Ana Maria AmaroFaleceu no dia 12, a Professora catedrática jubilada do ISCSP-UTL, Ana Maria de Sousa Marques da Silva Amaro. (1) Viveu em Macau de 1957 a 1972. Sinóloga e investigadora de prestígio (defendeu sua tese de doutoramento na área da antropologia, com temática chinesa), foi uma grande divulgadora da história e cultura da China e de Macau (durante anos, responsável do Centro de Estudos Chineses e das semanas de cultura chinesa no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; foi presidente da Comissão Científica do Observatório da China e do Instituto de Sinologia), em Portugal.
Mas será sempre recordada pelos seus alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique como uma professora exigente de Ciências Naturais e Geografia (professora do 5.º e 6.º grupos do quadro do Liceu) e dinamizadora das festas culturais daquele Liceu. E ficará sempre ligada a Macau pelos seus estudos, histórico, antropobiológico, sócio-cultural e biofísico dos macaenses – os filhos da terra.

Por isso, da extensa bibliografia publicada (livros, artigos em revistas, trabalhos académicos) na minha memória estará sempre este livro: (2)

Filhos da Terra CAPACAPA do artista Mio Pang Fei

“A estrutura social dos macaenses, ou filhos da terra, tem um cunho verdadeiramente original que só pode compreender-se mercê de um estudo integrado das diferentes varáveis que actuaram como real motor da sua identificação como grupo.
Quem são os macaenses do ponto de vista antropobiológico e cultural? Como se organizou este grupo e se isolou ao longo dos quatro séculos da História de Macau?
A que ambiente biofísico e sócio-cultural teve este grupo de se adaptar e que respostas encontrou para o fazer? (p. 1)

Filhos da Terra CAPA+CONTRACAPADo RESUMO (p. 101):
“Os filhos da terra constituem um grupo sui generis que se isolou em Macau, fruto de pressões de índole social e económica.
Do ponto de vista antropobiológico, os filhos de terra constituem um grupo luso-asiáticos com fundo genético muito rico, cujo estudo científico, em amostragem significativa, nunca foi feito; estudo aliás, hoje deve ser difícil, se não impossível, de realizar devido à forte abertura à sociedade chinesa, já esboçada nos fins do século passado.
No entanto, do ponto de vista cultural, como exemplo típico de convergência de culturas, o grupo dos filhos da terra continua a manter padrões hibridados ou francamente originais, que lhe conferem vincada originalidade. São a culinária tradicional, o falar da terra, os trabalhos de costurinha e o batê saia, certos passatempos e os doces nominhos de casa, que Bocage imortalizou no seu soneto a Beba.
Pensar Macau sem pensar nos filhos da terra, portugueses do Oriente, por vezes tão injustamente ignorados, é esquecer os não só quatro séculos de história social do território, mas também a herança mais nobre e a jóia mais valiosa, que os portugueses de quinhentos legaram aos seus vindouros.”

(1) Foto retirada do blogue “crónicas macaenses
https://cronicasmacaenses.files.wordpress.com/2011/06/ana-maria-amaro.jpg
(2) AMARO, Ana Maria – Filhos da Terra. Instituto Cultural de Macau, 1988,124 p.
NOTA: Aconselho a leitura de um estudo interessante de Rogério Miguel Puga sobre
Representações da paisagem acústica de Macau na narrativa “Min-Pau-Lou” (1998), de Ana Maria Amaro” em:
cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/fragmentum/…/4736