tecidos finos e grosseiros, pau-brasil, sândalo, pimenta e vidro… “.(6)

(1) Ver referência anterior em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/
George Leonard Staunton (1737-1801), botânico, foi secretário de Lord Earl George  Macartney, na primeira viagem da Embaixada de à China, em 1792-1794. A embaixada passou por Macau, no regresso de Pequim, e esteve de 14 de Janeiro de 1794 a 8 de Março desse ano, para reparação do navio.
Autor do livro – “An Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China, 3 vols, London: Nichol 1797”
(2) Distrito de Tcông Sán ou Heong Sán.
(3) Um quilómetro é igual a dois li ou lei, cem li é igual a cinquenta quilómetros.
(4) Istmo das Porta do Cerco.
(5) Porta do Cerco.
(6) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Primórdios de Macau, 1990