Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU”

Souvenir de Macau 1910 jardim Chinez

 “UM JARDIM CHINEZ”

Jaime do Inso escreve sobre este “Jardim Chinez” – o jardim de Lou Lim Ioc (também conhecido por Jardim de Lou Kao):
“Estes jardins, ali para os lados do Campo do Tap Seac, encerram uma vivenda cheia de verdadeiras fantasias orientais, formada por um palacete, pavilhões, lagos com pontes caprichosas, grutas artificiais, cascatas, flores, muitas flores, sendo de admirar como so chineses, com a aparência que nos manifestam tanto as apreciam.
Encontram-se ali recantos de verdura, fechados, discretos, com mesas e bancos, em redor, caramanchões exóticos, cheios de dragões decorativos, quiosques com vidros de cores casinhas misteriosas dispersas pelos cantos, que bem revelam quando Lu Lim Ieoc era um pagão adorador da vida…
E os trabalhos de embelezamento do famoso jardim nunca se acabavam, havia sempre mais uma gruta, uma cascata, uma árvore a dispor, etc, para não fugir à superstição de que, acabada a casa, o dono morrerá.” (2)
E na verdade, com a morte de Lou Lim Ioc, em 1927, o jardim entrou em decadência e os herdeiros (filhos) após a Segunda Guerra Mundial, em 1951,por questões financeiras venderam a extensa área (parte do jardim foi para construções urbanas, outras partes ocupadas pelas escolas Pui Cheng e Leng Nam) restando pouco, residência, pavilhões, lago que foram adquiridos pelo Governo em 1974. Após restauro abriu como jardim público.

Souvenir de Macau 1910 Um aspecto da Gruta de CamõesOUTRO ASPECTO DA GRUTA DE CAMÕES

Escreve Luís G. Gomes no Boletim do Instituto Camões, Vol. VII, n.º3, Outono de 1973:
Situado no Jardim da Gruta de Camões, está instalado em vetusto palacete, um dos raros exemplos de construção arquitectural dos meados do século XVIII, que sobreviveu ao camartelo inexorável do incessante progresso.
Foi dono, tanto deste edifício como do amplo parque que o rodeia, o abastado negociante Manuel Pereira, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real do Conselho de Sua Majestade, Conselheiro da Fazenda, Comendador das Ordens de Cristo e da Senhora da Conceição de Vila Viçosa, um dos fundadores da Casa de Seguros de Macau e seu Vice-Presidente e Tesoureiro. Tendo-se radicado nesta cidade, aqui constituiu família, casando três vezes e aqui faleceu em 10 de Março de 1826, tendo sido sepultado na igreja do extinto Convento, hoje Quartel de S. Francisco” (2)
(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol I, 1997