Dá-me este lugar o abrigo de uma gruta,
o casulo de um silêncio
que nem o grito das aves marinhas
é capaz e interromper. Chego
das parcelas tão dispersas da conquista,
mas sou desconquistador, que o único
império que sei e canto
é o desta eternidade que rege os instantes
da quimera de um povo contra a sina
de ser pequeno, confinado à reclusão
da terra na cantante vizinhança das ondas.

José Jorge Letria

Busto de camões 1965A GRUTA DE CAMÕES EM 1965

LETRIA, José Jorge – Oriente da Mágoa (Pranto de Luís Vaz). Instituto Português do Oriente, 1992, 58 p. ISBN 972-8013-00-0